sábado, 3 de maio de 2014

Orelha

Orelha

Estado de Minas: 03/05/2014
O crítico literário Silviano Santiago publicou textos na primeira fase da Revista de Cinema (Maria Tereza Correia/EM/D.A Press)
O crítico literário Silviano Santiago publicou textos na primeira fase da Revista de Cinema


Reflexão pioneira

Criada como espaço para pensar criticamente o cinema brasileiro e mundial, a Revista de Cinema, publicada entre 1954 e 1965, acaba de ganhar uma antologia. Organizada em dois volumes pelos críticos e pesquisadores Marcelo Miranda e Rafael Ciccarini, a publicação recupera textos fundamentais para o estudo de cinena – e, principalmente, da crítica cinematográfica – assinados por Cyro Siqueira, Maurício Gomes Leite, José Francisco Coelho, Guy de Almeida, Fritz Teixeira Salles, Fábio Lucas, Silviano Santiago e outros. No primeiro volume, com 296 páginas, estão artigos dedicados ao neorrealismo italiano, à revisão do método crítico, ensaios sobre crítica e também sobre gêneros cinematográficos. No segundo tomo estão reunidas reflexões sobre cineastas, filmes e cinematografias, a relação do cinema com outras artes e sobre a censura. Como destaca o crítico Ismail Xavier no prefácio, a seleção de artigos oferece, especialmente às novas gerações, oportunidade de conhecer um dos marcos da história da crítica de cinema no Brasil.


Nheengatu


Publicado uma única vez em revista no início do século passado, o Vocabulário português-nheengatu-português, de Ermano Stradelli, é a prova de que o monolinguismo no Brasil é um dos mitos da nossa cultura. Lançada em livro pelo Ateliê Editorial, a obra pretende preencher uma lacuna sobre a diversidade linguística do país. O nheengatu é uma língua geral falada nas redondezas da bacia amazônica. É curioso saber que palavras como pipoca, paçoca, cuia, carioca e caipira, entre outras, e pronúncias como oreia, cuié, muié e outras tantas, têm origem no nheengatu.


Sertão

   (Claudio Versiani/Divulgação)


Segundo romance escrito pelo mineiro Darcy Ribeiro (foto), O mulo ganha uma nova edição. Lançamento da Global, o livro começou a ser esboçado durante o período em que o antropólogo esteve no exílio. Darcy narra de forma envolvente os problemas do Brasil: os desmandos políticos e toda a carga de violência neles embutida. O mulo foi publicado pela primeira vez em 1981, traduzido para o italiano, o espanhol e o alemão. A partir da história de Philogônio Castro Maya, típico homem poderoso do sertão, que vive acima da lei, Ribeiro denuncia as relações arcaicas da sociedade, ao mesmo tempo que desenha o retrato do mandonismo nos rincões do país. A editora, que também relançou Maíra, poderia agora repor em circulação o livro Migo, há muito fora de catálogo.


Medicina


Como as vacinas foram desenvolvidas? E a pílula anticoncepcional, o exame de Papanicolaou e a técnica de transplante? Stefan Cunha Ujivari e Tarso Adoni contam em A história do século XX pelas descobertas da medicina como foram as experimentações que se traduziram em alguns dos avanços dos tratamentos médicos. Ao longo de 22 capítulos, os autores abordam tanto a coragem de médicos e cientistas para tornar os progressos possíveis, como também relatam experimentos desumanos e antiéticos que contribuíram para descobertas.


Esporte

 (Neil Hart/Reuters)


Em tempos de Copa do Mundo, duas biografias de figuras de peso do esporte chegam ao mercado – a de Neymar e a de Usain Bolt (foto) – e ainda uma publicação da franquia do Guia politicamente incorreto, desta vez voltado para o futebol. Escrito por Jones Rossi e Leonardo Mendes Júnior, o livro vem compor a estante de incorreções já lançadas nas áreas de filosofia, política, história do Brasil, da América latina e outros. O negócio é polemizar. Entre os temas estão os bastidores da Copa de 1998, a gestão de Ricardo Teixeira na CBF, as injustiças contra Zagallo na Copa de 70 e por aí vai. Nas biografias, curiosamente é um jornalista dinamarquês, Peter Bank, quem escreve sobre o maior ídolo brasileiro do futebol da atualidade, Neymar. Vai desde o nascimento em Mogi das Cruzes até a contratação pelo Barcelona. Já a história do homem mais rápido da Terra é o próprio Usain Bolt quem conta, em Usain Bolt – mais rápido que um raio. Minha autobiografia. Em primeira pessoa, fala sobre os desafios que enfrentou na carreira, as contusões, um acidente de carro e até mesmo as pressões da fama.


Revista

A revista Política democrática, publicada pela Fundação Astrojildo Pereira, dedica sua 38ª edição para tratar dos 50 anos do golpe militar. Em nove artigos de Ferreira Gullar, Jarbas de Holanda, Elio Gaspari e José Serra, entre outros, é feita uma revisão crítica daquele período. O restante da revista é dedicado a temas da atualidade, como a banalidade dos crimes praticados no Brasil, a necessidade de reformulação do sistema previdenciário nacional e a delicada situação da economia do país, analisada por Antônio Machado.


Segurança


 (Roberto Moreyra/Extra)


Figura central no movimento de pacificação das favelas cariocas, o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame (foto), é o biografado em Todo dia é segunda-feira. Trata-se de depoimento ao jornalista Sérgio Garcia. Ele narra desde o dia em que abandonou a terra natal, Santa Maria (RS), até assumir o cargo de peso na segurança do Rio. Os bastidores da ocupação do Complexo do Alemão em 2010 e o nascimento das Unidades Pacificadoras (UPPs) são alguns dos temas abordados no livro.

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