segunda-feira, 1 de abril de 2013

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Medicamentos ganham código de barras bidimensional para dificultar fraudes

DE SÃO PAULO

REMÉDIO RASTREADO
Todos os medicamentos fabricados no Brasil passarão a sair de fábrica com um código de barras bidimensional. Em discussão na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior desde 2008, a chamada "norma da rastreabilidade" será publicada nesta semana. Vai ser definido um prazo para que a indústria se adapte à nova determinação.
REMÉDIO RASTREADO 2
O código de barras e pontos visa deixar os medicamentos menos vulneráveis à fraude. Deverão constar em cada caixa de remédio uma sequência de 13 números, mais o número do lote e a data de validade.
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Os objetivos são dificultar falsificação, facilitar recolhimento de lotes com problemas e evitar evasão fiscal.
ENERGIA LIMPA
Segundo estudo da Secretaria Estadual de Energia, São Paulo tem potencial para gerar 12 terawatts/hora (TWh) por ano de energia solar, considerando apenas a melhor faixa de incidência do sol anual. O que seria suficiente para abastecer aproximadamente 4,5 milhões de residências em um ano.
ENERGIA LIMPA 2
O dado faz parte de um levantamento que será lançado na quarta-feira pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e pelo secretário José Aníbal, durante a abertura do Seminário Internacional sobre Biomassa, Biogás e Eficiência Energética.
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Representantes de Áustria, Alemanha, África do Sul, EUA, Canadá e China participarão do evento no Palácio dos Bandeirantes.
TERRA NOSTRA
Barbara Berlusconi, filha do ex-premiê italiano Silvio Berlusconi, confirmou presença na programação VIP da SP-Arte nesta semana. Namorada do jogador Alexandre Pato, a italiana é fundadora da galeria Black Card Box, em Milão. Ela terá acesso preferencial a uma série de atividades da feira de arte, como visitas a ateliês e a exposições acompanhadas de curadores, jantares e festas.
SHOW
Levemente inspirada no Super Bowl, final do torneio de futebol americano, a Confederação Brasileira de Voleibol contratou Ulysses Cruz, que já dirigiu o "Criança Esperança" (Rede Globo), para transformar as finais da Superliga de vôlei em um megaevento esportivo.
SHOW 2
Intitulada "Isso É Vôlei", a iniciativa visa tornar os campeonatos mais atrativos para patrocinadores e televisão. Diferentemente do evento americano, porém, não haverá apresentações musicais. A ideia é criar gincanas e promoções para engajar o público.
PRONTA PARA O BIQUÍNI
Jorge Bispo
A atriz Tainá Muller, que faz parte do elenco da novela "Flor do Caribe"
A atriz Tainá Muller, que faz parte do elenco da novela "Flor do Caribe"
Tainá Muller, na foto com Polaroid, gata do fotógrafo, entra nesta semana na novela das seis da Globo, "Flor do Caribe". Para o papel de Ludmila, a atriz aparecerá muito de biquíni e resolveu emagrecer três quilos. "Fiz uma dieta detox . Cortei glúten, lactose, café. Foi difícil", diz.
Neste ano ela também estará nos cinemas com o filme "As Fantásticas Aventuras de Um Capitão", de Marcos Jorge.
EUROPEUS SATYROS
A cantora Neneh Cherry e os diretores Susane Osten e Roy Anderson foram assistir às apresentações do grupo de teatro paulistano Satyros, em temporada na Suécia. A trupe negocia com o grupo sueco Darling Desperados uma produção para o teatro e outra para o cinema.
CONTAR A HISTÓRIA
Único entrevistado do documentário "Falcão - Meninos do Tráfico" (2006) que ainda está vivo, Sérgio Teixeira, 27, escreve o livro "Fortalece" para a editora Favela Objetiva. E MV Bill, que dirigiu "Falcão" junto com Celso Athayde, também publicará pelo selo "CDD até a UPP", sobre a chegada da Unidade de Polícia Pacificadora à Cidade de Deus, no Rio.
AGORA VAI
Gal Costa, que teve problemas na voz e cancelou em cima da hora sua participação na Virada Cultural Paulista do ano passado, está escalada para a edição deste ano. Cantará fora da capital, em duas cidades participantes do evento, que acontece em 25 e 26 de maio.
NA CAMA COM PALOMA
A atriz Paloma Duarte vai viver a sua primeira vilã na tevê. Será Doroteia Ascar na novela "Pecado Mortal", estreia de Carlos Lombardi na teledramaturgia da Record.
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Na história passada nos anos 1970, ela será uma ninfomaníaca cérebro de uma família de bicheiros. "O papel é uma delícia e promete."
TELAS MÚLTIPLAS

Artistas comparecem à inauguração da galeria Carbon

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Zanone Fraissat/Folhapress
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A galerista Myra Babenco
A galeria Carbono, especializada em múltiplos, abriu as portas no Jardim Paulista. Os artistas Paulo Pasta, Nino Cais e Caetano de Almeida foram conferir o espaço. A galerista Myra Babenco e Fernanda Arruda circularam pelo vernissage.
ANTES DE O COELHO CHEGAR

Famosos vão à festa da revista "Billboard Brasil"

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Avener Prado/Folhapress
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Derrick Green, vocalista da banda Sepultura, foi à festa da revista "Billboard Brasil", na quinta-feira (28), no hotel Unique
A revista "Billboard Brasil" festejou sua reformulação com show da banda Passion Pit, no hotel Unique, na véspera do feriado. Derrick Green, vocalista do Sepultura, a modelo Michella Cruz, o VJ da MTV Didi Effe e o empresário Facundo Guerra estavam entre os convidados do evento.
CURTO-CIRCUITO
Frei Betto lança "Aldeia do Silêncio", amanhã, às 19h30, no Itaú Cultural.
A Ovo faz mesa-redonda sobre design e arquitetura, às 19h, no teatro Eva Herz.
O coletivo de bandas de sopro Movimento Elefantes apresenta o show "Projeto Coisa Fina", hoje, às 21h, no Centro Cultural Rio Verde, na Vila Madalena. Classificação etária: 18 anos.
com ELIANE TRINDADE (colaboração), ALBERTO PEREIRA JR., JOELMIR TAVARES e LÍGIA MESQUITA
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

Com belas imagens, "Corteo"[Cirque du Soleil] une onírico e tradição circense

folha de são paulo

CRÍTICA CIRCO
Com belas imagens, "Corteo" une onírico e tradição circense
KATIA CALSAVARACOLABORAÇÃO PARA A FOLHACom uma proposta teatral e onírica, a trupe canadense Cirque du Soleil traz ao Brasil o espetáculo "Corteo" (que significa "cortejo", em italiano), criado em 2005, em Montréal. É a quinta vez que a companhia excursiona pelo país, o que começa a dar ao público brasileiro uma dimensão mais global de seu trabalho.
O que "Corteo" teria de diferente dos outros espetáculos já apresentados por aqui ("Saltimbanco", "Alegría", "Quidam" e "Varekai")?
A experiência cênica do diretor ítalo-suíço Daniele Finzi Pasca, da companhia Teatro Sunil, reflete-se em uma profícua criação de belas imagens. O talento de Finzi Pasca já foi conferido algumas vezes no Brasil em peças elogiadas como "Donka - Uma Carta a Tchekhov" e "Ícaro".
Em "Corteo", Pasca foca nos delírios de um palhaço em seu leito de morte para conduzir os números circenses. A cena inicial, que mostra o personagem rodeado de pessoas que fizeram parte de sua vida, dá a dimensão onírica que irá permear todo o show. Não faltam camas, bicicletas e anjos, todos voadores, é claro, nessa espécie de celebração da vida.
Seguem a partir daí números que não podem faltar em qualquer espetáculo circense -trapézio, malabares, corda-bamba, liras, bailarinos e outros. Ainda no início, quatro mulheres dançam em lustres imensos, em uma das imagens mais marcantes de "Corteo".
No entanto, se a proposta é focada no sonho clownesco, a presença desse personagem se perde no decorrer do espetáculo. Espera-se mais números de palhaço, o que não acontece. Falado em italiano, inglês, francês e português, por vezes fica difícil compreender nossa língua. Ainda bem que as imagens falam por si mesmas.
O casal de anões artistas Valentyna e Grigor Pahlevanyan rouba a cena em momentos, como quando balões gigantes conduzem a graciosa Valentyna às mãos do público.
O cenário e o palco em 360 graus favorecem o clima de encantamento idealizado por Finzi Pasca. Agora, os brasileiros já sabem que a fórmula certeira do Cirque precisa de um toque a mais para se renovar. Basta esperarmos por "Ovo", da brasileira Deborah Colker, previsto para 2015.

    Keila Jimenez

    folha de são paulo

    ANÁLISE
    Novidades da TV aberta não passam de 'mais do mesmo'
    KEILA JIMENEZCOLUNISTA DA FOLHAA Globo até que tentou instigar o telespectador com o seu mantra da vez: o "vem aí". Mas o jogral com seu elenco para apresentar novas atrações do ano, na semana passada, mostrou que o "viria aí" na verdade já veio.
    O "Jornal Nacional" da noite da última quinta convidou o público para conhecer "os segredos da programação de 2013" em um especial com uma bela embalagem, mas oco de novidades. E quais seriam esses segredos? A mais do que divulgada contratação de Marcelo Adnet?
    Até o novo comentarista esportivo do canal, o ex-jogador Ronaldo, já esteve na Globo no ano passado, como cobaia do reality/spa que se tornou o "Fantástico".
    Talvez o segredo em questão fosse o depoimento de Thammy Miranda, filha da cantora Gretchen, que contou a Pedro Bial no palco do especial que foi exorcizada por evangélicos, a pedido de sua mãe, para que ela deixasse de ser gay.
    Pois o segredo de Thammy, nova atriz da Globo, há de ser mantido distante do grande público, pois foi editado pelo canal e acabou não indo ao ar no show de retroalimentação que foi o do "Vem Aí...".
    Sem o glamour do lançamento da líder de audiência, a Record também anunciou a sua programação de 2013, com direito a "déjà-vu" até em suas promessas.
    A rede repetiu que alcançará a Globo em audiência em até cinco anos. Carlos Lombardi, ex-global, engorda o time de dramaturgos da Record, que segue apostando em produções bíblicas.
    No entanto, sai o Egito "made in" RecNov (estúdios da Record no Rio) e entra a série americana "The Bible" (a Bíblia), sucesso de audiência nos EUA, a mais nova aquisição do canal.
    Na Band, Dani Calabresa no "CQC", o novo reality de Adriane Galisteu, "Quem Quer Casar com Meu Filho?" e o game "Quem Quer Ser Um Milionário?", de José Luiz Datena, revelam-se as únicas apostas do ano.
    E na onda do mais do mesmo, a TV Cultura reedita um game show dos anos 1980, o "Quem Sabe, Sabe!".
    Já o SBT preferiu não alardear as atrações de 2013: nada de chamadas, festas nem especial na televisão para anunciar mais filmes e séries enlatadas, mais novelas mexicanas e uma espécie de sequência de "Carrossel", a versão da novelinha infantil "Chiquititas".
    O "vem aí" de Silvio Santos foi bem mais honesto.

      Luiz Felipe Pondé

      folha de são paulo

      O gozo da pulsão de morte
      O que está em jogo é torturar quem não parece estar enquadrado no jogo da pureza moral
      Pense na Dinamarca. País perfeito, que, junto de Suécia, Noruega e Islândia (um dos lugares mais fascinantes em que já estive justamente porque é no fim do mundo e ninguém normal vai para lá), forma o paraíso na Terra para essa gente do "queremos um mundo melhor".
      A chave para entender esses belos países não é o que gente mal informada acha que é, a saber, seu altíssimo grau de civilização e "consciência social" (em mil anos, termos como esse soarão como hoje soa "raça ariana superior"), mas, sim, seu altíssimo grau de prazer em reprimir tudo que não seja norma e de torturar todos que parecerem estar fora dela (dito de modo psicanalítico, um enorme gozo da pulsão de morte a serviço da repressão e humilhação moral).
      O luteranismo puritano do passado escandinavo se transformou na repressão terrível em nome de "sua santidade" o politicamente correto, seja ele ecológico, social, sexual, cultural, ou que diabo for.
      O que está em jogo é torturar quem não parece estar enquadrado no jogo da pureza moral. O cinema de Ingmar Bergman, Lars von Trier e Thomas Vinterberg, por exemplo, é um testemunho claro desse gozo mórbido pela hipocrisia do amor à norma.
      Mas seria injusto passar a conta para os escandinavos. Nós todos gozamos em torturar quem cai na desgraça de ser um herege. O ódio nos move mais do que o amor, e, antes de tudo, odeio o racista mais do que amo sua vítima de racismo.
      Adoramos humilhar, perseguir, destruir homens e mulheres, porque supostamente feriram códigos. Mas a maioria de nós não está nem aí para os códigos. Gosta, sim, de ver o desgraçado reduzido a lixo.
      Somos inquisidores natos, prontos a babar em cima da primeira vítima que surgir, principalmente a "moçadinha" por um mundo melhor.
      Por isso, na Idade Média levavam as crianças para o programa de domingo, que era ver infelizes arderem. E você, caro leitor, que talvez se ache o máximo, provavelmente levaria o seu filho também para cuspir no herege. Quer ver: o que você acha do pastor Feliciano? Ou de algum machista nojento? Ou de padre pedófilo? Merecem um xingamento básico? Quem sabe, ovo podre? Bruxa e gay hoje não são mais hereges, são parte do status quo "cabecinha".
      Por falar em Vinterberg, veja o maravilhoso "A Caça", com o excelente Mads Mikkelsen (o mesmo do "Amante da Rainha") no papel principal de um professor de jardim de infância injustamente acusado de pedofilia por uma aluna.
      O filme deveria ser passado nas escolas de magistratura, nas faculdades de psicologia, pedagogia, serviço social e outros quebrantos.
      Tudo nele é sofisticado e a serviço de desmascarar o inquisidor que existe em nós. O erro da "moçadinha" para um mundo melhor é não entender que, para descobrir o inquisidor babão em si mesmo, a chave não é pensar em "vítimas oficiais de preconceito", mas sim em quem você odeia por razões que você considera justas.
      A questão do filme não é negar o horror da pedofilia (vamos esclarecer antes que algum inquisidor comece a babar em cima de mim), mas, sim, mostrar como funciona nossa velha natureza humana em seus novos objetos de gozo mórbido moral.
      A menina, Klara, tendo sido "recusada" em seu amor pelo professor Lucas (Mikkelsen) -ela o beija na boca-, vinga-se dizendo para a diretora da escola (esse ser quase sempre pronto para abraçar qualquer moda, mesmo as modas de horror como a pedofilia) que ele tinha mostrado seu órgão sexual para ela.
      Daí, claro, segue-se o "normal": um especialista acaba por dar a bênção "científica" para a acusação de pedofilia contra o inocente Lucas. Ele segue a cartilha de que as crianças nunca mentem e quando negam o suposto abuso é porque estão envergonhadas. De repente, todas as crianças dizem terem sido abusadas.
      Por isso, de nada adianta o arrependimento de Klara, que tenta negar o que disse mil vezes (e ela o faz várias vezes, mas nenhum adulto acredita nela). Todos "cospem" em Lucas: amigos e suas mulheres, colegas de trabalho, ex-mulher, quitandeiros.
      Teste sua alma de inquisidor: o que você faria se acusassem o professor de sua filhinha de pedofilia?