segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Eduardo Almeida Reis - Paraíso‏

Para sair das casas aquecidas as pessoas usam meias, ceroulas e camisas térmicas, botas e casacos de peles de animais abatidos por lá

Eduardo Almeida Reis
Estado de MInas: 18/08/2014



Três vezes recebi, três vezes repassei para a lista genteamiga a reportagem de Shaun Walker sobre Yakutsk, provando que existe cidade mais fria do que Juiz de Fora, MG. Fica na Sibéria Oriental, a seis fusos horários de Moscou e seis horas de voo num jato Tupolev. No mês de janeiro, a temperatura média é de 40ºC negativos. Para sair das casas aquecidas as pessoas usam meias, ceroulas e camisas térmicas, botas e casacos de peles de animais abatidos por lá, para horror dos ambientalistas residentes em Fortaleza, CE.

O jornalista do The Independent, com todos os agasalhos recomendados, saiu do hotel aquecido e em 13 minutos suas orelhas começaram a pingar e as pernas “sucumbiram”. Voltou ao hotel e levou um tempão para se recuperar, informando que o corpo inteiro começa a coçar. O vidro do seu relógio não quebrou porque estava protegido pelas roupas. A 50ºC negativos suspendem as obras da construção civil porque os metais se tornam quebradiços. Fecham também os jardins de infância, mas as outras escolas só suspendem as aulas quando a temperatura baixa dos 55ºC negativos.

Ouro e diamantes abundam na região. A cidade tem hotéis, cinemas, ópera, universidade, jardim zoológico e a inevitável entrega domiciliar de pizzas. A cidade de Xanxerê, SC, entrou para o RankBrasil pelo recorde de menor temperatura registrada por órgão oficial. No dia 20 de julho de 1953, o Instituto Nacional de Meteorologia, Inmet, vinculado ao Ministério da Agricultura, registrou no município 11,1ºC negativos. Urubici, SC, já registrou 17ºC negativos, mas em termômetros não oficiais. Em Yakutsk, 11 abaixo de zero deve ser a temperatura no verão. Há 200 mil malucos residentes naquele paraíso da imbecilidade humana.


Pedofilia
Manchete do provedor Terra no dia 16 de julho: “Megaoperação britânica prende 600 por pedofilia”. Nas tevês, o número aumentou para 660. Tradução: a polícia britânica prendeu um tiquinho, uma dx dos pedófilos que circulam por lá, e dx (derivada de x) significa uma porção infinitesimal de x e também indica que a sua integral será com base nessa variável (x). Todo e qualquer país que prenda pedófilos engaiolará uma dx dos existentes. Como explicar a perversão que leva um indivíduo adulto a ser sexualmente atraído por crianças?

É perversão inexplicável, mas existe e é universal. Vou às obras completas de Freud, edição eletrônica, escrevo pedofilia e o programa informa: palavra não encontrada. Mas a Wikipédia tem e nos diz que a pedofilia, também chamada de paedophilia erotica ou pedosexualidade, é a perversão na qual a atração sexual de um indivíduo adulto ou adolescente está dirigida primariamente para crianças pré-púberes, ou seja, antes da idade em que a criança entra na puberdade ou no início da puberdade.

A pedofilia faz parte de um grupo de preferências sexuais chamado cronofilia, junto a nepiofilia, hebefilia, efebofilia, teleiofilia e gerontofilia. Animadora, nessa lista, somente a gerontofilia, atração sexual por pessoas de idade avançada, que embala os sonhos dos idosos no outono de suas vidas. Segundo a OMS, adolescentes de 16 ou 17 anos também podem ser classificados como pedófilos se tiverem preferência sexual persistente ou predominante por crianças pré-púberes pelo menos cinco anos mais novas que eles.

A lista das parafilias é imensa, mais que 50, e o artigo da Wikipédia tem milhares de palavras impossíveis de resumir numa coluna de jornal. Parafilia é cada um dos distúrbios psíquicos que se caracteriza pela preferência ou obsessão por práticas sexuais socialmente não aceitas como a pedofilia, o sadomasoquismo, o exibicionismo etc. O etc. diz tudo e não explica os distúrbios psíquicos, motivo pelo qual tiro meu time de campo, não sem antes informar que fico perplexo cada vez que vejo na tevê um pedófilo preso aqui e alhures, eventualmente acolá. Pela atenção, muitíssimo obrigado.


O mundo é uma bola

18 de agosto de 797: Irene de Atenas destrona o filho Constantino VI e passa a governar sozinha como imperatriz bizantina. Irene Sarantapecaina reinou de 797 a 802. Antes de se tornar imperatriz bizantina foi imperatriz consorte entre 775 e 780, e regente (viúva do imperador) entre 780 e 797. Más línguas dizem que ela se autointitulava basileu “imperador” e o certo é que morreu aos 51 aninhos em Lesbos, ilha que originaria em português o adjetivo lésbico (de Lesbos + -ico), que sente atração por pessoa do mesmo sexo ou com ela mantém relação afetiva e/ou sexual, lesbiano, lésbio (diz-se de mulher); que diz respeito à relação afetiva e/ou sexual entre mulheres; lesbíaco, lesbiano, lésbio, sáfico. Vale notar que Irene era feia com força.

Em 1858, primeira comunicação por cabo submarino entre a Europa e os Estados Unidos. Em 1942, manifestações num país grande e bobo exigiam que o ditador Getúlio Vargas entrasse em guerra contra os países do Eixo. No início da Segunda Guerra Mundial, Getúlio parecia favorável à política de Hitler, di-lo a Wikipédia.

Em 1958, lançamento nos Estados Unidos do romance Lolita, de Vladimir Nabokov, contando a história de um professor que se apaixona por sua enteada de 12 anos. De lá para cá, o mundo acabou de enlouquecer e Lolita virou História da Carochinha.


Ruminanças
“A ortodoxia, meu senhor, é a minha doxia; heterodoxia é a doxia de outra pessoa” (William Warburton, 1698-1779).

Hora de sair do sol - Celina Aquino

Tecnologia criada em Ouro Preto para tratar icterícia em recém-nascidos pode ser usada no monitoramento da exposição aos raios ultravioleta

Celina Aquino
Estado de Minas: 18/08/2014



O que era problema virou solução. Enquanto a indústria tenta impedir a mudança de cor das telas flexíveis, que se degradam muito rapidamente em contato com a luz, pesquisadores da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) aproveitam a propriedade dos polímeros, um tipo de material plástico, para criar sensores de radiação, que podem até salvar vidas. Desenvolvida inicialmente para auxiliar o tratamento de icterícia em recém-nascidos, a tecnologia patenteada, inédita e genuinamente brasileira, agora também pode ser usada para monitorar a exposição aos raios ultravioleta. O selo passa do vermelho ao verde, indicando que está na hora de renovar o protetor solar ou sair do sol.

Os sensores mudam de cor quando estão expostos a um determinado tipo de radiação. O que mede os raios ultravioleta é chamado de Sunsticker. “Ele vai conscientizar as pessoas sobre a exposição prolongada ao sol. A radiação solar é uma das principais responsáveis pelo câncer de pele e a nossa preocupação é reduzir os índices da doença”, comenta a química Mariane Satomi Weber Murase, integrante do Laboratório de Polímeros e Propriedades Eletrônicas de Materiais (Lappem) da Ufop. De fácil leitura, o Sunsticker funciona como um semáforo inteligente: quando fica verde, mostra que chegou-se à quantidade máxima saudável de raios ultravioleta. O selo solar pode ser aplicado na pele ou na roupa.

Segundo a pesquisadora, o Sunsticker é pensado para trabalhadores e atletas que passam muito tempo sob o sol. “Nossa expectativa é que o selo se torne um equipamento de proteção individual (EPI), obrigatório para garantir a segurança de quem precisa permanecer longos períodos debaixo do sol. Mas queremos também que a população em geral possa usá-lo para fazer uma caminhada no domingo, por exemplo”, pontua Mariane. Por enquanto, o Sunsticker está calibrado para peles sensíveis, o que garante proteção para todos os brasileiros. A pesquisadora adianta que a intenção é criar selos para cada tom de pele. O tamanho e a forma dos sensores também podem variar de acordo com a demanda.

Cincos alunos ligados ao Lappem planejam colocar o produto no mercado. Para isso, eles criaram, há um ano, a startup Lifee, uma das 40 selecionadas no mundo inteiro pelo Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (SEED), programa do governo de Minas Gerais. Falta registrar o Sunsticker no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Mariane explica que o grupo ainda não definiu o custo do selo, mas ela garante que será baixo e acessível a qualquer parcela da população.

LUZ AZUL A empresa estuda também oferecer, a hospitais e maternidades, um sensor de radiação para luz azul, conhecido como Neosticker, que pode ser útil para recém-nascidos com icterícia. “Acreditamos que haverá um salto de qualidade no tratamento e queremos contribuir para que nenhuma criança no mundo tenha sequelas. Se a fototerapia não for adequada, a molécula tóxica bilirrubina, que deve ser eliminada pelo organismo, impregna no sistema nervoso central e causa cegueira, surdez e até paralisia cerebral. Isso é irreversível”, alerta a química industrial Giovana Ribeiro Ferreira, pós-doutoranda em física de materiais. De acordo com a pesquisadora, o tratamento não é controlado adequadamente porque os profissionais de saúde não conseguem medir a quantidade de luz azul a ser recebida.

O selo passa do vermelho ao verde, para mostrar que o tratamento da icterícia foi realizado corretamente. Quando não muda de cor em duas horas, indica que o recém-nascido não recebeu a quantidade de radiação adequada. “Preferimos calibrar a alteração em pouco tempo, para que seja possível ajustar o tratamento mais rapidamente”, justifica Giovana. Recomenda-se que o adesivo seja colado na fralda, mas não há problema em ter contato com a pele do bebê. A aluna da Ufop esclarece que a concentração maior no Neosticker é do polímero convencional, encontrado em copos descartáveis e garrafas de água, por exemplo, objetos que já estamos acostumados a manusear. Já foram realizados testes em laboratório e com recém-nascidos de um hospital no Sul de Minas. A próxima etapa é registrar o produto na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o coordenador do Lappem, Rodrigo Bianchi, a proposta é trabalhar com materiais orgânicos que mudam de cor, para diversas aplicações. “Os grandes laboratórios tentam inibir os processos de degradação. O que queremos é controlá-los”, resume o físico, que há 12 anos começou a estudar os polímeros luminescentes. 

Está em desenvolvimento um sensor para medir a radiação em alimentos. Muito usada em países da Ásia e África, onde não há sistema de refrigeração, a técnica inibe brotação e mata bactérias, aumentando o tempo de prateleira do produto. O selo pode servir tanto para o controle da indústria alimentícia quanto para o consumidor saber que a quantidade de radiação está adequada.

Bumbum de deusa - Anna Marina

Anna Marina - anna.marina@uai.com.br
Estado de Minas: 18/08/2014




Recebi o catálogo da grife de lingerie Fruit de la Passion e fiquei literalmente impressionada com as fotos e os trajes. Tirando um sutiã ou outro, os modelos batem de longe os exageros da marca americana Victoria Secrets, que devem ser pra lá de incômodos. Ou então são usados apenas para fazer graça, sem roupa por cima. Mas uma coisa fica evidente: o bumbum das modelos. Toda mulher brasileira sonha com aquele bumbum perfeito: durinho, delineado e volumoso. Porém, fatores genéticos, idade, sedentarismo e hábitos alimentares são alguns dos empecilhos femininos na hora de alcançar o “bumbum empinadinho”, tão cobiçado e vastamente exposto nos meios de comunicação.

Mas como não são todas que nasceram com esse biotipo e, ainda assim, desejam fazer jus à sua nacionalidade, o aumento de glúteo tem se tornado uma das maiores “febres” entre as cirurgias plásticas. Apesar de ainda serem menos populares que os implantes nos seios, as próteses de silicone de glúteo vêm conquistando cada vez mais o seu espaço entre as brasileiras. Trata-se de uma cirurgia relativamente simples, em que uma pequena incisão é feita no sulco interglúteo, evitando cicatrizes aparentes. A prótese utilizada é de gel de silicone, semelhante às usadas em implantes mamários, porém mais espessa e que variando de formato, geralmente entre oval e arredondado.

A gluteoplastia resolve de uma só vez o problema de tamanho e de flacidez, uma vez que a musculação e atividades físicas costumam ser ineficientes, embora boas aliadas, no delineamento do bumbum almejado. É indicada para quem tem glúteos pequenos, de pouca projeção, flácidos ou disformes, bem como para quem emagreceu muito e perdeu a elasticidade da pele. O procedimento tem duração de cerca de 1 hora e meia, com anestesia peridural. A incisão é feita por meio do sulco inferior do bumbum, onde a cicatriz ficará bem escondida. Em seguida, insere-se a prótese, que ficará posicionada entre os músculos.

O volume das próteses glúteas costuma ser, aproximadamente, de 360 mililitros. Porém, ele varia conforme o peso, a altura, a idade e o tipo de pele da paciente. Além de decidir o tamanho das próteses, que devem variar conforme a estrutura física e o tipo de pele, a paciente também pode optar entre implantes redondos ou ovais. Os redondos, embora mais compactos, dão maior projeção aos glúteos. Já os ovais, discretamente achatados, deixam a aparência do quadril mais larga. Considerando os limites da anatomia humana e da medicina, a paciente tem liberdade de escolha entre essas opções. Outro bom critério para eleger o formato da prótese é a proporcionalidade. Se a paciente for baixa ou já tiver quadril largo, o implante redondo é mais recomendado. Por outro lado, se ela for alta ou tiver o quadril mais estreito, o oval deixará uma aparência mais natural.

Mais que dar volume e remodelar o bumbum, a gluteoplastia pode corrigir problemas de flacidez de pele na região e assimetria das nádegas. O procedimento não é indicado para gestantes, mães em período de amamentação e pessoas com problemas na região lombar. Durante o pós-operatório, com um pouco de cautela, é possível se sentar. Em relação à posição para dormir, esta deve ser de bruços, evitando, assim, o deslocamento das próteses. A fim de minimizar o desconforto causado nos primeiros dias, recomenda-se o uso da cinta modeladora. Também é preciso redobrar os cuidados com a higiene diária, uma vez que é uma região mais suscetível a infecções. O uso de antibióticos também poderá ser recomendado pelo cirurgião plástico durante 10 dias após a cirurgia, de forma a minimizar todos os riscos. Já a retomada gradual de exercícios físicos pode se dar depois de dois meses da cirurgia.

Vitória da emoção

Premiados em Gramado, o documentário A estrada 47, a ficção A despedida e o infantojuvenil O segredo dos diamantes são longas de grande apelo afetivo


Gracie Santos
Estado de Minas: 18/08/2014



Vicente Ferraz (de camisa branca) festeja com a equipe o Kikito de melhor filme para A estrada 47  (Cleiton Thiele/Press Photo/Divulgação)
Vicente Ferraz (de camisa branca) festeja com a equipe o Kikito de melhor filme para A estrada 47

“Quem descobre o tesouro de um filme é o público”, afirma o diretor mineiro Helvécio Ratton, premiado com a aventura infantojuvenil O segredo dos diamantes pelo júri popular do 42º Festival de Cinema de Gramado, na noite de sábado. O Kikito de melhor filme ficou com A estrada 47, de Vicente Ferraz, sobre pracinhas brasileiros na Itália durante a Segunda Guerra, vencedor ainda do prêmio de melhor desenho de som.

Satisfeito por ter conquistado o troféu “em meio a uma safra tão boa”, Ratton acredita que o diferencial de seu filme seja exatamente o fato de ele ser dirigido ao público que o escolheu. “Normalmente, as pessoas não assumem isso. Nós buscamos o espectador e essa conquista dá uma pista de que estamos no caminho. Acho que recebemos o prêmio certo, pois a nossa obra tem o objetivo de emocionar”, afirma o mineiro.

Dedicado a um nicho de mercado quase nunca valorizado nas produções nacionais, o do público infantojuvenil, O segredo dos diamantes, rodado no Serro, na Região Central de Minas Gerais, chega às salas de exibição em dezembro. Para o cineasta, a premiação em Gramado acende mais uma luzinha sobre a obra e lhe dá maior visibilidade. “O público dos festivais é propagador”, aposta. Em 1987, o mineiro ganhou o mesmo prêmio em Gramado com A dança dos bonecos.

Com A estrada 47, o carioca Vicente Ferraz também comemora o Kikito pela segunda vez. Em 2004, com o badalado Soy Cuba, o mamute siberiano – sobre a produção do filme cubano-soviético Soy Cuba, do início dos anos 1960, dirigido pelo russo Mikhail Kalatozov –, ele faturou o prêmio de melhor documentário e melhor filme da crítica no festival gaúcho. O longa venceu também o Festival de Guadalajara (México) e foi o representante brasileiro no Festival de Sundance, em 2005.

Documentário filmado na Itália com forte tempero brasileiro, A estrada 47 conta a história de uma esquadra de caçadores de minas da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em meio a um ataque de pânico. Desesperados, com frio e fome, os pracinhas têm de optar entre enfrentar a corte marcial ou encarar novamente o inimigo. “Só louco para aceitar entrar nessa história. E isso devo aos produtores. Mas, fora essa questão, tem a camaradagem, a participação desses atores maravilhosos, que se entregaram. Tudo o que faço só é possível com essa pessoa que, além de ser minha produtora, é minha esposa e o grande amor da minha vida: Isabel Martinez”, declarou Ferraz ao receber o prêmio.

Pela primeira vez, Gramado distribuiu prêmios em dinheiro, somando R$ 280 mil. Também pela primeira vez houve premiação latina. Os vencedores foram El lugar del hijo (melhor filme, roteiro e ator para Felipe Dieste); Las analfabetas (diretor, para Moisés Sepúlveda; atriz, dividido entre Paulina García e Valentina Muhr, e fotografia); e Esclavo de Dios (de Joel Novoa), melhor filme, segundo o júri popular.
O segredo dos diamantes, de Helvécio Ratton, foi premiado pelo júri popular
 (Edison Vara/Press Photo/Divulgação)
O segredo dos diamantes, de Helvécio Ratton, foi premiado pelo júri popular

Coleção de prêmios Depois de ter vencido em Gramado em 2012 com Colegas, Marcelo Galvão saiu da cerimônia como grande vencedor com A despedida. Faturou os prêmios de direção e fotografia, que dedica à equipe, à esposa e ao avô (“inspiração de tudo isso”): “Ele está lá em cima, adorando o fato de eu estar aqui recebendo esse prêmio por ele”.

A despedida levou os prêmios de melhor ator (Nelson Xavier) e atriz (Juliana Paes). O longa conta a história de Almirante (Nelson Xavier), homem de 92 anos que sente o fim se aproximar e decide se despedir de tudo e todos. Também se permite desfrutar daquele que pode ser seu último prazer: uma intensa noite de amor com Fátima (Juliana Paes), sua amante de 37 anos.

O prêmio especial do júri foi entregue a Os senhores da guerra, de Tabajara Ruas, e a Fernanda Montenegro, pelo papel em Infância, de Domingos Oliveira – o diretor, que não estava presente, ficou com o prêmio de roteiro, mesmo troféu conquistado por O primeiro dia de um ano qualquer, no ano passado.

A despedida, de Marcelo Galvão, levou Kikitos de diretor, ator, atriz e fotografia (Cleiton Thiele/Press Photo/Divulgação)
A despedida, de Marcelo Galvão, levou Kikitos de diretor, ator, atriz e fotografia


Saiba mais

O TROFÉU

É comum as pessoas pensarem ou se referirem ao Kikito de Ouro. Não procede. Para começar, o troféu, símbolo e prêmio máximo do tradicional Festival de Gramado, é feito de bronze. A estatueta foi criada inicialmente em madeira. A autora é a artesã Elisabeth Rosenfeld, alemã radicada no Brasil. Rosenfeld é também o nome por trás do Artesanato Gramadense. Ela inaugurou um teatrinho na cidade, promoveu exposições de arte e criou o Kikito para ser troféu da 1ª Feira Nacional de Artesanato, em 1972. A estatueta (com 33cm, em madeira) passou depois a ser troféu do Festival de Cinema de Gramado. A escultura simboliza o bom humor do povo da cidade.
Bastidores

A despedida – Com a terceira idade bem representada no festival, o ator Nelson Xavier se revela figura de ponta. Ele promove avassaladora comoção ao protagonizar via-crúcis de redentor afeto, numa narrativa em que um idoso, de bem com vida, faz engasgar, no adeus definitivo.

A estrada 47 – A excelência técnica está em todos os cantos, para um interiorizado drama de guerra capaz de se enamorar da gramática hollywoodiana; só que não: marcante tempero brasileiro se infiltra na trama de desgarrados pracinhas da FEB.

Infância – Se muitos associam o diretor Domingos Oliveira, um sentimental incorrigível, ao veloz humor de Woody Allen, é melhor rever conceitos: revolvendo o baú de memórias familiares, com a altiva Fernanda Montenegro na pele da avó, o diretor se mostra um Bergman dos trópicos.
(Ricardo Daehn)

VENCEDORES

Longas brasileiros

Melhor filme – A estrada 47, de Vicente Ferraz
Melhor diretor – Marcelo Galvão, por A despedida
Melhor filme (júri popular) – O segredo dos diamantes, de Helvécio Ratton
Melhor ator – Nelson Xavier (A despedida)
Melhor atriz – Juliana Paes (A despedida)

Outros prêmios: Fernanda Montenegro, prêmio especial do júri, por Infância;Os senhores da guerra,  prêmio especial do júri; Infância,  roteiro, montagem e ator coadjuvante para Paulo Betti; A despedida, fotografia; A luneta do tempo, direção de arte e melhor trilha musical, composta por Alceu Valença; Os senhores da guerra, melhor atriz coadjuvante para Andrea Buzato; e A estrada 47,  melhor desenho de som.

Confira a lista dos vencedores em: www.festivaldegramado.net