sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

MEIA-ENTRADA » Regra para idoso contraria produtores‏

MEIA-ENTRADA » Regra para idoso contraria produtores


Eduardo Tristão Girão

Estado de Minas: 06/12/2013



O Projeto de Lei do Senado (PLS) 188/2007, aprovado dia 4, que regulamenta o direito à meia-entrada em eventos culturais e esportivos,  já provoca polêmica entre os produtores culturais e exibidores de cinema em Belo Horizonte, antes mesmo da sanção presidencial. No centro da discussão estão os idosos: no texto aprovado anteriormente pela Câmara dos Deputados, os maiores de 60 anos figuravam ao lado de estudantes, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda como beneficiários da medida, todos sujeitos ao limite de 40% do total de ingressos. Entretanto, o texto foi alterado e os idosos permaneceram de fora dessa cota.

LIMITE Para Lúcio Oliveira, vice-presidente da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos, foi uma surpresa ver o projeto ser encaminhado para sanção sem a inclusão dos idosos no limite de 40% de ingressos de meia-entrada. “Isso foi muito ruim, pois fez ruir todo o raciocínio lógico que norteou a discussão. Ainda assim, essa aprovação será muito positiva. Nosso entendimento é de que a meia-entrada deveria ter contrapartida do estado. Como não tem, deveria haver um percentual de meia-entrada que nos permitisse fazer nossas contas, elaborar planilhas”, argumenta.

A lei federal acabaria, por exemplo, com a dupla legislação (municipal e estadual) sobre meia-entrada na capital mineira. Além disso, estabeleceria formalmente a cota de 40% de ingressos de meia-entrada, o que atualmente existe – embora extraoficialmente – por meio de acordo entre promotores de eventos e o Ministério Público de Minas Gerais. Lúcio se diz favorável à inclusão de idosos nesse limite, a não ser que o governo custeie subsídio ao setor. “Hoje, somos nós e os artistas que bancamos isso. Paciência, teremos de conviver com isso, mas agora é hora de comemorar”, diz.

Pedro Olivotto, diretor do Cine Belas Artes, defende mudança de critérios para estabelecer quem tem direito ao benefício. “Hoje, menos de 10% da população brasileira frequenta cinema. Sou a favor de cotas econômicas. Quem comprovasse ter determinada faixa de renda teria direito a meia-entrada. Aí, passaríamos a ter 20%, 30% ou 40% dos brasileiros indo ao cinema. O critério é equivocado, não pode ser classista, mas levar em conta a renda. O bem cultural é tão importante quanto os outros, mas só a classe cultural paga por isso. O entendimento está errado. É preciso um critério mais abrangente e justo”, afirma.

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