sexta-feira, 7 de junho de 2013

No primeiro DVD de sua carreira, Bebel Gilberto prioriza as canções e a estética cool que a projetaram-Carolina Braga‏

Cheia de bossa 

No primeiro DVD de sua carreira, Bebel Gilberto prioriza as canções e a estética cool que a projetaram. O tio Chico Buarque e o mineiro Flávio Renegado são os convidados de honra 



Carolina Braga

Estado de Minas: 07/06/2013 

Há quem lhe atribua a maternidade da bossa eletrônica. Outros preferem a palavra soft para classificar o seu som. Lounge é outro termo muito usado. Em meio à profusão de rótulos que a cercam, Bebel Gilberto prefere se livrar deles. “Meu trabalho é pegar e fazer clack, clack... Vou quebrando, tirando todos eles. Se entrar nessa, piro”, confessa.

Bebel Gilberto in Rio, pacote com CD e DVD gravado ao vivo no Arpoador, no Rio de Janeiro, comprova que rótulos pouco importam no caso da filha de João Gilberto e Miúcha. Independentemente da maneira como seu trabalho é classificado, a cantora avisa: “Tenho vontade de agradar ao mundo. Eu me importo é com o que as pessoas sentem”. Talvez por isso Bebel tenha escolhido apenas hits para seu primeiro DVD, principalmente aqueles lançados em Tanto tempo (2000), álbum que a projetou internacionalmente. Opção legítima. “São as músicas que as pessoas mais gostam de ouvir”, acredita.

O CD (17 faixas) e o DVD (com 16) trazem apenas duas inéditas: a regravação de Rio, do repertório oitentista do Duran Duran, em versão bossa nova, e Na palma da mão, composição do mineiro Flávio Renegado, o único convidado do show carioca. O tio Chico Buarque é a outra participação especial do projeto, na versão em estúdio de Samba e amor.

“Ai, ele é um fofo”, derrete-se Bebel ao falar de Flávio Renegado. Embora já o conhecesse da Lapa, os laços só se estreitaram depois da escalação do mineiro para abrir um show dela no Central Park, em Nova York. “Era aniversário dele e eu ia fazer um jantar lá em casa. Convidei: ‘Tem pão de queijo lá, caso você esteja com saudade’. Aí ele topou”, revela Bebel.

Dali em diante, foram vários papos pela internet até a hora de escolher, digamos, o elemento novo do show. “Queria uma participação masculina diferente”, explica a cantora. Na palma da mão foi sugestão do próprio Renegado. Já rotulada de samba-rap, a canção combina acertadamente a leveza de Bebel com o molejo do mineiro.

Curvas


A própria cantora cuidou da direção musical, mas entregou o aspecto visual do projeto ao amigo Gringo Cardia. Montado em um canto da Praia do Arpoador, o palco tem formato diferente: nem luau nem tablado convencional. Branco e em curvas, traz paisagens cariocas: Pedra da Gávea, orla de Ipanema e a arquitetura característica do Rio – naquele tom de Cidade Maravilhosa para turista ver.

Samba da bênção (Vinicius de Moraes e Baden Powell) abre o repertório, que reúne canções dos álbuns Momento (2007), como Momento e Tranquilo, e Bebel Gilberto (2004), como Simplesmente e Aganju. Parcerias com Cazuza e Dé, Mais feliz e Preciso dizer que te amo também estão lá. Todas ganharam novos arranjos. Talvez para intensificar a sintonia com o visual cool, a sonoridade buscou o mesmo caminho.

Bebel Gilberto sempre foi assumidamente bossa nova. Nesse registro ao vivo, a cantora, honestamente, sublinha esse estilo. Ela confessa certa ansiedade sobre a recepção ao novo trabalho, mas já pensa no próximo, ainda sem previsão de lançamento.

Ela não esconde estar em um momento feliz da carreira: compõe muito, fez as pazes com o violão. “Não era de encarar o instrumento, mas agora ele está muito presente. É aquela coisa de compor sozinha. Sempre tinha a ideia da melodia ou um baixo na cabeça, mas precisava de alguém para me ajudar. Agora consigo fazer tudo”, conclui.

Em família


A troca de olhares com Chico Buarque em Samba e amor deixa claro o quanto a relação com a família emociona Bebel Gilberto. Mas não foi desta vez que João Gilberto gravou com a filha. Aos 15 anos, Bebel participou de um especial do pai, dividindo o microfone com ele em Chega de saudade. Depois disso, nada mais. No entanto, a cantora não encerra a questão: “A gente sempre foge um pouco da mesmice. Então, por enquanto não. Mas no próximo, quem sabe?”.

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