segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Painel - Fabio Zambeli [interino]

FOLHA DE SÃO PAULO

Vigília permanente
Um ano após o escândalo que derrubou o então presidente do Dnocs Elias Fernandes, afilhado de Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o governo mantém 13 processos disciplinares em curso no órgão responsável pelo combate à seca. Duas obras sobre as quais recaíam suspeitas de irregularidades sofreram intervenções do Ministério da Integração: foi rompido o contrato da Barragem de Congonhas (MG) e houve retenção de parcela do pagamento pela Barragem de Figueiredo (CE).
Tête-à-tête Encontro de Eduardo Campos com Dilma Rousseff hoje, às 17h, no Planalto terá dois tempos: num primeiro instante, o governador tratará de parcerias e obras federais em Pernambuco. A pauta política, leia-se espaço do PSB na Esplanada e eleições, ficará para o fim.
Santo... Fábio Ramalho (PV), coordenador da bancada mineira na Câmara, enviou telegrama convidando colegas, em nome de Antonio Anastasia, para audiência no Palácio das Mangabeiras com Henrique Alves, favorito à presidência da Casa.
... de casa Ao saber do encontro, Júlio Delgado (PSB-MG), rival do peemedebista, conversou com o governador de Minas Gerais, que o receberá hoje para reunião.
Cofrinho Os bens do publicitário Duda Mendonça, que estão bloqueados pela Justiça embora ele tenha sido absolvido no mensalão, atingem a cifra de R$ 30 milhões.
Vitrine O Planalto abrirá espaço para ex-prefeitos no encontro de novos administradores municipais, nos dias 29 e 30. João Cozer (PT), de Vitória (ES), José Roberto Silveira (PDT), de Niterói (RJ) e Marta Ramalho (DEM), de Bananeiras (PB), farão exposições sobre programas bem avaliados em suas gestões.
Digestivo Após Geraldo Alckmin criticar publicamente a antecipação da agenda do PSDB para a eleição presidencial de 2014, Sérgio Guerra participou de um jantar reservado com o governador, na semana passada.
É do jogo O presidente tucano saiu do encontro acreditando não haver resistência de Alckmin à movimentação cada vez mais intensa do senador Aécio Neves (MG) pela candidatura ao Planalto.
Reciclagem Gilberto Kassab viaja hoje para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Participará da Semana de Sustentabilidade, cujo tema será energia renovável. O ex-prefeito usará o evento para firmar as parcerias inaugurais do Centro de Estudos de Cidades da USP, que ajuda a implantar com assessores.
Ponto... Apesar das restrições de Fernando Haddad à internação compulsória de dependentes de crack, dois aliados do petista declararam apoio ao procedimento, adotado pelo governo paulista no centro da capital.
... de vista A secretária Luciana Temer (Assistência Social) disse, em entrevista recente, que há casos em que a medida é "medicamente é necessária". O ministro Alexandre Padilha (Saúde) afirmou, em dezembro, que os consultórios de rua do governo estarão aptos a orientar o recolhimento involuntário.
Vaivém 1 Depois da viagem à China, que inicia hoje, Jaques Wagner (PT-BA) fará minirreforma no primeiro escalão. O governador quer adensar seu núcleo político para a reta final de mandato.
Vaivém 2 O ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Afonso Florence é cotado para para a Secretaria de Relações Institucionais. Coordenadora da campanha de Dilma no Nordeste, a ex-prefeita de Lauro de Freitas Moema Gramacho também deverá ocupar uma pasta.
TIROTEIO
Neschling só dará certo se o PT não enxergar a ópera como algo que só serve ao senso estético da 'minoria burguesa e reacionária'.
DE JOSÉ HENRIQUE REIS LOBO, ex-presidente do PSDB paulistano, sobre o convite de Haddad ao maestro John Neschling para dirigir o Theatro Municipal.
CONTRAPONTO
A pergunta que não quer calar
Em campanha pela presidência da Câmara, Júlio Delgado (PSB-MG) visitou no início do mês Esperidião Amin (PP-SC) em sua casa. Durante a conversa, Amin quis saber como estava o apoio do governador e presidente do PSB, Eduardo Campos, à candidatura do colega.
-Me diga: o Eduardo vai te ajudar ou te entregar?
Constrangido, Delgado silenciou. O deputado catarinense, então, continuou:
-Ele não te dá voto, mas pode prejudicar.
Reflexivo, o socialista respondeu:
-É, melhor falar com ele...

Charge - Benett

Charge - folha de são paulo

Tendências/Debates


folha de são paulo
ARNALDO NISKIER
Somos um país sério?
Quase 200 milhões de brasileiros aderiram ao Acordo Ortográfico e o governo adia sua entrada em vigor para nada
A história do marechal Charles De Gaulle tornou-se clássica. Num dado momento, lançou a dúvida: "O Brasil é um país sério?". Muitos de nós ficamos chocados. Isso feriu o orgulho nacional.
Agora, a frase voltou à tona, a propósito da decisão do governo de adiar para 2016 a entrada em vigor do decreto assinado em agosto de 2008, pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a propósito do Acordo Ortográfico de Unificação da Língua Portuguesa. Mais três anos, para nada.
Houve uma adesão quase unânime do lado brasileiro.
Os nossos irmãos portugueses e algumas nações luso-africanas, como Angola e Moçambique, por interesses variados, resistiram à adoção, que tem por finalidade essencial a simplificação da escrita do nosso idioma. Nada mais do que isso. E com um claro objetivo estratégico: postular assim a oficialização do português como língua de trabalho da Organização das Nações Unidas (ONU), o que eleva o nosso status internacional.
Também aqui há os recalcitrantes, que só agora se manifestam. Silenciaram em 1990, quando o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado, e em 2008, quando se estabeleceu o prazo fatal para a unificação pretendida.
Somos obrigados a ler até alguns absurdos, como o comentário de que isso se fez de forma burocrática, sem audiências públicas, ou por "reformadores de plantão". Aqui, uma clara agressão à memória de um dos grandes brasileiros que se debruçaram sobre o assunto, como é o caso do acadêmico Antonio Houaiss.
Antes de ser cassado, por motivos políticos, dedicou parte ponderável da sua vida, como filólogo consagrado, à discussão interna e externa dessa problemática. Só colheu aplausos.
O Brasil aderiu com entusiasmo ao acordo. Livros, jornais e revistas passaram a ser escritos com as novas normas. Centenas de concursos públicos, como é o caso do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem (4 milhões de jovens), foram realizados com essa marca, aparentemente irreversível.
São quase 200 milhões de brasileiros que hoje escrevem de forma simplificada. Mudar esse quadro não foi desrespeitoso?
Numa prova eloquente da sua modernidade, o nosso país aceitou as recomendações da Academia Brasileira de Letras (ABL), no que tange às suas 200 mil escolas. Mesmo as do interior, como se atesta na Olimpíada de Língua Portuguesa, deixaram para trás os tempos de voo e enjoo com acento circunflexo.
De mais a mais, o que muitos desconhecem, há um decreto presidencial em pleno vigor, datado de 1972, que dá à Academia Brasileira de Letras as prerrogativas de ser a última palavra em matéria de grafia. Os mal informados ou mesmo os ignorantes desconhecem isso e aí só nos resta lamentar esse retrocesso.

FERNANDO PIMENTEL
O que a balança comercial revela
A despeito das análises negativas, o Brasil nunca exportou tanto quanto no último biênio. Alguns produtos tiveram recorde de exportação
O Brasil fechou 2012 com exportações da ordem de US$ 242,6 bilhões -o segundo melhor resultado da série histórica- e um superavit de US$ 19,4 bilhões, a despeito do agravamento da crise econômica internacional.
No entanto, foi a queda de 34,8% do saldo positivo da balança comercial na comparação com 2011 que concentrou a atenção dos analistas, impedindo que se enxergasse muitos outros aspectos do bom resultado de 2012.
Bom resultado? Sim, e vejamos por quê. Antes de tudo, em nenhum outro biênio, o Brasil exportou tanto quanto nos últimos dois anos.
Em 2012, mantivemos o patamar elevado de exportações atingido em 2011, ano de recorde das nossas vendas externas. É preciso lembrar que já em 2011 tínhamos aumento de 27% em relação ao ano de 2010. Ou seja, a queda de 5,3% das exportações em 2012 tem que ser vista no contexto de um patamar muito elevado no ano anterior.
A corrente de comércio de 2012 foi a segunda maior da série histórica, com o registro de que 82% do que o Brasil importou no ano passado foram insumos e bens de capital, ou seja, alavancas para o crescimento econômico.
É sabido que as importações -dentro de parâmetros leais- contribuem para a competitividade da indústria brasileira e para as próprias exportações do país. Prova disso é que na lista dos cem maiores importadores brasileiros em 2012, 94 também exportaram.
Pode ter passado despercebido o fato de que, entre todas as categorias, as exportações de manufaturados apresentaram a menor queda (-1,7%). Em outras palavras, a venda de manufaturados evitou uma queda maior nas exportações em 2012.
Num ano marcado pela crise externa, o Brasil bateu recorde de exportação de produtos como ônibus, bombas e compressores, motores e geradores elétricos. Também as exportações de aviões cresceram 21% em relação a 2011.
Não se pode ignorar o impacto da crise internacional -e, em particular, da queda de preços de commodities- sobre o nosso comércio exterior. Obviamente, não se trata de negar a redução do superavit, mas um simples exercício aritmético permite concluir que, mantidos os preços do minério de ferro praticados em 2011, só as exportações dessa commodity teriam agregado US$ 10,3 bilhões ao resultado de 2012.
Essa diferença teria elevado nosso saldo aos quase US$ 30 bilhões de 2011, praticamente zerando a queda das exportações.
Notem que outros países exportadores de commodities minerais experimentaram quedas relevantes em seus saldos. De janeiro a outubro, a Austrália registrou perdas de 63%. No Chile, a queda foi de 72% entre janeiro e novembro.
Convém ainda um comentário sobre a Argentina. Apesar de persistirem dificuldades administrativas para exportadores brasileiros, poucos analistas notaram que a maior parte da queda das vendas está relacionada ao desaquecimento da economia do país vizinho e do efeito preço de alguns produtos: minério de ferro (-43%), combustíveis (-71%), aviões (-100%), energia elétrica (-39%) experimentaram queda significativa apenas por motivos relacionados à situação econômica da própria Argentina e do mundo.
Num cenário em que o mundo ainda se ressente dos efeitos da crise, pode-se considerar claramente positivo o resultado das exportações brasileiras em 2012, que, repito, atingiram o segundo maior valor da série histórica. Uma leitura da realidade que não leve em conta as variáveis aqui mencionadas certamente não conta toda a história.
Em 2013, o início de recuperação da economia internacional, combinada aos resultados de medidas adotadas pelo governo brasileiro para aumentar a competitividade da indústria nacional, decerto vai produzir efeitos positivos sobre o nosso comércio exterior.
Agora é trabalhar para mais um ano de bons resultados.

    OPORTUNIDADE » Não custa tentar - Walter Sebastião‏

    Quem sonha fazer carreira nas artes pode se inscrever em concursos e prêmios promovidos por diversas instituições do país. Projetos oferecem recursos e visibilidade a autores iniciantes 

    Walter Sebastião
    Estado de Minas: 14/01/2013 
    Está aberta a temporada de oportunidades para escritores, cineastas, atores, fotógrafos e demais artistas levarem seu talento a público. As edições deste ano de concursos, editais e prêmios já estão recebendo inscrições. Quem experimentou garante: vale a pena tentar.

    O diretor de teatro e professor Juarez Guimarães Dias acredita que concursos e editais podem colaborar para impulsionar uma carreira. Integrante do Grupo Pierrot Lunar, ele foi um dos selecionados pelo programa Bolsa de Criação Literária Funarte/Biblioteca Nacional 2012, cujo resultado saiu em dezembro.

    Juarez recebeu R$ 15 mil para escrever, em seis meses, O romance da Casa. A ficção tem como protagonista a Casa do Sol – chácara a 11 quilômetros de Campinas (SP), onde viveu a escritora Hilda Hilst (1930-2004). O imóvel abrigou presos políticos durante a ditadura militar e funcionou como espaço de convívio de artistas. Daquele local de criação podiam ser vistos discos voadores, assegurava Hilda. Plantado no terreno da chácara, um pé de figo atendia pedidos, jurava ela.

    Juarez Guimarães Dias diz que sua primeira estadia nessa chácara tão especial se dará este mês. Depois da morte de Hilda Hilst, o espaço se tornou instituto cultural e centro de estudos, desenvolvendo programas de residência. “Os recursos da bolsa me darão condições de arcar com as despesas da viagem e da pesquisa, além de permitir dedicação integral ao projeto. Não precisarei dividir o tempo com outras atividades”, comemora o professor.

    Outro motivo de satisfação para Juarez Guimarães: o concurso da Funarte seleciona três trabalhos para publicação. “Quem sabe não consigo, finalmente, começar uma carreira há muito sonhada?”, afirma. Juarez já publicou tese de mestrado sobre Hilda Hilst e guarda dois romances inéditos na gaveta.

    MACHADO Outra oportunidade para quem se dedica às letras: até o dia 20, estarão abertas as inscrições para o número especial da revista Machado de Assis – Literatura brasileira em tradução, voltada a autores de obras para crianças e jovens. O objetivo é estimular a publicação de textos de escritores brasileiros em outros países.

    O lançamento da edição está previsto para março de 2014 na Feira do Livro para Crianças de Bolonha, na Itália, que homenageará o Brasil. O conteúdo da publicação está disponível no endereço www.machadodeassismagazine.bn.br.

    O terceiro número da revista receberá inscrições de traduções para inglês ou espanhol de trechos de obras publicadas no Brasil. Os textos devem ter no máximo 15 mil caracteres (sem contar espaços) em formato Word.

    Também é necessário enviar amostra de pelo menos três páginas escaneadas do texto visual, se houver esse material. Elas deverão ser anexadas à declaração de liberação de direito de autor do original traduzido e do tradutor para a revista de circulação internacional (em formato impresso, digital e no site da publicação). É obrigatório indicar o título da obra original em português, sua editora e o ano de lançamento. O mesmo vale para criações visuais. Informações podem ser obtidas no Centro Internacional do Livro (cil@bn.br). Telefones: 5521-2220-2057 ou 5521-2220-1994. 


    NEGROS EM FOCO
    A Fundação Biblioteca Nacional (FBN) estendeu até 4 de fevereiro o prazo de inscrição no edital Pontos de Leitura de Cultura Negra. Prevê-se a implantação de 27 pontos dedicados ao fomento da leitura nas comunidades onde estão inseridos, além de oficinas visando à formação de escritores. O objetivo da iniciativa é ampliar a presença de criadores negros na cultura brasileira. Outra iniciativa da FBN, com inscrições até 20 de março, são bolsas de projetos de pesquisa para doutores, mestres e juniores. Os valores previstos são, respectivamente, de R$ 30 mil, R$ 22,8 mil e R$ 6 mil, em 12 parcelas.



    FIQUE ATENTO
    . Memória

    Vai até 24 de fevereiro o prazo de inscrição para o Prêmio Ibram, concedido pelo Instituto Brasileiro de Museus, dedicado à memória do esporte olímpico. Serão selecionadas 12 iniciativas voltadas para a preservação da história do esporte em contexto de apoio a ações de divulgação e difusão de acervos. Cada contemplado receberá 
    R$ 35 mil. Informações: www.museus.gov.br.

    . Roteiro
    Termina amanhã o prazo de inscrições no concurso de roteiros on-line Filma Brasil sobre o tema sustentabilidade. O edital oferece R$ 50 mil ao autor de melhor texto de curta-metragem (de cinco a 10 minutos) e R$ 85 mil ao autor de melhor média-metragem (de 15 a 52 minutos). O dinheiro deve ser usado na realização dos filmes. Inscrições podem ser feitas no site www.filmabrasil.com. Interessados devem enviar roteiro e vídeo preview de até 90 segundos (depoimento ou montagem indicando como o autor imagina a obra pronta). O edital tem como objetivo revelar talentos e incentivar a produção e a difusão da cultura brasileira. Os filmes serão exibidos no Museu da Imagem e do Som (MIS), na rede Cinemark e na televisão.

    . Cinema

    Até 5 de fevereiro, aceitam-se inscrições de vídeos para a mostra Curta o gênero 2013. O evento será realizado em Fortaleza, no Ceará, com a proposta de repensar os limites entre ser homem e ser mulher, revertendo papéis historicamente construídos. A proposta é combater a intolerância e a violência. Podem participar produções de no máximo 20 minutos, concluídas a partir de 2010, em três categorias: documentário, ficção e animação. Os trabalhos devem ter como elemento central relações de gênero, diversidade sexual, raça ou classe. Informações e formulário de inscrição: www.curtaogenero.org.br.

    OPORTUNIDADE » A bênção, Verger 
    Publicação: 14/01/2013 04:00
    Até 8 de março, poderão ser feitas inscrições em um dos mais importantes prêmios brasileiros de fotografia: o Pierre Verger. Nas edições anteriores, premiava-se apenas o conjunto de fotos, mas a partir de agora, R$ 120 mil serão distribuídos em três categorias: livre temática e livre técnica; fotografia documental; e trabalhos de inovação e experimentação fotográfica. Informações e inscrições: www.fundacaocultural.ba.gov.br.

    Aclamado internacionalmente, o fotógrafo francês Pierre Verger (1902-1996) viajou por vários países de todos os continentes, registrando culturas então ignoradas pelo chamado mundo ocidental. Na década de 1940, ele se radicou em Salvador. Tornou-se pesquisador respeitado da cultura africana depois de ganhar uma bolsa de estudos, que lhe permitiu morar vários anos em países como Nigéria e Benin.

    O Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger é aberto a brasileiros e estrangeiros (com permanência legalizada no país) maiores de 18 anos, que devem apresentar projeto não premiado. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas exclusivamente via Correios. As fotografias devem estar impressas e ter tamanho 20cm x 30cm.

    Bianual e criado em 2002, o prêmio já contemplou dois mineiros que se destacam na cena da fotografia contemporânea brasileira: Pedro David (edição 2010/2011), com a série O jardim, e Rodrigo Albert (2005/2006), autor de Costumes e ofícios, gentes, lugares e mitos.