domingo, 5 de janeiro de 2014

AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA » A biografia de Jesus‏

AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA » A biografia de Jesus
Estado de Minas: 05/01/2014

Imagem de Cristo exposta na Basílica do Pilar, em Ouro Preto     (Beto Novaes/EM/D.A Press)
Imagem de Cristo exposta na Basílica do Pilar, em Ouro Preto

Não é de hoje que se tenta contar a vida de Jesus diferentemente do que narram os Evangelhos. Nestes dias, está causando furor o livro Zelota, do historiador Reza Aslan. O interesse começa pelo fato de ele ser iraniano-americano. A família dele emigrou para os EUA em 1979, fugindo da revolução dos aiatolás.

Como vários amigos judeus se referiram ao livro, tratei de lê-lo. Os judeus têm mais razão de gostar do livro que os cristãos. Estes se sentem desconfortáveis (e incrédulos) quando leem coisas que abalam a noção da divindade de Cristo. Para muitos, a Bíblia seria um livro infalível, a própria palavra de Deus. Os ortodoxos judeus também creem que a Torá é inatacável.

É meio desconcertante ler que alguns evangelhos foram escritos cerca de 50 ou 100 anos depois da passagem de Cristo por aqui. Alguns foram retocados pela Igreja, codificados e uniformizados. E há os evangelhos apócrifos com informacões que a Igreja não valida. Aliás, a Bíblia protestante é diferente da católica. Esta tem 73 livros. Lutero rechaçou sete livros, criou uma Bíblia mais depurada.

A primeira vez que li isso foi na adolescência, no impactante romance O drama de Jean Barois, de Roger Martin du Gard (1881-1958), que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1937. Ali está a vida de alguém criado na religião que virou ateu e escreveu dois testamentos contraditórios: um no meio da vida, outro no fim. Cabe ao leitor decidir (ou não) qual é o mais verdadeiro.

O livro vinha no rastro de Vida de Jesus (1863), de Ernest Renan. Este teve uma crise de fé aos 22 anos. Seu livro teve um êxito incrível, oito edições em três meses. E está de graça na internet. Quando tentava me informar sobre esse assunto, li também Por que não sou cristão, de Bertrand Russell.

Recentemente, surgiu um interesse pelas biografias. Daí essa discussão no Brasil sobre biografias autorizadas e não autorizadas. Vocês se lembram de que José Saramago teve êxito com O Evangelho segundo Jesus Cristo. Era uma coisa que faltava, pois havia textos dados como sendo de seus discípulos, mas não do próprio Cristo. Saramago correu muitos riscos com sua obra. Recentemente, surgiu algo mais estranho: O Evangelho segundo Judas, publicado em 2006, atribuído a gnósticos do século 2, redigido em copta dialetal. Nessa sequência há também o Evangelho de Maria.

Enfim, versões é que não faltam da vida de Cristo.

O iraniano-americano Reza Aslan começa por indagar se Cristo era de Nazaré ou de Belém. Conhecedor do assunto e de várias línguas, segue com muitos dados históricos, botando em dúvida, por exemplo, a matança das crianças por Herodes. Se isso for verdade, olharemos os belos quadros pintados sobre esse fato como patética ficção e Herodes não será o guru dos que detestam crianças. Igualmente, toda aquela história de sedução de Salomé, que pediu a cabeça de João Batista, seria outra invenção, sem qualquer comprovação histórica.

E vai por aí afora.

Crentes, protestantes e católicos pensam que isso em nada abala sua fé. Para quem gosta de história, o livro de Aslan é estimulante. O rapaz é especialista também em islã, estudou a evolução e o futuro dessa religião, ampliou suas pesquisas reconstruindo o tempo em que Jesus andou entre nós.

Não é nada, não é nada… é uma leitura instigante nestas férias.



>>  affonsors@uol.com.br

TeVê

TV paga
Estado de Minas: 05/01/2014 04:00


 (Leo Alves/Divulgação )
DOCUMENTÁRIO O canal Futura abre a programação do ano com atrações para embalar as férias da garotada. A família toda poderá assistir, hoje, às 21h, no Cine Especial, ao documentário O palhaço menino, de Léo Alves, ex-aluno do projeto Geração Futura, curso audiovisual promovido pela emissora com jovens de todo o Brasil. A produção nacional mistura realidade e ficção para narrar a história de um menino do interior apaixonado por Folia de Reis. As gravações foram feitas no Sul do Espírito Santo, em Minas Gerais e na Europa.

HERÓI O Cinefox Kids Especial Luz, Câmera, ação exibe, às 18h, o filme O cachorro bombeiro. A vida atual de Rex, o herói canino de ação mais famoso de Hollywood, não é lá muito difícil. Depois de ser adotado por um garoto rebelde, cujo pai perturbado é o chefe de uma equipe de bombeiros, Rex logo aprende o verdadeiro sentido das palavras lealdade e amizade, pois ele consegue realizar a proeza heroica mais difícil de todas.

MARATONA Hoje no Fox Life, a partir das 19h30, tem maratona Kitchen nightmares, com quatro episódios. O primeiro, The Old Stone Mill, conta a história do restaurante localizado a 45 minutos de Manhattan, na bela cidade de Tuckahoe. A casa foi aberta há seis anos por Dean, mas o lugar está vazio. O cozinheiro Michael perdeu a paixão pela culinária e nem os funcionários querem comer ali. Além de tudo, com um asilo ao lado, a clientela é, em sua maioria, de pessoas idosas.



Enlatados
Interino

Pacote completo Em 14 de fevereiro, os fãs de House of cards (Netflix) terão a chance de conferir os 13 episódios da série. Todos serão lançados no mesmo dia, em uma ação que promete abranger o mundo todo. O seriado é adaptação do romance homônimo escrito por Michael Dobbs e de uma minissérie britânica criada por Andrew Davies.

Piloto – Já estão circulando na internet algumas imagens do episódio piloto da série Tyrant (FX). Howard Gordon e Gideon Raff, produtores de Homeland (FX), desenvolvem o programa ao lado de Craig Wright (Lost). O projeto narra a história de uma família que passa por uma turbulenta reviravolta depois a morte de um ditador de um país árabe. A estreia será este ano.

Tentativa – Matthew Perry, o eterno Chandler de Friends (1994-2004), tenta, mais uma vez, um papel de destaque na TV. Em breve, ele estará no elenco de The odd couple, no canal americano CBS. A série é um remake da atração homônima da década de 1960, que acompanha a vida de dois homens divorciados quando eles decidem dividir uma casa.

Novo personagem – De acordo com a imprensa norte-americana, Adam Sandler (Click e Gente grande) participará de Brooklyn Nine-Nine (Fox). O ator aparecerá no episódio que pode ir ao ar no mesmo dia do Super Bowl em 2014. Dizem que Sandler viverá ele mesmo na comédia, mas a emissora não confirma.



Caras & bocas
Interino

 (Mariane Lima/SBT)

Maisinha de fora?

A apresentadora mirim Maísa não foi escalada para a Patrulha Salvadora, série que o SBT/Alterosa estreia no sábado, porque estava apresentando o programa infantil Bom dia e cia., quando começaram as gravações do seriado, em agosto. No entanto, ela fará participações especiais. A primeira será no 14º episódio, o primeiro da segunda temporada. “Temos 15 programas prontos. Para começar, serão duas temporadas de 13 episódios cada uma”, diz o diretor Ricardo Mantoanelli. A primeira temporada vai de 11 de janeiro a 5 de abril. Na sequência, entra no ar a segunda temporada, que vai ser exibida até 5 de julho. “Queremos mais temporadas até o fim do ano”, avisa o diretor, que deixa claro que a continuidade depende da audiência e do faturamento do programa. Por enquanto, Patrulha Salvadora tem duas cotas de patrocínio vendidas. (Leia mais sobre a série na página 12)

GLEE CELEBRA EM MARÇO
SEU CENTÉSIMO EPISÓDIO


Em 18 de março, Quinn Fabray (Dianna Agron) estará de volta à trama de Glee (Fox), nos EUA. Nesta data, a atração comemorará seu centésimo episódio. Harry Shum Jr., Mark Salling, Amber Riley e Heather Morris também são esperados. A ideia dos produtores é promover uma votação on-line para escolher as apresentações musicais comemorativas.

ERNESTINA VAI DEIXAR O
ORFANATO EM CHIQUITITAS


Decepcionada com Chico (João Acaiabe) e com todas as crianças, Ernestina (Carla Fioroni) resolve ir embora do Orfanato Raio de Luz. Nos capítulos que vão ao ar nesta semana, em Chiquititas, novela das 20h30 do SBT/Alterosa, a megera Cintia (Milena Ferrari) mente para Ernestina dizendo que as crianças não gostam da funcionária e que Chico pediu que ela nunca mais o procure. Ernestina, ingênua e insegura, fica sem chão e decide deixar o orfanato. Ela não avisa ninguém, apenas faz uma carta para Cintia e vai embora. Cintia comemora. As crianças sentem falta da zeladora e não entendem o que ocorreu.

VALÉRIA BARACAT FALA
SOBRE CÂNCER NO GNT


A psicóloga e jornalista Valéria Baracat é a convidada do Marília Gabriela entrevista domingo, às 22h, no GNT (TV paga). "No amor, felizmente, a riqueza está na doação mútua. O que não significa que não haja luta. É preciso se doar o direito de receber amor.” É com a citação da escritora Clarice Lispector que Gabi apresenta a sua convidada. Valéria, fundadora do Instituto Arte de Viver Bem, é referência nacional quando o assunto é câncer de mama e já escreveu quatro cartilhas sobre o assunto. Ela e Gabi falam sobre a superação da doença – Valéria descobriu o câncer durante um exame preventivo.

MANSÃO VAI PEGAR FOGO
EM AMOR À VIDA, NA GLOBO


Os rumos finais de Amor à vida, da Globo, começam a surgir nesta semana. O fim do triângulo de Leila (Fernanda Machado), Thales (Ricardo Tozzi) e Natasha (Sophia Abrahão) trará grandes emoções. Nos capítulos que vão ao ar nesta semana, Leila vai mostrar que é muito mais insana do que se imaginava. Indignada porque Thales abre mão da herança de Nicole e se separa dela, a vilã resolve voltar à mansão para pegar as joias que deixou na casa. Natasha não deixa e diz que Leila tem que esperar o fim do inventário para levar as peças de lá. As duas discutem e a irmã de Linda (Bruna Linzmeyer) bate com um bastão em Natasha, deixando a ruiva desacordada. Leila tira um galão de gasolina da mochila e espalha o líquido pelo chão da casa. Fora de si, ela veste todas as joias e incendeia a mansão.

EDUCAÇÃO É TEMA DE
PROGRAMAS DO FUTURA

De amanhã ao dia 17, o jornalismo do canal Futura começa programação especial sobre planejamento escolar. O Conexão Futura terá cinco entradas ao vivo sobre o tema. Gestores e especialistas em educação explicam o que é e qual é a importância de se planejar para o ano letivo. O espectador pode conferir ao vivo amanhã, quarta e sexta, às 15h25, e terça e quinta-feira, às 14h50. E o Jornal Futura exibe uma série de três matérias sobre a temática nos dias 15, 16 e 17, às 17h. A primeira, voltada para professores, aborda os desafios do planejamento das aulas.  O último episódio da sequência foca nos adolescentes que vão fazer a prova do Enem em 2014.
 (Larry Busacca/AFP)

Bebê do mal
Começam este mês as gravações da série baseada no filme O bebê de Rosemary (1968), pela NBC. Na trama, um jovem casal nova-iorquino espera seu primeiro filho, mas, como o marido fez um pacto com o demônio para vencer na carreira, a criança acaba sendo fruto desse acordo. A direção é de Agnieszka Holland (foto), de O jardim secreto.

Olho mágico - Carolina Braga

Olho mágico
 
Fotografar espetáculos também é arte. Profissionais especializados em captar a alma de personagens fazem do ofício uma paixão


Carolina Braga
Estado de Minas: 05/01/2014


Cena de Ensaio de mentira ou o último ensaio para dizer a verdade pelas lentes de Guto Muniz (Guto Muniz/divulgação)
Cena de Ensaio de mentira ou o último ensaio para dizer a verdade pelas lentes de Guto Muniz

Na escuridão do laboratório, em meio a bacias, pinças e varais, as imagens de Antígona, montagem da Cia. Sonho e Drama, foram se revelando como mágica. Era 1987. Por trás da descoberta de cada cena em branco e preto, brilhavam os olhos de um jovem monitor de fotografia. “M e apaixonei. Pensei: isso é legal demais. Não quero parar”, lembra Guto Muniz. E ele não parou mesmo.

O ritual envolvendo rolos de filmes e produtos químicos pode até ter se tornado obsoleto. Coisa do passado analógico nem tão longínquo assim. Com 27 anos de carreira, o mineiro assiste – e protagoniza – à transformação da fotografia de cena no Brasil. Entre os dias 20 e 24, ele vai ministrar oficina no Galpão Cine Horto para compartilhar sua experiência com colegas.

Foi-se o tempo em que retratos de palco eram apenas ferramentas para divulgar espetáculos. Com a dedicação de quem se entregou ao ofício, Guto diz que fotos de cena são objetos artísticos com diversas funções. Divulgar é apenas uma delas.

 “Aquela fotografia não conta uma história, mas sugere, cria uma expectativa”, explica Guto. Fiel escudeiro dos principais grupos de teatro e de dança do estado, ele dedica 80% de seu tempo para registrar espetáculos. É raro encontrá-lo na plateia sem a câmera. “Assisto enquanto fotografo. Gosto da emoção da primeira vez”, conta.

Há 23 anos responsável pelo registro de todas as produções da Fundação Clóvis Salgado, Paulo Lacerda avisa: quando se trata de fotografia de cena, não há receita fixa. Algumas regras são básicas: o flash é abominado e o fotógrafo precisa ser o mais discreto possível. Habilidade para trabalhar com pouca luz também é importante. Fora isso, fica por conta da criatividade de cada um. “Com tempo, luz e posicionamento adequados, você faz belíssimas fotos. Mas cada um tem o seu tempero”, diz.

“O bom fotógrafo de cena consegue captar, sem ser visto, a essência do espetáculo em poucos registros. Isso depende de experiência, de posicionamento. Se você se posiciona mal, tem mais dificuldade de conseguir esse resumo”, explica outro craque, André Fossatti. Formado em jornalismo, ele iniciou a carreira de fotógrafo profissional como monitor. Ao seguir a recomendação de um professor para diversificar ao máximo sua produção, mas sem deixar de se especializar em algo de que gostasse, Fossati passou a fotografar shows. Dali para o teatro – e, principalmente, o circo – foi um pulo.

Dinâmica Embora não sigam rituais específicos, fotógrafos costumam chegar mais cedo para bater papo com o diretor. É a hora de alertar sobre uma ou outra cena mais marcante. Fora isso, a recomendação é: entregue-se ao espetáculo. Mais uma vez, sem receitas. Há quem faça mais de 500 cliques por noite. Cada um à sua maneira. Guto Muniz diz não ter “dedo nervoso”: em média, são 200 fotos em uma hora.

Todos os fotógrafos concordam: há diferenças marcantes, tecnicamente falando, entre espetáculos de teatro, dança e circo. “Há a percepção de entender se a luz está baixa ou alta, o que é possível fazer com o oferecido”, explica André Fossati.

Embora fotografe todos os tipos de produção, Paulo Lacerda não esconde a predileção pela dança. O registro do movimento é algo minucioso, deve ser acompanhado por diretores e bailarinos. “Se você clicar um segundo depois, tem o movimento todo atrasado. É preciso achar o clique certo”, recomenda.

Quando começou a fotografar, o paranaense Daniel Sorrentino se encantava com planos mais fechados e a expressão dos atores. Desde 2003 ele registra peças em cartaz no Festival de Curitiba. Com o tempo, minimizou a importância que dava para os detalhes. “Hoje, vejo que a expressão faz parte de algo mais complexo.” O que conduz o trabalho de Guto é a emoção do momento do clique: “Fotografo o que faz sentido para mim, efetivamente. Contar ou não uma história vem muito mais na hora da edição”.


Cortejo da Cia. Carroças de Mamulengo, por André Fossati (André Fossati/divulgação)
Cortejo da Cia. Carroças de Mamulengo, por André Fossati


Documento especial

Há 11 anos em atividade em São Paulo, já passaram pelas lentes de Bob Sousa os principais coletivos da cidade. Longe da câmera, mas nem tão distante assim, o fotógrafo é aluno de mestrado em artes cênicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O plano é dedicar a dissertação à construção de uma narrativa iconográfica sobre a trajetória de companhias paulistanas, entre elas o Teatro Oficina. As fotos serão protagonistas dessa análise.

Se Bob Sousa percebe pelas imagens o quanto a encenação teatral se transforma com o tempo, no que se refere à fotografia de cena, o profissional acredita que a mudança é lenta. “A fotografia digital trouxe um novo panorama, mas não mudou muita coisa não”, diz. Segundo ele, a primeira função das imagens de cena é documentar.

“Infelizmente, a fotografia de palco não é muito usada como arte, isso se dá mais como divulgação. São raros os livros publicados, as exposições. O trabalho é muito pouco valorizado”, critica. Ele tem procurado mudar esse cenário. No fim do ano passado, Bob publicou seu primeiro livro: Retratos do teatro. Dia 17, ele inaugura exposição, no Sesc São Paulo. Em fevereiro, vai ministrar oficina. A estética de Bob Sousa é voltada para o ator, com foco no gesto e na expressão.

 FIQUE DE OLHO

Os acervos de Guto Muniz e Bob Sousa estão disponíveis na internet. Há dois anos, o mineiro publicou seus trabalhos em www.focoincena.com.br. As imagens podem ser buscadas por companhia, data ou festival. Bob Sousa exibe fotos em www.bobsousa.com.br. Entre os dias 20 e 24, Guto Muniz ministra a oficina A fotografia nas artes cênicas no Galpão Cine Horto, em BH. Aberto a fotógrafos profissionais ou amadores, o curso aborda todo o processo que envolve a fotografia cênica. Informações: (31) 3481-5580 e www.galpaocinehorto.com.br.



CINCO MANDAMENTOS

Por Guto Muniz

•  Seja parceiro do artista fotografado
•  Esteja aberto ao que você está vendo, independentemente do estilo da peça
•  Estude o que vai fazer. Procure ler sobre a companhia ou os atores que vai fotografar, além de conhecer um pouco a estética do trabalho
•  Seja quase um “ninja”. O fotógrafo deve ser absolutamente discreto, não aparecer enquanto está fotografando. Ele não pode incomodar o público e os atores
•  Seja criterioso na edição das imagens e se esmere no resultado


O momento de cada um - Carolina Braga


A pedido do Estado de Minas, fotógrafos escolheram algumas imagens mais marcantes das respectivas trajetórias. Seja pelo significado histórico do trabalho, o esforço pessoal na hora de captar a imagem, o significado dela para a carreira, a dificuldade técnica ou o melhor posicionamento, Guto Muniz, André Fossati, Bob Sousa, Daniel Sorrentino e Paulo Lacerda têm histórias para contar.



 (Guto Muniz/divulgação)

GUTO MUNIZ
Romeu e Julieta


“Esta foi a foto do programa original de Romeu e Julieta. Escolhi-a pelo apelo emocional que a imagem tem e por seu caráter histórico. Foi um momento marcante do teatro mineiro. O Gabriel Villela (diretor do espetáculo) disse que precisava fazer uma foto de todos os atores na Veraneio e queria um horizonte bem limpo. Sugeri que fôssemos para as Seis Pistas, região de BH que, na época, era cheia de lotes vagos. Fomos num sábado à tarde, entramos em um daqueles lotes. Os meninos começaram a se aprontar, enquanto eu montava a câmera. Quando olhei para trás, tinha um monte de carros parados, olhando. Foi lindo.”



 (Bob Sousa/divulgação)

BOB SOUSA
Grupo Oficina


“Durante muito tempo, fotografei os espetáculos do Oficina. Certa vez, fui impedido de trabalhar por não pertencer a nenhum veículo de imprensa. Um problema ocorrido dias antes com outro fotógrafo gerou esse impedimento. Aquela situação abalou as minhas convicções na fotografia de teatro. Muitos anos depois, já tendo registrado outros espetáculos do grupo, recebo um convite do próprio Zé Celso para participar do Dia da Anistia – apresentação especial de peça que comemorava a anistia recebida por ele. Naquele dia, pude entrar no teatro antes de todo mundo e cobrir todos os bastidores, justamente por não ser da imprensa. A produtora, na porta, orientou: ‘Ele pode entrar. Este é o Bob do Teatro’.”



 (André Fossati/divulgação)

ANDRÉ FOSSATI
Circo Zani


“O Festival Mundial de Circo promoveu uma edição itinerante; em cada cidade, insistia para que me pendurassem no topo da tenda. Somente na última parada, em Belo Horizonte, eles toparam. As fotos ficaram fantásticas, porque é um ponto de onde ninguém espera ver. Uma perspectiva totalmente diferente. Fiquei mais de quatro horas pendurado e fotografei todo o espetáculo do Circo Zani.”



 (Daniel Sorrentino/divulgação)

DANIEL SORRENTINO
Sin sangre


“Foi a peça Sin sangre, uma das mais importantes que fiz, pela dificuldade técnica. Unindo teatro com cinema, a peça conta emocionante história humana sobre a reconstrução da memória e o perdão. A vingança se encaminha para o amor e a guerra pede paz. Três pistoleiros cercam a casa de Manuel Roca, que esconde a filha pequena embaixo das tábuas do piso. A angulação da peça exige que você fique no meio. Realmente, foi um desafio técnico.”



 (Paulo Lacerda/divulgação)

PAULO LACERDA
 Sonho de uma noite de verão


“A foto mais bonita que já fiz é aquela do clique certo, no momento certo. Tudo conspirou a meu favor. Tentei repetir várias vezes, mas não consegui. Foi em Sonho de uma noite de verão, com direção do Gabriel Villela: a bailarina entra, vai até o recipiente com água e depois sopra essa água no público. Fiz o momento máximo, em que ela estava com os braços para trás. Sabia que teria este momento, mas a diferença foi a questão do ângulo. O que diferencia um fotógrafo do outro é o posicionamento. Muitas vezes, ele acerta na luz, no tempo. O que varia é o ângulo que capta a imagem.”

Profissão de fé - Eduardo Tristão Girão

Profissão de fé 
 
Rio de Janeiro e São Paulo inspiram o novo disco de Gabriel Grossi. Militante da gaita, ele apela a arranjadores que abram espaço para o instrumento na música popular brasileira 
 
Eduardo Tristão Girão
Estado de Minas: 05/01/2014


Gabriel Grossi, gaitista     (Guto Costa/divulgação)
Gabriel Grossi, gaitista

Elogiado por ninguém menos que o colega belga Toots Thielemans, o gaitista brasiliense Gabriel Grossi mandou para as lojas o disco instrumental Urbano. O trabalho é extensão da linguagem iniciada em Horizonte (2009), álbum gravado com Guilherme Ribeiro (teclado) e Jônatas Sansão (bateria). Ao trio foram acrescentados Sérgio Coelho (trombone), Jota P. Barbosa (saxofone-tenor e flauta) e Michi Ruzitschka (guitarra).

Dirigido por Guilherme Ribeiro, o CD traz sete composições, quatro delas escritas por ele em parceria com Grossi – as demais são assinadas por um ou por outro. “Queríamos continuar o trabalho que começamos em Horizonte, mas de uma forma um pouquinho diferente, com a nova geração mais presente. Naquela época, homenageamos instrumentistas de sopro como Maurício Einhorn, Paulo Moura e Raul de Souza. Sérgio e Jota P. são seguidores deles”, afirma Grossi.

Ainda utilizando a linguagem da música instrumental brasileira, Grossi agora aposta na pouco óbvia combinação de seu instrumento com sopros, oferecendo sonoridades interessantes. “A gaita dá timbres que mudam muito as texturas dos naipes em que ela entra. Quero incentivar arranjadores a usar mais gaita em seus trabalhos. Por que não?”, questiona. Além disso, o artista lança mão de um pedal especial, que lhe permite formar acordes. Isso fica claro no solo de Todas as direções.

“É uma música de cidade mesmo, muito urbana, fruto de minhas vivências entre Rio de Janeiro e São Paulo. O disco é todo em compassos compostos, meio quebrados. As melodias são simples, apesar de os ritmos surgirem mais complicados. Piramos mais em cima dos grooves, eles conduzem o CD”, observa Grossi. As gravações ocorreram no ano passado, em São Paulo. Todos os músicos tocaram juntos no estúdio.

Panorama
Depois de lançar dois discos no ano passado – Realejo (com o acordeonista Bebê Kramer) e Villa-Lobos popular (com o pianista Amilton Godoy) –, além de Urbano, o gaitista quer se dedicar a shows para divulgar melhor os três trabalhos. Em seguida, planeja produzir DVD gravado ao vivo que resuma um pouco de sua trajetória.

Em março, ele vai embarcar para Viena, na Áustria, onde participa do show de lançamento do disco Vienna, world, do guitarrista Wolfgang Muthspiel, no Konzerthaus, um dos principais palcos daquela cidade europeia.

Grossi, que marcou presença na gravação desse álbum, não será o único brasileiro no Konzerthaus. O outro é o violonista e baterista gaúcho Alegre Corrêa, que participou de Realejo. O gaitista aproveita para cumprir agenda paralela para divulgar seu trabalho solo.