domingo, 14 de julho de 2013

Os bandos soltos - Janio de Freitas

folha de são paulo
Os bandos soltos
Eles têm o propósito de valer-se das manifestações para destruir e para lutar com a Polícia Militar
Uma atitude conveniente, em muitos sentidos, a todas as secretarias de Segurança nesta fase de violências a meio de manifestações pacíficas: comandante da PM no Rio, o coronel Eri Ribeiro convidou representantes da OAB e do Ministério Público a acompanharem a tropa que conteria a manifestação no entorno do Maracanã, quando do jogo entre Brasil e Espanha.
Resultado: confirmou-se o previsto choque, mas o representante do Ministério Público testemunhou que a agressão inicial não foi da PM, foi contra a PM. O desmentido ao histórico da repressão policial, positivo para a PM, serviu sobretudo para confirmar uma anormalidade que requer mais consideração geral do que a recebida até aqui.
Multiplicam-se os bandos organizados com o propósito de valer-se das manifestações para destruir lojas, carros, equipamentos públicos e para lutar com a PM. Perturbação piorada dos bandos de marginais que se passavam, ou passam, por torcidas organizadas em São Paulo. As duas últimas manifestações no Rio --em frente ao palácio de governo de Sérgio Cabral e a passeata dos sindicalistas-- foram interrompidas pelo ataque provocador dos marginais à PM. No primeiro desses casos, com o legado de muitos manifestantes e transeuntes atingidos.
Dos adultos apanhados, só dois ficaram presos. E dois "dimenor" foram detidos (ou "apreendidos", dizem agora os jornalistas, como se "dimenor" fosse objeto ou mercadoria). Não é a maneira de sustar a crescente violência que deturpa e terminará por esvaziar os movimentos legítimos de protesto e reivindicação pública.
Extensão das passeatas urbanas, as interrupções das estradas, na quinta-feira, incluíram muitos atos de violência. Se um caminhoneiro mata outro com uma pedrada no para-brisa, e seus companheiros nada fazem, não se espere coragem da Polícia Rodoviária para desalojar dezenas ou centenas deles. E as violências ficam por isso mesmo?
Os responsáveis pela segurança pública mostram-se acuados, diante do novo problema, pela já automática acusação às suas polícias, a partir dos tiroteios fatais nas favelas ou em enfrentamentos com assaltantes. Mas, da maneira como os distúrbios de violência se espalham e se agravam, a tendência é que terminem mal para todos os lados.
A RECEPÇÃO
A regra do papa Francisco é a simplicidade cristã. Nada dos sapatos de modelitos vermelhos, colares e cruzes e anéis de ouro, e dos paramentos ofuscantes de João Paulo 2º e de Bento 16. Seus sapatos são ainda os que usava nos ônibus e no metrô de Buenos Aires, seu quarto é na casa de prelados em trânsito, sua alimentação é no refeitório.
A cúria do Rio e seu círculo de socialites e de novos ricos esmeram-se nas grã-finices com que desejam cercar o papa Francisco. Cardápios especialíssimos, componentes finíssimos para o quarto. Os pratos de suas refeições? Ah, são peças da família imperial. A cada dia uma novidade de riqueza é informada à imprensa. Um desrespeito sem limite.
O ORIGINAL
Fez bem o senador peessedebista Aloysio Nunes Ferreira em mover o Senado para colher, no Ministério da Defesa, os nomes dos usuários de aviões da FAB. Mas voos desde quando? Afinal, o escândalo desses voos vem do governo do PSDB. Culminou com o abuso incomparável do então ministro Ronaldo Sardenberg, que viajou em férias com a família para Fernando de Noronha. E os ministros e assessores do PSDB viajavam para São Paulo pela FAB, todo fim de semana.
Foi a farra aérea do PSDB com o dinheiro público que motivou a meia restrição agora inspiradora do indignado peessedebista.

    Copa de literatura leva romances do país aos 'gramados'

    folha de são paulo
    Campeonato promove duelos 'futebolísticos' entre 16 livros de escritores como Daniel Galera e Luiz Ruffato
    Em sua quinta edição, torneio realizado pela internet vai incluir mesa redonda para debater jogos literários
    CASSIANO ELEK MACHADODE SÃO PAULO
    Será literalmente, ou ao menos literariamente, o campeonato mais importante dos últimos anos.
    Com pontapé inicial marcado para 13 de agosto e uma tabela que inclui mais de 20 partidas está de volta aos gramados da internet a Copa de Literatura Brasileira.
    Competição criada em 2007 pelo economista Lucas Murtinho, o torneio literário chega à quinta edição, depois de dois anos sem jogos.
    Desta vez estão em disputa 16 romances, publicados em 2011 e 2012. Tal como num campeonato esportivo, os livros "jogam" uns contra os outros, e o vencedor avança, até que saia o campeão.
    Ganha cada partida o romance que for considerado mais qualificado pelo crítico designado para apitar os jogos.
    O juiz explica, em resenhas publicadas no site do torneio,www.copadeliteratura.com.br, os motivos da vitória, valendo-se das quase infinitas metáforas futebolísticas.
    O corpo de jurados, responsável pela escolha dos romances em disputa, é composto por 23 juízes entre escritores, professores de universidades de diversos Estados e blogueiros.
    Entre eles estão o criador da Copa, Murtinho, e os dois outros integrantes da comissão organizadora deste ano, a jornalista e editora Lu Thomé e o crítico e tradutor Raphael Dyxklay.
    Thomé também foi a organizadora, em parceria com o editor Rodrigo Rosp (que dirige duas pequenas e boas editoras de Porto Alegre, a Não Editora e a Dublinense), de um campeonato regional de literatura (o equivalente aos Estaduais de futebol).
    O Gauchão de Literatura teve duas edições, em 2010 e em 2011, que terminou com vitória do livro "Anjo das Ondas", do premiado escritor gaúcho João Gilberto Noll.
    Outro romance do escritor, "Solidão Continental", participa da Copa de Literatura Brasileira deste ano. O livro enfrenta na primeira rodada (jogo duro) a obra "O Céu dos Suicidas", escrita pelo campeão da quarta edição do torneio nacional, Ricardo Lísias.
    BOLA CHEIA
    O romance de Lísias "Livro dos Mandarins" protagonizou uma das maiores goleadas da história da Copa, ao bater por 13 a 2 "O Filho da Mãe", de Bernardo Carvalho.
    Números tão expressivos de gols só se vê nas finais. Se nas primeiras fases os livros são julgados por um só crítico, no estilo "mata-mata", na final votam todos.
    O campeão não recebe nem troféu nem dinheiro. "Só ganha o direito de bater no peito e dizer que é copeiro", brinca Murtinho.
    Ele anuncia algumas novidades para a edição deste ano. "Haverá rodadas extras, uma de repescagem e outra chamada zombie round', para permitir nova chance aos livros que perderam na primeira fase."
    O torneio também passa a contar com "mesas redondas" para comentar os jogos, com posts produzidos pelo site literário Posfácio (www.posfacio.com.br).
    As novas atrações foram inspiradas no campeonato Tournament of Books, realizado na Inglaterra e "fonte" da Copa.
    Tal como na disputa britânica, o evento brasileiro conta este ano com alguns jurados internacionais. São eles o dinamarquês radicado no Brasil Karl Erik Schøllhammer, professor de literatura na PUC do Rio de Janeiro e autor de livros como "Ficção Contemporânea Brasileira" (ed. Record), e o escritor mexicano Juan Pablo Villalobos.
    Autor do premiado romance "Festa no Covil" (Companhia das Letras), Villalobos, que atualmente vive em Campinas (SP), celebra o formato do campeonato: "Combina minhas duas grandes paixões, o futebol e a literatura".
    "Gosto da ideia de exercer uma crítica literária com critérios futebolísticos, o que pretendo levar até as últimas consequências", brinca o escritor, atração da recente edição da Flip.
    "A ideia de que tenha de haver um ganhador, de que os jogos sejam disputados com muita raça, que haja polêmica, injustiças e roubos, tudo isso é maravilhoso", completa o juiz Villalobos.
    Na Inglaterra, o campeão ganha galo de verdade
    DE SÃO PAULO
    Campeonato que inspirou a Copa de Literatura Brasileira, o britânico Tournament of Books (ToB) realizou sua nona edição em março. O romance vencedor foi "The Orphan Master's Son", do americano Adam Johnson, lançado aqui como "Jun Do" (ed. Lafonte). Na final, goleou "A Culpa é das Estrelas" (Intrínseca), do conterrâneo John Green.
    Criado pelo escritor Rosecrans Baldwin, que edita a aclamada revista digital "The Morning News", o ToB já inspirou copas similares na Austrália e no Canadá.
    Autores de prestígio, como Nick Hornby e Junot Díaz já foram jurados do torneio, hoje patrocinado pela livraria Barnes & Noble.
    O regulamento diz que o vencedor ganha um galo, de verdade. "É pena que nenhum campeão aceitou receber o prêmio", diz Baldwin à Folha.
    No Peru, briga envolve autores mascarados
    DE SÃO PAULONa primeira rodada, o Dr. Demente subirá ao ringue para enfrentar a Dama Coppelius. Já o "lutador" Nox terá de medir forças com El Mago del Miedo.
    Eles são alguns dos 32 competidores do LuchaLibro, campeonato literário realizado anualmente no Peru.
    Os participantes deste ano, cada um deles ostentando uma máscara de luta livre mexicana diferente, foram apresentados ontem num evento para a imprensa em Lima.
    O inusual evento, que mistura improvisação literária com o universo da luta livre, foi criado em 2011 pelo publicitário e escritor Christopher Vásqueze e por sua mulher, a produtora Angie Silva.
    Se a Copa da Literatura Brasileira é realizada entre livros de autores já experientes, no LuchaLibro só participam escritores inéditos. "Nosso objetivo é romper com a literatura pomposa e solene e revelar novos autores", diz à Folha Angie Silva.
    O formato de todas as lutas é igual. Os dois competidores de cada batalha recebem três palavras, sorteadas na hora, e têm cinco minutos para escreverem um relato de ficção na qual elas apareçam.
    A plateia acompanha ao vivo. Ao passo que são escritos, num notebook, os textos são projetados num telão.
    Os jurados, entre eles escritores e jornalistas conhecidos no país, como Enrique Planas e Elda Cantú, escolhem o vencedor. O perdedor, tal como na luta livre, tira a máscara diante do público.
    O campeão (o de 2012 foi "Ruido Blanco") ganha como prêmio o direito de publicar um livro pela editora que patrocina o evento, a Solar.
    "Ele só mostra o rosto numa apresentação para a imprensa, na Feira do Livro de Lima", explica Silva.
    Em sua terceira edição, a ser realizada de agosto a outubro com patrocínio da Prefeitura de Lima, os competidores foram escolhidos entre 200 inscritos no torneio.
    O LuchaLibro também já ganhou uma versão internacional, em Tenerife, na Espanha. "Quem sabe não achamos um parceiro no Brasil", desafia Silva.

      José Simão

      folha de são paulo
      Ueba! Obama espiona corno!
      E eu não sou contra a vinda de médicos cubanos. O problema é: quem vai ficar cuidando do Fidel? Rarará!
      Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E os dois babados da semana: "Dilma dá um SUSto nos médicos". E "Brasil é alvo de espionagem dos EUA!".
      Grandes novidades! Descobriram a pólvora. Se você não sabe onde largou a chave do carro, a CIA sabe! Vocês ficam escrevendo merda na internet, os americanos estão lendo tudo.
      Socorro! O Obama vai descobrir que eu sou fã do Gusttavo Lima. Ai, que vergonha! E o Obama tem a lista de todos cornos do Brasil!
      E um amigo no Facebook: "Querido presidente Obama, espero que aquilo que eu fiz com a minha secretária ontem fique só entre nós três". Rarará!
      E um outro: "Querido presidente Obama, a minha mulher vai mesmo pro cabeleireiro três vezes por semana ou é migué dela?".
      E a manchete do Piauí Herald: "Após espionar Galvão Bueno, agente da CIA pede asilo na Venezuela". Deve ter ficado louco, camisa de força.
      E uma amiga quer saber se o Obama consegue decifrar um texto do Bial! E um outro quer saber: "Obama, ONDE ESTÁ O WALLY?". O Obama espiona o mundo todo, mas não sabe onde está o Wally! E toda vez que você entrar no Twitter e no Facebook, diga bom dia ao Obama. "Bom dia, Obama." E pra Michelle também, não seja mal-educado!
      E a saúde? Dilma deu um SUSto nos médicos. "Maaaantega, manda esse médicos pro Amapá."
      E eu não sou contra a vinda de médicos cubanos. O problema é: quem vai ficar cuidando do Fidel? Rarará! E eu não sou contra a vinda de médicos portugueses. O problema é a língua: menino é puto e fila é bicha. E vão instalar marcapasso no pé! Rarará!
      E se eu estivesse doente no interior do interior do Ceará, eu iria querer um médico humano. Tanto faz se paulistano, cubano e até marciano! Até ET serve!
      E os dois anos no SUS? Há controvérsias! Um leitor quer que os políticos sejam obrigados a usar o SUS por dois anos para que também sejam humanizados. O Sensacionalista acha que os médicos deviam aproveitar os dois anos do SUS para aprender caligrafia.
      E o Mercadante virou clínico geral? Dá pitaco em tudo! Papagaio de pirata da Dilma, a Grande Chefe Touro Sentado. Rarará! Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

      Cyndi Lauper completa 30 anos de carreira com reality e musical

      folha de são paulo
      TELEVISÃO
      A cantora foi a primeira mulher a vencer o prêmio de teatro Tony na categoria trilha sonora
      Ativista LGBT e feminista, ela critica o 'estado de guerra' contra as mulheres nos Estados Unidos
      JULIANA GRAGNANICOLABORAÇÃO PARA A FOLHA
      Passados 30 anos da canção "Girls Just Wanna Have Fun", Cyndi Lauper, 60, quer, mas não pode apenas se divertir. Sua vida, segundo relatou à Folha, é "trabalho, trabalho, trabalho".
      Neste ano, a cantora se envolveu na criação de "Kinky Boots", musical da Broadway, participou de um reality show ("Fora do Comum", no ar no Brasil no canal VH1, segundas, às 22h30) e fez uma turnê comemorando as três décadas de sua carreira. No final do ano passado, publicou uma autobiografia.
      Cyndi diz que muita coisa mudou em três décadas, mas suspira e, depois de alguns segundos, conclui: "Tudo mudou, mas, na realidade, está exatamente igual".
      Segundo ela, a energia dos anos 1980, quando chegou ao estrelato, é a mesma. Sua disposição, contudo, é hoje direcionada a projetos diferentes.
      Em junho, Cyndi ganhou o Tony, prêmio mais importante do teatro americano, pela composição da trilha sonora de "Kinky Boots". Ela foi a primeira mulher a vencer nessa categoria, em 67 edições da premiação.
      Já o reality, diz Cyndi, foi satisfatório porque lhe deu tempo para ficar com a família.
      "Meu filho sempre se interessou por produção de vídeo, então achamos que seria legal expô-lo ao mundo da TV."
      No programa, o garoto de 15 anos aparece bebendo champanhe e dando selinho em uma moça. E dá uma bronca na mãe por xingar demais na televisão.
      "Mas ele viveu uma vida dupla e escondeu aspectos privados, como sua rotina jogando hockey", afirma.
      Desde "She's So Unusual" (1983), seu primeiro álbum, Cyndi ficou conhecida por atuar em movimentos pró-LGBT. "True Colors" (1986), canção homônima do segundo disco, virou um hino. Mas hoje ela faz questão de dizer que é também uma feminista.
      "Existe um estado de guerra contra as mulheres agora nos EUA e isso me incomoda muito", afirma, embora descarte agir politicamente.
      Cyndi elogia a senadora americana Wendy Davis, que discursou durante mais de dez horas no parlamento do Texas, nos EUA, para tentar barrar a aprovação de uma lei que limitava o número de clínicas de aborto no Estado. "É um absurdo castrarem nossos direitos dessa maneira."
      A estrela diz que a solução para a opressão e o preconceito é a educação. Ela afirma viver segundo o mantra de uma das canções que compôs para o musical da Broadway: "Você muda o mundo quando muda sua mente".
      E cita outras frases da canção, que recomendam "aceitar os outros para se aceitar", "seguir a verdade", ou então "deixar o amor brilhar".