Mostrando postagens com marcador Julio Abramczyk. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Julio Abramczyk. Mostrar todas as postagens

sábado, 27 de julho de 2013

A importância da vacina contra a gripe - Julio Abramczyk

folha de são paulo

A importância da vacina contra a gripe

Ouvir o texto
Nestes dias frios do nosso rigoroso inverno, podemos verificar a importância da vacinação contra a gripe realizada anualmente em São Paulo.
Na campanha deste ano, iniciada em abril e encerrada em meados de junho, foram imunizados cerca de 7 milhões de pessoas, dos quais 4,1 milhões eram idosos.
A proteção da vacina antigripal em relação à mortalidade de idosos com doenças cardíacas crônicas ou afecções pulmonares, no inverno, foi o tema de tese de doutorado da médica Cinta de Diego Cabanes, na Espanha.
Segundo o autora, no inverno, a vacinação reduziu em 16% o índice de mortalidade por doença pulmonar crônica e em 37% por cardiopatia crônica, como a insuficiência cardíaca ou os distúrbios das coronárias.
No congresso anual de insuficiência cardíaca da Sociedade Europeia de Cardiologia, em maio, em Lisboa, o médico David P. Kao, de Denver, EUA, mostrou que pacientes portadores da afecção internados no inverno apresentaram maior índice de mortalidade. O estudo teve por base a análise de 949.907 admissões hospitalares em um período de 14 anos.
Segundo os especialistas, a exposição às temperaturas muito baixas, sem proteção, resulta em um estreitamento das artérias que causa aumento da pressão.
Em idosos, isso pode resultar em morte, não só pela fragilidade do seu sistema cardiocirculatório como por eventual concomitância de uma infecção respiratória.
Julio Abramczyk
Julio Abramczyk, médico formado pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp, faz parte do corpo clínico do Hospital Santa Catarina, onde foi diretor-clínico. Na Folha desde 1960, já publicou mais de 2.500 artigos. Escreve aos sábados na seção 'Saúde'.

sábado, 13 de julho de 2013

Julio Abramczyk - Basta importar, no lugar dos médicos, administradores competentes.

folha de são paulo
PLANTÃO MÉDICO
JULIO ABRAMCZYK - julio@uol.com
Um problema de atendimento médico
Nos últimos 30 anos, diferentes soluções foram inutilmente apresentadas para o atendimento médico às populações desassistidas da periferia dos grandes centros urbanos e das pequenas cidades do interior do Brasil.
A proposta mais recente é o programa "Mais Médicos para o Brasil", do Ministério da Saúde. Nesse programa, estudantes de medicina atuarão nos postos do SUS, recebendo remuneração do governo federal. Nessa atividade, com chefia e horário, automaticamente adquirem vínculo empregatício com o governo.
E o Conselho Federal de Medicina terá antes de autorizar o exercício da medicina desses estudantes.
Há poucos dias, na Espanha, Mozart Sales, secretário de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde do Ministério da Saúde, declarou que pretende contratar 7.000 médicos para a atenção básica em saúde para postos de 1.557 cidades de alta vulnerabilidade social e 25 distritos de saúde indígena.
Entre os vários problemas que preocupam os representantes dos médicos espanhóis estão as condições de trabalho, a garantia da existência de meios materiais para o atendimento médico nas localidades e se o diploma espanhol será revalidado.
O programa com os estudantes e os médicos do exterior indica demora para a sua consecução, mas esses problemas podem ser resolvidos de forma eficiente e rápida.
Basta importar, no lugar dos médicos, administradores competentes.

    sábado, 8 de junho de 2013

    Teste simples previne câncer do útero - Julio Abramczyk

    folha de são paulo
    Teste simples previne câncer do útero
    Substituir o teste de Papanicolaou, o conhecido exame para detecção precoce de lesões pré-cancerosas do útero, por um pouco de ácido acético borrifado no colo do útero é a proposta do professor Surendra Srinivas Shastri e colaboradores do Tata Memorial Centre, de Mumbai, Índia. O ácido acético é o popularmente conhecido vinagre.
    Apresentado há poucos dias em Chicago, na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, esse método permite a fácil visualização da lesão poucos minutos depois da aplicação do vinagre por um agente de saúde treinado.
    Surge uma cor esbranquiçada, indicando ser pré-cancerígena a área que recebeu o ácido acético.
    O exame é fácil e tem custo reduzido, mas provavelmente não dispensa a presença de um médico especialista para o resultado final.
    O estudo foi realizado de 1998 a 2002. Foram recrutadas 75.360 mulheres para os grupos de triagem e 76.178 no grupo-controle.
    A qualidade da observação pelos agentes de saúde, diz Shastri, era comparável à feita por um ginecologista.
    A triagem preventiva com ácido acético reduziu a mortalidade por câncer do colo do útero, dizem os autores.
    Eles também sugerem que a inspecção visual com vinagre por agentes de saúde treinados pode prevenir anualmente 72.600 mortes nos países em desenvolvimento com poucos recursos disponíveis para os programas de prevenção do câncer.

      sábado, 27 de abril de 2013

      Reduzindo o uso nocivo do álcool

      folha de são paulo

      PLANTÃO MÉDICO
      JULIO ABRAMCZYK - julio@uol.com
      No 1º Seminário Brasileiro de Resultados sobre Iniciativas para a Redução do Uso Nocivo de Álcool, o governador Geraldo Alckmin afirmou que a Lei Antiálcool, vigente em São Paulo, pegou.
      Giovanni Cerri, diretor da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP) e secretário de Estado da Saúde, acrescentou que o índice de adesão à lei é similar ao alcançado pela Lei Antifumo, de 99,7%.
      O seminário, realizado na FMUSP na semana passada, foi organizado pelo professor Arthur Guerra de Andrade. É a resposta do Brasil à decisão da OMS (Organização Mundial da Saúde) para que os governos nacionais orientem a população sobre o uso nocivo do álcool.
      O major Marco Andrade, do Rio, apresentou os resultados da Operação Lei Seca nos últimos três anos: redução de 32% de vítimas fatais, queda de 13% no atendimento de politraumatizados e redução de 21% de vítimas de acidentes de trânsito.
      Julino Rodrigues Soares Neto, da Unifesp, analisou a produção ilícita de bebidas, a venda delas por ambulantes e sua repercussão para a saúde pública.
      Edney G. Narchi, vice-presidente-executivo do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), lembrou que há mais de 30 anos o Conar exerce controle ético da propaganda.
      O órgão introduziu, em 2008, a obrigatoriedade da inclusão de frases como "beba com moderação" e "se beber, não dirija" na publicidade de bebidas alcoólicas.

        sábado, 20 de abril de 2013

        A dor no idoso - Julio Abramczyk

        folha de são paulo

        "Dor no idoso é não somente subestimada mas também negligenciada". Essa é a primeira linha de um artigo que oferece um roteiro prático para o controle da dor no idoso, publicado na revista "Age and Ageing".
        O trabalho foi elaborado por Aza Abdulla e colaboradores das sociedades britânicas de geriatria e da dor.
        Os autores lembram que a ocorrência de alterações fisiológicas e as mudanças psicossociais fragilizam esses pacientes.
        Por isso, explicam eles, o tratamento desse problema não deve ficar limitado à medicação básica, deixando de lado opções que aliviem o sofrimento.
        Entre as opções estão as atividades físicas, adaptadas à preferência e à capacidade individual, como caminhadas, exercícios físicos feitos de forma progressiva, hidroterapia, tai chi e ioga.
        Esse tipo de atividade não apenas ajuda na dor persistente mas também contribui para prevenir as dolorosas e por vezes graves quedas dos idosos.
        Entre os vários medicamentos sugeridos estão, além de injeções intra-articulares, os analgésicos de uso tópico para o joelho, em caso de osteoartrite.
        Os autores lembram da necessidade de controle no uso de medicamentos orais, já que eles podem desencadear efeitos colaterais, como prisão de ventre crônica ou, eventualmente, problemas de estômago, em especial no caso dos anti-inflamatórios não esteroides.
        Julio Abramczyk
        Julio Abramczyk, médico formado pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp, faz parte do corpo clínico do Hospital Santa Catarina, onde foi diretor-clínico. Na Folha desde 1960, já publicou mais de 2.500 artigos. Escreve aos sábados na seção 'Saúde'.

        sábado, 9 de março de 2013

        O difícil diagnóstico psiquiátrico - Julio Abramczyk

        folha de são paulo

        Diagnosticar doença mental parece fácil, mas, para o médico, é bem complicado. Pesquisadores da área querem retirar parâmetros subjetivos ou comportamentais desse diagnóstico, substituindo-os por marcadores biológicos.
        Querem descobrir um exame tão exato quanto o de sangue para o diabetes ou a radiografia de tórax para a pneumonia.
        Em editorial na revista canadense "Journal of Psychiatry & Neuroscience", a professora Patricia Boksa, da Universidade McGill, no Canadá, mostra os desafios para identificar esses biomarcadores.
        Ela cita estudo de P. J. Benson e colaboradores no "Biological Psychiatry", no qual são mostrados testes para detectar anormalidades no movimento ocular e diferenciar casos de esquizofrenia.
        A professora lembra da possível confusão, nesse teste, não só com outras doenças psiquiátricas mas com problemas neurológicos.
        Os movimentos dos olhos têm por base funções complexas, e anormalidades em áreas cerebrais podem eventualmente ser encontradas.
        Por outro lado, exames objetivos vêm permitindo identificar precocemente doenças mentais como o alzheimer.
        Para essa demência, a análise do líquido cefalorraquidiano e os exames radiológicos, como a tomografia computadorizada, vêm permitindo a detecção precoce da afecção, anteriormente apenas identificada pós-morte, ao exame anatomopatológico do cérebro.
        Julio Abramczyk
        Julio Abramczyk, médico formado pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp, faz parte do corpo clínico do Hospital Santa Catarina, onde foi diretor-clínico. Na Folha desde 1960, já publicou mais de 2.500 artigos. Escreve aos sábados na seção 'Saúde'

        sábado, 2 de março de 2013

        Da Escola Base à UTI de Curitiba

        folha de são paulo

        PLANTÃO MÉDICO
        JULIO ABRAMCZYK - julio@uol.com
        HÁ 19 anos, os responsáveis pela Escola de Educação Infantil Base foram surpreendidos por um redemoinho de acusações, todas falsas.
        Receberam reparação financeira por danos morais mas, para as sequelas dos danos emocionais, não houve nem haverá consolo.
        No dia 19 deste mês, foi presa a médica-chefe da UTI de um hospital universitário de Curitiba, onde atuava há vários anos. Dias depois, o mesmo ocorreu com três outros médicos da mesma UTI.
        O crime: eutanásia (abreviar a vida, sem dor ou sofrimento, de doente incurável).
        Até o dia 23, o Conselho Regional de Medicina do Paraná nunca havia recebido denúncia contra a UTI. Com insistência, solicitou à Polícia cópia dos autos, recebida no dia 26, por decisão judicial.
        A direção do hospital, indiferente ao destino dos médicos, apenas comunicou mudanças na equipe.
        Da mesma forma que no escândalo da Escola Base, é possível que seja outra a verdadeira história.
        Uma UTI dispõe de avançados recursos e tratamentos de suporte a doentes em risco de vida. Os pacientes, encaminhados à UTI, em situação crítica, têm ali maior chance de sobrevivência que no leito comum do hospital.
        Apesar disso, segundo explica o professor J. Randall Curtis, da Universidade de Washington, na revista "Lancet", por mais avançados que sejam os recursos de uma UTI, esse é o local onde a morte é comum e cuidados de fim de vida são constantes.

          sábado, 23 de fevereiro de 2013

          Os dez minutos que trazem saúde


          folha de são paulo
          PLANTÃO MÉDICO
          JULIO ABRAMCZYK - julio@uol.com

          ESPECIALISTAS ADMITEM que tanto correr quanto andar trazem benefícios para a saúde.
          Entretanto, faltava estabelecer o tempo mínimo necessário para um esforço físico resultar em benefício para a saúde.
          Trabalho publicado no "American Journal of Health Promotion" mostra resultados similares para a saúde em dez minutos de um esforço físico discreto e para o mesmo período ou mais tempo ainda de exercícios físicos.
          Paul D. Loprinzi, especialista em ciências do exercício, e Bradley J. Cardinal, da saúde pública, relatam uma associação nos resultados objetivamente medidos no tempo e no esforço físico.
          Durante três anos, as pessoas que participaram da pesquisa usaram, ao menos por quatro dias, durante 10 horas, um instrumento (acelerômetro) que quantificava o padrão da forma de andar - normal ou acelerada.
          Cerca de metade dos 6.321 participantes com idades entre 18 e 85 anos submeteu-se aos exames de colesterol, triglicérides e glicose.
          Estatisticamente, foi similar a melhora nos resultados dos exames para as duas formas de atividade física durante dez minutos ou tempo superior.
          Os autores concluem que adultos com pouco tempo para as academias devem ter um estilo de vida mais ativo.
          Nesse caso, mesmo que em poucos dez minutos, andar sempre que possível e evitar elevador para subir um andar ou descer dois andares.

            sábado, 16 de fevereiro de 2013

            Julio Abramczyk

            folha de são paulo

            PLANTÃO MÉDICO
            JULIO ABRAMCZYK julio@uol.com.br
            Lanche engorda adolescente
            TEMOS no Brasil pouco mais de 34 milhões de adolescentes, segundo o IBGE. No mesmo levantamento, realizado em 2010, 20,5% apresentavam excesso de peso e 4,9% eram obesos.
            Uma das possíveis causas do excesso de peso desses jovens está um estudo de Amanda Solimani Teixeira e colaboradores da Faculdade de Saúde Pública da USP, publicado na "Revista Paulista de Pediatria".
            Ao analisar os hábitos alimentares dos adolescentes, os autores viram que eles costumam substituir o almoço e o jantar por lanches.
            Encontraram nos adolescentes obesos os que mais substituíam as refeições tradicionais por pizza, hambúrguer ou cachorro-quente.
            Apesar de práticos e rápidos, os lanches são altamente calóricos, ricos em gordura e de pouco valor nutritivo.
            Além de só engordar, essa alimentação inadequada, quando frequente, promove a redução na ingestão de alimentos saudáveis, como o arroz, o feijão, as frutas e as verduras com suas fibras, vitaminas e sais minerais.
            Os autores sugerem a implantação, nas escolas, de um programa multidisciplinar com a participação de nutricionistas. Seriam orientados alunos e seus pais e responsáveis, visando à mudança de comportamento do adolescente frente à alimentação.
            Essa medida de educação em saúde poderá evitar, nos futuros adultos obesos, o surgimento de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

              sábado, 9 de fevereiro de 2013

              Vitamina C e pedras nos rins - Julio Abramczyk

              folha de são paulo

              PLANTÃO MÉDICO
              Vitamina C e pedras nos rins
              O excesso no consumo de vitamina C deve ser abandonado, de acordo com pesquisas recentes.
              A importância da vitamina C continua, e a recomendação médica é de 90 mg para homens e 75 mg para mulheres, presentes em um copo pequeno de suco de laranja. A falta de vitamina C é responsável pelo escorbuto.
              O cientista Linus Pauling, Prêmio Nobel duas vezes, sugeria o consumo de 3.000 mg/dia para prevenir câncer, doenças cardíacas e resfriados, o que hoje não é aceito.
              A dosagem recomendada já é suficiente, pois o excesso é excretado pela urina.
              No "Jama Internal Medicine" on-line, pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, referem que cerca de 1.000 mg/dia de vitamina C consumidos por homens podem provocar cálculos renais.
              O estudo de Laura D. K. Thomas e colaboradores da Divisão de Epidemiologia Nutricional do instituto contou com 45.850 homens entre 45 e 79 anos anos. Os primeiros 436 casos de pedras nos rins foram investigados e seguidos por 11 anos. O oxalato urinário foi determinante na formação das pedras de oxalato de cálcio.
              Robert H. Fletcher, em comentário também na revista, explica que o composto responsável pela atividade da vitamina C é o ácido ascórbico.
              Ele é parcialmente metabolizado pelo organismo e, transformado em oxalato, é excretado pela urina onde possivelmente contribui para a formação das pedras de oxalato de cálcio nos rins.

                segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

                'Vi o Brasil crescer fazendo reportagens sobre saúde'

                FOLHA DE SÃO PAULO

                'Vi o Brasil crescer fazendo reportagens sobre saúde'
                Colunista da Folha Julio Abramczyk, 80, lança livro com seleção de artigos publicados desde 1959 sobre avanços da medicina
                DÉBORA MISMETTIEDITORA INTERINA DE “CIÊNCIA+SAÚDE”Os riscos do excesso de radiação já geravam controvérsia em 1976 a respeito dos benefícios do rastreamento do câncer com os exames de mamografia.
                Pouco depois, em 1981, era noticiada como fato inédito a ausência de fumantes dentro das salas de um congresso de Sociedade Brasileira de Cardiologia, em Curitiba.
                É passeando por cenas como essas, que mostram a evolução da medicina no Brasil e no mundo por mais de cinco décadas, que se encontra o leitor de "Médico e Repórter - Meio Século de Jornalismo Científico", lançando agora pelo colunista da Folha Julio Abramczyk, 80.
                Desde 1959 assinando textos sobre saúde no jornal, doutor Julio, como é conhecido na Redação, era ainda estudante de medicina quando começou a escrever na Folha. A partir daí, rodou o país todo cobrindo desde congressos médicos até experiências científicas na Amazônia e o atendimento aos índios nos primeiros anos após a criação do Parque Nacional do Xingu, fundado em 1961.
                O livro, organizado pelo jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, traz uma amostra dessa trajetória, incluindo a reportagem sobre as primeiras pontes de safena para tratamento do infarto agudo, publicada em 1970 e ganhadora do Prêmio Esso.
                Folha - Como era fazer jornalismo científico no início da década de 1960?
                Uma grande diferença é que não se usava o telefone. Você ia pessoalmente, fazia "ponto" na universidade, entrevistava os catedráticos.
                Foi fazendo "ponto" na Faculdade de Saúde Pública, por exemplo, que fiquei sabendo que tinha um americano doido na Amazônia, estudando vírus. Você imagina um hospital em Belém do Pará na década de 60. Era uma coisa tão modesta que você não imaginaria como rendeu o trabalho desse americano, Ottis Causey, que acabou contribuindo para o capítulo das arboviroses, vírus disseminados por artrópodes.
                A floresta era escura, úmida. E ficava uma pessoa sentada quatro horas esperando ser picada pelo mosquito, para pegar o inseto vivo, colocar dentro de um frasquinho e identificar os novos vírus.
                Os congressos também eram uma grande fonte?
                Uma vez por mês eu cobria um congresso médico. Conheci o Brasil todo por causa disso, vi o país crescer e só me arrependo de não ter comprado um "terreninho" em cada cidade. Em 1962, em um congresso de dermatologia em Fortaleza, tive que enviar a matéria por rádio amador, que era transferido para o telefone para o datilógrafo da Redação escrever.
                Em um desses congressos foram divulgadas as primeiras pontes de safena para infarto agudo, o que rendeu sua reportagem laureada com o Prêmio Esso.
                Sim, na época foi uma coisa incrível, foi para a primeira página do jornal. Já se fazia ponte de safena antes, mas o Zerbini e sua equipe conseguiram operar na vigência do infarto. Antes você tinha que esperar 15 ou 20 dias [após o infarto] só para fazer um cateterismo, não operava quem tinha mais de 60 anos. Hoje uma pessoa de 60 anos é jovem!
                Como o sr. desenvolveu o didatismo para escrever sobre saúde no jornal?
                Meu problema no começo era a crítica dos coleguinhas [médicos]. Até o dia que li um artigo do José Reis [pioneiro da divulgação científica no país] dizendo que a divulgação no jornal não é trabalho científico. O leitor não quer saber de detalhes, da reação química necessária para um resultado, e sim da conclusão. Por causa disso cada vez mais eu escrevo menos. E quanto menos a gente escreve, melhor a gente concentra.
                MÉDICO E REPÓRTER - MEIO SÉCULO DE JORNALISMO CIENTÍFICO
                AUTOR Julio Abramczyk
                ORGANIZADOR Carlos Eduardo Lins da Silva
                EDITORA Publifolha
                PREÇO R$ 59,90 (288 págs.)
                LANÇAMENTO Amanhã, às 19h, na Livraria da Vila do shopping Higienópolis (av. Higienópolis, 618, piso Pacaembu)

                  sábado, 26 de janeiro de 2013

                  O ovo e o colesterol - Julio Abramczyk

                  FOLHA DE SÃO PAULO

                  PLANTÃO MÉDICO
                  JULIO ABRAMCZYK
                  julio@uol.com.br
                  O ovo e o colesterol
                  Em 2006, a Associação Americana do Coração recomendou o consumo de menos de 300 mg de colesterol por dia.
                  Como apenas um ovo contém quase 210 mg de colesterol, seu consumo "poderia" aumentar o colesterol, o que "poderia" entupir as artérias e assim "poderia" provocar um infarto ou um derrame.
                  Tudo no condicional "poderia". Agora, não pode mais.
                  O médico Ying Rong, da Universidade Huazhong, na China, com o professor Frank B. Hu, da Faculdade de Saúde Pública Harvard, nos EUA, publica no "British Medical Journal" de janeiro estudo atualizado sobre o consumo de ovos.
                  Conclui que a ingestão de mais de um ovo por dia não está associada, em pessoas sadias, ao aumento de risco de doença das coronárias ou de acidente vascular cerebral. A exceção é para os diabéticos, o que pede mais estudos.
                  Segundo Ying Rong, o ovo é pouco calórico, tem baixo custo e é fonte de nutrientes, sais minerais e gorduras insaturadas.
                  PRÊMIO CROSP
                  O presidente do Crosp (Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), Emil Adib Razuk, informa o lançamento do Prêmio Crosp de Jornalismo, com diploma e o total de R$ 130 mil para cinco categorias: mídia impressa e sites, TV e rádio, educação em saúde, mídia especializada e publicações sem fins lucrativos.
                  Informações podem ser obtidas pelo e-mail premiojornalismo@crosp.org.br.

                    sábado, 19 de janeiro de 2013

                    O suco de frutas e a obesidade

                    FOLHA DE SÃO PAULO

                    PLANTÃO MÉDICO
                    JULIO ABRAMCZYC julio@uol.com.br

                    Até recentemente, a causa da compulsão por alimentos altamente calóricos era relacionada a problemas emocionais ou hormonais.
                    Agora, foi identificado mais um fator, presente até em algumas dietas de emagrecimento. É a frutose, o doce suco de muitas frutas.
                    No primeiro número do "Journal of the American Medical Association" deste ano, um trabalho da médica Kathleen Page e colaboradores mostra as diferentes respostas cerebral, metabólica e de saciedade quando do consumo de frutose ou glicose. A área de pesquisas de Page é a regulação do apetite pelo sistema nervoso central.
                    No estudo, foram comparados o fluxo do sangue em regiões do cérebro relacionadas ao apetite. Após ingestão de bebida com frutose ou glicose, foram realizados, na Universidade Yale, exames de ressonância magnética cerebral em 20 voluntários.
                    Aqueles que tomaram o refresco com glicose mostraram redução no fluxo cerebral, em comparação com os que tomaram a bebida com frutose. Os que receberam glicose apresentaram sensação de saciedade, o que não aconteceu com o grupo da frutose.
                    A conclusão é que a ação da frutose na área cerebral envolvida com a regulação do apetite estimula e cria a necessidade de comer um doce, chocolate ou outro alimento. O que não deve significar, entretanto, o abandono dos sucos de frutas e de suas vitaminas ou o abuso do açúcar. E sim, apenas, com bom senso, evitar o excesso.

                      sábado, 29 de dezembro de 2012

                      Os idosos, os jovens e a Aids [Plantão Médico]

                      FOLHA DE SÃO PAULO

                      PLANTÃO MÉDICO
                      JULIO ABRAMCZYK - julio@uol.com
                      PARA O ano de 2013, que se inicia dentro de três dias, os votos são para que os idosos assumam a sua sexualidade com os mesmos cuidados com que os jovens o fazem atualmente: usando camisinha.
                      Estudo publicado na revista "Brazilian Journal of Infectious Diseases" assinala que a mortalidade por Aids entre idosos é 15% maior do que entre os jovens.
                      A explicação para a morte desses pacientes, segundo a professora Marise Oliveira Fonseca e colaboradores, é que eles iniciaram o tratamento tarde demais.
                      Muitos idosos não só desconhecem que estão infectados como também nem chegam a suspeitar que são portadores do vírus HIV.
                      O estudo analisa estatisticamente quase 550 mil casos de Aids no Brasil, de 1980 a junho de 2009.
                      Desse total, 90% estavam entre os 18 anos e 59 anos de idade; cerca de 2,5% (13.657) acima dos 60 anos. Entre esse segundo contingente de pacientes, a maior parte recebeu o diagnóstico entre os 60 anos e os 69 anos.
                      No Brasil, somente a notificação de Aids era obrigatória até este mês. A decisão das autoridades sanitárias para a notificação compulsória, a partir de janeiro, para os infectados pelo HIV, terá os dados mantidos em sigilo. Eles serão usados apenas para fins estatísticos e controle da epidemia.
                      Essa medida permitirá iniciar precocemente o tratamento, atualmente eficaz, e evitar tanto a morte de jovens quanto a de idosos.

                        sábado, 15 de dezembro de 2012

                        Uma tradição em atualização médica - Julio Abramczyk


                        PLANTÃO MÉDICO
                        JULIO ABRAMCZYK
                        [folha de são paulo]
                        julio@uol.com.br
                        PASSADOS pouco mais de 50 anos do lançamento de sua primeira edição, em 1957, pelos professores Felício Cintra do Prado, Jairo de Almeida Ramos e José Ribeiro do Valle, da Escola Paulista de Medicina/Unifesp, a obra "Atualização Terapêutica 2012/13" mantém a praticidade que motivou o êxito das sucessivas edições da obra ao longo de meio século.
                        Nesta 24ª edição, em dois volumes, o professor Durval Rosa Borges, editor do volume "Diagnóstico e Tratamento", lembra que, além da abordagem de temas de atualização, a obra também tem por objetivo ajudar a organizar o conhecimento da medicina atual, permitindo ao médico "identificar o relevante e descartar o falacioso".
                        São 601 temas distribuídos em 1.990 páginas e 23 capítulos (ou "partes").
                        De forma didática, cada um dos temas é apresentado com base na experiência de seus autores.
                        O segundo volume, "Urgências e Emergências", é coordenado pelos professores Álvaro Nagib Atallah, da Unifesp, e Dario Birolini, da USP.
                        São 17 capítulos em 744 páginas analisando 147 temas de urgência, desde ocorrências com idosos e crianças às situações de risco de vida, como o acidente vascular cerebral, traumatismos abdominais e torácicos, às repercussões sistêmicas, como a disfunção de múltiplos órgãos.
                        O livro é um instrumento de consulta rápida e eficiente para médicos brasileiros que atuam nas áreas estratégicas da urgência e da emergência.

                        sábado, 24 de novembro de 2012

                        A luta contra a Aids - Julio Abramczyk


                        PLANTÃO MÉDICO
                        JULIO ABRAMCZYK - julio@uol.com
                        A luta contra a Aids
                        O DIA Mundial de Luta contra a Aids será celebrado na semana que vem. Pouco depois dos primeiros casos, em 1981, nos EUA, não havia um único país aonde a nova e desconhecida doença não tivesse chegado.
                        O mundo entrou em pânico, com a perspectiva de a doença explodir epidemicamente. Parecia a repetição da Peste Negra, no século 14, que devastou a Europa.
                        Diferentemente da peste, identificada e controlada apenas séculos depois, poucas décadas foram necessárias para colocar um freio à expansão da Aids.
                        Isso se deve, em parte, à pressão de grupos de apoio aos pacientes, que passaram a exigir das autoridades medicamentos para tratar e controlar a doença.
                        Em 1987 surgiu o primeiro tratamento, com o AZT. Hoje, são vários os remédios, como tenofovir, lamivulina, efavirenz e etravirina, distribuídos pelo SUS. Ainda não há cura total, mas os remédios controlam a evolução da doença, o que permite boa qualidade de vida.
                        Segundo a Unaids, órgão das Nações Unidas, tem sido observada queda de 50% de novas infecções pelo HIV em 25 países. No Brasil, o Ministério da Saúde estima em 530 mil os portadores do vírus HIV, dos quais 135 mil não sabem ter o vírus. Desconhecendo a doença, chegarão muito tarde para o tratamento.
                        Daí a importância da detecção precoce e da campanha promovida pelo Ministério da Saúde nos postos de saúde, com testes gratuitos.

                          sábado, 3 de novembro de 2012

                          A morte por saudade - Julio Abramczyk


                          PLANTÃO MÉDICO
                          JULIO ABRAMCZYK - julio@uol.com

                          A morte por saudade

                          TEM SIDO observado em casais de idosos que, pouco tempo após a morte de um dos companheiros, o sobrevivente também morre, independentemente do país ou da cultura.
                          Os médicos ainda não descobriram a causa disso, mas o escritor italiano Antonio Tabucchi, em um de seus contos, sinaliza que a morte por saudade é uma forma sutil de suicídio.
                          No último número do "American Journal of Epidemiology", o médico Sunil Shah observa, após análise estatística de fichas médicas de 171.720 casais da Grã-Bretanha com no mínimo 60 anos de idade, que o aumento da mortalidade entre viúvos ou viúvas não tem relação com a situação econômica ou o estado de saúde deles.
                          Shah destaca que a morte de um dos membros do casal idoso é a causa da morte do sobrevivente, mas não se sabe quais os mecanismos ou fatores que o levam ao óbito.
                          E, paradoxalmente, bom estado de saúde e elevado nível social podem aumentar o risco de mortalidade após a perda do seu companheiro.
                          Em outro estudo, J. Robin Mood, da Universidade Harvard, observa que a viuvez leva a um aumento de risco de mortalidade prematura, independentemente da idade ou do gênero.
                          Esse aumento, segundo Mood, tem sido descrito no primeiro ano após a perda do companheiro, sendo de 41% a estimativa de aumento na mortalidade nos primeiros seis meses. É o que Mood denomina de "efeito viuvez".