quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Sanga


Coloco o amor preto no branco
arpão de letra em papel de escama
chumbo na bucha de pólvora seca
gatilho torto na curva de uma roupa

Não imponha o coração na corrente
não me coloque entre marionetes
me desarmei ao te pedir de joelhos
mas ainda sei como viver liberto

Fique atenta ao meu jeito meio rude
que aprendi com mestres da fronteira
gaudérios do pampa, soldados num açude

É a maneira que temos de sobrevivência
guardamos os fuzis no leito de uma sanga
entregamos o sonho no colo de uma deusa

Nei Duclós [via https://www.facebook.com/nei.duclos]

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