domingo, 24 de março de 2013

Desempenho do PT no governo é bem visto

folha de são paulo

DE SÃO PAULOAlvo constante de denúncias e, mais recentemente, de alguns atritos com o governo, o PT não é visto pela população brasileira como um estorvo para o desempenho da presidente Dilma Rousseff, filiada ao partido.
Para 55% dos entrevistados pelo Datafolha, o Partido dos Trabalhadores está ajudando o governo Dilma. Entre os que dizem que o partido ajuda, 47% afirmam que "ajuda muito". Os demais consideram que a sigla "ajuda um pouco".
O total de pessoas que acham o contrário disso, que o PT está atrapalhando a presidente Dilma, soma 22%.
Ainda que positivo por larga margem, esse índice já foi melhor para a legenda.
Há dez anos, quando o presidente Lula tinha somente três meses de mandato, o Datafolha fez a mesma pergunta. Naquela ocasião, 69% dos entrevistados responderam que o PT estava ajudando o ex-metalúrgico recém-eleito.
Por ocasião dos dez anos do PT no comando do governo federal, o Datafolha também perguntou se, na opinião dos entrevistados, a administração do partido ao longo de uma década estava sendo boa ou ruim para o país.
Para 72%, o governo petista está sendo bom; 13% dizem que está sendo ruim; e 9% dizem que tem sido indiferente. Outros 5% não souberam ou não quiseram responder.
O PT, segundo a pesquisa finalizada anteontem, é o partido da preferência de 29% dos brasileiros.
O PMDB aparece em segundo, mas com índice bem menor, 7,5%. O PSDB foi citado como o partido preferido por 4,5%.

    ANÁLISE PESQUISA DATAFOLHA
    Com segurança no emprego, brasileiro sustenta otimismo
    Em dez anos, taxa dos que acreditam que país é um bom local para viver cresce 15 pontos percentuais
    Sensação de estabilidade no trabalho tem salvado o governo da estagnação da economia
    Dilma foi a única a apresentar evolução nas intenções de voto, fossem espontâneas ou estimuladas
    MAURO PAULINODIRETOR-GERAL DO DATAFOLHAALESSANDRO JANONIDIRETOR DE PESQUISAS DO DATAFOLHAEm dez anos, a taxa de brasileiros que consideram o país um lugar ótimo ou bom para viver cresceu 15 pontos percentuais. Entre os menos escolarizados e os de menor renda, esse índice subiu na mesma proporção.
    A mesma tendência se observa na esperança que a população revela sobre melhores condições financeiras e maior poder de compra.
    Como mostra o Datafolha hoje, essa percepção genérica, talvez um balanço subjetivo e indireto dos dez anos do PT no poder, alimenta a alta popularidade de Dilma e, neste momento, potencializa sua candidatura à reeleição em 2014 -a presidente da República foi a única a apresentar evolução nas intenções de voto, tanto espontâneas quanto estimuladas.
    E a base da sensação de bem-estar não se resume à perspectiva de mobilidade social, inclusão no mercado consumidor ou acesso a políticas sociais.
    Existe uma variável de grande correlação com todos esses fatores e que nos últimos dez anos apresentou mudança contundente -o sentimento de empregabilidade do brasileiro.
    REDUÇÃO BRUTAL
    Em 2003, 43% da população economicamente ativa do país enxergava alguma chance de perder o emprego. Atualmente, esse índice caiu pela metade.
    No extremo oposto, a taxa dos que descartam qualquer possibilidade de serem demitidos chega agora a 75% -um crescimento próximo a 20 pontos percentuais em dez anos. Vale a nota de que no Nordeste essa evolução supera a média nacional.
    O medo do que significa o desemprego na vida dos brasileiros também diminuiu significativamente. Em 2003, 34% afirmavam que ficar sem trabalho era o que mais temiam. Hoje, esse índice caiu para 15%.
    Como consequência desse cenário, apesar de acreditar no aumento da inflação, a maior parte dos entrevistados aposta numa futura diminuição do desemprego e no aumento do poder de compra dos seus salários.
    Pelo menos no período pré-eleitoral, a sensação de segurança no mercado de trabalho tem salvado o governo federal das movimentações da oposição no terreno político e das notícias de estagnação da economia.

      Otimismo com a economia explica aprovação de Dilma
      51% acham que situação do país vai melhorar; só 31% temem desemprego
      Após dois anos e três meses de mandato, Dilma faz um governo ótimo ou bom, segundo 65% dos entrevistados
      DE SÃO PAULO
      Para 51% dos brasileiros, a situação econômica do país vai melhorar nos próximos meses. Um contingente ainda maior, 68%, acha que sua própria situação deve evoluir.
      O medo do desemprego pode ser considerado baixo. Apenas 31% acreditam que esse problema aumentará.
      E a expectativa sobre a renda também é positiva: 49% acham que o poder de compra dos salários crescerá.
      Os números, em contraste com avaliações de boa parte dos analistas de mercado, ajudam a explicar o índice recorde de popularidade da presidente Dilma Rousseff.
      Após dois anos e três meses de mandato, Dilma faz um governo ótimo ou bom para 65% dos brasileiros. Outros 27% classificam a administração como regular. A avaliação negativa é de 7%.
      Os dados são da pesquisa Datafolha realizada nos dias 20 e 21 de março com 2.653 entrevistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
      Na pesquisa anterior com as mesmas perguntas, em dezembro do ano passado, o otimismo da população nas questões econômicas também superava o pessimismo.
      Os índices, porém, eram mais modestos. A expectativa positiva em relação ao país, por exemplo, era 7 pontos menor. Em relação à própria situação, 11 pontos a menos.
      O único quesito econômico pesquisado pelo Datafolha que hoje não é visto com otimismo pela maior parte da população é a inflação.
      Para 45%, os preços tendem a subir. Outros 31% acham que a inflação ficará como está. Só 18% confiam na redução dos preços.
      HISTÓRICO
      O atual índice de aprovação do governo Dilma está três pontos acima do índice constatado em dezembro do ano passado, a última vez que o Datafolha havia feito esse tipo de levantamento.
      Dilma também está melhor que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no período equivalente. Na virada de 2004 para 2005, quando Lula completava o segundo ano de mandado, o índice de aprovação do governo era 20 pontos menor que o atual.
      Naquela época, 45% classificavam a administração de Lula como ótima ou boa. Era o recorde do petista até então. Na pesquisa seguinte, em junho de 2005, sua aprovação caiu para 35%.
      A parte eleitoral da pesquisa Datafolha foi divulgada na edição de ontem da Folha.
      Se a eleição para presidente da República fosse hoje, Dilma seria reeleita no primeiro turno com 58% dos votos -segundo o cenário mais provável de candidatos.
      A ex-senadora Marina Silva, em campanha pela criação de um novo partido, ficaria em segundo lugar, com 16%. O tucano Aécio Neves alcançaria 10%, tecnicamente empatado com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), com 6%.
      NA TV
      Nas últimas semanas, a presidente Dilma fez uma série de anúncios governamentais de impacto positivo.
      Um dos mais noticiados foi a extinção do número de miseráveis listados no Cadastro Único do governo federal, resultado obtido após uma série de incrementos no alcance e nos valores pagos pelo programa Bolsa Família.
      Outra medida relevante foi a redução dos impostos que incidem sobre os produtos da cesta básica, anunciada em rede nacional de rádio e TV.
      Antes disso, Dilma já havia feito um pronunciamento, também em rede de TV, sobre a redução das tarifas de luz.
      São iniciativas que ajudam a explicar o atual índice de popularidade da presidente.
      O Datafolha fez uma pergunta para medir o impacto das realizações de Dilma. Nesse capítulo, 22% dos entrevistados dizem que ela fez pelo país mais do que eles esperavam; no final de 2012 esse índice era de 15%. A maioria (41%) diz hoje que ela fez aquilo que eles esperavam.
      A expectativa quanto ao desempenho futuro de Dilma é positiva: 72% dizem que, daqui para a frente, ela fará um governo ótimo ou bom.
      O sentimento de otimismo desponta ainda em outras questões formuladas pelo instituto. Na avaliação de 76%, o Brasil é um país ótimo ou bom para se viver; 87% dizem ter mais orgulho do que vergonha de ser brasileiro; 81% entendem que o país tem muita importância no mundo hoje.

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