quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Novos líderes, velhos problemas - Kenneth Maxwell



Neste sábado, Enrique Peña Nieto tomará posse como presidente do México. A ocasião marcará o retorno ao poder do Partido Revolucionário Institucional (PRI).
O partido conquistou a Presidência com apenas 38% dos votos e não terá maioria no Legislativo, mas a vitória de Peña Nieto representa uma notável recuperação.
O PRI controlou o México durante 71 anos e foi definido pelo romancista peruano Mario Vargas Llosa como "a ditadura perfeita".
Não surpreende que o recentemente reeleito presidente dos EUA, Barack Obama, tenha recebido o presidente eleito do México segunda-feira, na Casa Branca.
A vitória eleitoral de Obama foi muito auxiliada pelos eleitores hispânicos, que representam o grupo de mais rápido crescimento no eleitorado norte-americano, e o Partido Democrata pretende manter esse apoio.
Peña Nieto alega representar um novo partido. Descobrir se o PRI, de fato, se reformou é algo que só o tempo dirá. Contudo os problemas que os presidentes Obama e Peña Nieto precisam enfrentar são antigos e já se provaram intratáveis no passado. A imigração é apenas um deles. Muito mais grave é a guerra continuada contra os traficantes de drogas, para os quais os EUA continuam a ser o maior mercado.
O poder do crime organizado desconsidera fronteiras. Dadas as imensas quantias envolvidas, não surpreende que grandes bancos internacionais tenham se envolvido em lavagem de dinheiro.
Os EUA também continuam a ser a principal fonte para as armas utilizadas pelas quadrilhas de tráfico de drogas, um problema que os políticos norte-americanos hesitam em confrontar. É muito mais fácil, afinal, bancar guerras contra as drogas em terras alheias, à custa de vidas alheias.
E o problema tampouco se confina ao relacionamento entre o México e os EUA.
A convergência entre o tráfico de drogas, o contrabando e a guerrilha também afeta a América Central e a América do Sul.
Atinge a fronteira tríplice entre a Argentina, o Paraguai e o Brasil, a fronteira entre o Brasil e a Venezuela, a fronteira entre o México e a Guatemala, a fronteira entre a Colômbia e o Equador e, acima de tudo, a fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, onde ocorreram cerca de 30 mil mortes nos dez últimos anos.
Organizações criminosas mexicanas e colombianas lutam pelo controle das lucrativas rotas clandestinas de comércio de drogas para a América do Norte, o Caribe, a África ocidental e a Europa.
KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.
Tradução de PAULO MIGLIACCI

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