quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Televisão - Keila Jimenez

folha de são paulo

Globo busca mais interação do público em suas novelas
As novelas da Globo podem ganhar ares de um grande "Você Decide" -com a ajuda da internet.
Segundo autores e diretores da emissora, há uma movimentação interna na rede para trazer cada vez mais interatividade para as tramas, aumentando a participação do público em questões decisivas relacionadas ao rumo dos folhetins.
Pequenas experiências nesse sentido já estão sendo realizadas com enquetes no site oficial das novelas.
Em "Salve Jorge", por exemplo, o público pôde escolher como seria a surra que Morena (Nanda Costa) daria em Wanda (Totia Meirelles).
Em "Guerra do Sexos", a emissora quer saber com quem o personagem Nando (Reynaldo Gianecchini) deve terminar: Roberta (Glória Pires) ou Juliana (Mariana Ximenes)?
Alguns diretores já defendem a criação de enquetes on-line para decidir títulos e protagonistas de futuras produções do canal.
Os que se opõem à ideia argumentam que a TV não pode ficar refém da vontade do público, porque a audiência quer, na verdade, ser surpreendida. A discussão é longa, mas a corrente da interatividade vem ganhando força na emissora.
Procurada, a Globo diz que os investimentos em interatividade na teledramaturgia já existem há algum tempo.
FESTANÇA
O elenco de "Mulheres Ricas" (Band) comemora o aniversário de Cozete Gomes, em episódio que vai ao ar na próxima segunda
Parcela José Luiz Datena (Band) já pagou à Record metade dos R$ 20 milhões do acordo relativo às suas multas contratuais exigidas pela emissora na Justiça.
Parcela 2 Datena está quitando o montante com imóveis e dinheiro. Um apartamento em Higienópolis (zona central de SP) e uma casa no Guarujá (litoral paulista) estão entre bens do apresentador que compõem esse pagamento.
Parcela 3 O acordo entre as partes foi fechado no final de 2012, por iniciativa do âncora. A Record exigia na Justiça quase R$ 50 milhões em multas contratuais do apresentador, que deixou a rede em duas ocasiões: 2003 e 2011.
Tabu Existe ex-gay? Este é um dos temas da próxima novela das 21h da Globo.
Tabu 2 A trama, do autor Walcyr Carrasco, vai abordar a história de um homossexual que pode deixar de ser gay para viver uma relação séria com uma mulher. O folhetim, ainda sem título, estreia em junho.
Reforma Cláudio Santos, ex-diretor comercial da GEO, empresa de eventos da Globo, é o novo vice-presidente comercial da RedeTV!. O executivo, que também foi diretor de mercado do grupo RBS, assume hoje a nova função.
Criação O americano George R.R. Martin, autor dos dos livros que originaram a famosa série "Game of Thrones", fechou um contrato de dois anos com a HBO.
Criação 2 Além de seguir como coprodutor da série, Martin irá criar novos produtos para o grupo HBO.

    Melhor do dia na TV

    folha de são paulo

    NatGeo promove maratona da série "O Segredo do Terceiro Reich"
     NatGeo, 21h25, classificação não informada. O canal exibe, em sequência, quatro episódios do programa "O Segredo do Terceiro Reich". A maratona começa com "O Discípulo de Hitler", que conta a história de Heinrich Himmler, líder da SS, organização paramilitar ligada ao partido nazista.
    Em seguida, é a vez de "A Fortuna de Hitler", que trata das posses de Adolph Hitler. O episódio "A Raposa do Deserto", sobre Erwin Rommel -marechal do exército alemão- vai ao ar logo depois. No final da Segunda Guerra, Rommel teve um confronto com Hitler e foi forçado a se suicidar.
    A programação termina com o episódio "As Mulheres de Hitler", que investiga as relações amorosas do líder nazista.
    Naldo fala sobre seus projetos no PlayTV
    PlayTV, 21h30, classificação não informada. Bianca Jhordão recebe Naldo no programa "Fala + Joga". O cantor fala sobre "Na Veia Tour", show gravado no Rio de Janeiro que deu origem a um CD e um DVD.
    Canal TCM exibe hoje clássico musical de 1952
    TCM, 14h, 12 anos. Gene Kelly interpreta um popular ator do cinema mudo que deve se adaptar à chegada do som em "Cantando na Chuva". Sua colega Lina Lamont, contudo, não consegue fazer a transição.

      CRÍTICA
      "Short Cuts" é fragmentário olhar para a vida de Los Angeles
      INÁCIO ARAUJOCRÍTICO DA FOLHAÀs vezes me ocorre a pergunta: qual seria a verdadeira relação de Hollywood com Robert Altman? Diretor de sucesso no começo dos anos 1970, aos poucos ele foi se apagando. Ser marginal era cada vez menos ser herói, à medida que se chegava perto da década de 1980.
      Altman carregou na radicalização: chegou a fazer filme com um personagem. Em 1992 veio "O Jogador", ataque a hábitos hollywoodianos.
      E a surpreendente acolhida: uma indicação ao Oscar de melhor direção. Logo em seguida, "Short Cuts - Cenas da Vida" (TC Cult, 22h), fragmentário olhar para a vida de Los Angeles. Mais indicação, mais badalação. A questão é: não se tornou Altman uma espécie de ave rara, cercada de cuidados de zoológico só porque é rara?

        Mônica Bergamo


        ARMA E SÓ LOVE
        Com 15 filmes na bagagem, João Miguel viverá o primeiro protagonista na TV, o policial federal Jorge Macedo da minissérie "A Teia" (Globo). "Só decidi que ia ser ator mesmo com 18 anos. Aí vi o que é ralação", afirma o ator à revista da Gol deste mês. Ele também fala sobre seu personagem Só Love, assassino da cantora de axé vivida por Isis Valverde na série global "O Canto da Sereia". "É um tipo que você encontra em vários lugares."
        BILHETE PREMIADO
        A família de Jânio Quadros (1917-1992) está pedindo a devolução de toda a documentação do arquivo do ex-presidente, hoje na Secretaria de Cultura de Minas Gerais. Pretende doar tudo à Faculdade de Direito da USP.
        BILHETE 2
        Depois da morte de Jânio, sua filha Tutu Quadros entregou a documentação ao mineiro José Aparecido de Oliveira. Ex-secretário particular e íntimo colaborador do ex-presidente, ele pretendia fazer um memorial. A ideia não vingou. Aparecido morreu em 2007, e os herdeiros dele doaram o arquivo ao governo mineiro.
        BILHETE 3
        A família de Jânio acha que a doação foi indevida pois apenas emprestara os documentos a Aparecido. Entre eles estão os célebres bilhetinhos que o ex-presidente escrevia para os ministros, correspondência com Juscelino Kubitschek e John Kennedy, uma carta de Che Guevara e móveis como a escrivaninha e a cadeira em que Jânio trabalhava.
        SOLTO A VOZ
        Lula recebeu alta nesta semana da fonoaudióloga. Até então, o ex-presidente fazia consultas semanais e exercícios especiais antes de falar em grandes eventos.
        -
        Está liberado agora para fazer longos discursos.
        PRENDO A VOZ
        Dirigentes do PT estão preocupados com a sucessão de eventos de "desagravo" aos réus petistas do mensalão. Temem que eles se "vulgarizem" e "saiam de controle".
        EU BEBO SIM
        Os integrantes da bateria da Vai-Vai vão sair vestidos de sommelier no Sambódromo de São Paulo. O enredo da escola, "Um Brinde de Amor em Plena Avenida", fala dos vinhos do Brasil.
        DANÇOU
        A Secretaria Municipal de Cultura detectou "imperfeições" na obra da Praça das Artes, complexo ainda inacabado no centro de SP que abriga as escolas de Música e de Dança e que já consumiu R$ 136 milhões. O secretário Juca Ferreira recebeu relatório que aponta problemas como goteiras e afloramento de esgoto "que chegou a uns 30 centímetros", segundo ele.
        BONDE DAS BONITAS
        A apresentadora Luciana Gimenez conferiu o lançamento da coleção de inverno da Bo.Bô, anteontem. As modelos Fernanda Motta e Luciana Curtis, grávida do segundo filho, e a miss Brasil, Gabriela Markus, foram ao shopping JK Iguatemi.
        ESQUENTA
        A cantora Roberta Sá foi a atração principal do Baile do Movimento, no HSBC Brasil. A empresária Tatiana Monteiro de Barros curtiu a festa pré-Carnaval.
        CURTO-CIRCUITO
        O suíço Flurin Bisig abre a mostra "The Seismographical Back" na Kunsthalle SP, em Pinheiros.
        Buchecha encerra hoje a temporada do seu baile na Outlaws. 18 anos.
        Pélico apresenta hoje o show "Que Isso Fique Entre Nós", no Studio SP. 18.
        Nordeste e Minas Gerais receberão R$ 20 milhões do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, dentro do Sistema Nacional de Emprego.
        com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, CHICO FELITTI, JOELMIR TAVARES E LÍGIA MESQUITA

          Contardo Calligaris

          folha de são paulo

          As regras do bem viver
          A polidez excessiva é diretamente proporcional à violência do desejo que ela mascara e contém
          Um pré-adolescente me contou que ele sempre deixa as mulheres passarem primeiro nas portas, nas catracas e em todos os limiares da circulação social, segundo ele foi instruído pelos pais e pelos avós.
          No entanto, esse gesto cavalheiro é acompanhado por um pensamento que ele não consegue evitar e que, um dia, ele receia, poderia explodir como um grito indomável, impossível de ser mais uma vez reprimido.
          Deixo você imaginar as consequências que esse grito teria, pois, a cada vez que ele, nobremente, estende a mão para convidar uma mulher (moça ou idosa, tanto faz) a passar antes dele, o que insiste na sua mente é a frase: "Empina a bunda, sua vaca!".
          Não acho estranho: as boas maneiras existem, provavelmente, para reprimir pensamentos, condutas e desejos, que, se liberados, tornariam desagradável a nossa convivência social.
          Não conheço estudos sobre o costume de deixar as mulheres passarem primeiro. Algumas más línguas dizem que nasceu como uma precaução masculina, caso houvesse assassinos esperando o homem do outro lado da porta. Outras más línguas afirmam que era um jeito de os homens controlarem as mulheres, pois, se elas fossem autorizadas a ficar atrás, fugiriam na primeira ocasião.
          No que me toca, aprendi que a mulher deve passar sempre antes do homem, salvo na descida de uma escada, quando o homem, indo na frente, tapa a perspectiva inconveniente de quem, a partir do piso inferior, procurasse olhar por baixo da saia da mulher. Esse deve ser um preceito recente, de quando as saias se encurtaram, mas a própria regra de deixar a mulher passar primeiro tampouco é antiga.
          Seja como for, há uma distância notável entre, no meio de um saque, jogar a mulher em cima do ombro e levá-la embora, para estuprá-la mais tarde, com calma (quem sabe, entre amigos) e, no extremo oposto, abrir a porta para a mulher passar primeiro. Como ilustra a dificuldade do jovem que mencionei, a polidez excessiva é diretamente proporcional à violência do desejo que ela mascara e contém.
          Em suma, as regras de boas maneiras podem parecer risíveis e são quase sempre hipócritas, mas, justamente por isso, elas são úteis e necessárias -porque não poderíamos conviver sem repressão e hipocrisia.
          Norbert Elias escreveu "O Processo Civilizador" (Zahar) em 1939. Pobre, exilado em Londres no momento da maior barbárie do século 20, Elias procurou e encontrou a origem da subjetividade e da liberdade modernas logo nos tratados de boas maneiras.
          Isso porque as regras de etiqueta nos ensinam a domesticar os impulsos mais perigosos e, mais ainda, porque a preocupação com o olhar do vizinho de mesa nos obriga a sermos minimamente graciosos.
          Chato? Talvez. Mas a novidade moderna é que a elegância é uma qualidade social permitida a todos -basta querer. Se o requisito é a elegância (e não a nobreza, que não depende da gente), qualquer um pode ter o que precisa para ser convidado a qualquer jantar.
          Engraçado: criticamos as aparências e a etiqueta como se fossem leviandades, sem pensar que seu triunfo nos libertou das barreiras intransponíveis de uma divisão social decidida pelo berço no qual cada um tinha nascido.
          Parêntese: estou lendo "Consider the Fork: A History of How We Cook and Eat" (pense no garfo: uma história de como cozinhamos e comemos, Basic Books), de Bee Wilson, que conta muito bem como fomos transformados pela evolução dos costumes de cozinha e de mesa.
          Enfim, estava no meio dessas reflexões quando, sábado passado, fui assistir a "As Regras da Arte de Bem Viver na Sociedade Moderna", de Jean-Luc Lagarce, no Sesc Ipiranga, em São Paulo (imperdível, e atenção: só nos próximos três sábados, às 19h30). A atuação de Lorena da Silva é perfeita. E o texto, francamente engraçado, é uma pérola de inteligência.
          Lagarce nos lembra os usos e costumes dos rituais da vida, do nascimento até a morte, passando por batismo, casamento, bodas de prata etc. Ele escreveu "As Regras" em 1993, dois anos antes de morrer de complicações relacionadas à Aids; pelo destino que o espreitava, ele poderia ter sido sarcástico com a suposta "frivolidade" de nossos rituais. Mas ele tomou outro caminho: ele fez, sim, que as regras básicas de nossa etiqueta nos parecessem estranhas e eventualmente hipócritas, mas sem que a gente perdesse de vista que elas são a própria trama de um mundo que amamos -e do qual ele já devia sentir saudade.
          ccalligari@uol.com.br
          @ccalligaris