domingo, 5 de maio de 2013

Cursos promissores-Junia Oliveira‏

Graduações criadas pelo programa de extensão do ensino superior obtêm nota máxima do MEC e abrem portas de um mercado de trabalho com múltiplas oportunidades para alunos 


Junia Oliveira

Estado de Minas: 05/05/2013 


Eles nasceram desconhecidos e, de certa forma, desacreditados do grande público. São cursos novos, sem tradição acadêmica e com poucas referências no mercado de trabalho. Mas, passados cinco anos, as graduações criadas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) pelo Reuni, o programa de reestruturação e expansão das instituições de ensino superior, mostram a que vieram. As primeiras a serem avaliadas pelo governo federal no processo de reconhecimento dos cursos tiveram nota máxima. Os estudantes comemoram os resultados e afirmam estar diante de um mercado de trabalho cheio de oportunidades. O desafio agora é conquistar mais alunos interessados nesses filões.

Dos 27 cursos do Reuni, oito já foram avaliados. As visitas do Ministério da Educação (MEC) começaram em 2011 e o processo de inspeção terminou no ano passado, quando as primeiras turmas se formaram. Em jogo, estava o reconhecimento do curso, já que sem ele os alunos não recebem o diploma. Ganharam a maior nota – cinco – gestão pública, formação intercultural de educadores indígenas, licenciatura em educação do campo, conservação e restauração de bens culturais móveis e gestão de serviços de saúde, além do curso de administração oferecido pelo Instituto de Ciências Agrárias, em Montes Claros, no Norte de Minas. Ciências do Estado e design foram avaliados com nota quatro.

A vice-reitora da UFMG, Rocksane de Carvalho Norton, explica que muitos desses cursos foram criados com o compromisso de melhorar a infraestrutura física, o que está sendo feito gradativamente. O Reuni, além de oferecer cursos noturnos, teve o papel de juntar no câmpus Pampulha faculdades que estavam sediadas em outros prédios pela cidade.

Rocksane Neto atribui o sucesso da nota do MEC à tradição da universidade, qualificação e envolvimento dos professores e à dedicação dos alunos. Ela chama a atenção ainda para duas graduações em especial: formação intercultural de educadores indígenas e licenciatura em educação do campo. “São cursos inovadores e a UFMG se destaca como vanguarda na oferta deles”, diz.

Mas, diante da responsabilidade do reconhecimento, Rocksane destaca que é preciso investir na continuidade dos processos de avaliação dos estudantes, inclusive em pesquisa e extensão. E, embora bem avaliados, há ainda o desafio de chamar mais alunos. Dos cursos do Reuni, gestão ambiental se destaca como um dos mais concorridos, tendo, no último vestibular, 12,3 candidatos por vaga. Entre os primeiros a passar pelo crivo do MEC, design é o mais concorrido, com 6,95 estudantes disputando uma única cadeira no último processo seletivo.

Entre os menos procurados, estão gestão de serviços de saúde (1,32) e restauração de bens culturais móveis (2,1). A vice-reitora espera uma mudança de cenário com a adesão da universidade ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu). “Precisamos divulgar melhor esses cursos e mostrar o que é a competência de cada uma dessas áreas. Por outro lado, esperamos agora um número de candidatos maior, pois muitos estudantes optavam por outra instituição pela facilidade de se submeter ao Sisu”, afirma


Emprego antes do diploma
Novos cursos formam profissionais que ainda são insuficientes para atender a grande demanda do mercado. Estagiários têm boas chances de manter trabalho após formatura



Junia Oliveira



"Como é um curso novo, não temos laboratório nem oficinas específicas. Trabalhamos com modelagem, mas fazemos muita coisa em sala de aula mesmo, de forma artesanal" - Víctor Tameirão Sampaio Rodrigues, aluno do 6º período de design na UFMG

Foi numa Mostra de Profissões organizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que o estudante do 9º período Renato Rodrigues da Silva, de 22 anos, conheceu o curso de gestão de serviços de saúde. Na apresentação, ele descobriu que poderia associar as duas áreas de que mais gosta: saúde e administração. Hoje, ele se orgulha de fazer parte da primeira turma, que se formará este ano, com emprego garantido. O estágio na Secretaria de Estado de Saúde lhe rendeu trabalho na Secretaria de Planejamento e Gestão, onde acompanha de perto ações ligadas à saúde em Minas.

O jovem também se dedica ao estágio obrigatório, no Hospital de Pronto-Socorro Risoleta Neves. “Na faculdade, há vários estudantes já contratados e outros em estágio, mas com perspectiva de continuar, pois temos uma bagagem boa. O estagiário de gestão em saúde está deixando para trás o de administração nessa área, por causa do nosso diferencial. Administrar um serviço de saúde exige uma série de coisas que só se aprende na faculdade ou na prática, se você for um profissional de saúde”, afirma.

A amplitude do mercado é ressaltada pelo professor Luiz Carlos Brant. Ele conta que nos grandes centros urbanos a gestão em saúde é feita por profissionais com pós-graduação. Eles exercem as atividades da profissão de origem junto às administrativas ou, simplesmente, abandonam as profissões de formação para se dedicar ao setor administrativo.

Já no interior, a realidade é outra: “Observa-se escassez de profissionais capacitados para a área administrativa e dificuldades de aproveitamento das categorias tradicionais de saúde, em face do reduzido número disponível”, afirma. “Há, portanto, um direcionamento, a nosso ver, pouco adequado de formação e aproveitamento dos profissionais de saúde, em decorrência da falta de um profissional graduado no mercado para a área administrativa do setor”, ressalta.

PEQUENOS PROJETOS Aluno do 6º período de design, Víctor Tameirão Sampaio Rodrigues optou pela área de produtos, de olho no mercado. “As aulas são bem interessantes e, desde o primeiro período, começamos com pequenos projetos para entender metodologia”, diz. Por enquanto, o ponto negativo são as aulas práticas. “Como é um curso novo, não temos laboratório nem oficinas específicas. Trabalhamos com modelagem, mas fazemos muita coisa em sala de aula mesmo, de forma artesanal”, afirma.

O curso funciona na Escola de Arquitetura, no Bairro Funcionários, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, e a expectativa é de uma estrutura impecável quando a faculdade for transferida para o câmpus Pampulha (o direito também vai se mudar). Mas isso não frustra as expectativas de Víctor. Ele ainda não faz estágio na área, mas tem certeza de emprego garantido quando se formar. “Há demanda e faltam profissionais. É um curso promissor e a possibilidade de crescer é grande, porque podemos atuar numa empresa de carro e até na concepção da embalagem de um produto”, relata.

SAIBA MAIS


EXPANSÃO DO ENSINO


O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), do governo federal, tem o objetivo principal de ampliar o acesso e a permanência na educação superior. Trata-se de uma série de medidas para retomar o crescimento do ensino superior público, por meio da expansão física, acadêmica e pedagógica da rede federal de educação. As ações do programa preveem o aumento de vagas nos cursos de graduação, ampliação da oferta de cursos noturnos, promoção de inovações pedagógicas e combate à evasão, entre outras metas. O Reuni foi instituído pelo Decreto nº 6.096, de 24 de abril de 2007, e é uma das ações que integram o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Todas as universidades federais aderiram e apresentaram planos de reestruturação.
”Na faculdade, há vários estudantes já contratados e outros em estágio, mas com perspectiva de continuar, pois temos uma bagagem boa” - Renato Rodrigues da Silva, aluno do 9º período de gestão de serviços de saúde

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