segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Tesouros da Pampulha - Ana Clara Brant‏

MAP vai expor obras de seu acervo, revelando preciosidades criadas por nomes de ponta da arte brasileira. Entre elas há desenho inédito de Guignard e doações de Assis Chateaubriand 

Ana Clara Brant
ESTADO DE MINAS  05/11/2012 



Desenho revela o lírico apreço de Guignard pelos amigos
Desde que começou a funcionar, há 55 anos, o Museu de Arte da Pampulha (MAP) recebe e abriga importante acervo de artes visuais. Boa parte dessas obras é desconhecida do público ou foi apresentada raríssimas vezes. A partir do próximo sábado, entrará em cartaz uma das maiores e mais representativas exposições desse conjunto de trabalhos.

Museu revelado oferecerá um recorte das 1,6 mil obras do MAP. Pinturas, gravuras, desenhos, instalações e fotografias contarão um pouco da história do museu. “Vamos resgatar a memória que há muito tempo estava escondida. A ideia é ressaltar a trajetória artística do MAP – da época dos famosos salões de arte de Belo Horizonte à contemporaneidade, passando pelo período das doações à instituição. Esse acervo foi mostrado algumas vezes em outros espaços, mas não aqui”, destaca Michelle Mafra, gestora do museu.

A publicação do Livro inventário, há dois anos, foi o primeiro passo para revelar o precioso legado às novas gerações. A nova exposição vem reforçar esse compromisso. Michelle diz que foi extremamente rico o processo de pesquisa e compilação das obras, cuja curadoria ficou a cargo do jornalista Sérgio Rodrigo Reis. A assistência de curadoria coube a Rodrigo Vivas, professor da Escola de Belas-Artes da UFMG. De acordo com a gestora, o olhar mais atento para garimpar e catalogar peças gerou várias surpresas.


Amor, serigrafia de Décio Noviello premiada em 1968

Entre as descobertas estão a coleção com 16 obras doadas ao MAP por Assis Chateaubriand, nunca exibida em sua totalidade e que contempla diversas épocas e propostas artísticas; cinco trabalhos de Guignard, inclusive um desenho inédito; obras de Volpi, Burle Marx, Goeldi e Amilcar de Castro; além de produções de arte contemporânea assinadas por Rivane Neuenschwander, Cao Guimarães, Márcia Xavier, Cristiano Rennó e Valeska Soares.

O público também poderá conferir trabalhos de Vik Muniz, Cildo Meirelles, Roberto Vieira e Decio Noviello. Há até uma curiosidade “histórica”: um quadro pintado por Winston Churchill, primeiro-ministro inglês que teve papel fundamental na vitória dos Aliados na 2ª Guerra Mundial.
Do presente ao passado 
Ana Clara Brant

A exposição começará pelos jardins externos do MAP. Criados por Burle Marx, eles abrigam esculturas importantes, como O abraço, de Ceschiatti, e Nu, de Zamoyski. Depois, seguirá pelo Salão Nobre e mezanino. As peças serão ordenadas cronologicamente: a mostra parte da produção visual das últimas décadas, passará por movimentos como Geração 80 e obras representativas dos salões nacionais de arte de BH para chegar ao modernismo brasileiro.
 

A Casa do Baile receberá uma extensão de Museu revelado. Por dialogar com a arquitetura, o design e questões urbanas, o espaço receberá obras relacionadas a essas temáticas.

Bastidores Em dezembro, informa Michele Mafra, o MAP será revelado sob outro prisma. Os visitantes terão a oportunidade de se aproximar dos bastidores da mostra. “As pessoas não conhecem o que está por trás da montagem de uma exposição como essa. Vamos apresentar esse trabalho interno, ou seja, como funciona a curadoria, a compilação das peças e a restauração. Isso é bem interessante”, ressalta a gestora.

De acordo com ela, a nova etapa virá acompanhada de um edital de arte contemporânea. “Selecionaremos duas propostas curatoriais para integrar o calendário expositivo do museu em 2013, democratizando o espaço e dando oportunidade a novos curadores”, conclui. 


Saiba mais - Joia de Niemeyer




Idealizado para abrigar um cassino, inaugurado em 1943, o Museu de Arte da Pampulha (MAP) foi o primeiro projeto de Oscar Niemeyer para o conjunto arquitetônico da Pampulha. Seu interior interpreta de forma criativa os elementos essenciais do barroco mineiro por meio da composição de espaços livres e cenográficos, do uso de perspectivas ilusórias nas paredes espelhadas e do jogo de curvas e rampas. Os jardins que circundam o prédio, criados pelo paisagista Roberto Burle Marx, têm como característica principal as formas sinuosas, com grandes blocos e manchas de cores construídas com espécies da flora brasileira. Com a proibição dos cassinos no país, o museu (foto) passou a funcionar no prédio de Niemeyer a partir de 1957.

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