segunda-feira, 14 de julho de 2014

Eduardo Almeida Reis-Históricos‏

Históricos
Filme de temática homossexual pode apresentar três resultados: obra de arte, filme comum ou porcaria 
 
Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 14/07/2014

Nascido em São Paulo há 36 anos, o escritor e tradutor Daniel Galera, além do sobrenome divertido, é dado a incluir em seus textos um histórico pessoal sobre o assunto abordado. Escrevendo sobre maconha, incluiu um parágrafo sobre o seu envolvimento com as drogas.

Vejamos: “Cocaína: três vezes, todas horrendas. Ácido: não gostei, fiquei esperando passar. Cogumelo: uma vez, péssimo (crise de autoconsciência, análise obsessiva da experiência em tempo real, erupções cutâneas). Benflogin: uma vez, divertido, mas o preço é caro (gastrite, insônia). Ecstasy: ainda não. Ayahuasca: uma vez, formidável. Maconha: umas cinco vezes por ano, para fins concupiscentes e contra dores musculares. Tabaco: desde os dezoito, em pouca quantidade. Álcool: dedicação total desde os quinze. E a vida segue”.

Nunca ouvi falar do Benflogin, mas fui ao Google para aprender que o cloridrato de benzidamina é um anti-inflamatório indicado para a região da orofaringe, doenças periodontais, combate a infecções e é indicado até para acalmar coceiras em crianças. A dose máxima diária é de 200mg. Estudos mostram que a ingestão de 500mg de Benflogin leva ao desenvolvimento de alucinações, mais intensas se associado ao álcool.

Há jovens que incrementam os seus fins de semana com oito a 15 comprimidos da “poção mágica” tomados com bebida alcoólica ou refrigerante. Em Sampa, 20 drágeas de Benflogin de 50mg custam R$ 9,25. Portanto, você compra 500mg por R$ 4,62, preço que me parece muito razoável.

Meu histórico é mais simples: cocaína, ácido, cogumelo, Benflogin, ecstasy, maconha e ayahuasca ainda não tive o desprazer de conhecer. Tabaco; desde os dezoito em muita quantidade. Álcool: dedicação total desde os dezoito, parando há três anos de livre e espontânea. É pouco e é só.

Bololô

Filme de temática homossexual pode apresentar três resultados: obra de arte, filme comum ou porcaria. Por sinal, resultados iguais aos dos filmes com outras temáticas. O bololô atual, acusado de homofobia, rejeição ou aversão a homossexual e à homossexualidade, é devido ao fato de muitos espectadores se retirarem dos cinemas em que é exibido o filme Praia do Futuro, de Karim Aïnouz.

Ora, bolas, sempre foi e continua sendo direito do espectador retirar-se de um cinema em que é exibido um filme ruim, seja hétero, homo, bi, vegano, vegetariano, ecológico, religioso etc. O sujeito compra a entrada, não gosta do filme e sai na metade ou antes da metade.

Vale notar que também no Festival de Berlim boa parte da plateia se retirou no meio do filme de Aïnouz, prova provada de que a obra cinematográfica deve ser uma porcaria. Outro filme brasileiro de temática homossexual, Hoje eu quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro, fez sucesso no mesmo festival e recebeu os prêmios Teddy (temática LGBT) e Firepresci (da Federação da Crítica Internacional), além de obter o segundo lugar na escolha do público.

Implicância

É triste constatar que certa imprensa continua implicando com as manifestações artísticas de alto nível. Uma das últimas demonstrações da birra midiática foi com a performance do grupo Coletivo Coiote, no câmpus de Rio das Ostras, RJ, da UFF, Universidade Federal Fluminense, quando apresentou a Xereca Satânik, algo assim como vagina satânica.

Performance intelectualizada condenando a violência contra a mulher e o alto número de estupros denunciados por aí. No encerramento de um seminário organizado pelo curso de produção Cultural da UFF, o Coletivo Coiote se apresentou com jovens nuas num espetáculo a que não faltou a costura, sem assepsia, de uma xereca, flagelação numa cena “que tanto pode ser para questionar como para divertir”, sem que alguém possa explicar o divertimento.

Raíssa Vitral, que teve a vagina costurada, jovem mineira integrante do Coletivo Coiote, foi a mesma que durante a Jornada Mundial da Juventude pretendeu chocar os católicos na Praia de Copacabana ao se masturbar com a escultura de uma santa.

Apoiadores da performance realizada no câmpus da UFF dizem que os críticos do espetáculo evidenciam quão conservador, hipócrita, moralista e legalista é o mundo em que vivemos. Um mundo que precisa ser abalado em suas estruturas para acabar com todas as formas de opressão e exploração: “Estamos apenas no começo!”.

Realmente, depois desse começo, os conservadores, hipócritas, moralistas e legalistas precisam aprender com a jovem mineira como é possível masturbar-se com uma santa através da xereca costurada. Em tempo: nas fotos publicadas nos jornais dá para perceber que a maioria das jovens performers é tatuada, talqualmente os jogadores de futebol que se expressam em língua portuguesa, com duas exceções: David Luiz, o beque mais valorizado do planeta, e Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo.

O mundo é uma bola

14 de julho de 1789: início da Revolução Francesa. Revolucionários tomam a Bastilha, prisão do regime monárquico, e libertam sete prisioneiros políticos.

Em 1795, La Marseillaise é adotada como hino nacional da França.

Em 1867, o químico sueco Alfred Nobel faz a primeira demonstração da dinamite, explosivo à base de nitroglicerina misturada com areia de quartzo, de larga aplicação nas pedreiras, nas demolições e nos caixas eletrônicos.

Hoje é o Dia Mundial da Liberdade de Expressão, o Dia do Doente e a festa nacional da França.

Ruminanças

“Gato de luvas não pega ratos” (Franklin, 1706-1790).

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