terça-feira, 9 de julho de 2013

Virtude da polidez - Rosely Sayão

folha de são paulo
Uma pesquisa publicada em portais de notícias chamou minha atenção. Por meio dela, fiquei sabendo que diretores de recursos humanos de 19 países, entre eles o Brasil, consideram que a maioria dos profissionais não se veste de forma adequada para o trabalho.
O interessante é notar que a média brasileira é maior do que a geral nessa questão: 9% é a média mundial dos diretores que afirmaram ver profissionais malvestidos com muita frequência e 42%, a média dos que viram o fenômeno ocorrer com certa frequência. No Brasil, os índices registrados foram de 22% e 54%, respectivamente.
Essa notícia me lembrou algumas situações semelhantes que já acompanhei no espaço escolar. Por exemplo: não é raro o constrangimento de coordenadores e diretores quando notam que professoras, principalmente da educação infantil, vão para o trabalho com calças de cintura baixa. Como as professoras sentam-se no chão regularmente com seus alunos, acabam deixando descobertas partes do corpo que deveriam estar protegidas do olhar do outro nesse tipo de situação.
E criança pequena não perdoa: "Mãe, eu vi o cofrinho da professora hoje!", disse em altos brados um garoto de quatro anos assim que sua mãe chegou para buscá-lo. O curioso é que coordenadores e diretores não sabem muito bem como conversar com os professores a esse respeito.
Do mesmo modo, gestores escolares também não sabem como agir quando alunas do ensino médio vão para a aula excessivamente maquiadas e com roupas com decotes generosos, justas e curtas. Definir uniforme? Proibir certas roupas? Fazer o quê?
A esse tipo de comportamento somam-se outros. Um exemplo é quando alunos de oito, nove anos, em plena aula, se distraem por intermináveis minutos com o dedo no nariz. Novamente, professores ficam constrangidos e não sabem se devem ou não interferir.
A questão permanece em aberto sem uma boa solução, até agora, para as escolas que enfrentam esses tipos de problema. Por que elas não pensam em debater a questão com docentes e alunos à luz do conhecimento?
Essas situações me levaram de volta à leitura deliciosa de um livro que li pela primeira vez há uns dois anos: "A História da Polidez", de Frédéric Rouvillois. A polidez, mesmo sendo considerada por muitos autores como uma virtude menor quando comparada a outras, é necessária para a boa convivência social, além de ser a porta de entrada para as chamadas grandes virtudes.
A Revolução Francesa foi um marco na transformação de comportamentos sociais; hoje, com a existência de celulares, da internet e de uma informalidade radical nos relacionamentos interpessoais, tanto familiares quanto públicos, as normas da boa educação mudaram mais ainda. Entretanto, nos resta uma boa pergunta: e a polidez no sentido de civilidade, ou seja, no que se refere à boa convivência, ao respeito ao outro, a quantas anda? Famílias e escolas têm se ocupado dessa questão na educação dos mais novos?
Certamente ganhamos muito com a transformação das rígidas e precisas regras de etiqueta que já tivemos de atender. Mas a reclamação constante de barulho, do desrespeito de regras básicas de trânsito, da grosseria no trato interpessoal nos apontam a necessidade de rever a educação para a virtude da polidez.
As escolas, por exemplo, poderiam abrir a discussão com seus alunos sobre a adequação das vestimentas em situações diversas, só para voltar ao assunto do início de nossa conversa. E uma boa provocação inicial poderia ser a letra da música "Com que roupa?", de Noel Rosa.
rosely sayão
Rosely Sayão, psicóloga e consultora em educação, fala sobre as principais dificuldades vividas pela família e pela escola no ato de educar e dialoga sobre o dia-a-dia dessa relação. Escreve às terças na versão impressa de "Cotidiano".

Tv Paga


Estado de Minas: 09/07/2013 


Ritmo brasileiro

O Samba na Gamboa chega com um suingue diferente: Sandra de Sá e Toni Garrido fazem o molejo da black music cair no samba e ainda batem papo animado com Diogo Nogueira (na foto com Garrido). Ele vai batucar na mesa com a carioca de Pilares que é considerada a rainha do soul brasileiro. Aliás, tem gente que a chama de o Tim Maia de saias, por se identificar com o cantor no balanço e no timbre grave da voz. Às 22h, no TV Brasil.


Música garante a
diversão da garotada

Sempre com dinamismo, a trupe de HI-5 apresenta brincadeiras e convida os pequenos telespectadores a participarem de atividades musicais. Educativa, interativa e, acima de tudo, divertida, a série do Discovery Kids, exibida às 17h, oferece à garotada em idade pré-escolar aprendizado por meio da música, histórias, movimentos corporais e linguagem. O objetivo é o desenvolvimento da coordenação motora.

Tensão entre México
e os Estados Unidos

A série Inferno na fronteira, do Animal Planet, às 21h, acompanha os policiais e seus cães altamente treinados, que ajudam na vigilância da fronteira dos Estados Unidos com o México, separada por cerca de aço de seis metros de altura. As cidades de cada um dos países foram tomadas por uma guerra implacável contra o tráfico de drogas, armas e pessoas. Complexos sistemas de túneis, caçambas de carros cheias de cocaína e cadáveres, fruto do fogo cruzado nessa região, são apenas parte da rotina
dos policiais e seus
fiéis companheiros.

Jovem descobre
que é um semideus

A Fox exibe, às 22h30, o filme Percy Jackson e o ladrão de raios. Percy Jackson (Logan Lerman) é um jovem que enfrenta problemas na escola. Ele foi criado por sua mãe Sally (Catherine Keener), e vive com Gabe Ugliano (Joe Pantoliano), seu padrasto, que o odeia. Depois de ser atacado em plena excursão escolar, Percy descobre que é um semideus, filho do deus Poseidon (Kevin McKidd) com uma humana, e tem poderes. Protegido por Grover Underwood (Brandon T. Jackson), ele é levado a um acampamento, onde fica em segurança.

Como se preparam
os agentes da lei

O Sala debate, às 21h, no Canal Futura, discute o treinamento e o preparo dos policiais militares no Brasil. As denúncias relacionadas à violenta repressão policial nas manifestações que tomaram as ruas do país levantaram importantes questões: qual é a formação dada aos nossos policiais? Eles são capazes de interagir com a sociedade em momentos de tensão sem recorrer à truculência e à agressão? Em busca de respostas, o Ministério Público investiga os casos de abusos cometidos por policiais nos protestos recentes.

Pescadores em busca
de coragem e glória

É a última semana da Okie invitational e os pescadores têm apenas uma coisa em mente: ganhar o prêmio de US$ 10 mil. Por enquanto, Marion Kincaid está liderando grupo com seu monstro de 28kg. Mas ele sabe que vai ter que fazer melhor. E não vai parar por nada para vencer a si mesmo. De olho no prêmio, Teddy Good fica preso debaixo d'água e quase se afoga. A aventura vai ao ar às 20h30, no NatGeo, em Pescadores de bagres.  

Wanderlea canta Sueli Costa‏

Wanderléa faz show inédito com repertório de canções de Sueli Costa, hoje, no Sesc Palladium. Ícone da Jovem Guarda, cantora mostra versatilidade em projetos dedicados a outros estilos 


Carolina Braga

Estado de Minas: 09/07/2013 








Wanderléa, a Ternurinha, se prepara para escrever livro de memórias e quer remontar show da década de 1970


“É bom o público ficar ciente de que estou indo fazer Sueli Costa”, frisa Wanderléa. Isso equivale a dizer que na apresentação de hoje, no Sesc Palladium, pelo menos no quesito musical, nada lembrará o tom festivo da época da Jovem Guarda. “É muito bom o convite de coisas inusitadas na carreira da gente”, comemora a intérprete.

A homenagem a Sueli Costa abre a série Compositores.BR, que até dezembro destacará o papel das mulheres na música brasileira. Além dela, o duo Bambu e Pinho apresenta versões instrumentais. Embora a própria Wanderléa classifique o encontro como inusitado, não será a primeira vez que ela se dedicará a repertório conhecido na voz da própria Sueli. No álbum Feito gente (1975), gravou Lua, Poeira e solidão, além de Verdes varandas, feita em parceria com Ebe Guarino. “Era um momento bonito, forte e dramático do show. Adorei, porque agora posso revisitar uma série de canções que estavam na minha memória”, diz.

De acordo com a cantora, pelo que já deu para perceber durante os ensaios, a densidade das interpretações marcará a apresentação. Wanderléa diverte-se ao se dar conta de que o repertório da homenageada requer certa dose de emoção. “Acho que tenho gabarito para cantar Sueli Costa. Pelo tanto que vivi, pela experiência de vida. Ela fala de coisas que entendo perfeitamente”, garante.

Como se trata de um projeto especial, Wanderléa se apresenta em Belo Horizonte com uma banda diferente da que costuma circular. Segundo ela, o diretor musical Lalo Califórnia convocou músicos que pudessem conferir ao repertório uma sonoridade mais acústica. “É mesmo uma coisa diferenciada na minha carreira, e trata-se de uma cantora e compositora que respeito muito”. Também estarão no set list sucessos como 20 anos blues, Dentro de mim mora um anjo e Jura secreta.

O show dedicado às canções de Sueli Costa foi pensado para a estreia em Belo Horizonte, mas isso não significa que não terá vida própria. Produtores de outros estados já sondaram Wanderléa para que ela repita a experiência em outros palcos. Aliás, livre da cobrança de ter que ser a grande vendedora de discos para a massa, Wanterléa tem se permitido cada vez mais mergulhos em projetos inusitados.

Ao contrário de muita gente que lamenta, Wanderléa não sofre com a anunciada crise da indústria fonográfica. “Ter que passar a vida sendo a galinha dos ovos de ouro é muito duro”, desabafa. Além de cantar Sueli Costa, a intérprete da Jovem Guarda também explorou repertório de chorinho, das cantoras do rádio e de Johnny Alf. “É interessante cantar outro gênero, em outro projeto, porque me leva a emoções anteriores”, conta.

Letra e música

Como tem variado bastante sua atuação, Wanderléa tem uma lista de lançamentos para os próximos anos. Em parceria com o Canal Brasil lançará a reprodução do álbum ... Maravilhosa, de 1972. O show idêntico ao que fazia na época foi gravado no Teatro Municipal de São Paulo e sairá em CD e DVD. Outra pendência é um DVD de carreira, registrado no Ibirapuera. Além disso, o registro do show em homenagem a Sueli Costa não está descartado.

“É um atrás do outro, mas sem ansiedade. Está pulsando de acordo com a finalização de cada coisa”, pondera. Wanderléa reconhece que está se devendo um disco de inéditas. Garante que ele virá na hora certa. Antes, ainda, tem a finalização de um livro de memórias. “Vou contando coisas da minha história. É muito difícil falar na primeira pessoa. Como tive um convívio com artistas de personalidade forte, fiquei naquela delicadeza”, diz.

Vem aí

Com o objetivo de reverenciar a presença feminina na canção brasileira, o projeto Compositores.BR trará a Belo Horizonte grandes intérpretes no segundo semestre. Depois de Wanderléa, será a vez de Leila Pinheiro homenagear Fátima Guedes (dia 23), Nana Caymmi e Paula Santoro cantarem Dolores Duran e Maysa (20/8), Flávio Venturini interpretar o repertório de Marina Lima (15/10), Ana Cañas cantar Rita Lee (19/11) e, fechando a programação, Zeca Baleiro mostrar as canções de Chiquinha Gonzaga (3/12).

Wanderlea canta Sueli Costa

Hoje, às 20h, no Grande Teatro Sesc Palladium. Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro, (31) 3279-1500. Plateia 1: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia) e R$ 34 (comerciário); plateia 2: R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia) e R$ 25,50 (comerciário); e plateia 3: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia), R$ 17 (comerciário). Todos os preços mediante a doação de 1kg de alimento para o programa Mesa Brasil Sesc Minas Gerais.



Palavra de mulher 


Ailton Magioli

“Aniversário a gente faz todo dia”, desconversa Sueli Costa, que vai comemorar 70 anos no dia 25. Nascida na Tijuca, criada em Juiz de Fora, na Zona da Mata, e radicada no Rio desde 1969, ela é considerada a mais importante compositora brasileira em atividade, contabilizando sucessos nas vozes de Simone (Jura secreta, Cordilheira e Música, música), Maria Bethânia (Coração ateu), Elis Regina (O primeiro jornal) e Fafá de Belém (Dentro de mim mora um anjo), entre outros.

Irmã da também cantora Telma (já falecida) e da compositora Lisieux, Sueli Costa atribui à mãe, Maria Aparecida Corrêa Costa, professora de piano e canto coral, a paixão pela música. “Ela me deu duas vidas: a vida como ela é e a vida musical”, empolga-se Sueli, para quem a música possibilita outro modo de vida. Sobrevivendo da própria obra, a compositora, que já teve de enfrentar na Justiça uma grande rede de TV, pela falta de pagamento dos direitos autorais, defende a existência do Escritório Central de Arrecadação dos Direitos (ECAD), temendo a recém-aprovada fiscalização do órgão pelo governo, ainda a ser sancionada.

Já envolvida com a música, aos 4 anos Sueli entra em contato com o piano, que trocaria anos mais tarde pelo violão. A primeira composição, Balãozinho, foi feita sob inspiração da participação da cantora Sylvia Telles em um programa de TV, que acabara de assistir. Com a formação de um trio ao lado das irmãs, iniciou a incursão dela pelos festivais de MPB, nos quais tornou-se presença obrigatória nas décadas de 1960 e 70. “Foi uma época bonita, de muita música e muita amizade. Havia admiração de um pelo trabalho do outro. Conheci muita gente na época, quando iniciei as parcerias”, recorda.

O advogado juiz-forano João Medeiros foi o primeiro parceiro. Com ele Sueli compôs Por exemplo, você, que Nara Leão gravou. “João me apresentou o Cacaso e o Abel Silva”, acrescenta, lembrando que Abel, um dos parceiros mais constantes até hoje, ainda lhe apresentou Capinam e Tite de Lemos, com os quais fez algumas das mais de 140 canções que contabiliza ao longo da carreira. Além de dois CDs – Amor blue, de 2007, e Minha arte, de 2000 –, Sueli Costa gravou cinco LPs – Íntimo, 1984; Louça fina, 1980; Vida de artista, 1978; Sueli Costa, 1977, e Sueli Costa, 1975.

 Depois da estreia como autora na voz doce de Nara Leão, foi a vez da incisiva Maria Bethânia incluir três canções da compositora (Aldebarã, Assombrações e Sombra amiga) no antológico show-disco Rosa dos ventos, de 1971. Ao mesmo tempo, Elis Regina incluiria Vinte anos blue, depois de incluir Cão sem dono em Transversal do tempo. Daí em diante, Sueli Costa se tornaria presença obrigatória no repertório das grandes intérpretes brasileiras.

A lista merece respeito e vai de Marília Medalha a Gal Costa, passando por Nana Caymmi, Fátima Guedes, Leila Pinheiro, Claudette Soares, Lucinha Lins, Alaíde Costa, Célia e Angela Ro Ro, entre outras. A sobrinha Fernanda Cunha, filha de Telma Costa, também tem registrado canções da tia em seus discos. Cauby Peixoto é o mais recente da lista de cantores a incluir Sueli em suas gravações, depois de Ivan Lins e Carlinhos Vergueiro.

Especial para a TV

Depois de gravar participação no Estúdio 66, do Canal Brasil, apresentado pelo saxofonista Zé Nogueira, Sueli Costa está nos planos da emissora para fazer algo em torno de seu aniversário de 70 anos. “Acho que as pessoas curtem mais o aniversário do que a gente”, constata a compositora, cuja crença pessoal passa pelo aniversário diário.

Diretor dos programas Sangue latino e Estúdio 66, do Canal Brasil, Felipe Nepomuceno confirma o interesse de fazer um especial com a compositora, que seria transformado em DVD. “Eu e o Zé Nogueira estamos desenvolvendo o projeto em homenagem a Sueli, que deverá ser gravado ainda neste segundo semestre”, anuncia Felipe Nepomuceno, que já teve reuniões inclusive com a homenageada. Além da presença de Sueli, vários convidados, ainda a serem definidos, irão participar do especial, que sairá simultaneamente em DVD. 

Agora é a vez dos trabalhadores-Bárbara Nascimento, Vera Batista e Marinella Castro e Victor Martins‏


Agora é a vez dos trabalhadores 

Depois de a população ir às ruas no país, várias categorias de profissionais e servidores prometem parar na quinta-feira

Bárbara Nascimento, Vera Batista e Marinella Castro e Victor Martins

Estado de Minas: 09/07/2013 


Brasília – Depois da onda de manifestações populares que abalaram o governo, novos protestos, desta vez trabalhistas, preocupam o Palácio do Planalto. Na quinta-feira, milhões de profissionais de setores estratégicos, como o metalúrgico, o de petróleo, o de transportes e o serviço público, prometem cruzar os braços em pelo menos 14 estados do país. Os pleitos são diversos: vão desde o fim do fator previdenciário à redução da jornada de 40 horas semanais. Aos menos três portos – Santos (SP) , Paranaguá (PR) e Suape (PE) – devem ter o funcionamento afetado. Além disso, a promessa é de que várias rodovias, sobretudo no estado de São Paulo, tenham o tráfego interrompido.

Em Belo Horizonte o protesto vai reunir categorias do funcionalismo público, municipal e do estado. Participam da manifestação também os estudantes representados por organizações nacionais e regionais, e grupos ligados a diversas bandeiras como ambientalistas, contra a homofobia e pelo imposto justo. A concentração dos manifestantes terá início na Praça Sete. De lá, a intenção é de que o protesto siga em passeata até a prefeitura, marchando depois para a Assembleia Legislativa. Na praça principal do Legislativo, os professores do estado que engrossam o ato vão votar proposta do governo para a categoria. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel) vai decidir em plenária na manhã de hoje se irá aderir ao protesto. Os servidores da educação, no entanto, já confirmaram adesão.

Inicialmente, as paralisações serão de apenas 24 horas. A pauta de reivindicações envolve ainda reajuste para os aposentados, redução de juros e mudanças na equipe econômica, além de endossar os pedidos populares de investimentos em saúde e em educação. No setor privado, confirmaram adesão à mobilização os metalúrgicos, os bancários, os petroleiros, os químicos, os trabalhadores do comércio e os funcionários da construção pesada, que atuam em grandes obras (do governo), como as dos aeroportos. Na área de transportes, os metroviários devem parar por algumas horas em várias cidades. Os portuários, por sua vez, vão cruzar os braços durante dois dias: amanhã e quinta-feira.
Os protestos devem ficar mais intensos no horário do almoço e no fim da tarde, após o expediente. As manifestações não devem seguir um formato único: caberá aos sindicatos estaduais definir como a mobilização será feita. “Não é uma greve geral, é um dia de luta. Os trabalhadores estão sendo chamados. Uns vão parar em determinados momentos do dia, outros vão panfletar na hora do almoço e os que puderem participarão de passeatas”, explicou Lourival Mello, diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Comércio, que reúne 12 mil funcionários.

Em Brasília, a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) organiza uma marcha que partirá, às 15h, da Biblioteca Nacional e vai até o Congresso Nacional. O objetivo, segundo o secretário de Comunicação da confederação, Sérgio Ronaldo, é de que a mobilização ocorra também em outros estados no mesmo horário. Além de apoiar a pauta das centrais sindicais, A Condsef, que representa 800 mil servidores públicos, defende a campanha Imposto Justo, que reivindica, entre outras coisas, a correção da tabela do Imposto de Renda.

Diálogo Algumas categorias ainda não definiram se vão suspender o trabalho durante o dia 11, como as agências reguladoras. Por essa razão, segundo o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, não é possível estimar quantas pessoas participarão do ato. Ainda assim, ele garante que milhões de trabalhadores estarão nas ruas em todo o país. Apesar disso não há, segundo Paulinho, como é conhecido, qualquer intenção do Planalto em negociar a pauta. O Palácio do Planalto afirmou que, até o momento, não se preocupa com uma possível greve geral, que se estenda por mais dias e que as acusações do presidente da Força Sindical são infundadas.


Fim da ‘farra’ do seguro

Brasília – O Brasil vive uma verdadeira farra do seguro-desemprego. Mesmo com a taxa de desocupados nas mínimas históricas, as despesas com o benefício batem recorde a cada ano. Além da alta rotatividade dos trabalhadores, fraudes elaboradas em comum acordo entre patrões e funcionários elevam expressivamente o gasto do poder público com o auxílio. Preocupado com esse ralo de dinheiro, e diante da necessidade de economizar recursos para atingir a meta de superávit primário de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB), o governo pode desengavetar um projeto para tornar a fiscalização mais rigorosa e mais severas as punições aos envolvidos nos esquemas de desvio. Este ano, as despesas com o benefício devem chegar a R$ 45 bilhões.

Entre 2007 e 2013, enquanto a taxa de desemprego caiu quase pela metade, o gasto com o auxílio cresceu 153%. O problema de fraudes e de alta rotatividade de trabalhadores já havia sido detectado pelo Palácio do Planalto. A Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), ainda na gestão de Moreira Franco, fez o diagnóstico da situação e começou a preparar sugestões para a presidente Dilma Rousseff e para o Ministério do Trabalho. Com a mudança no comando da pasta, o projeto foi engavetado, mas, nas últimas semanas, voltou ao debate – agora, pode ser ressuscitado pelos ministérios do Planejamento e da Fazenda. Os mais otimistas no governo falam na possibilidade de reduzir quase 50% no gasto anual com o benefício.

O entendimento é de que a taxa de rotatividade no Brasil é exagerada, em torno de 40% – ou seja, quase metade dos trabalhadores do país vai trocar de emprego em um ano. O problema é que quando essa mudança ocorre, o trabalhador, mesmo depois de reintegrado ao mercado, continua, em muitos casos, a receber o benefício. Há ainda os casos de fraude, quando empregador e funcionário fazem acordo para burlar as regras. O funcionário é demitido para receber o seguro-desemprego, mas continua a executar tarefas para o patrão e agrega o benefício aos rendimentos. “Isso é um problema, o empregado, normalmente uma pessoa humilde, vê nessa estratégia uma espécie de promoção, de ganho de salário”, explicou uma fonte que preferiu não se identificar.

Esse tipo de esquema é muito utilizado nos ramos da construção civil e do agronegócio. Não à toa, eles têm as maiores taxas de rotatividade entre os trabalhadores. No primeiro, o índice é de 85%. e no campo, é de 74%. “Essa taxas elevadas são um problema. Elas consomem uma fatia significativa de verbas que deveriam financiar investimentos em habitação, em saneamento. Afetam o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e elevam os gastos com seguro-desemprego”, avaliou a fonte.