sábado, 13 de abril de 2013

Nova imortal defende obra como escritora

folha de são paulo

Rosiska Darcy de Oliveira diz que foi ensaísta e é cronista e define Acadermia como "aspiração de uma vida inteira"
Com oito livros, ela é a quinta mulher a ter uma cadeira na ABL, presidida por uma delas, Ana Maria Machado
DO RIOConhecida por sua militância feminista, da qual derivou vasta produção ensaística, a escritora e jornalista Rosiska Darcy de Oliveira, 69, foi eleita anteontem para a Academia Brasileira de Letras (ABL) e fez questão de frisar que sua vitória baseou-se em seus méritos como autora.
Com oito livros publicados, Rosiska, é a quinta mulher a assumir uma cadeira na ABL, hoje presidida por uma delas, Ana Maria Machado.
"A Academia era uma aspiração minha como escritora, que é algo que fui a vida inteira. Fui ensaísta, sou cronista", diz a nova imortal, que sucede o poeta Lêdo Ivo (1924-2012) na cadeira nº 10.
Bacharel em direito pela PUC-RJ, onde foi professora de doutorado no departamento de Letras, Rosiska fez carreira como jornalista --trabalhou na TV Globo, no "Jornal do Brasil" e é articulista de "O Globo"-- e na militância feminista.
"A biografia dela nesse campo do feminismo é mais visível e bem mais ostensiva do que como escritora, mas isso não é um demérito", diz o crítico literário Antonio Carlos Secchin, membro da ABL.
A autora diz que sua trajetória militante "correu imbricada com a minha atividade literária, porque a minha profissão sempre foi escritora".
Foi presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (1995-2000) no governo Fernando Henrique Cardoso.
"Sempre foi uma lutadora inteligente pelos direitos das mulheres. Escreveu livros marcantes, como Elogio da Diferença', e é cronista notável. Foi boa decisão da ABL", disse FHC, candidato a vaga na próxima eleição da casa.
PRINCIPAL LIVRO
A obra citada pelo ex-presidente também é considerada pelos acadêmicos a principal de Rosiska. "O Elogio da Diferença' tem um tratamento literário. É uma ensaística literária, a abordagem que ela dá à Antígona' é extremamente original", diz Nélida Piñon.
Entre seus outros livros destacam-se "Reengenharia do Tempo" (2003), "A Natureza do Escorpião" (2006) e "Chão de Terra" (2010), nos quais discute temas como o desejo da sociedade por status, a organização do cotidiano e a ditadura do corpo.
Sua produção como cronista, publicada na imprensa e em livros como "A Dama e o Unicórnio", abrange temas variados como literatura e futebol, além do feminismo.
Em uma crítica sobre esta obra, publicada na "Ilustrada" em 2000 sob o título "Nada de novo sobre ser mulher", a escritora Marilene Felinto diz que tem "tom professoral e meio piegas", com a "exata mistura de ligeira ingenuidade com deslumbramento e nada de novo a dizer".
Na avaliação de Secchin, seu trabalho é "multifacetado, dentro dessa linha do feminismo, mas é importante ressaltar e respeitar o nível estético da escrita da Rosiska."
CAMPANHA BEM FEITA
Vencedora no primeiro escrutínio, com 23 dos 38 votos possíveis (duas cadeiras estavam vagas), Rosiska teve sua candidatura respaldada por figuras de peso, como a presidente da ABL e a acadêmica Cleonice Berardinelli, segundo a Folha apurou.
"Ela obteve uma votação importante, o que mostra que havia uma receptividade ao nome e à obra dela", afirmou o imortal Celso Amorim.
Segundo outro votante, Rosiska "teve o mérito de manter uma certa coesão entre as pessoas que a apoiavam", enquanto outros concorrentes fortes --como os poetas Antonio Cícero e Marcus Accioly, que tiveram seis e cinco votos, respectivamente-- viram seus apoios se fragmentarem.
"É um tabuleiro muito complexo, e certamente o resultado da campanha mais bem feita se traduz em números", disse Secchin.
"Mesmo com a entrada dela, a Academia fica devendo à mulher maior presença, não resgatou ainda a escassez. É a quinta num universo de 40. Há grandes mulheres que certamente ingressarão", aposta Nélida Piñon.

    RAIO-X - ROSISKA DE OLIVEIRA
    VIDA
    Nasceu no Rio de Janeiro, Rio, 27 de março de 1944.
    CARREIRA
    Foi presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher durante o governo FHC e embaixadora na Comissão Interamericana de Mulheres da OEA.
    PRINCIPAIS LIVROS
    "A Dama e o Unicórnio", "Chão de Terra", "A Natureza do Escorpião".

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