domingo, 14 de julho de 2013

Crise de sensatez - Ferreira Gullar

folha de são paulo
Não resta dúvida de que o universo, por suas dimensões, está para além da compreensão humana
É possível que o que vou dizer nesta crônica espante o leitor como espantou a mim, ao pensá-lo. É que nunca o pensara antes, nem supunha que tal pensamento me ocorresse um dia, a sério. Foi o seguinte: pensei que é melhor ser louco que sensato, como sou.
Refiro-me ao louco de fato, não estou usando de metáfora, como quando se diz "Fulano é loucão". Nada disso, falo do cara que ouve vozes e acredita que o porteiro do prédio sequestra meninas, mata-as, cozinha-as em grandes panelas que tem em sua casa e as come. Refiro-me ao sujeito que é pirado mesmo, necessitando de internações e remédios. Doido varrido.
Mas por que isso, por que achar que ser doido é melhor do que ser normal? Simplesmente porque o doido inventa a existência como lhe apraz, sem dar bola para o que nós outros chamamos de realidade.
Não é só isso, porém, ou melhor, isso não é o principal motivo de minha opção preferindo a loucura à normalidade. A razão mesmo é que a visão dita normal não explica a realidade, irredutível a ela.
Por exemplo, alguém é capaz de dizer por que existe o mundo em vez de nada? Ninguém sabe a resposta a essa pergunta. E outra: houve um tempo em que nada existia, antes de haver o universo? É impossível imaginar um tempo em que nada existia. Ou seja, a sensatez não explica a existência e muito menos a não existência.
Veja bem, essas perguntas são feitas por gente sensata, ou seja, quem as formula é quem pretende reduzir a existência do mundo a explicações objetivas e compreensíveis. Quem não quer entender, não faz perguntas. Isto é, só os sensatos as fazem; os loucos, não. Se fazem algumas perguntas, são outras, insensatas, e as respostas que encontram são mais loucas ainda.
Não consigo impedir que certas perguntas me perturbem. Por exemplo, o sistema solar mais próximo da Terra está a uma distância de 4,3 anos-luz, ou seja, a distância que a luz percorre à velocidade de 300 mil quilômetros por segundo. Como nenhuma nave pode viajar à velocidade da luz, porque se desintegraria, viraria luz, jamais algum habitante da Terra poderá chegar àquele sistema solar. Mesmo que viajasse a 300 mil quilômetros por hora, levaria séculos para chegar lá. O que dizer dos sóis que estão a 1 milhão ou 2 milhões de anos-luz? Ou seja, o universo existe apenas para ser contemplado por nós, de longe.
Mas é o de menos. Pensa só nisto: o nosso sistema solar, com todos os planetas que o constituem, e os satélites e tudo o mais, equivale a 2% da massa total do Sol, que é uma estrela de quinta grandeza; quer dizer, não é das maiores.
Só na Via Láctea, há bilhões de outros sóis e, no universo, há bilhões de galáxias infinitamente maiores que a Via Láctea, com bilhões e bilhões de sóis. Dá para entender isso? Pode alguém achar que a mente humana é capaz de explicar um troço como esse, que excede toda e qualquer possibilidade de abranger e compreender? Não resta dúvida de que o universo, por suas incomensuráveis dimensões, está para além da compreensão humana. Concorda comigo ou não? Claro que concorda. Se não concorda, o doido é você.
Mas, tudo bem, esqueça as galáxias e me explica a existência desta pequenina aranha que surgiu presa ao filtro de parede na minha cozinha. Ela é minúscula e sua teia tão tênue que nem sequer consigo vê-la. Só sei que a teia existe porque a aranha não poderia estar suspensa no ar sem nada em que se apoiasse.
A aranha não é igual à barata nem ao rato, já que, além do mais, são maiores que ela, têm outra forma e não produzem teia, que, quase invisível, é uma armadilha mortal para os insetos. Foi a aranha quem bolou essa armadilha, quem a inventou? Se não foi ela, quem foi então? Não me diga que foi Deus, porque essa é a resposta que facilmente explica tudo.
A verdade é que não dá para entender, a existência não tem explicação, e o que não tem explicação é absurdo. Absurdo para quem, sensato como eu, quer entendê-la.
Já o louco não busca explicações sensatas. Inventa alguma tão absurda quanto o próprio universo. Enfim, a existência é a existência, não precisa de lógica. E é, por isso mesmo, maravilhosa.

Antonio Prata

folha de são paulo
Estepe
A ideia de manter um texto reserva foi do meu pai: 'Vai que a sua mulher te abandona e tudo o que sai são lágrimas?'
Esta não é a crônica que deveria estar aqui: é uma crônica estepe. Se você a está lendo, ludibriado leitor, é porque a outra furou, ou melhor, eu furei e, nesta semana, por razões que desconheço, deixei de entregar minhas maltraçadas ao jornal.
A ideia de manter um texto reserva, bem guardado no porta-malas da redação, foi do meu pai: "Vai que, justo no dia de mandar a coluna, acaba a luz? Vai que te surge uma pedra no rim? Vai que a sua mulher te abandona, você senta pra trabalhar e tudo o que sai são lágrimas e letras do Tim Maia? Deixa uma crônica prontinha com as redatoras, pra uma emergência. Vai por mim".
Eu fui, ou melhor, estou indo: hoje é dia 22 de agosto de 2011 e aqui me encontro, enchendo este estepe com o parco ar de minha inspiração, de modo que nenhum prego, buraco ou pedra no meio do caminho me impeça de, no futuro próximo ou distante, levá-los com segurança e conforto de uma margem a outra desta página.
Hoje de manhã, quando decidi me dedicar à empreitada, senti aquele pequeno orgulho cívico de quem acaba de marcar uma visita de rotina ao dentista ou manda lavar a caixa-d'água, mas aos poucos, enquanto escrevo, percebo a alegria da cautela se escondendo sob a nuvem preta do temor: só consigo pensar no que terá acontecido para que eu tenha deixado de enviar a crônica.
Lembro do dia, faz uns três anos (ou seis? Ou 49?), em que fiz um seguro de vida. Lembro do sorriso estúpido do gerente ao anunciar que, em caso de morte, o "prêmio" seria de R$ 200 mil. "Taí um prêmio que eu não quero ganhar", eu disse, ao que ele me respondeu, seriíssimo: "Não, não, no caso você não ganha nada, quem ganha é o beneficiário". Pensei em simular uma indignação, em exigir que a quantia fosse depositada nos bolsos do meu traje mortuário, tendo o gerente, pessoalmente, o cuidado de disfarçar a bufunfa com algumas flores do caixão, mas respirei fundo e só assinei ao lado do xizinho, um pouco incomodado por saber que eu valia mais morto do que vivo.
Céus, veja o poder daquela nuvem negra: comecei com uma queda de energia e, quatro parágrafos adiante, estou sete palmos abaixo da terra. Não é para tanto. Seria de muito mau gosto o jornal publicar este texto se eu tivesse batido as botas. Donde concluo, aliviado, que se você, póstero leitor, estiver lendo agora a palavra "carambola", seja em 2012, 2021 ou 2043, é porque não morri. Talvez esteja no escuro, talvez tenha uma pedra no rim, quem sabe minha mulher me abandonou e eu me encontre na rua da amargura, bebendo Cynar com Fanta Uva e cantando "Me Dê Motivos", mas estou vivo.
Estou vivo e preso ao dia 22 de agosto de 2011. Vocês estão vivos e deslizando rumo ao futuro, como pinguins sobre placas de gelo. Ó aí, lá vou eu querendo ser trágico de novo. Deixa disso, Antonio: se o futuro é insondável, seja ao menos um pouco otimista. Ok, serei: quem sabe este texto está sendo publicado porque anteontem ganhei o Oscar de melhor roteiro e, numa ressaca de Dom Pérignon, fui incapaz de escrever uma linha? É isso. Semana que vem eu conto como foi a festa e como resisti às insistentes cantadas de Scarlett Johansson, que, mesmo sessentona e um pouco acima do peso, ainda bate um bolão. Até.

    Governo rifa os direitos indígenas, diz antropóloga

    folha de são paulo
    Para Manuela Carneiro da Cunha, Dilma cede à pressão dos ruralistas
    A professora da USP e da Universidade de Chicago fala ainda em 'ofensiva sem precedentes' contra os índios no Congresso
    RICARDO MENDONÇADE SÃO PAULO
    A antropóloga Manuela Carneiro da Cunha, uma das mais influentes estudiosas da questão indígena no país, acusa a gestão Dilma Rousseff de promover um desenvolvimentismo de "caráter selvagem", sem "barreiras que atendam a imperativos de justiça, direitos humanos e conservação".
    Para ela, Dilma "parece estar cada vez mais refém do PMDB e do agronegócio".
    Ao citar "uma ofensiva sem precedentes no Congresso contra os índios", chama a atenção para o projeto de lei --alçado ao status de urgência "com o beneplácito do líder do governo"-- que permitiria o uso de terras indígenas para várias finalidades, da instalação de hidrelétricas à reforma agrária. "Se passar, será a destruição dos direitos territoriais indígenas", diz.
    Professora aposentada da USP e da Universidade de Chicago, Cunha também tem críticas ao Judiciário. Ela fala numa "tendência crescente e preocupante" de paralisar processos de demarcação em seu início. E estima que 90% das terras em fase de demarcação estão judicializadas.
    Folha - O que distingue o governo Dilma Rousseff dos anteriores na questão indígena?
    Manuela Carneiro - Neste governo a mão direita e a mão esquerda parecem se ignorar. A esquerda promove uma maior justiça social; a direita promove um chamado desenvolvimento sem qualquer limite. O problema não é o desenvolvimentismo em si, mas seu caráter selvagem: a ausência de barreiras que atendam a imperativos de justiça, de direitos humanos, de conservação. Custos humanos e ambientais não estão sendo considerados.
    Assiste-se agora a uma ofensiva sem precedentes no Congresso contra os índios. São vários projetos que destroem garantias que a Constituição assegurou. E a União, que é a tutora, portanto a protetora dos direitos indígenas, não se ergue contra isso.
    A própria AGU (Advocacia-Geral da União), que se pautava por uma tradição de defesa dos direitos indígenas, se aliou à bancada ruralista quando editou a infeliz portaria 303 [que estende para todas as demarcações as 19 condicionantes criadas pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do caso Raposa Serra do Sol, de Roraima].
    Como interpretar as recentes ações do governo?
    Adotando uma interpretação caridosa, eu diria que o governo cede a pressões dos ruralistas, e rifa os direitos indígenas em troca de apoio.
    Assim, na última quarta deu-se uma manobra escandalosa na Câmara: aprovou-se colocar em votação por acordo de líderes, e com o beneplácito do líder do governo, o regime de urgência para o Projeto de Lei Complementar 227/2012, que regulamentaria o parágrafo da Constituição que trata das terras indígenas.
    O que significa?
    Esse parágrafo abre uma exceção nos direitos de posse e usufruto exclusivo dos índios quando se tratar de relevante interesse da União.
    O projeto, de autoria do vice-presidente da Confederação Nacional da Agricultura, pretende definir o que seria relevante interesse público da União. É assombrosa a definição: quase tudo nela cabe.
    Permitiria que em terras indígenas passassem estradas, oleodutos, linhas de transmissão, hidrelétricas, ferrovias. Permitiria a concessão de áreas a terceiros em faixas de fronteira; que se mantivessem posseiros, agrupamentos urbanos, assentamentos de reforma agrária e até novos assentamentos.
    Permitiria que se mantivessem todas as terras sob domínio privado quando da promulgação da Constituição de 1988.
    Permitiria tudo?
    Esta cláusula seria o equivalente da anistia que os ruralistas conseguiram no Código Florestal. Mas dessa vez não se trataria de escapar de multas e de ter de recompor paisagens degradadas. Seria legalizar e perpetuar o esbulho. Se uma lei como essa passar, será a destruição dos direitos territoriais indígenas.
    As condicionantes do STF e a portaria da AGU que a senhora citou foram muito criticadas por indígenas e antropólogos. Quais são os problemas?
    Várias dessas condicionantes surgiram como forma de permitir um consenso entre os ministros do STF em relação ao caso Raposa Serra do Sol. Quando a AGU quis estender a outros casos essas condicionantes, que ainda dependem de uma análise mais aprofundada do próprio STF, e que foram estabelecidas para aquele caso concreto, ela tentou consolidar abusivamente uma interpretação desfavorável aos índios.
    Cite um exemplo
    A alegada proibição de ampliação de terras indígenas. Essa condicionante se referia à Raposa. Quando se aplica essa condição às terras guaranis, demarcadas em outro contexto, décadas atrás, fica evidente o absurdo. Nesse sentido, a portaria 303 é muito grave. Denota uma intenção evidente de prejudicar os indígenas em favor de interesses econômicos.
    O governo fala em envolver a Embrapa, entre outros órgãos, nos processos de demarcação. Para alguns, há uma tentativa de enfraquecer a Funai.
    A presidenta parece estar cada vez mais refém do PMDB e do agronegócio, que se aliou aos evangélicos.
    Esse bloco se opõe ferozmente à demarcação e à desintrusão (retirada de invasores) das áreas indígenas.
    Marta Azevedo [presidente da Funai que deixou o cargo em junho] anunciou que daria prioridade às regiões onde se concentram interesses de fazendeiros. Foi um feito conseguir a desintrusão, após 20 anos, da área xavante Marãiwatsede. Com isso, cutucou-se a onça com vara curta.
    Há vários modos de a mão direita do governo enfraquecer a causa dos índios. Uma é retirando atribuições da Funai. Outra é deixando-a sem dinheiro. E outra é colocando como presidente alguém a serviço de outras agendas.
    Corre o boato de que o senador Romero Jucá (PMDB-RR), que firmou sua carreira como presidente da Funai e cuja atuação foi muito criticada, gostaria de colocar no posto uma pessoa sua.
    Ganha força no Congresso a ideia de tirar do Executivo a responsabilidade exclusiva pelas demarcações. Que tal?
    Se essa Proposta de Emenda à Constituição for aprovada, acabarão os processos de demarcação, pois os direitos dessas minorias serão submetidos aos jogos de poder de todos os grupos de interesse do Congresso, sobretudo à poderosa bancada ruralista. A demarcação deixa de ser uma atividade de caráter eminentemente técnico e passa ser exclusivamente política.
    Em que medida o Poder Judiciário é corresponsável pela demora nas demarcações e pelos conflitos?
    Estima-se que pelo menos 90% das terras em demarcação estão judicializadas. As demoras são às vezes absurdas. No sul da Bahia, o caso pataxó levou quase cem anos para ser julgado pelo STF. No Mato Grosso do Sul, há casos que estão há mais de 30 anos em processos.
    Há uma tendência crescente e preocupante do Judiciário de paralisar processos de demarcação administrativa logo em seu início, com base na simples apresentação de títulos de propriedade dos fazendeiros. Teses que há alguns anos não vingavam, por não serem condizentes com a Constituição, começam a ganhar espaço.
    Isso tem atrasado muitos processos demarcatórios e contribuído para aumentar o grau de conflito. Justiça que tarda não é justiça. No caso dos guaranis e caiovás do Mato Grosso do Sul, há gerações inteiras que nunca puderam viver sua cultura. A organização social tradicional não tinha como ser mantida, costumes e rituais ligados à cultura do milho não puderam ser realizados. Isso não seria etnocídio?
    RAIO-X MANUELA C. DA CUNHA
    NATURALIDADE
    Cascais (Portugal)
    FORMAÇÃO
    Formada em matemática em Paris, é doutora em ciências sociais pela Unicamp (1976)
    CARREIRA
    Foi professora titular da USP e da Universidade de Chicago

    "Paulista com Augusta é a Ipiranga com a São João de hoje", diz filha de André Sturm

    folha de são paulo
    ANA ELISA FARIA
    DE SÃO PAULO

    A avenida Paulista recebeu, há dois sábados, uma manifestação diferente. Em vez gritos de ordem, uma revoada de balões com o nome do filme "A Espuma dos Dias", de Michel Gondry.
    Barbara Sturm, 24, estava por trás da ação para divulgar a obra. O nome da moça talvez soe familiar.
    Filha de André Sturm, diretor-executivo do MIS (Museu da Imagem e do Som) de São Paulo, ela atualmente é vice-diretora da distribuidora Pandora Filmes. Foi lá que Barbara, antes estudante de moda, se apaixonou pelo cinema.

    Barbara Sturm

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    Felipe Gabriel/Folhapress
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    Barbara Sturm, 24, é vice-diretora e coordenadora de lançamentos da distribuidora Pandora Filmes
    Nascida em Campinas, veio com 15 anos morar com o pai em São Paulo. E acha que não há melhor representação da cidade do que o longa "É Proibido Fumar", de Anna Muylaert. "Principalmente nas cenas em que a Glória Pires está dentro de um carro e passam milhões de motoboys."
    *
    sãopaulo - Por que distribuir balões na Paulista?
    Barbara Sturm - Todo mundo tem que passar por ali. O circuito de arte está lá. E o símbolo da Augusta com a Paulista é uma coisa meio que a São João com a Ipiranga de hoje.
    Você criou um festival de cinema em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Gostaria de fazer algo parecido em São Paulo?
    O idealizador é o André Gevaerd [namorado dela]. A gente se conheceu em Cannes, em 2010, e ele me falou da ideia. Mesmo sendo um município famoso por suas baladas, a população tem sede de cinema. Mas eles só têm shoppings e assistem a filmes americanos. Somos nenês ainda e não queremos competir com os gigantes festivais do Rio e de SP. O que fizemos foi trazer uma 'partezinha' para cá. No fim de semana seguinte montamos sessões e debates no MIS.
    Facilita seu pai ser diretor do MIS?
    A gente tenta unir o museu ao cinema e à Pandora, mas não muito, para não ter um excesso de união [ri]. O MIS tem sua curadoria e equipe próprias. Não quero entrar demais nas coisas do museu.
    Para um filme seu, qual seria o cenário ideal na cidade?
    [Pausa grande] A Paulista, com certeza. No meu curta ["O Sussurro", de 2010] tem cenas externas, todas feitas em vias importantes para mim, como a avenida Eusébio Matoso e a rua Augusta.
    De que maneira você aproveita SP?
    Moro e trabalho nos Jardins. Então, acabo fazendo tudo por lá. Acho que o lugar que mais frequento é o Tutto Italiano, um restaurante na [rua Doutor] Melo Alves com a [alameda] Tietê. Mas vou bastante ao parque da Aclimação. É um lugar delicioso. Tem gente com cachorro e não tem cocô de cachorro, sabe?