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segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Quadrinhos - Charge

folha de são paulo

CHICLETE COM BANANA      ANGELI
ANGELI
PIRATAS DO TIETÊ      LAERTE
LAERTE
DAIQUIRI      CACO GALHARDO
CACO GALHARDO
NÍQUEL NÁUSEA      FERNANDO GONSALES
FERNANDO GONSALES
MUNDO MONSTRO      ADÃO ITURRUSGARAI
ADÃO ITURRUSGARAI
BIFALAND, A CIDADE MALDITA      ALLAN SIEBER
ALLAN SIEBER
MALVADOS      ANDRÉ DAHMER
ANDRÉ DAHMER
GARFIELD      JIM DAVIS
JIM DAVIS

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Editoriais FolhaSP - Charge

folha de são paulo
Pragmatismo paraguaio
Com um olho em seu eleitorado e outro nos países vizinhos, Horacio Cartes, 57, do tradicional Partido Colorado, adotou ontem um discurso pragmático ao tomar posse na Presidência do Paraguai.
Embora sem mencionar o Mercosul, declarou sua expectativa de "fortalecimento dos organismos subregionais, regionais e mundiais" e, diante das presidentes do Brasil e da Argentina, afirmou: "Participamos e participaremos destes organismos para consolidar a democracia, fomentar a integração, a cooperação e a vigência dos direitos humanos".
Omitir a palavra "Mercosul" em contexto tão evidente foi um gesto deliberado de Cartes. Trata-se de mostrar brio ao público interno, ainda sensibilizado pela manobra que suspendeu o Paraguai do bloco, há pouco mais de um ano.
Faz parte do mesmo teatro a recusa paraguaia de retornar ao Mercosul enquanto a liderança do grupo couber à Venezuela --o país, não é demais lembrar, ingressou no bloco à revelia de Assunção.
Não devem passar daí, contudo, as mágoas de Cartes. De acordo com o Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia, cerca de 30% do PIB do país depende das relações com o Mercosul.
Nenhum país poderia dar-se o luxo de abrir mão desse proveitoso comércio internacional --muito menos o Paraguai, onde metade da população é pobre.
Cartes, megaempresário que não desfruta do mesmo apelo popular do ex-presidente Fernando Lugo --afastado do cargo por um impeachment no ano passado--, sabe que precisa aproveitar as "frutíferas relações com os países vizinhos".
O Brasil, de sua parte, fez dois gestos de reconciliação, com a presença de Dilma Rousseff na posse e o anúncio de que voltará em breve a ter embaixador em Assunção --retirado, numa decisão imprópria, em reação à saída de Lugo.
O Brasil também se beneficia das intenções pragmáticas de Cartes. Afora os cerca de 350 mil brasileiros que vivem e trabalham no Paraguai, as complexas relações fronteiriças entre os países e o imbróglio acerca do preço da energia de Itaipu constituem boas razões para manter laços estreitos.
Como se não fossem motivos suficientes, o passado obscuro de Cartes, sobre quem pairam fortes suspeitas de envolvimento em contrabando de cigarros e em lavagem de dinheiro, também recomenda que a condução do país vizinho seja acompanhada de perto.
    EDITORIAIS
    editoriais@uol.com.br
    Controle mambembe
    Represamento artificial da inflação por meio de populismo tarifário da gestão Dilma desarranja diversos setores da economia
    Problemas enfrentados pela Petrobras e a reiterada reivindicação de reajuste dos combustíveis derivados do petróleo ressaltam os desarranjos causados por controles artificiais de preços.
    Outro sinal de que reajustes vêm sendo reprimidos transparece na inflação média dos preços e tarifas de mercados regulados pelo governo, os "preços monitorados", substancialmente menor que a inflação geral desde o início deste ano.
    Nos últimos 12 meses, o aumento nessa categoria foi de apenas 1,3%-- a menor alta desde o lançamento do Plano Real. Preços livres subiram 7,9% no mesmo período.
    Decerto a baixa inflação dos preços monitorados a partir de fevereiro deve-se em grande parte à queda do valor médio da energia. No entanto, mesmo essa redução de custos, a princípio bem-vinda, deveu-se a uma intervenção desastrada do governo nas concessões vincendas de usinas hidrelétricas.
    Ao fim do episódio, o governo terá de bancar a conta da redução tarifária, provavelmente com emissão de dívida, mais um remendo na política econômica.
    O represamento artificial da inflação por meio de populismo tarifário faz água em vários lugares.
    A redução das tarifas de eletricidade redundará em deficit ou dívida. A pedido do governo federal, São Paulo e Rio de Janeiro adiaram os reajustes do transporte público para junho. Acuado pelos protestos daquele mês, o mesmo governo federal pressionou pela revogação de tais aumentos.
    O quase tabelamento do preço da gasolina prejudica o caixa, a capacidade de investimento e o crédito da Petrobras. A petroleira já mal sabia como dar conta de suas novas responsabilidades de grande investidora do pré-sal.
    Manietada pelo governo, a empresa sofre descrédito no mercado e reivindica outra vez reajustes que revigorem sua saúde financeira. Se não bastassem tais problemas, o preço artificialmente baixo da gasolina prejudica o setor de etanol, além de contribuir para congestionar ruas e poluir o ar.
    Mesmo a ideia de exigir "modicidade tarifária" além da conta nas concessões de rodovias e ferrovias, entre outros projetos de infraestrutura, prejudica e atrasa os leilões que devem repassar tais serviços e obras à iniciativa privada.
    Incapaz de investir por falta de recursos e competência, às voltas com um crescimento medíocre, o governo ainda põe obstáculos no caminho da retomada.
    Anos de má gestão macroeconômica contribuíram sobremaneira para o recurso entre desinformado e desesperado aos remendos dos controles de preços.
    As rachaduras dessa represa mambembe aparecem agora ao mesmo tempo. Os vazamentos fazem ainda mais estragos na credibilidade do governo e no desempenho econômico do país.

      segunda-feira, 12 de agosto de 2013

      Editoriais FolhaSP - Charge Benett

      folha de são paulo
      Como na Guerra Fria
      Passados 22 anos do fim da União Soviética, as relações entre Estados Unidos e Rússia por vezes ainda repetem o modelo dos tempos da Guerra Fria.
      No período em que o regime capitalista dos EUA se contrapunha ao malfadado comunismo do bloco soviético, eram frequentes os momentos de tensão entre as duas nações, seguidos de prolongada distensão e melhora nas tratativas.
      Seria de esperar que o término da ordem bipolar daria cabo desse maniqueísmo contraproducente na esfera internacional. O cancelamento da cúpula bilateral entre os presidentes Barack Obama e Vladimir Putin, que deveria acontecer no início de setembro, evidencia que não é bem assim.
      Causas imediatas e estruturais contribuíram para a decisão de Obama de suspender o encontro. Há quem veja na medida mera retaliação à concessão, pela Rússia, de asilo temporário a Edward Snowden --o delator de um esquema global de monitoramento de telecomunicações pela Agência de Segurança Nacional dos EUA.
      Para além do imbróglio diplomático, no entanto, há sérias divergências em temas permanentes na agenda bilateral.
      A guerra civil na Síria é o motivo de maior discórdia. Moscou não pretende interromper a cooperação com o regime de Bashar al-Assad; os americanos, por sua vez, oferecem apoio aos rebeldes.
      Defesa nacional é outro ponto de desavenças. A Rússia se opõe aos planos norte-americanos para construir sistemas de defesa antimísseis na Europa central. Sob a perspectiva de Moscou, o fortalecimento dos EUA nessa região, muito próxima de seu território, constituiria uma ameaça.
      Reduzir o volume de armamentos nucleares das duas potências na mesma medida, outro desejo do governo Obama, não encontra eco na gestão nacionalista de Putin.
      Se não bastassem esses aspectos de cunho militar, as duas nações frequentemente divergem também em questões civis, como o respeito aos direitos humanos e a proteção das liberdades individuais --o caso Snowden, nesse ponto, aparece quase como ironia da história.
      A nova geopolítica global, contudo, impõe que as duas potências sejam mais pragmáticas. Não faz sentido que elas apenas troquem acusações mútuas e fomentem importantes conflitos mundiais.
      É o caso do conflito sírio, que se arrasta há dois anos e já vitimou mais de 100 mil pessoas. Sua resolução passa, obrigatoriamente, pela negociação entre EUA e Rússia.
        EDITORIAIS
        editoriais@uol.com.br
        Petróleo na balança
        Deficit externo do setor atinge recorde e expõe falhas de planejamento energético e da política econômica do governo Dilma Rousseff
        Cresce, desde 2009, a dependência brasileira de combustíveis importados. O deficit externo do setor, portanto, aumenta. Não chega a preocupar em termos econômicos, dadas as dimensões do PIB e do intercâmbio do Brasil com o exterior, mas o resultado evidencia problemas na gestão desse item estratégico para qualquer país.
        O deficit no primeiro semestre deste ano foi de US$ 15,4 bilhões, três vezes mais que no mesmo período de 2012. O aumento decorre do maior consumo de gasolina e diesel para veículos e de óleo e gás para usinas termelétricas, além de baixas de produção da Petrobras e de um problema contábil (importações petrolíferas do ano passado apenas agora são contabilizadas).
        Quanto às usinas, elas foram ligadas devido à baixa dos reservatórios das hidrelétricas e ao risco, remoto, de racionamento de energia. Trata-se, em certo sentido, de simples contingência.
        É outro o caso da elevação do consumo de gasolina e diesel, provocado pelo crescimento da frota de veículos e pelo preço relativamente baixo desses combustíveis, represado pelo governo para conter artificialmente a inflação.
        Esse controle postiço de preços é um despropósito que resulta do fracasso da política econômica. Sua consequência é o desarranjo desse mercado. Gasolina e diesel baratos ajudaram a avariar a indústria do etanol.
        Descapitalizado, o setor sucroalcooleiro passou a produzir menos, com o que o país veio também a importar etanol dos Estados Unidos. Há, no médio prazo, efeitos negativos para esse importante negócio, que articula a agricultura brasileira com a indústria por meio de inovações tecnológicas nacionais.
        A Petrobras é obrigada a importar gasolina cara e a revendê-la pelo "preço de tabela" do governo. O prejuízo diminui a capacidade de investimento da empresa. Além disso, anos de administração de qualidade duvidosa e a prioridade dada ao pré-sal, sem contar manutenção de plataformas e baixa de produção em campos antigos, reduziram a produção da petroleira.
        O recurso a usinas termelétricas e o uso excessivo de diesel demonstram insuficiências da política de substituição de combustíveis poluentes por fontes renováveis, como atrasos nas obras de geração e transmissão de energias mais limpas e falta de condições econômicas para o uso do etanol.
        Em termos financeiros, o Brasil não atingiu a autossuficiência em petróleo, como alardeado em meados do governo Lula. Deficit moderados na balança de combustíveis, porém, não são em si mesmos um problema.
        A presente situação mostra deficit mais grave: de planejamento no setor de energia e de racionalidade na política econômica.

        quarta-feira, 31 de julho de 2013

        Quadrinhos e Charge Benett

        folha de são paulo - Charge Benett

        PIRATAS DO TIETÊ      LAERTE
        LAERTE
        DAIQUIRI      CACO GALHARDO
        CACO GALHARDO
        NÍQUEL NÁUSEA      FERNANDO GONSALES
        FERNANDO GONSALES
        MUNDO MONSTRO      ADÃO ITURRUSGARAI
        ADÃO ITURRUSGARAI
        MUNDO MONSTRO      ADÃO ITURRUSGARAI
        ADÃO ITURRUSGARAI
        BIFALAND, A CIDADE MALDITA      ALLAN SIEBER
        ALLAN SIEBER
        MALVADOS      ANDRÉ DAHMER
        ANDRÉ DAHMER
        GARFIELD      JIM DAVIS

        quinta-feira, 27 de junho de 2013

        Brasília se agita - Pragmatismo ambiental - Editoriais FolhaSP

        folha de são paulo

        Brasília se agita
        De forma frenética, Poderes buscam dar respostas aos protestos, mas correm o risco de se perder em medidas de caráter inócuo ou populista
        Até o Supremo Tribunal Federal se pautou pelo clamor das ruas e condenou --pela primeira vez-- à prisão imediata um deputado federal, Natan Donadon (PMDB), por desvios na Assembleia Legislativa de Rondônia nos anos 1990.
        Coincidência ou não, ao decidir o caso nesta altura, o STF se sujeita ao questionamento que já se dirige aos outros dois Poderes: quanto mais frenéticos se mostram em providenciar medidas, agora, mais evidenciam quanto eram letárgicos, antes das manifestações.
        Foi o Congresso Nacional, no entanto, que se excedeu na repentina demonstração de apreço pela opinião pública. Como o Legislativo tem sido o Poder mais refratário a ela, fica patente o quanto Brasília tremeu diante dos protestos.
        Quase onipresente nos atos, o tema da ojeriza à corrupção encontrou uma bandeira na recusa da proposta de emenda constitucional nº 37, que limitaria o poder de investigação do Ministério Público.
        Em condições normais, não seria improvável que a PEC 37 alcançasse o apoio necessário no Congresso. Quando foi apresentada, contou com 207 assinaturas em seu favor, cifra não tão distante dos 308 votos de que precisaria para ser aprovada pelos deputados.
        Foi grande a viravolta na Câmara na sessão de anteontem. Sem dúvida constrangidos pelas marchas populares, nada menos que 430 deputados foram contra a PEC 37 --e, entre os nove que a apoiaram, pelo menos dois disseram que se enganaram na hora do voto.
        Fulminar a chamada PEC da Impunidade foi só uma das iniciativas adotadas pelos congressistas. No afã de dar respostas à população, eles se puseram a prodigalizar providências.
        Os deputados aprovaram projeto que destina 75% das receitas do petróleo para a educação (e não 100%, como queria a presidente Dilma Rousseff) e 25% para a saúde. Também chancelaram a desoneração de tributos incidentes sobre transporte público municipal.
        A agenda positiva do Congresso inclui outras iniciativas bem-vindas, como a extinção do voto secreto em sessões sobre perda de mandato parlamentar.
        Algumas proposições, contudo, sucumbem ao populismo barato. Encaixam-se perfeitamente nessa rubrica tornar a corrupção um crime hediondo e criar o passe livre para estudantes.
        O Congresso decerto não corre sozinho o risco de se sair com medidas de apelo popular e eficácia duvidosa. Desse mal também padece o governo Dilma Rousseff.
        Seria o caso de perguntar se a presidente não considera oportuno, como pede a oposição, reduzir o número de ministérios --já são 39-- e de cargos de confiança no Executivo federal --mais de 22 mil.
        Se o governo federal quisesse dar um sinal ainda mais claro de que ouviu os manifestantes, poderia sepultar de vez o trem-bala ligando São Paulo ao Rio de Janeiro. Os mais de R$ 40 bilhões estimados para o projeto teriam melhor destino se aplicados à infraestrutura de transportes coletivos dessas duas cidades.
        Os políticos foram tirados da inércia. Precisam, como se vê, encontrar o rumo certo.
          EDITORIAIS
          editoriais@uol.com.br
          Pragmatismo ambiental
          Já passou o tempo em que a defesa do ambiente se apoiava só em convicções morais. Uma razão importante para conservar florestas, hoje, tem fundamento pragmático.
          Biomas preservados ganham relevância econômica na medida em que se reconhecem os chamados serviços ecossistêmicos, como a manutenção do ciclo hidrológico (regularização de chuvas e de rios).
          Identificar áreas para proteção é função de Estado, portanto. A administração da presidente Dilma Rousseff, contudo, tem dado baixa prioridade para a criação de unidades de conservação (UCs), como mostrou reportagem desta Folha.
          Em dois anos e meio, Dilma decretou a instituição de apenas duas UCs, com área total de 43 mil hectares (ou 430 km², menos de um terço da área do município de São Paulo). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, só no segundo mandato, criou 23 UCs; no primeiro, haviam sido 54 --um recorde de 20 milhões de hectares.
          A quase totalidade das unidades legadas por Lula está na Amazônia, a metade menos ocupada do Brasil. A terra ali é mais barata, e criar um parque ou floresta nacional desperta menos oposição.
          Estudos indicam que a expansão de UCs contribuiu com 37% da redução acentuada de desmatamento na região desde 2004. Basta declarar que uma área é federal para inibir a derrubada.
          Nos últimos anos, porém, pouco se fez no domínio da mata atlântica, o bioma mais ameaçado do país (cerca de 90% já devastados). Precisamente nesse domínio estão as maiores cidades, algumas já com deficiências no abastecimento de água, como São Paulo.
          Não por acaso ficam nessa região sete das 14 UCs em preparação que o governo federal mantém na gaveta. A terra é muito valorizada, pelo interesse que tem para o cultivo de cana e outras lavouras.
          Se o país foi ousado na criação de unidades em governos recentes, quando era mais fácil fazê-lo, nem por isso é o caso de pender demais para o outro extremo e deixar de proteger o que precisa ser protegido. É uma questão de equilíbrio --e também de realismo.