sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

30ª Bienal chega ao fim elegante e sem polêmica


Confira destaques da mostra, que fecha suas portas neste domingo, dia 9
Mostra focou produções alheias ao sistema da arte e lançou luz sobre artistas que ainda não têm destaque merecido
FABIO CYPRIANOCRÍTICO DA FOLHA de São PauloA 30ª Bienal de São Paulo, "A Iminência das Poéticas", encerra suas portas no próximo domingo, conseguindo escapar das marcas das últimas duas edições da mostra: a polêmica.
Em 2008, "Em Vivo Contato" ficou mais conhecida por ser a Bienal do Vazio, que levou à prisão a pichadora Caroline Pivetta.
Já em 2010, a 29ª Bienal foi mais comentada por causa dos urubus, que faziam parte da obra "Bandeira Branca", de Nuno Ramos, e acabaram banidos da mostra, após reação do público.
Politicamente correta e com uma expografia elegante, "A Iminência" acabou caracterizando-se por iluminar produções que, não necessariamente, foram criadas dentro do sistema da arte.
O caso mais significativo é o do brasileiro Arthur Bispo do Rosário (1909 ou 1911-1989), que viveu por meio século recluso em um hospital psiquiátrico.
Outro mérito dessa Bienal é apresentar obras de artistas já considerados históricos.
Entre eles, estão nomes definitivos como August Sander (1876-1964), um dos pioneiros da fotografia, outros em ascensão, como o israelense Absalon (1964-1993), ou alguns praticamente desconhecidos, como o islandês Sigurdur Gudmundsson, que Olafur Eliasson considera uma de suas grandes influências.
A Bienal atentou ainda para artistas em atividade cuja produção ainda não tem o destaque merecido, como os brasileiros Fernanda Gomes e Odires Mlászho e o americano David Moreno.

    Fundação organiza mostra somente de artistas nacionais
    'Tradição Contemporânea Brasileira' terá nomes do país participantes das 30 bienais
    DO CRÍTICO DA FOLHAEm 2013, a Fundação Bienal de São Paulo vai rever os 62 anos da Bienal, evento realizado desde 1951.
    A exposição "Tradição Contemporânea Brasileira", que tem a curadoria de Paulo Venâncio Filho, vai apresentar um panorama das participações de artistas brasileiros nas 30 edições já realizadas da Bienal, incluindo a que se encerra no próximo domingo.
    "No total, mais de 5.000 artistas brasileiros participaram da Bienal. É um número impressionante. Vou fazer uma seleção dentre essas presenças", disse Venâncio Filho àFolha, por telefone, do Rio de Janeiro.
    Nas primeiras edições, cerca de 200 brasileiros chegavam a tomar parte de cada Bienal. O recorde ocorreu em 1967, na 9ª edição, em que 451 artistas do país estiveram entre os 1090 selecionados.
    O título da mostra de 2013, ainda provisório, foi escolhido a partir do próprio recorte que a história das Bienais sugere: "Eu não vou abordar os movimentos modernistas, como a Semana de 22, mas tudo que aconteceu a partir de 1951, com as rupturas que desembocaram na arte contemporânea", afirma o curador.
    Ele conta que vai "priorizar obras expostas durante as Bienais", mas, se não for possível ter acesso a tais trabalhos, irá "escolher outras dos mesmos artistas".
    Venâncio Filho foi, recentemente, o responsável pela mostra "Oswaldo Goeldi: Sombria Luz", realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo.
    Antes disso, em 2005, ele havia chegado a participar do concurso para ser curador da 27ª Bienal, mas a escolhida foi Lisette Lagnado.
    "Tradição Contemporânea Brasileira" está sendo preparada para setembro de 2013, e visa a cumprir o mesmo objetivo buscado pela Fundação Bienal quando realizou, em 2011, "Em Nome dos Artistas". Com a mostra, a instituição ocupou o pavilhão do parque Ibirapuera em um ano em que seu principal evento, a própria Bienal, não ocorre.
    Tal orientação tem sido defendida pelo presidente da instituição, Heitor Martins, que deixa o cargo até o início do próximo ano, pois já cumpriu dois mandatos, o limite permitido pelo estatuto.
    De certa forma, a nova mostra parece querer compensar as críticas feitas à exposição "Em Nome dos Artistas", realizada a partir da coleção norueguesa Astrup Fearnley.
    A mostra de 2011, que teve nomes estelares como Jeff Koons e Damien Hirst, ocorreu quando a Fundação Bienal comemorava seus 60 anos e apresentou artistas e uma coleção que não guardavam qualquer relação com sua história.

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