sábado, 9 de agosto de 2014

Eduardo Almeida Reis - Desacordo‏

Desacordo
 
Alemães são conhecidos por sua sede de ótimas cervejas e vinhos da Francônia envasados em garrafa bojuda


Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 09/08/2014

Neste caderno Gerais, edição de 7 de julho, a seguinte manchete: “Alemães com sede de Copa”. Pronto: mais uma do Acordo Ortográfico para fazer companhia ao para, do verbo parar, sem acento no primeiro a. Alemães são conhecidos por sua sede de ótimas cervejas e vinhos da Francônia envasados em garrafa bojuda, a Bocksbeutel (testículos de bode), como eram transportados os vinhos antes da invenção do vidro. Que mal havia no circunflexo de sêde, vontade de beber (ou de ganhar a Copa), para distinguir de sede, substantivo feminino com seus diversos significados e verbo sediar, servir de sede a, acolher.

Alemães com sede de Copa pode ser entendido como “ficar com a sede da Copa de 2018, ou de 2022”, quando comprovada a venda pela Fifa ao Catar da Copa de 2022. Desde sempre, a Fifa é uma ladroeira só. Gangue riquíssima, que fatura bilhões de dólares para realizar torneios impondo condições espantosas, que os países bobos aceitam. E ficam achando grande coisa sediar uma Copa, quando, evidentemente, há muitas coisas mais importantes para fazer num país decente: hospitais, creches, escolas, transportes públicos, estradas e companhia ilimitada.

O legado turístico da Copa, com estádios construídos para a elite branca endinheirada, foi original: filtrados nas fronteiras pelas polícias federais da Argentina e do Brasil, ilustres turistas portenhos com raros tostões nos bolsos trouxeram suas barraquinhas para acampar por aqui, ficaram encantados com o povo brasileiro e prometem voltar sempre com as barracas. Gastaram todo o seu dinheirinho nos postos de gasolina pagando pelo combustível subsidiado, com imenso prejuízo para a engenheira Maria das Graças Foster e a Petrobras. Resumindo: sucesso extra ordinário.


Perguntas
Sabe aquela advogada casada com um publicitário, que também se apresenta como engenheiro, casal gordo e feio que mata porteiros e ex-companheiros? Sabe aquele cirurgião casado com linda enfermeira, amiga que uma assistente social, trinca especializada em matar filho, enteado e amiguinho de 11 anos? Só aí temos cinco brasileiros, dois homens e três mulheres alfabetizados. Se forem condenados, quantos anos devem passar da cadeia?

Admitamos que, condenados, passem meia dúzia de anos presos, ou uma dúzia. Em termos sociais adiantará alguma coisa? Você, caro e preclaro leitor, acredita que algum dos cincos tenha cura?


Consultoria

O que tem de consultor por aí não está no gibi. Passa das 22h e estou com sono. Vou dormir. Amanhã retorno ao palpitante assunto, falou? Pronto: dormi, acordei, tomei café, ouvi 10 minutos do noticiário radiofônico, acompanhei 20 minutos do noticiário televisivo, manhã nublada aqui e em São Paulo, frio suportável, charuto aceso, cuidemos da Consulpone, minha empresa de consultoria. Nome inspirado em aspone, indivíduo que exerce um cargo sem função real ou útil, redução de assessor de porra nenhuma.

Diacronismo antigo datado de 1209, clava com ponta redonda e reforço de ferro, possivelmente de porro, vegetal de talo largo e um bulbo num dos extremos (Allium ampeloprasum), alho-porro \ô\ ou alho-macho, alho-poró, alho-porró, alho-porrô, poró, porro, porró, porrô, porro-bravo, porro-hortense, resultou num substantivo feminino e numa interjeição que ainda me chocam, porque sou cavalheiro educadíssimo.

Mudam-se os tempos, os textos e as vontades, tanto assim que merda, outra palavra que me choca, tem largo curso em nossa imprensa atual através das penas de ricos e famosos. O mundo gira em função dos ricos e famosos, uma porrada de celebridades, grande quantidade de pessoas célebres citadas e admiradas por uma porrada de idiotas.

Neste contexto, a Consulpone fará grande sucesso e me permitirá circular por aí num carro de luxo, com chofer, para fingir que trabalho na biblioteca de um escritório de advocacia ganhando R$ 2.200 por mês, das 8h às 18h, com duas horas de almoço. O país sempre foi pouco sério, mas estava dispensado de exagerar.


O mundo é uma bola
Em 9 de agosto de 48 a.C., Júlio César, homônimo do quíper da Seleção, derrota Pompeu na Batalha de Farsalos. Pompeu foge para o Egito, onde será assassinado. Farsalos, Tessália, na Grécia, deve ter enterrado até 1.200 homens de César contra até 15.000 de Pompeu, o Grande.

Em 378, Batalha de Adrianópolis, que opôs um exército romano comandado pelo imperador Valente às tribos germânicas lideradas por Fritigerno, rei dos Visigodos, um dos mais proeminentes reis-guerreiros germânicos, cujas vitórias levaram finalmente à queda da metade ocidental do Império Romano.

Em 1483, inauguração da Capela Sistina, 531 anos antes da inauguração do Templo de Salomão do bispo Edir Macedo, em São Paulo, SP. Em 1822, dom João VI nomeia o militar português João José da Cunha Fidié para o comando das armas em Oeiras, então capital do Piauí. Em 1902, coroação do rei Eduardo VII (1841-1910), do Reino Unido. Filho da rainha Vitória e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, Eduardo foi príncipe de Gales durante muitos anos. Viajou pela América do Norte em 1860 e pela Índia em 1875 com grande sucesso e a reputação de príncipe libertino corroeu sua relação com a rainha Vitória. Hoje é o Dia Internacional dos Povos Indígenas.


Ruminanças

“Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes” (Barão de Itararé, 1895-1971).

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