sexta-feira, 22 de agosto de 2014

23ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO‏

Setecentas mil pessoas são esperadas na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que investe no diálogo da literatura com outras artes. Espaço infantojuvenil ganha destaque


Carlos Herculano Lopes
Estado de Minas: 22/08/2014



Autor de Os instrumentos mortais, o norte-americano Harlan Coben vai participar da bienal paulistana

 (BERTRAND LANGLOIS/AFP)
Autor de Os instrumentos mortais, o norte-americano Harlan Coben vai participar da bienal paulistana


Começa hoje a 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a maior da América Latina, que reunirá expositores do Brasil e de outros países. O tema desta edição é Diversão, cultura e interatividade: tudo junto e misturado. Até dia 31, cerca de 700 mil visitantes, grande parte estudantes, são esperados em 400 atividades nas áreas da literatura, música, gastronomia, quadrinhos, teatro, dança, circo e cinema.

Com a presença de especialistas de diversos países, será realizado o 5º Congresso Internacional do Livro Digital, que vai discutir o mercado para as novas tecnologias.

Entre os 22 autores estrangeiros convidados para o Salão de Ideias e a Arena Cultural, destacam-se o norte-americano Harlan Coben, autor de romances de mistério; Cassandra Clare, que escreveu a saga Os instrumentos mortais; Ken Follette, autor do best-seller Os pilares da sabedoria; a inglesa Sally Gardner, que lançou O menino que sabia voar; e Kiera Cass, autora da trilogia A seleção.

Pratas da casa como Nélida Piñon, Cristóvão Tezza, a mineira Paula Pimenta, Alberto Mussa, Luiz Felipe Pondé, Milton Hatoum, Ignácio de Loyola Brandão e Mário Sérgio Cortella, entre outros, estão entre os 186 brasileiros que vão autografar livros e conversar com o público.

Programação especial, com mais de 100 atrações, ocupará o Espaço Imaginário, reservado para o público infantojuvenil. Autores consagrados como Pedro Bandeira, Eva Furnari e Daniel Munduruku estarão presentes. Em termos de venda, apostam-se muitas fichas nesse segmento, o que mais cresce no mercado editorial brasileiro.

Multicultural


Karina Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro, informa que foram captados R$ 4,8 milhões para o evento por meio da Lei Rouanet. “Nosso objetivo é reforçar que a bienal de São Paulo é multicultural. Tudo passa pelo universo dos livros: atrações musicais, teatrais, circences e gastronômicas, entre outras”, afirma.

De acordo com ela, o visitante é a prioridade dos organizadores. “A mensagem de diversão, cultura e interatividade permite que o livro faça parte de todas as manifestações artísticas presentes entre as atrações da bienal”, reforça.

O espaço Cozinhando com as Palavras, que terá curadoria do chef André Boccato, vai reunir destaques da gastronomia, como Carlos Bertolazzi, Roberta Sudbrack, Carla Pernambuco, Mônica Rangel e Palmirinha.

Outro destaque é o espaço Clássicos da Periferia: rappers vão recontar, de forma criativa, clássicos da literatura como Vidas secas, O príncipe e A revolução dos bichos.

23ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO
Até dia 31. Pavilhão de Exposições do Anhembi, Avenida Olavo Fontoura, 1.209, Santana, São Paulo. De segunda a quinta-feira: R$ 12 (inteira) e R$ 6 (meia-entrada). Sexta-feira, sábado e domingos: R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia). Informações: www.bienaldolivrosp.com.br.

Reflexões sobre o mundo

Estado de Minas: 22/08/2014 



Papa Francisco é tema de livro de Leonardo Boff, que conversa com os leitores

 (ASUYOSHI CHIBA/AFP - 25/7/13)
Papa Francisco é tema de livro de Leonardo Boff, que conversa com os leitores


Sem pieguismos, Frei Betto e Leonardo Boff falam ao coração do leitor. Não é à toa que palestras da dupla costumam atrair imensas plateias em BH. Hoje à noite, no Museu de Artes e Ofícios, os dois conversam com o público sobre temas caros ao homem contemporâneo, como consumismo, espiritualidade e, sobretudo, a necessidade urgente de reinventar a vida.

Essa reinvenção é personificada por um dos homens mais fascinantes do mundo contemporâneo: o papa Francisco, tema do livro Francisco de Assis e Francisco de Roma – Uma nova primavera na Igreja? (Mar de Ideias), que Boff autografa. Para o teólogo, obrigado a deixar a Igreja Católica por causa de suas ideias progressistas, “o inverno eclesial de muitos anos chegou a seu fim”.

Um dos ideólogos da teologia da libertação – reinterpretação da fé cristã considerada heresia pela cúpula de Roma –, Boff explica a fina sintonia entre o papa argentino e o santo italiano, devotado aos miseráveis. Ele aposta na “revolução da ternura” protagonizada pelo papa, “centrada nos pobres e sofredores deste mundo e numa Igreja que se entende como ‘hospital de campanha’, pronta a socorrer todos com compaixão, cuidado, misericórdia e amor”.

O papa argentino já deu várias provas de que sua revolução não é mero marketing para conquistar fiéis. Ele visitou imigrantes africanos na Ilha de Lampedusa, na Itália, confortou desempregados em Córsega e contrariou setores conservadores da Igreja ao defender que gays não devem ser julgados por sua opção sexual. Para Leonardo Boff, o cardeal Jorge Mario Bergoglio, vindo da periferia do mundo, “fora da velha cristandade europeia”, escolheu o nome de Francisco porque está convicto de que a Igreja deve se pautar no compromisso de São Francisco de Assis com os pobres. Simplicidade e humildade são as marcas de seu pontificado, avesso aos luxos que sempre cercaram a instituição.

Escola

Em Reinvenção da vida (Vozes), Frei Betto reúne pequenos textos com reflexões sobre o dia a dia. Ele fala de amigos que redescobriram o amor na terceira idade, da descriminalização das drogas e da necessidade de revolucionar a escola, por exemplo. Temas políticos também marcam presença: desigualdade social, consumismo, ecologia e a ditadura do mercado. “Pós-liberalismo, marxismo, comunitarismo ou socialismo, não importa o nome. Importa enfrentar o fenômeno mais escandaloso de nossa realidade: a esmagadora pobreza, seres humanos privados de direitos tão elementares como saúde, alimentação, trabalho, transporte, educação, moradia, terra, cultura e lazer”, aifrma o autor em “A esquerda e a pauta das elites”.

Frei Betto lança também Começo, meio e fim (Rocco), destinado às crianças. O frade dominicano aborda a morte em texto delicado sobre a história de uma garota que perde o avô, vítima de câncer.

LEONARDO BOFF E FREI BETTO

Bate-papo com o público e sessão de autógrafos dos livros Começo meio e fim, Reinventar a vida e Francisco de Assis e Francisco de Roma – Uma nova primavera na Igreja. Hoje, às 19h30. Museu de Artes e Ofícios, Praça da Estação, s/nº, Centro. Entrada franca.

Um coração pulsa no oceano‏

Um coração pulsa no oceano 
 
Uma bela formação recifal com contornos do órgão humano em sua forma lúdica, bem no complexo de recifes do Parque de Coroa Alta, em Santa Cruz Cabrália, surpreende biólogos e estudiosos marinhos
Marcus Celestino

Estado de Minas: 22/08/2014



Desenho do conjunto de corais intrigou pesquisadores que fazem mapeamento marinho nesta região da Bahia e analisam também de que forma as mudanças climáticas afetam as colônias coralíneas

Localização no mapa do complexo de recifes: diferentemente das formações brasileiras mais comuns, este é fundo e tem paredes retas
Santa Cruz Cabrália ganhou notoriedade por ter sido a casa da Seleção Alemã de futebol, campeã do mundo na Copa realizada no Brasil. Localizada na Costa do Descobrimento, a cidade, porém, poderia estar no lugar de Porto Seguro nos livros de história. O jornalista e escritor gaúcho Eduardo Bueno, em sua obra A viagem do descobrimento, levanta a hipótese de os portugueses terem atracado na localidade ou na vizinha Prado, ao contrário do que aprendemos no colégio. Permeada por toda essa “mística”, Cabrália ainda “herdou” da natureza uma belíssima formação recifal, com contornos de um coração no complexo de recifes do Parque de Coroa Alta, formato que só foi descoberto recentemente pelo biólogo marinho e coordenador-executivo do Projeto Coral Vivo Gustavo Duarte, enquanto checava alguns mapas.

Os contornos lúdicos do coração – e não no formato bruto do órgão responsável por bombear sangue para todo o organismo – foram descobertos pelo biólogo, quando fazia a avaliação de algumas imagens de satélite, relacionadas ao mapeamento físico dos recifes do Parque Municipal Marinho Coroa Alta. “Além de coordenador do projeto, atuo na pesquisa de como as mudanças climáticas afetam os corais. Estava, por acaso, dando uma revisada nos mapeamentos e percebi que havia esse recife com formato de coração. Como está voltado para o Leste, estava de lado na imagem e dificultava um pouco a percepção”, comenta Duarte.

A formação está localizada especificamente na região dos Alagados (não confunda com a área de mesmo nome em Salvador), ao Sul do complexo recifal citado. Nos paredões, o coral casca-de-jaca (Montastraea cavernosa) se faz presente em suas grandes colônias. Ademais, róseas algas calcárias cobrem as paredes quase verticais, e garoupas têm no local sua morada. “Diferentemente dos recifes brasileiros, ele é muito fundo e tem paredes retas. Parece ter sido cortado com uma forma de biscoitos, naquele formato específico”, brinca o pesquisador.

PROFUNDIDADE O recife “coração” teve sua profundidade máxima aferida em 10 metros, enquanto a mínima ficou nos três. Isso foi constatado na primeira fase de levantamento batimétrico, ou seja, a medição de fundura dos oceanos, rios e lagos. Para o processo, os pesquisadores utilizam a ecossonda, instalada no casco da embarcação, e também o Strata scan – equipamento adquirido recentemente pelo projeto. O primeiro atua como um sonar, emitindo um som. O tempo que ele leva, de sua emissão da superfície até a recepção, é o determinante para medir a profundidade. Já o segundo atua escaneando o fundo do mar, transmitindo as nuances do solo. O aparelho consegue especificar onde há lama, areia, corais ou rochas. O mapeamento servirá para mostrar o relevo do recife em três dimensões.

A embarcação utilizada para auxiliar no processo é o catamarã Iamany (Senhora das Águas, na língua pataxó) – com certas adaptações para facilitar as pesquisas. Como a estrutura da embarcação fica pouco dentro d’água, há a facilidade de “passear” pelos recifes, com mais tranquilidade para fazer o levantamento batimétrico deles. No entanto, o processo não é tão simples quanto parece. “Temos que mapear lentamente, pois o motor da embarcação não pode funcionar a plena potência. Além disso, quando o mar está revolto, não há chances de se trabalhar”, comenta o pesquisador do Coral Vivo Jhone Araújo, mestrando de geologia no Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Interação com a comunidade

A formação recifal sequer havia sido notada pelos pescadores locais. “Foi uma surpresa até para eles. O pessoal achou muito bacana quando mostramos o mapeamento”, afirma Jhone Araújo. O Projeto Coral Vivo procura interagir com as comunidades e trabalhar sempre junto a elas. “A interação é muito boa. Temos, inclusive, uma política de contratação de moradores das comunidades, que trazem sua experiência, suas interações coralíneas desde pequenos, para nós. É uma troca de conhecimento muito grande”, salienta Gustavo Duarte.

A expectativa é de que o mapeamento físico completo dos recifes da Coroa Alta seja finalizado no próximo ano e entregue às prefeituras de Santa Cruz Cabrália e adjacências, que poderão trabalhar em conjunto com o Coral Vivo e comunidades para a preservação da área. A pesquisa ficará disponível também no site do projeto (www.coralvivo.org.br). O coração de Cabrália pode tornar-se parte integrante do turismo da região.

“Tenho a expectativa de que a área fique apta à visitação. Nosso coração tem 350 metros de diâmetro e um fundo de areia de coral. Além disso, há a formação de ondas em seu contorno. Mesmo distante da costa, seria interessante que surfistas checassem se a área é surfável”, comenta Duarte. Além disso, o mergulho é uma atividade que também pode ser explorada. Tudo depende do plano de manejo realizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Toda unidade de conservação (UC) deve ter esse plano e o prazo máximo de elaboração, segundo o Ministério do Meio Ambiente, é de cinco anos.

De acordo com Araújo, a região sofreria muito mais com a atividade turística, não fosse a atuação dos guias. “O volume de pessoas que visita o parque é muito grande, mas o ambiente não é tão maltratado, graças aos guias turísticos que instruem, por exemplo, os visitantes a não retirarem um coral, mesmo que este esteja morto”, diz. 

BIOMAR

O Projeto Coral Vivo integra a Rede Biomar – Rede de Projetos de Biodiversidade Marinha. Os projetos Tamar, Baleia Jubarte, Golfinho Rotador e Albatroz também fazem parte. Todos eles são patrocinados pela Petrobras, por meio do programa Petrobras Ambiental, com o intuito de conservar a biodiversidade marinha do Brasil, atuando nas áreas de proteção e de pesquisa das espécies e dos hábitats relacionados. As ações do Coral Vivo são viabilizadas também graças ao copatrocínio do Arraial d’Ajuda Eco Parque. Além de Gustavo Duarte e Jhone Araújo, atuam no mapeamento o geólogo José Carlos Seoane, coordenador do trabalho, o piloto e monitor do Coral Vivo Márcio José, nativo da região, e os alunos de graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Bia Sabino e Ian Fortes. 

ESTUPROS » Dor que não deve ser silenciosa‏

Presença e indignação de mulheres no Aeroporto de Congonhas, na chegada do ex-médico preso no Paraguai, são incentivo à vítima de violência sexual sair do anonimato e denunciar o criminoso


Valquiria Lopes
Estado de Minas: 22/08/2014




No momento em que as vítimas de estupro do ex-médico Roger Abdelmassih vão ao aeroporto, em São Paulo, para recebê-lo e mostrar indignação com os crimes e alívio com a prisão do acusado no Paraguai, muitas mulheres molestadas em Belo Horizonte se calam. O homem condenado em 2010 a 278 anos de prisão por 48 ataques a 39 mulheres chegou ontem ao Brasil e foi levado para o presídio de Tremembé, no interior paulista.
Por medo, constrangimento, vergonha ou dor, vítimas de abusos sexuais resistem em relatar os casos à polícia e guardam, sozinhas, marcas físicas e psicológicas. A estabilização das ocorrências de estupro em BH é reflexo dessa fragilidade. De janeiro a julho deste ano, 118 crimes foram denunciados, contra 125 no mesmo período do ano passado. O total de 222 ocorrências de todo o ano de 2013 também é menor que o do ano anterior, período em que 293 casos chegaram à Polícia Civil. Segundo a delegada Silvana Fiorilo Rocha de Resende, titular da Delegacia de Mulheres da capital, muitos abusos não vêm à tona porque ocorrem no ambiente familiar ou pela angústia da vítima, que não quer reviver dor.
No desembarque de Roger Abdelmassih, as mulheres que estiveram no Aeroporto de Congonhas para uma espécie de “purificação” dos dramas que sofreram, demonstraram emoção e precisaram ficar atrás de um cordão de isolamento. Abdelmassih era especialista em fertilização in vitro e teve o registro cassado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo depois que as denúncias de abuso sexual vieram à tona.
Conhecido por atender celebridades, o ex-médico abusava das pacientes depois de sedá-las para procedimentos de reprodução assistida. Foragido desde 2011, quando tentou renovar o passaporte, Abdelmassih teve a prisão decretada, deixou de se apresentar e passou a ser procurado. O ex-médico passou por exames feitos por peritos do IML ainda dentro do aeroporto e seguiu para a prisão.
Se os crimes praticados por Abdelmassih têm repercussão, o mesmo não ocorre nos casos de vítimas isoladas, como o de T., hoje com 17 anos. Aos 14 anos ela foi estuprada pelo marido da prima em uma casa no Bairro Jaqueline, Região de Venda Nova, e demorou a contar o drama à mãe. Foram duas semanas de angústia, sofrimento, ameaças e medo, que pareciam não ter fim. O constrangimento de ter sido alvo de um crime sexual tirou a paz da adolescente. Somente com a ajuda da mãe a garota conseguiu relatar o drama à polícia. O agressor foi intimado e a investigação, comprometida pela falta de provas, está em andamento. A jovem diz que ainda guarda marcas psicológicas do crime. Mas passou a entender a importância de ter quebrado o silêncio e denunciado o estuprador, mesmo sendo ele um membro da família.
“A gente fica com vergonha porque tem que contar detalhes à polícia. É constrangedor”, diz. Ela ressalta, entretanto, que é preciso vencer o medo e denunciar. “Quando aconteceu, eu não entendia a importância de contar logo para a minha mãe e perdemos as provas. Até hoje, ele (o agressor) diz que sou louca e que nada aconteceu”, conta a jovem, que diz sentir raiva pelo fato de homem ter ficado sem punição.
Com 20 anos de experiência na Delegacia de Mulheres, a delegada Silvana Fiorilo diz que a elucidação de crimes e prisões de agressores, como o do ex-médico Roger Abdelmassih, encorajam mais mulheres a enfrentar a dor e denunciar. “É doloroso porque mexe com a intimidade. Muitas mulheres não querem retirar a cortina desse drama e reviver tudo na presença do policial, do promotor ou do juiz.” Mas Silvana destaca: “Elas, talvez, não possam imaginar a contribuição que dão à sociedade ao denunciar. Com a prisão do agressor, outras pessoas deixarão de passar pelo mesmo drama”.

ONDE DENUNCIAR
Delegacia de Mulheres
Rua Aimorés, 3.005 – Barro Preto  (31) 3291-2931
Casa de Direitos Humanos
Avenida Amazonas, 588 (atendimento 24 horas)

 É preciso preservar as provas do crime 




A criação da Lei Maria da Penha, que trata da violência contra a mulher, foi um grande avanço na proteção de vítimas de crimes sexuais e punição dos agressores. Mas, para ser efetiva na erradicação desse tipo de violência, a polícia reforça a necessidade de que as provas técnicas, como sêmen e marcas no corpo, sejam preservadas. De acordo com a delegada Silvana Fiorilo, a vítima deve, logo após o ataque, procurar a delegacia e denunciar o criminoso. “Ela deve ir sem tomar banho ou antes de fazer qualquer tipo de higiene.” De lá, a mulher agredida é levada a uma unidade de saúde para passar por exames e fornecer material genético que possa ajudar na identificação e prisão do autor do crime.

Ainda que a mulher não se sinta confortável a seguir com o inquérito policial, a delegada orienta que ela deve procurar a polícia para registro da ocorrência e para que possa ser atendida pela rede de assistência a vítimas de crimes sexuais. “Com o comparecimento da vítima, o material genético poderá ser coletado e armazenado em um banco de dados para cruzamento de informações em caso de múltiplos ataques ou naqueles em que já há um acusado”, diz Silvana. A chamada cadeia de custódia, um laboratório que armazena as cargas genéticas no Instituto de Criminalística da Polícia Civil, na capital, já contribuiu para a elucidação de vários crimes, segundo a delegada.
Em BH, cinco hospitais oferecem atendimento especializado a vítimas de crimes sexuais. No Odilon Behrens, Hospital das Clínicas, João XXIII, Odete Valadares e no Júlia kubitschek, mulheres que foram abusadas contam com serviços de prevenção a doenças sexualmente transmissíveis e acompanhamento médico e psicológico pelo tempo que for necessário. “O sofrimento é muito grande e se o trabalho de assistência não for bem feito, ela pode não se curar da dor”, afirma a delegada.