quarta-feira, 31 de julho de 2013

Venda de livros cai 7,4% com governos comprando menos - Raquel Cozer

folha de são paulo
Venda de livros cai 7,4% com governos comprando menos
Com queda de 10% em aquisições públicas, faturamento do setor encolheu 2,64% no período, em relação ao ano anterior
Preço do livro subiu 12% em 2012, depois de oito anos seguidos de queda ou elevação abaixo da inflação
RAQUEL COZERENVIADA ESPECIAL AO RIOA venda de livros caiu 7,36% no Brasil em 2012 na comparação com 2011, consideradas as vendas para o governo e para o mercado. Foram 470 milhões de exemplares em 2011, ante 435 milhões no ano passado.
Com isso, o setor editorial teve seu pior desempenho na década, encolhendo 2,64% --o faturamento passou de R$ 4,8 bilhões para quase R$ 5 bilhões, mas cresceu abaixo da inflação, de 5,84% (no índice IPCA).
Nos últimos anos, as editoras, que resistiram bem à crise internacional no setor em 2009, já vinham registrando crescimento cada vez menor. O mais recente levantamento anual do setor foi divulgado ontem pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e pelas entidades Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros) e CBL (Câmara Brasileira do Livro).
A maior queda foi nas compras por governos, que adquiriram 10% menos títulos no ano passado.
Se em anos anteriores as compras governamentais evitaram o encolhimento do setor, desta vez puxaram os números para baixo. Desconsiderada a aquisição pública, o faturamento das editoras foi 0,49% maior, em vez de 2,64% menor.
Leonardo Muller, coordenador da pesquisa da Fipe, explica que as compras do governo variam ano a ano conforme as séries escolares contempladas pelo maior programa do país, o PNLD (Plano Nacional do Livro Didático).
TÍTULOS
No setor como um todo, houve uma pequena redução no número de títulos impressos produzidos, de 58.193, incluindo novos e reeditados, para 57.473.
A pesquisa mostrou também que o livro no Brasil ficou 12,46% mais caro em 2012, após oito anos de queda no preço ou crescimento abaixo da inflação.
Descontada a inflação, o aumento foi de 6,25%. O preço médio na venda das editoras para as livrarias passou de R$ 12,15 para R$ 13,66. Segundo a Fipe, o preço deflacionado ainda é 41% menor que em 2004.
"Há uma queda acumulada há bastante tempo. Podemos levantar hipóteses para o aumento, como o preço do papel. É provável que a perda de margem das editoras tenha começado a ser reposta", diz Muller.
A pesquisa também abordou a produção de livros digitais. Em 2012, foram produzidos 7.664 e-books e aplicativos de livros, cujas vendas alcançaram 235 mil exemplares, com faturamento de R$ 3,9 milhões --menos de 0,01% do faturamento total do mercado.
METODOLOGIA
O levantamento da Fipe é realizado partir de dados informados por editoras, o que sempre torna os dados passíveis de questionamentos.
Com a chegada de multinacionais como Nielsen e GFK, que medem as vendas na boca do caixa das próprias livrarias, o Brasil deve ter números mais confiáveis nos próximos anos.
Nesta edição, 197 editoras participaram da pesquisa, dentro de um universo de 734 empresas do gênero no país.
Considerando que as principais editoras participaram, a amostra utilizada corresponde a 46% do faturamento do setor.

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