domingo, 2 de dezembro de 2012

Dona do tempo [Fernanda Montenegro] - Mônica Bergamo


MÔNICA BERGAMO
Fotos Adriano Vizoni/Folhapress
A atriz encarna os dilemas de uma octogenária na TV
A atriz encarna os dilemas de uma octogenária na TV
Dona do tempo
O monitor mostra uma senhora de cabelos grisalhos disparando ironia para a atendente de um laboratório de análises clínicas: "Essa coisa de melhor idade é pra vender pacote de turismo pra velho". "Corta! Excelente", grita o diretor Jorge Furtado.
A fala da personagem dona Picucha em "Doce de Mãe", especial de fim de ano da Globo, cabe perfeitamente na boca de sua intérprete. Aos 83 anos, Fernanda Montenegro endossa o texto. "Não me diga que ter de 80 para 90 anos é a melhor idade. É demagogia", diz ela à repórter Eliane Trindade.
Senhora do seu tempo, a atriz põe na balança os prós e contras dos muitos anos que carrega. "O mais difícil é saber que você está na fase definitivamente conclusiva da vida. É melhor encarar."
A finitude bate à porta a cada perda, a começar pelo companheiro de 60 anos de vida, Fernando Torres. "A coisa mais dolorosa pela qual tenho passado é ver a minha geração morrer. Nos últimos cinco anos, morreram, além dele, Paulo Autran, Raul Cortez, Gianfrancesco Guarnieri, Renato Consorte, Sérgio Viotti, Sérgio Brito, Ítalo Rossi e Millôr Fernandes."
Ela se emociona ao concluir: "Você olha em volta e a sua memória está ligada a todo esse mundo que se vai. É muito forte". Na lista de baixas recentes, tem ainda Hebe Camargo que, como ela, nasceu em 1929. "Vivemos o mesmo período da história. Quem substitui? Ninguém."
Mora só desde que ficou viúva, em 2008. "À noite, eu fico sozinha, não tenho empregada nem dama de companhia." Não se habituou à ausência de Fernando. "É estranho. Ainda acho estranho, mas não tem solução."
Teme a solidão? A resposta requer tempo: "Essa palavra é tão forte Eu gosto de estar só. Não que goste de solidão. A minha não é vazia".
A exemplo de outros "oitentões" atuais, a atriz é bastante ativa. "Tenho uma vida intensa, viajo muito a trabalho." Acabou de filmar o longa "O Tempo e O Vento", também no Sul, e já anda às voltas com a nova peça, um texto sobre a vida de Nelson Rodrigues que pretende levar aos palcos em 2013.
"Mas sinto que meus filhos se preocupam", admite. Ela é mãe da atriz Fernanda Torres, 47, e do cineasta Cláudio Torres, 49. "Quando toca o telefone e não atendo logo, um telefona pro outro, que telefona pra produtora, que telefona pro secretário. E eu só estava no banho. Como amor de filho, isso me toca."
Dona Picucha foi escrita para a atriz. Os quatro filhos da personagem se veem às voltas com o dilema: Quem vai cuidar da mamãe? "É inevitável. A velhice chega, os filhos têm suas vidas, suas casas e suas necessidades. Há uma preocupação de que é preciso dar atenção à famosa terceira idade. É um desassossego para os dois lados."
O drama é contado com humor. No set, a prole de Pichuca -os atores Marco Ricca, Louise Cardoso, Mariana Lima e Matheus Nachtergaele- discute um revezamento para cuidar da idosa. Estão no hospital, onde a mãe foi parar após uma bebedeira. "É uma coisa bem rara na idade dela: um porrão", explica a primogênita vivida por Louise. A cena vai ao ar no dia 27.
"Os quatro filhos da Picucha não são diferentes de nós. Eles têm que levar a própria vida, que não deixa mais espaço para se cuidar dos velhos", constata Matheus.
O diretor conta que o papel foi escrito para Fernanda. "É uma mulher da idade dela, que não fez plástica para tentar ficar 'forever young'." Fernanda agradece: "Picucha é uma mãe e avó que aceita, com humor, o tempo vivido".
Nada de luz especial ou maquiagem para atenuar marcas na tela. "Do ponto de vista interpretativo é um relax. Os empapuçados dos meus olhos ajudam a personagem." Em um comercial de banco em 2010, a atriz foi rejuvenescida com Photoshop.Na vida real, nunca pensou em fazer lifting. "É de temperamento. Se você quiser tomar banhos de cirurgias plásticas, ótimo. Há quem fique feliz em ir se esticando pela vida, às vezes, com resultados extraordinários. Perdi esse bonde. Quem me quiser, tem que me querer com meus papos, minhas rugas."
Nas filmagens de "O Tempo e O Vento" embranqueceu o cabelo. "Se parasse de representar, e eu não penso nisso, deixaria meu cabelo branco sem problema. Se me der na veneta, não pinto mais."
Da mesma forma que não idealiza a velhice, não o faz com a infância. "Criança sofre muito. É todo um processo de civilização, de coerção e de enquadramento em cima delas. E isso é uma agressão violenta", diz. "Quando ouço alguém dizer que a infância foi a parte mais feliz de sua vida, olho com muita desconfiança. Deve ter sido tão terrível que nem se lembra."
A avó Fernanda é presente, quando possível e sem culpas, na vida dos três netos. "Estamos juntos nos aniversários, aos domingos, quando se consegue. "
Não tem e-mail. "Ainda gosto de escrever à mão. Não me iniciei nesse mundo de Facebook, internet. Acho fantástico. As fronteiras acabaram. É o ser humano solto, indomável." Usa minimamente o celular. "Se ele puder ficar desligado, prefiro."
Sem saudosismo. "Não vivo no passado." É só elogios à nova versão de "Guerra dos Sexos", onde aparece em retratos ao lado de Paulo Autran. "Foi a única vez em que trabalhamos juntos, uma dupla que se fez muito feliz." Ela ressalta não se tratar de "remake". "É outra brincadeira. O elenco é espetacular."
Fala com orgulho da geração de sua filha. "É um grupo de atrizes extremamente talentosas e poderosas, com uma folha de serviços de quem não está brincando na vida. Isso dá uma visão imorredoura da profissão."
Volta a se emocionar ao falar de legado: "Nada é mais importante do que meus filhos e netos. Eles justificam a minha vida. Algo meu vai estar lá no fim deste século. Se eles procriarem, parte minha restará pelos milênios afora. Penso muito nessa cadeia de seres que foram se sucedendo e chegaram até mim. Não parei a corrente".
Para encerrar a conversa no café do lobby do hotel em Porto Alegre, onde se hospedou nas três semanas de gravação, ela recusa o título de "a grande dama do teatro e da tevê". "Isso é bobagem, um resquício do século 19. Como estamos no século 21, e já se passou um século inteiro, deram uma acalmada nisso."
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"Se você quiser tomar banhos de cirurgias plásticas, ótimo. Há quem fique feliz em ir se esticando pela vida. Perdi esse bonde. Quem me quiser, tem que me querer com meus papos, minhas rugas"

    Xuxa promovendo cultura - Maurício Stycer


    Xuxa promovendo cultura
    Há algo de visionário em alguém que enxerga o programa da Xuxa como "incentivo à cultura"
    A esta altura, todo mundo já deve saber que Mario Meirelles, diretor do "TV Xuxa", chamou de "retardados" os espectadores que preferiram assistir ao "Pica-Pau", na Record, a sintonizar na Globo para ver o programa que ele dirige. O comentário que Meirelles fez no Twitter teve enorme e merecida repercussão. Mas acabou deixando em segundo plano o programa em si.
    Naquele fatídico sábado (24/11), Xuxa dedicou quase a metade da atração a uma homenagem a Fernanda Montenegro. Por 24 minutos, de um total de 54, apresentou vídeos com depoimentos dos filhos e de colegas de trabalho da atriz.
    Intimidada ou sem saber o que dizer, a rainha dos baixinhos quase não interagiu com a convidada. Limitou-se a apresentar os VTs (cinco, no total) e uma entrevista no palco com o ator Vinicius de Oliveira, lançado em "Central do Brasil".
    O programa retornou ao seu rumo com Ivete Sangalo. Promovendo CD, ela cantou três músicas, beijou Xuxa e agitou a plateia. A outra atração foi a final de Batalha no Salto, concurso de dança protagonizado por trios femininos, que ocupou mais de 20 minutos da tarde.
    A menção do diretor Meirelles aos "retardados" ocorreu justamente no início do programa, quando foi exibida a homenagem a Fernanda Montenegro. "Atenção, retardados que estão assistindo Pica-Pau. Começou #TVxuxa."
    O diretor se assustou com a repercussão negativa do comentário e, na tentativa de se explicar, fez algumas observações curiosas. Primeiro, disse: "Tá bom. Atenção, idiotas que estão assistindo Pica-Pau. Começou #Tvxuxa, sua única esperança de sair dessa lavagem cerebral".
    Também escreveu: "Não vou perdoar à massa burra, que gosta de ser manipulada. Continuo acreditando que a televisão tem de [ser] pró-cultura". E mais: "Não falei do público infantil, e sim dos adultos que preferem perder uma homenagem a Fernanda Montenegro". E também: "Acredito ainda na televisão como incentivo à cultura".
    No domingo, Meirelles postou a seguinte mensagem: "Aceitem meu pedido de desculpas. Prometo guardar só pra mim minhas opiniões. Mas fico muito preocupado com o que estamos vendo na TV".
    Há algo de visionário em alguém que enxerga o programa da Xuxa como "incentivo à cultura" e "Pica-Pau" como atração que promove "lavagem cerebral" em "retardados".
    Por isso, curioso, enviei um e-mail a Meirelles pedindo que explicasse melhor essa visão, mas ele respondeu que, por ora, não pretende falar mais sobre o assunto.
    Um dia depois, um outro "visionário" produziu manchetes com declarações bombásticas. O ator Angus T. Jones, o garoto Jake de "Two and a Half Men", deu um depoimento a um site evangélico em que pediu ao público para não mais assistir ao seriado que protagoniza há uma década.
    "Por favor, parem de assistir e encher suas cabeças com sujeira (filth, no original)." A palavra, em inglês, tem também o sentido de "obscenidade". Um dia depois, o ator pediu desculpas aos colegas de trabalho, mas, diferentemente de Meirelles, não apagou o que disse.
    Meirelles e Jones têm em comum o fato de estarem falando de dentro do meio em que trabalham. Desse ponto de vista, a iluminação pode favorecer a observação em alguns aspectos, mas também provocar cegueira momentânea em outros. Espero que ambos se recuperem de seus delírios.

      Ferreira Gullar


      A herança maldita
      A coisa mudou: quem for pego com a boca na botija será defenestrado sem choro nem vela
      Não pertenço a nenhum partido político nem tenho compromisso com nenhum deles, quer apoiem ou se oponham ao governo. Por isso, quando opino acerca de fatos políticos e critico ações de decisões governamentais, faço-o na condição de cidadão que, há muitos anos, observa e reflete sobre a vida política nacional.
      Nessas condições, seria quase impossível calar-me diante do que tem ocorrido no Brasil nestes últimos anos, como é o caso do mensalão, que se tornou um episódio dominante no cenário nacional. Tanto mais depois do julgamento do Supremo Tribunal Federal, que não deixou dúvidas quanto ao comprometimento dos processados nele envolvidos.
      Esse julgamento, como nenhum outro, foi feito às claras, transmitido na íntegra pela televisão, sem nada esconder. Resultado: José Dirceu, José Genoino, Delúbio Soares e quase todos os demais foram condenados a penas cuja dosimetria os ministros discutiram acaloradamente. Não obstante, o PT e os sentenciados, sem qualquer pudor, passaram a afirmar que foram injustiçados por um julgamento político, e não jurídico. E decidiram promover uma campanha nacional para denunciar essa injustiça.
      Isso certamente não ocorrerá, mesmo porque, no dia seguinte àquela manifestação do PT, um novo escândalo tomou conta do noticiário: a Polícia Federal acusou Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, indiciada por corrupção ativa.
      Rosemary foi nomeada para esse cargo pelo então presidente Lula e o acompanhava nas viagens que fazia. Bastante estranho, não? Antes, nos anos 1990, assessorava José Dirceu, que a apresentou a Lula.
      No início do governo deste, em 2003, foi nomeada assessora especial do gabinete pessoal da Presidência da República, antes de ser alçada à direção do escritório presidencial em São Paulo.
      A pedido de Lula, Dilma a manteve no cargo, e é nesse escritório que Lula e Dilma se encontram para acertar os ponteiros quando a situação política o exige.
      Pois bem, naquela sexta-feira, a Polícia Federal prendeu seis pessoas e indiciou outras 12, acusadas de participar de um esquema que fraudava pareceres técnicos em agências reguladoras e órgãos federais. Entre os presos, estão os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação (Anac) e Marcelo Rodrigues Vieira. Os irmãos Vieira foram indicados para aqueles cargos por Rosemary, que mantinha com eles estreita ligação no esquema de fraudes descoberto pela PF.
      Além de Rosemary, foram indiciados 11 servidores, entre os quais o advogado-geral da União adjunto, José Weber Holanda, o segundo na Advocacia Geral da União (AGU), órgão diretamente ligado à Presidência da República.
      Em face de tamanho escândalo, envolvendo ocupantes de importantes cargos de confiança do governo federal, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião de emergência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e as ministras Gleisi Hoffmann e Ideli Salvatti, para avaliar a situação. Disso resultou a exoneração imediata de Rosemary e o afastamento dos irmãos Vieira de seus cargos. Dada a estreita ligação de Lula com Rosemary, foi a ele comunicada a sua exoneração, antes que se efetuasse.
      Desta vez, Dilma agiu mais rápido do que quando demitiu os ministros corruptos que Lula lhe deixara como herança maldita. Naquela ocasião, ela chegou a defender alguns dos acusados e só os demitiu quando a situação se tornou insustentável. Agora, porém, em face do desgaste sofrido com o julgamento do mensalão e a condenação de dirigentes petistas, a coisa mudou: quem for pego com a boca na botija será defenestrado, de imediato, sem choro nem vela.
      A verdade é que mais uma vez Dilma foi surpreendida por "malfeitos" envolvendo pessoas de sua equipe vinculadas ao ex-presidente Lula, que teria se queixado ao saber do novo escândalo: "Fui apunhalado pelas costas", expressão semelhante à que pronunciou por ocasião da descoberta do mensalão, em 2005. Por isso, não se surpreendam se, amanhã, ele vier a afirmar que tudo isso não passou de uma farsa, inventada pela imprensa.

        Suzana Singer


        Íntimo e pessoal


        O noticiário político foi tomado por uma nova personagem: Rosemary Noronha, ex-assessora de Lula, indiciada pela Polícia Federal sob suspeita de corrupção passiva e tráfico de influência.
        Ontem, a Folha escancarou o que era antes insinuado em notas e colunas: que a influência dela vinha de um relacionamento íntimo com o ex-presidente.
        Sem usar a palavra "amante", o jornal conta que, nas 23 viagens internacionais em que Rosemary acompanhou Lula, a então primeira-dama Marisa Letícia nunca estava. Segundo a reportagem, havia um esquema especial que permitia o acesso à suíte presidencial nessas escapadas. Seria um relacionamento de 19 anos, iniciado quando ela era bancária e ele candidato derrotado à Presidência da República.
        Folha invadiu a privacidade de Lula? Sim. Era necessário? Sim.
        O jornalismo brasileiro costuma preservar a intimidade de seus políticos. Nunca tivemos um escândalo como o da Monica Lewinsky, a estagiária morena que quase provocou o impeachment de Bill Clinton, ou a descrição de festas dionisíacas como as promovidas por Silvio Berlusconi na Itália.
        Os exemplos da história recente brasileira são quase pudicos: o bolero dos ministros Zélia e Cabral no governo Collor, o flagrante da carnavalesca sem calcinha ao lado de Itamar Franco e o filho fora do casamento de Fernando Henrique Cardoso, que só foi revelado pela Folha quando ele, já viúvo e ex-presidente, reconheceu o rapaz.
        Argumenta-se que o eleitorado brasileiro, ao contrário do norte-americano, não liga para questões morais. Mas essa é uma hipótese nunca testada, porque a imprensa daqui não cobre esse tipo de assunto. Será que um candidato flagrado com outro homem em uma casa noturna gay, por exemplo, não perderia votos?
        Num caso como esse, caberia discutir se a sexualidade do político tem relevância pública. Já o relacionamento Rose-Lula é diferente, porque resvala para a esfera pública.
        Se o ex-presidente tiver incensado Rosemary por causa de um romance, isso teve consequências políticas. Segundo a PF, a então chefe de gabinete da Presidência em São Paulo conseguiu, entre outras coisas, colocar, em postos-chave do governo, amigos corruptos, que vendiam pareceres jurídicos favoráveis a empresários.
        A decisão da Folha, de abordar o tema, está de acordo com o "Manual da Redação", que afirma: "a vida privada só tem relevância jornalística se estiver crucialmente ligada a fato de interesse ou legítima curiosidade públicos".
        Só que o trabalho não terminou. Foi relevante mostrar ao leitor de onde emanava o poder de Rosemary, mas, a partir de agora, detalhes de alcova, por mais tentadores, não interessam. O importante é investigar se o ex-presidente esteve envolvido no suposto esquema criado pela sua então assessora.
        Se nada for encontrado, é hora de deixar os peixes pequenos de lado --a "chinelagem", na definição da Polícia Federal-- e centrar atenção nos grandes negócios investigados na Operação Porto Seguro. Como aconselha o personagem do Garganta Profunda, aos dois jornalistas, no filme sobre o Watergate: "Sigam o dinheiro".
        Imprensa a favor da polícia?
        A pesquisa Datafolha sobre violência, divulgada no domingo passado, mostra que uma parcela considerável dos paulistanos está insatisfeita com a cobertura jornalística do aumento dos homicídios.
        Menos da metade (41%) considerou a imprensa imparcial, interessada apenas em "informar sem tomar posição". Para 33% dos entrevistados, a cobertura foi favorável à polícia e 16% responderam que foi contra os policiais.
        Se a cobertura anda ruim, parte da culpa é da Secretaria de Segurança Pública, que se fechou "para não atrapalhar as investigações".
        A população, que está amedrontada, percebeu isso: 71% disseram que o governo do Estado esconde informações sobre as mortes. Sem dados de qualidade, o noticiário se limita a registrar "morreram 15 na noite de ontem", "13 foram mortos", "chacina com nove vítimas"...
        Suzana Singer
        Suzana Singer é a ombudsman da Folha desde 24 de abril de 2010. No jornal desde 1987, foi Secretária de Redação na área de edição, diretora de Revistas e editora de "Cotidiano". Escreve aos domingos na versão impressa.