quinta-feira, 28 de março de 2013

O peso da afinidade-Paloma Oliveto‏

Estudo indica que bebês simpatizam com vilões que maltratam personagens com os quais não se identificam. Resultado reforça a importância do processo de socialização, dizem cientistas


Paloma Oliveto

Estado de Minas: 28/03/2013 

Bebês são fofos e engraçadinhos, mas, por trás das bochechas gorduchas e dos olhos inocentes, há um comportamento surpreendente. Ainda no berço, crianças preferem indivíduos que punem personagens diferentes delas e fazem cara feia para os que, no lugar, oferecem ajuda aos estranhos. A descoberta é de pesquisadores das universidades de Yale e British Columbia e foi publicada em um artigo da revista Plos. De acordo com os cientistas envolvidos, o resultado reforça a importância da socialização ao longo da vida, processo que impede essa característica de se transformar em condutas extremas.
Kiley Hamlin, psicóloga da Universidade de British Columbia que iniciou a pesquisa como aluna de graduação de Yale, esclarece que as conclusões não significam que os seres humanos sejam sádicos por natureza. Na realidade, essa seria uma estratégia de autopreservação. Para os bebês, o mundo é um lugar completamente desconhecido, e agarrar-se aos iguais representa segurança. Da mesma forma, os diferentes podem parecer uma ameaça, o que justificaria o instinto de apoiar indivíduos que punam aqueles que parecem estranhos.
Ao longo da vida, as pessoas continuam com a tendência de preferir os semelhantes. Na prática, o ditado de que “os opostos se atraem” não parece ser verdadeiro, já que a afinidade é o que une os seres humanos. No meio social, sempre se buscam aqueles que compartilham alguma característica ou gosto, como estilo musical, opiniões políticas ou mesmo nacionalidade. Ao mesmo tempo em que cria laços, esse traço inato pode ser perigoso. Quando extremado, se traduz em xenofobia, homofobia e racismo, por exemplo.
Não à toa, Adolf Hitler apelou para a identidade germânica na sua perseguição ao judaísmo. No discurso nazista, os alemães eram os iguais; os judeus, os outros. Embora até hoje historiadores quebrem a cabeça tentando entender como a ideologia seduziu uma das sociedades mais desenvolvidas e cultas da época, boa parte concorda que a propaganda ideológica centrada na unidade nacional e na sensação de pertencer a uma raça, a ariana, foi uma arma fortíssima. O mesmo ocorreu com os integrantes da Ku Klux Klan, organização que começou como resistência sulista nos Estados Unidos e acabou se transformando em um grupo criminoso, em que brancos conservadores se viam no direito de perseguir os negros, que, na cabeça deles, eram o seu oposto.

Teatro de bonecos Para descobrir se a tendência de se unir aos iguais e rejeitar os diferentes tinha raízes na infância, Hamlin realizou experimentos com marionetes, apresentadas a bebês de 9 a 14 meses. Os psicólogos já sabem que, assim como a maioria dos jovens e adultos, os bebês simpatizam mais com heróis do que com vilões. Uma pesquisa anterior constatou que, em desenhos animados, eles preferem personagens que ajudam alguém a subir a montanha aos que puxam o pobre andarilho para baixo. “Mas estávamos interessados em saber se os bebês sempre, universalmente, prefeririam heróis aos vilões. Ou será que suas escolhas dependem de quem está sendo ajudado ou prejudicado? Resumindo, nós pensamos: ‘Será que eles veem o inimigo de seus inimigos como amigos?’”, explica Hamlin.
Antes de os testes começarem, os pesquisadores se informaram sobre as preferências alimentares de seus pequenos participantes. Sabendo se eles gostavam mais de feijão verde ou biscoito doce, os psicólogos passaram à encenação de uma historinha bem simples, protagonizada por marionetes de feltro. Primeiro, um coelho aparecia e agia de forma semelhante ou diferente ao bebê, dizendo “Hum!” ou “Eca!” quando via cada uma das comidas. Depois, as crianças assistiam a outra cena: o coelho brincando com uma bola, que caía de sua mão e ia em direção a dois cachorros. Um deles ajuda o coelho, devolvendo a bola, enquanto o outro faz uma maldade, chutando o objeto para longe.
Terminada a pecinha, os bebês podiam escolher se queriam pegar o cachorro que ajudou ou o que puniu o coelho. O resultado foi um choque. “Fiquei surpresa e meu coração liberal sangrou e afundou como uma pedra quando descobrimos que eles, na verdade, escolhem a marionete que pune a outra que não compartilha de suas preferências”, exagera, em tom de brincadeira, Karen Wynn, professora da Universidade de Yale que orientou o trabalho de Hamlin. A tendência das crianças era escolher o cachorro que ajudou ou puniu o coelho baseadas no gosto desse último: se ele compartilhava das preferências alimentares do bebê, merecia ter a bola de volta; caso contrário, deveria perder seu brinquedo.
Não se sabe exatamente o motivo pelo qual os bebês seguem essa lógica. Kiley Hamlin, contudo, observa que o comportamento, nessa fase, ainda é bastante rudimentar. Segundo a psicóloga, a descoberta não significa que existam explicações biológicas para justificar preconceito contra qualquer tipo de diferença. “Nossa pesquisa demonstra a importância da socialização, porque, em algum momento, esse comportamento básico é suplantado pela aceitação e pelo sentimento de igualdade”, diz.

Uso indevido A psicóloga Lisa Scott, da Universidade de Massachusetts em Amherst, concorda com Hamlin e afirma que estudos como esse não devem ser confundidos com explicações simplistas para comportamentos abomináveis. No ano passado, Scott se viu frustrada quando o resultado de uma pesquisa que ela conduziu foi anunciado por sites sensacionalistas como a descoberta de que bebês eram racistas. O teste, feito com crianças de 9 meses, identificou que os pequenos têm mais facilidade de reconhecer rostos e expressões faciais de pessoas pertencentes ao mesmo grupo étnico, quando elas ainda não têm conceitos raciais formados.
Grupos autodenominados de supremacia branca fizeram a festa com a pesquisa, para o desgosto dos cientistas. “Estudos comportamentais com bebês começaram a ser realizados muito recentemente. No nosso, o que se viu foi que crianças muito pequenas têm mais familiaridade com expressões faciais nos rostos que exibem características físicas semelhantes às delas. Um bebê caucasiano vai identificar com mais facilidade coisas como sorriso ou gesto de dor em um adulto caucasiano. Isso é familiaridade, não é preferência racial”, esclarece. A psicóloga também lembra que pesquisas anteriores demonstraram que, na idade pré-escolar, reconhecer diferenças étnicas entre elas não influencia em nada a forma como crianças entre 3 e 5 anos se relacionam umas com as outras.
Karen Wynn diz que pretende aprofundar o estudo feito em parceria com Kiley Hamlin para verificar se informações sociais, como ver o pai ou a mãe abraçar a marionete que tem gostos diferentes dos seus, é suficiente para que o bebê mude de opinião sobre a punição do boneco. De acordo com ela, seria interessante descobrir meios de ensinar a bebês e crianças muito pequenas que, mesmo quando se parece diferente, existem semelhanças entre todos. Hamlin concorda: “Crianças têm empatia, mas esse sentimento parece limitado a certos indivíduos, assim como ocorre entre adultos. Se, desde cedo, pudermos mostrar que todos são iguais, isso pode, por exemplo, diminuir o bullying nas escolas”, acredita.

Noção de justiça vem antes da prática


Elas sabem que precisam dividir os brinquedos com os amiguinhos, mas não levam isso tão a sério até ficarem mais velhas. Em outro estudo que investigou o comportamento infantil, pesquisadores da Universidade de Michigan constataram que os pequenos, mesmo cientes das regras sociais, não se importam de passar por cima delas. Apenas depois dos 7 anos é que as crianças começam a colocar em prática o que pais e professores ensinam desde cedo: partilhar é preciso.
Em uma série de experimentos realizados com crianças de 3 a 8 anos, os pesquisadores constataram que, a partir dos 36 meses de vida, meninos e meninas têm a clara noção de que não podem ficar com tudo só para eles. “Crianças bem pequenas têm um entendimento sofisticado de justiça. No segundo ano de vida, elas esperam que duas pessoas recebam quantidades iguais de determinada coisa fornecida por um terceiro indivíduo”, diz o artigo. Na prática, contudo, a reação é bem diferente. “Apesar dessa compreensão precoce de igualdade e justiça, os mais novos têm um comportamento autocentrado quando são eles que devem dividir”, constataram os autores.
No estudo, os psicólogos usaram o jogo do ditador, um clássico nas pesquisas comportamentais e econômicas. O teste consiste em realocar recursos para pessoas que o participante nunca viu na vida. No jogo adaptado ao público infantil, o dinheiro foi trocado por adesivos. As crianças receberam as cartelas e foram avisadas que os objetos pertenciam a elas, e não aos examinadores. Dessa forma, os psicólogos quiseram ter certeza de que os pequenos desenvolveriam um sentimento de posse.
Para checar se a noção de justiça e igualdade se aplicava em todas as situações, os pesquisadores dividiram os participantes em grupos, distribuíram tarefas e, no fim, perguntaram aos donos dos adesivos se e com quanto cada criança deveria ser recompensada por seus esforços. Além disso, eles precisavam dizer se acreditavam que os outros participantes que possuíam cartelas iriam partilhá-las com os demais membros do grupo. A ideia era avaliar a compreensão da justiça e, no caso de as crianças demonstrarem que entendiam o conceito, checar se elas o colocariam em prática quando eram as donas do objeto a ser dividido.

Dilema Os psicólogos constataram que, nas faixas dos 3 aos 6 anos, os pequenos diziam uma coisa, mas faziam outra. Eles concordavam que os adesivos deveriam ser usados para recompensar as crianças que se esforçaram durante as tarefas. Desde que isso não ocorresse no grupo em que estavam chefiando. Quando perguntadas se iriam distribuir suas próprias cartelas entre os coleguinhas que trabalharam para elas, as crianças pequenas não quiseram partilhar, embora achassem justo que os outros donos de adesivos fizessem a distribuição. A postura só mudou entre os participantes de 7 e 8 anos. Nesses casos, o discurso casou com a prática.
Os autores afirmam que crianças pequenas entendem e aceitam que a distribuição igualitária é apropriada. Mas desejam tanto ficar com os brinquedos só para elas que, diante do conflito, dão um peso maior a essa vontade, em detrimento das normas sociais. Contudo, ao longo do desenvolvimento, elas passam a fazer o contrário, pois compreendem que, em situações reais, as regras são importantes e precisam ser seguidas, ainda que o façam de coração partido. (PO)

DIREITOS HUMANOS » Crise é 'besteira' da imprensa, diz pastor‏

DIREITOS HUMANOS » Crise é 'besteira' da imprensa, diz pastor
Ainda sob pressão, Feliciano reafirma que não renunciará e nega que protestos contra ele afetem trabalhos da comissão
 



Alessandra Mello

Estado de Minas: 28/03/2013 

O deputado pastor Marco Feliciano (PSC-SP) reafirmou ontem que não pretende em hipótese nenhuma renunciar à Presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara. Ele garantiu que não existe crise no colegiado e que tudo não passa de “besteiras” dos jornalistas. "Já fizemos duas sessões, e na primeira votamos toda a pauta. Na segunda, só fui impedido por causa do tempo”. Ele disse ainda que nem o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), nem o colégio de líderes podem interferir na sua decisão de permanecer no cargo. Apesar de o PSC ter anunciado na terça-feira que mantém o apoio ao pastor, em meio a pressões para que ele renunciasse, líderes partidários ainda buscam uma brecha para destituí-lo da presidência do colegiado.

 "Não renuncio de jeito nenhum. O que os líderes podem fazer com a minha vida? Eu fui eleito pelo voto popular e pelo voto do colegiado", disse o pastor. Pelo Regimento Interno da Câmara, os integrantes das comissões fixas e temporárias só podem ser afastados se não comparecerem a reuniões seguidas.

Ontem pela manhã Feliciano esteve na sede da Embaixada da Indonésia para entregar um pedido de clemência a favor de dois brasileiros condenados à pena de morte por tráfico de drogas naquele país. Indagado se era o momento oportuno de fazer esse tipo de apelo, em razão da crise na comissão, o pastor se irritou. "Essa é uma pergunta estúpida. E lá existe tempo para fazer pedido de clemência?", questionou. Em seguida, dirigindo-se aos jornalistas, prosseguiu: "Vocês estão ultrapassando o meu limite de espaço. Estou aqui por um assunto sério e vocês estão de brincadeira".

A ascensão de Marco Feliciano ao comando da CDHM divide opiniões. De um lado, ativistas da causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) e defensores dos direitos das minorias protestam contra sua escolha, acusando-o de racismo e homofobia. De outro, conservadores e evangélicos defendem sua permanência no cargo e acusam os contrários de perseguição religiosa e de querer implantar uma “ditadura gay” no Brasil.

No meio desse turbilhão, quem perde é a comissão e seus representados, já que desde a eleição do pastor, no início do mês, nenhuma reunião da CDHM foi levada a cabo. Quem ganha é Feliciano, alçado de uma hora para a outra ao posto de líder conservador, suplantando até mesmo o também integrante do colegiado deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), até então um dos mais polêmicos protagonistas de ataques verbais considerados de cunho racista e homofóbico no Congresso Nacional e que tem cerrado fileira ao lado do pastor.

 Com tanto palanque a seu dispor, Feliciano já sonha com voos mais altos: quer ser candidato do PSC a presidente da República em 2014. Mesmo que a ideia da candidatura ao Palácio do Planalto não vingue, o partido dá como certa a reeleição do deputado para a Câmara com votação maior do que a de 2010, quando obteve 211 mil votos e foi o parlamentar da bancada evangélica mais bem votado no Brasil.

Pastor da Assembleia de Deus e líder de 13 igrejas do Ministério Templo do Avivamento, criado por ele no interior de São Paulo em 1997 e já com sedes em vários estados, Feliciano é acusado de racismo pelo Ministério Público por causa de uma declaração considerada ofensiva aos homossexuais publicada em seu perfil no Twitter, no início do ano. O inquérito foi levado ao Supremo Tribunal Federal, mas a ação ainda não foi acatada. (Com agências)

Mistura fina [Selo Putumayo] - Eduardo Tristão Girão

Selo Putumayo completa 20 anos de atividade com mais de 200 títulos em catálogo. Série reúne nomes de ponta e artistas pouco conhecidos de várias regiões do mundo 


Eduardo Tristão Girão

Estado de Minas: 28/03/2013 

Até a criação do selo norte-americano Putumayo, que este ano completa duas décadas, não havia aparecido outra companhia que soubesse vender tão bem o peixe da world music e fazer dela um negócio rentável e de grande apelo popular. Sim, seus discos são coletâneas, mas talvez a palavra seja um tanto redutora, pois a produção é esmerada, a começar pelas belas capas, coloridas, atraentes e com identidade própria. Já a seleção musical prima por mesclar nomes consagrados e talentos pouco conhecidos em torno de países, gêneros musicais e temas variados (ioga, Natal, música das terras do café etc.).

Nos anos 1970, Dan Storper, um dos seus fundadores, viajou pela América do Sul e, na volta, resolveu abrir em Nova York um loja para vender artesanato e roupas trazidos da Bolívia, Peru, Equador e Colômbia (onde há um rio e um estado chamados Putumayo). A música tomou maior importância no negócio e, com Michael Kraus, ele criou o selo e decidiu apostar exclusivamente nos discos. Começaram com dois volumes de temas bem genéricos e, hoje, o catálogo conta com pouco mais de 200 títulos, somando pelo menos 20 milhões de cópias vendidas – pelo menos 70 álbuns já ultrapassaram as 100 mil cópias cada.

“Acredito que nossa maior contribuição para o mercado fonográfico foi a sensibilização da música (e da cultura) de além das fronteiras da maioria dos países e a contribuição para o crescimento das vendas de música internacional”, afirma Dan Storper. Vale ressaltar que ele não usou o termo “world music”, mas “international music”. “World music começou simplesmente como um termo para ajudar a identificar música de outras culturas nas lojas de disco. Não tem significado claro ou real fora disso. Costumo usar música internacional quando me refiro à musica de fora dos Estados Unidos”, completa.

Entretanto, é essa expressão – world music – que ainda aparece estampada como logomarca nas contracapas dos discos do selo, acompanhada pela frase “Guaranteed to make you feel good”, algo como “Garantido que vai fazer você se sentir bem”. Essa é uma das chaves para compreender os critérios de escolha de cada repertório. Embora contemplem os mais diferentes artistas do mundo, os discos têm exclusivamente faixas com apelo melódico, sejam canções ou temas instrumentais. Além disso, quase sempre são músicas vibrantes e alegres. Nunca para curtir fossa.

“Geralmente, as músicas têm de estar enraizadas numa tradição, mas com melodia atraente, vocal forte e qualidade de produção. Escolhemos temas muitas vezes com base em sugestões de clientes e de nossos funcionários, mas também com base no que tenho escutado e que parece poder fazer parte de uma boa coletânea”, explica Dan. Para auxiliá-lo nesse tarefa, ele conta com a colaboração do etnomusicologista Jacob Edgar. Feita a seleção, encarte caprichado é preparado (incluindo fotos e perfis dos artistas) e uma bela capa é pintada pela artista Nicola Heindl.

Expansão
“CDs com capas chamativas muitas vezes são os mais vendidos. Funcionam bem como presentes e, com uma capa forte, título atraente e música muito boa, formam pacote atraente”, analisa. Com tanta estratégia, não é de espantar que a Putumayo venha não apenas realizando bom trabalho com a world music, mas também ampliando seu público. “Nosso ouvinte é mais ou menos o mesmo de 20 anos atrás, os chamados ‘criativos culturais’, gente acima dos 40 anos que viaja e tem curiosidade pelo mundo, apesar de estarmos ampliando nossa audiência com coletâneas norte-americanas de blues e jazz”, diz.

Some-se a esse panorama a aposta do selo no público infantil, com a série Putumayo Kids, pelo qual já foram lançados títulos de rock, canções de cowboy e música de países europeus, por exemplo – entre os próximos lançamentos está Latin playground. “Uma vez que tenho um filho de 7 anos, a música para crianças tornou-se importante para mim. Elas podem aprender sobre o mundo de várias maneiras, mas pela música de outras culturas elas podem ter visão mais ampla e positiva de povos de outras partes do mundo”, observa.

Para este ano, adianta Dan, o selo prepara vários lançamentos, incluindo reedições atualizadas (com músicas extras) e séries comemorativas com discos que funcionarão como retrospectiva (África, América Latina e Caribe são algumas). O Brasil está nessa programação com os títulos Women of Brazil e a reedição de Brazilian beat. “No caso do Brasil, há apelo global para MPB, groove e até mesmo reggae brasileiro. Claramente, o mundo ama a música brasileira”, avalia Dan Storper. As músicas feitas atualmente no Mali, Cabo Verde e Brasil estão hoje entre as favoritas do produtor.


Em todo lugar

Entre os brasileiros que já tiveram músicas gravadas em coletâneas da Putumayo, o gaúcho Márcio Faraco está entre os mais frequentes, com quatro canções. Radicado na França desde os anos 1990, ele foi pinçado pelo selo quando ainda não havia lançado um disco sequer. “A Putumayo tem alcance muito grande e no mundo todo. Mesmo quando estava como contratado da gravadora Universal minha música não chegava a todo lugar. As pessoas me escrevem muito e sempre falam que me ouviram nesses discos”, afirma o artista. Mais recentemente, teve sua canção Na casa do seu Humberto escolhida para o disco Brazilian Café (2009).

Latin Jazz
Neste casamento de elementos norte-americanos e talento latino, a apurada seleção de músicos chama a atenção, com nomes como Machito, Tito Puente, Eddie Palmieri e Poncho Sanchez.

Brazilian café
Rosa Passos, Djavan e Teresa Cristina já valeriam o disco, mas são os menos conhecidos que a cereja do bolo. Destaque para a ótima versão de Vumbora amar, clássico do axé 1990 apresentado por Alexandre Leão.

Paris
Cumpre bem o que promete ao entregar seleção de 12 faixas que revigoram a canção francesa, incluindo a participação da ex-primeira-dama do país Carla Bruni.

Tribute to a reggae legend
São 12 temas de Bob Marley regravados por artistas de diferentes países, incluindo a brasileira Céu, que canta boa versão de Concrete jungle. No woman no cry na voz de refugiados africanos emociona.

Rythm & blues
Excelentes canções de artistas de várias gerações do gênero. Entre os mais jovens, merece atenção a talentosa mistura de r&b e jazz feita pela The Quantic Soul Orchestra e Kabir em Who knows.

Mali
Mali é um dos países africanos mais interessantes do ponto de vista musical e este disco oferece primorosa seleção de músicas que margeiam o pop e a música tradicional.

Music from the tea lands
Assim como os discos que reúnem países que plantam café e produzem vinho, este volume, centrado no chá, é inusitada junção de talentos vindos da Indonésia, Paquistão, China e Rússia, entre outras nações.

Greece: A musical odissey
Não há como compreender uma única palavra das canções, mas essa vibrante seleção cairia como uma luva para aquele típico jantar com quebra de pratos. Sem ser enfadonho ou repetitivo.

Acoustic Brazil
Com Gal Costa e Lucas Santtana, Caetano Veloso e Lula Queiroga, Chico Buarque e Rita Ribeiro, novamente uma coletânea brasileira brilha por reunir artistas de dimensões distintas. E sem hits.

French caribbean
Em se tratando de música alegre e dançante, poucos títulos batem esse, com artistas residentes na Martinica, Haiti e Guadalupe. Entre os gêneros contemplados estão zouk, compas e beguine.

Tv Paga

Estado de Minas -28/03/2013

Pisa fundo

O assinante apaixonado por carros não pode perder a edição desta noite de Mega máquinas, às 20h30, no NatGeo. O episódio inédito do programa vai ser dedicado ao Gumpert Apollo Enraged (foto), que custa a bagatela de US$ 1 milhão. É um dos carros mais rápidos do planeta e um dos mais exclusivos. Ele é feito à mão na Alemanha, usando alguns dos mais modernos componentes de corrida. Roland Gumpert, o fundador da empresa, está contando com estas vendas para manter sua empresa viva. Quem se habilita?

Surfistas encerram sua
viagem no arroio Chuí


No canal Off, às 21h30, vai ao ar o último episódio de Custo zero. Os surfistas e designers Bernardo Sodré e Zé Tepedino se despedem do Uruguai apreciando a bela paisagem do Forte de Santa Teresa, até chegar ao Arroio Chuí, onde doam o carrinho de bambu que restou e Bernardo surfa as últimas ondas da viagem. Mais tarde, às 23h, a emissora exibe o documentário Born to skate, que acompanha os amigos Sebastian Linda e Chris Heck em um giro por Los Angeles para encontrar alguns dos melhores skatistas do mundo, como Willow, Jürgen Horrwarth e AJ Burnett.

Cultura exibe mais um
clássico de Hollywood

Um dos clássicos do cinema mundial, com a assinatura do genial Orson Welles, o suspense A marca da maldade é a atração desta noite do Clube do filme, às 22h, na TV Cultura. Charlton Heston interpreta um agente da DEA mexicano envolvido numa investigação de assassinato, enquanto estava em lua de mel numa cidade americana da fronteira. Seu envolvimento provoca a ira de um chefe de polícia corrupto (Welles), que tenta enquadrar a noiva de Heston no tráfico de drogas. A produção tem ainda no elenco com as presenças luminosas de Janet Leigh, Akim Tamiroff e a diva Marlene Dietrich.

TNT continua mostra
de desenhos da Pixar


Na TNT, o bloco Pixarmania está especial hoje. Para começar, o canal emenda os curtas For the birds, O novo carro do Mike e Dug’s special mission, às 17h40. Mais tarde, às 22h, é a vez do longa-metragem Wall-E, ganhador do Oscar em 2009. E para completar, mais um curta, Burn-E, às 23h50. Na concorrida faixa das 22h, o assinante tem pelo menos oito boas opções: My little princess, no Max; Giallo – Reféns do medo, no AXN; O terceiro olho, na MGM; Maldita sorte, no FX; Rede de mentiras, no Space;72 horas, na HBO2; Sherlock Holmes – O jogo de sombras, na HBO HD; John Carter – Entre dois mundos, no Telecine Premium. Outras atrações da programação: O sequestro do metrô 1 2 3, às 20h, no Universal Channel; e Amigas com dinheiro, às 21h, no Comedy Central.

Três receitas caseiras
que dão água na boca


Sabe qual a receita de hoje de Cozinha caseira, às 22h30, no canal Bem Simples? Carole Crema e chefs como Bárbara Verzola e Marina Hernandez ensinam a fazer pão de três queijos, ragu de linguiça ao vinho tinto e bananada.