quarta-feira, 22 de maio de 2013

Bolsa Família - Eduardo Scolese

folha de são paulo

ANÁLISE
Episódio realça importância do programa na cultura dos pobres
COM ECONOMIA EM MARCHA LENTA, FICA INVIÁVEL POLITICAMENTE REDUZIR OS REPASSES DO BOLSA-FAMÍLIA NO CURTO OU NO MÉDIO PRAZO
EDUARDO SCOLESECOORDENADOR DA AGÊNCIA FOLHAA onda de saques, filas e tumultos que se sucederam aos boatos sobre o fim do Bolsa Família ajudaram a consolidar fatos, ligar sinais de alerta no governo e, quem sabe, dar ideias a marqueteiros de campanhas eleitorais.
Para quem duvidava ou desconhecia, as imagens do fim de semana não deixam margem a dúvidas sobre a importância do programa hoje.
Com R$ 24 bilhões de orçamento anual e um cartão na mão de 13 milhões de famílias, o Bolsa Família está enraizado na cultura dos pobres do país. Se é assistencialismo, isso é outra discussão.
O fato é que não há no curto ou no médio prazo a possibilidade de reduzi-lo ou encerrá-lo, enquanto a economia anda a passos lentos, e a geração de empregos no interior e nas periferias parece uma realidade distante para que essas famílias possam abrir mão dos repasses.
O valor mínimo mensal de R$ 70 faz toda a diferença para o dia a dia de um miserável. Não fosse assim, ninguém ficaria assustado com boatos, a ponto de sair correndo de casa e ficar horas num empurra-empurra na fila de um banco.
Sobre a origem dos boatos, a Polícia Federal investiga. Se mostrar que houve uma tentativa de uso político, não terá sido a primeira vez.
Há anos --e sem a reação dos gabinetes de Brasília-- o programa tem sido usado nas eleições municipais para sustentar um novo estilo de voto de cabresto no interior.
Funciona assim --como a base de dados do programa fica nas mãos dos municípios (o chamado Cadastro Único), candidatos a prefeito e a vereador usam o Bolsa Família como uma ameaça: se votar em mim, benefício mantido; caso contrário, exclusão do cadastro e fim dos repasses.
Essas ameaças podem voltar nas eleições municipais de 2016, mas antes disso há a disputa presidencial em 2014.
Chance para marqueteiros e coordenadores de campanha lançarem propostas para a criação de empregos e de geração de renda, e não mais uma vez simplificarem a disputa com promessas de ampliar o Bolsa Família e sobre a paternidade dos programas de transferência de renda.

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