quinta-feira, 4 de julho de 2013

Mônica Bergamo

folha de são paulo

Campanha pelo fim do voto secreto dos parlamentares tem mais de 43 mil adesões

Só na manhã de quarta-feira (3), 9.000 pessoas mandaram e-mails para os líderes de partidos no Senado pedindo o fim do voto secreto dos parlamentares em plenário. Desde segunda, quando a ONG Avaaz lançou a campanha na internet, foram mais de 43 mil adesões.
DOIS LADOS
A notícia é boa para Dilma Rousseff, que apresentou a proposta do fim do voto secreto. Na outra ponta, a mesma Avaaz mantém uma lista que pede o impeachment da presidente. Ontem, o "Fora Dilma" já tinha 365 mil assinaturas.
NO CHÃO
O Ministério Público do Rio de Janeiro se movimenta para abrir inquérito contra as empresas do empresário Eike Batista.
NO AR
O ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) está convencido de que Joaquim Barbosa, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), será candidato à sucessão de Dilma Rousseff. Já disse isso a mais de um interlocutor.
NO AR 2
Barbosa repete sempre que não tem a menor vontade de disputar a eleição.
NO AR 3
E o ex-presidente do STF Carlos Ayres Britto já está agendando novo encontro com Marina Silva, pré-candidata à Presidência. Os dois conversaram no sábado, o que alimentou rumores de que ele pode ser vice numa chapa liderada por ela.
NO AR 4
Britto nega. "Somos muito amigos, já que, no STF, eu sempre defendi causas de minorias. Marina tem a visão de conjunto penetrante que aquelas pessoas limpas de propósito têm. Vamos nos encontrar muitas vezes ainda. Mas são conversas que passam longe de candidatura. Ela sabe que não pretendo voltar à vida pública."
NO AR 5
Ministros de Dilma Rousseff não tinham a menor ideia do que ocorria com o presidente Evo Morales, da Bolívia, na madrugada de ontem, quando o avião dele foi proibido de sobrevoar vários países europeus e presidentes latino-americanos protestavam no Twitter. Embora ainda acordados às 2h, estavam mais preocupados, por exemplo, com a greve de caminhoneiros no Brasil. "Já temos nossos próprios problemas", diz um integrante do primeiro escalão.
NO MAR
O ex-ministro Luiz Furlan foi convidado para integrar a Global Ocean Comission, ao lado de Pascal Lamy, da OMC, José Maria Figueres, ex-presidente da Costa Rica, Trevor Manuel, da África do Sul, e do ex-ministro britânico David Miliband. A organização tem como objetivo propor soluções para resolver problemas como a pesca em excesso, danos à biodiversidade e uma forma de governança dos oceanos.
CURTE E COMPARTILHA
Pedro Bial e José Serra foram ao lançamento do livro "O Jugo das Palavras", de Artur da Távola, no Rio. As atrizes Malu Mader, Cláudia Abreu, Julia Lemmertz e Betty Gofman leram trechos da obra no evento. O escritor Zuenir Ventura e a mulher, Mary, e o cineasta Breno Silveira, acompanhado de Paula Fiúza, compareceram à Livraria da Travessa.

Pedro Bial e José Serra vão a lançamento de livro

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Cristina Granato
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O jornalista Pedro Bial e o ex-governador de São Paulo José Serra estiveram no lançamento do livro "O Jugo das Palavras", de Artur da Távola, no Rio
NO FOGO
A associação Procure Saber, que reúne artistas como Roberto Carlos, Milton Nascimento e Erasmo Carlos, ganhou esse nome por causa de Gilberto Gil. Há alguns anos, ele trabalhava com um músico que falava mal de Deus e todo mundo. Certa vez, irritado, Gil disse: "E o seu pai?". E o músico: "O que tem ele?". E Gil, misterioso: "Procure saber. Procure saber". Virou bordão.
À MESA
E a equipe de Roberto Carlos destacou um cozinheiro para preparar as refeições dele em Brasília, onde o cantor esteve ontem para acompanhar a votação do projeto de direitos autorais. O hotel onde o cantor ocupou uma suíte presidencial providenciou só talheres, pratos, bandejas e garçons. A equipe do rei levou até os ingredientes.
VOU DE TÁXI
"Tim Maia", que está sendo rodado no Rio, vai ter sequências também em SP. O diretor Mauro Ventura pretende ambientar cenas no bairro de Higienópolis e também no centro. John Ventimiglia, que já integrou o seriado "Os Sopranos", vai fazer participação especial como um motorista de táxi.
CORTE E COSTURA
A exposição "Tenet (Tecendo na Net)" foi aberta na segunda. Marta Meyer é uma das curadoras da mostra, que reúne trabalhos de artistas como Paula Yne. O designer Ronald Kapaz e a artista plástica Cristiana Pereira Barreto foram ao museu A Casa, em Pinheiros.

Mostra de arte têxtil é aberta em Pinheiros

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Zanone Fraissat/Folhapress
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A artista Paula Yne é autora de uma das peças expostas na mostra "Tenet (Tecendo na Net)", aberta na segunda (1º)
CURTO-CIRCUITO
Márcio Elias Rosa, procurador-geral de Justiça de SP, ganhou placa de reconhecimento de sua equipe pelo trabalho contra a PEC 37.
No Theatro Municipal, tem início nesta quinta-feira (4) a temporada de "A Sagração da Primavera", com o Balé da Cidade, às 20h. 7 anos.
Fiuk canta nesta quinta-feira (4) com Buchecha na Outlaws, nos Jardins, às 23h. 18 anos.
A Companhia Giramundo estreia a peça "As Aventuras de Alice no País das Maravilhas", nesta quinta-feira (4), às 19h, no Sesc Pompeia. Livre.
O fotógrafo Dimitri Lee abre nesta quinta-feira (4) a mostra "Major Tom to Ground Control", às 19h, na Vila Madalena.
O espetáculo "Permeados", com a companhia de dança paulistana Studio3, será apresentado no próximo fim de semana no Teatro de la Porte Saint-Martin, em Paris.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

José Simão

folha de são paulo
Cura gay! Voltou pro armário!
E a Marina? A Virgem Inca! Eu só vejo um único problema na candidatura Marina: E SE ELA GANHAR?
Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! UFA! Como disse o tuiteiro Ricardo Gava: "A cura gay voltou pro armário".
E um gay gritou: "Não sou mais hétero, o remédio do ChupaFeliciano era placebo". Rarará!
E por que essa obsessão pelos gays? Freud explica: "Marco Feliciano queria ser Spice Girl, mas os pais não deixaram". Tá explicado!
E o Sensacionalista revela que o autor do projeto de cura gay vem com outro projeto: cura de canhoto. Rarará!
Os canhotos querem destruir a família brasileira! Rarará!
E o Plebiscito da Dilma? Continua minha enquete: "Qual pergunta você acha que não pode faltar no plebiscito?".
E os leitores respondem: "Pelé ou Maradona?". "Comum ou aditivada?" "Joelma ou Daniela Mercury?" Rarará! Essa é ótima.
E mais outras: "Número um ou número dois?". "Como estou dirigindo?" PESSIMAMENTE! Rarará!
"Com ou sem borda recheada?" Tanto faz, pizza é pizza!
E a Dilma de pé é o John Wayne. Sentada, é o Grande Chefe Touro Sentado. E quando abre a boca é a Rainha do Autoelogio!
E atenção! Eu também quero os mensaleiros presos. Os petistas e os tucanos de Minas. Todos! Xadrez apartidário!
E a Marina? A Virgem Inca! Eu só vejo um único problema na candidatura Marina: E SE ELA GANHAR? Rarará!
Conheço um monte de gente alternativa que diz: "Vou votar na Marina".
Aí eu pergunto: "E se ela ganhar?". Aí fazem caras de ponto de interrogação! Rarará!
E já que a Marina não gosta de partido, por que ela tá coletando 500 mil assinaturas? Pra fundar um bloco de Carnaval? Rarará!
É mole? É mole, mas sobe!
E sabe como a imprensa espanhola tá chamando o Neymar? Filete de mariposa. Filé de borboleta! Rarará!
E em Campo Formoso, na Bahia, tem um capitão da PM chamado Neymar Batatinha! Rarará! Adorei!
E a charge do Amorim com o torcedor brasileiro: "Agora que a Copa das Confederações acabou, vamos lutar pelos grandes objetivos da nação: VAI, CURÍNTIA!".
Isso! Vai, Curíntia. Rarará!
Nóis sofre, mas nóis goza! Hoje, só amanhã!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

    Contardo Calligaris

    folha de são paulo
    Desacato
    Talvez seja um resto colonial: o legislador protege o Estado contra o reles cidadão
    Em 2010, quando quis marcar o dia da inspeção veicular do meu carro, já não havia mais horários. A primeira data disponível era depois do fim do prazo de minha placa.
    A inspeção descobriu que meu escape estava furado. Naquele dia, a caminho do mecânico que trocaria o tubo, meu carro passou por um radar e foi multado por circular sem certificação ambiental. Isso, eu descobri quando a multa chegou.
    Tudo bem, não riam de mim, é que morei muito tempo na Europa e nos EUA, mas eis o que eu fiz: escrevi uma bonita carta ao DSV, Departamento de Operação do Sistema Viário, incluindo cópia dos documentos que atestavam 1) minha passagem pela inspeção na manhã do dia da multa, 2) o resultado da inspeção, 3) minha passagem pelo mecânico no mesmo dia, 4) a inspeção final.
    Expliquei que eu tinha sido multado no trajeto entre a inspeção e o mecânico que consertaria o defeito encontrado e pedi que o departamento reconsiderasse a multa.
    Talvez eu merecesse a multa de qualquer forma (pelo atraso inicial), mas a questão é: você recebeu resposta? Eu, nem sequer um sinal de que alguém tinha recebido minha correspondência.
    O tempo passou. Neste ano, 2013, uma vez o IPVA pago, o licenciamento demorava a chegar. Um despachante descobriu que a multa de 2010, com juros e correção monetária, tinha reaparecido e impedia que meu carro fosse licenciado.
    O despachante "nunca riu tanto" quanto ao escutar a história de minha carta etc. --coisa de gringo mesmo, essa de acreditar que, naquele endereço indicado nas notificações, alguém se daria à pena de ler e responder a um cidadão.
    Essa história me custou algum dinheiro, mas não fui pessoalmente nem à inspeção nem ao Detran. É minha desobediência civil de privilegiado: pago, mas não deixo o Estado abusar do que tenho de mais precioso, meu tempo.
    Para o Estado, em geral, o tempo do brasileiro não vale nada, e essa desvalorização do tempo do cidadão talvez seja mais injuriosa do que as eventuais falhas nos serviços. Nos serviços, podem faltar recursos (somos pobres), mas o descaso com o tempo do cidadão é só desprezo.
    O mesmo desprezo aparece no fato de que a administração brasileira carece de mecanismos para proteger o cidadão contra os abusos do poder. Nos Estados democráticos, proteger o indivíduo é uma das grandes preocupações dos legisladores.
    Nos Estados totalitários (modernos e antigos) ou nos Estados de origem colonial acontece o contrário: o legislador protege a administração (o partido único, a "coletividade", o império, a corte de Lisboa, tanto faz) contra o reles súdito.
    Um leitor, Bárbaro, comentando a coluna da semana passada, assinala que os brasileiros não são vítimas só de descaso, "mas de intimidação mesmo, como atestam aqueles famigerados cartazes em qualquer repartição pública alertando o pobre cidadão que o desacato a funcionário público no exercício de seu trabalho é crime" (pena de seis meses a dois anos de detenção ou multa).
    Talvez a reforma em curso do Código Penal acabe com o crime de desacato, que é uma pura coação do Estado contra o cidadão. Enquanto isso não acontece, proponho que, nas repartições públicas, ao lado do cartaz do desacato, seja pendurado outro, que lembre as punições para o funcionário e para o próprio Estado quando eles desacatam o cidadão que eles deveriam servir.
    É uma boa ocasião, aliás, para sugerir que o termo "funcionário público" seja substituído por "servidor público". O que importa não é preencher bem uma função num governo ou numa administração: os torturadores eram ótimos funcionários da ditadura; o que importa é cumprir honradamente a tarefa de servir os cidadãos.
    A ausência de canais pelos quais seja realmente possível se queixar (junto com a ideia intimidante de que a queixa pode ser entendida como desacato) são provas da necessidade de uma reforma política profunda, que mude a relação do Estado com o cidadão.
    Esta é uma coisa que qualquer psicanalista e psicoterapeuta constatam e que vale no consultório e fora dele: escutar não é apenas uma condição para saber o que curar e como, escutar é tão importante quanto curar. Um governo que não escuta não terá legitimidade, mesmo que consiga curar alguns ou todos os males.
    Justamente, o silêncio do DSV fez com que eu gostasse de ver, alguns dias atrás, as vidraças do Detran quebradas pelas pedras dos manifestantes.

    Poetas discutem o cotidiano na escrita

    folha de são paulo
    FLIP 2013
    Alice Sant'Anna, Bruna Beber e Ana Martins Marques participam de mesa mediada por Noemi Jaffe em Paraty
    Com motivações pessoais diferentes para escrever, elas não querem que sua poesia seja vista como solene
    FRANCESCA ANGIOLILLOEDITORA-ADJUNTA DA "ILUSTRÍSSIMA"
    Alice, 25, trabalha numa revista, Bruna, 29, numa editora, Ana, 35, é redatora e revisora num órgão público. Alice nasceu no Rio, Bruna, em Duque de Caxias (mas mora em São Paulo), e Ana, em Belo Horizonte.
    Alice Sant'Anna, Bruna Beber e Ana Martins Marques são poetas e fazem hoje na Flip a mesa "O Dia a Dia Debaixo d'Água", mediadas por Noemi Jaffe, crítica literária e escritora.
    Os deslizes entre os fatos e as possibilidades são, para Jaffe, um tema possível para a conversa --que versará sobre o cotidiano na escrita e que teve uma prévia num "chat" de Facebook, maneira encontrada para reunir o trio, que só em Paraty terá seu primeiro encontro real.
    Para as três autoras, o ofício surgiu de maneira natural --Bruna e Ana escrevem versos desde a infância, e Alice, que ensaiava entrar na escrita pelos contos, passou a se dedicar à poesia após topar, na escola, com um poema de Ana Cristina Cesar (1952-1983). Suas motivações para fazê-lo, porém, são diferentes e revelam, de certa forma, traços da poesia de cada uma.
    "Acho que a poesia ficou sendo meu jeito de prestar atenção nas coisas", diz Ana. "A Sophia de Mello Breyner Andresen [Portugal, 1919-2004] fala alguma coisa assim: escrever poesia é fazer um círculo em volta de uma coisa", arrisca a mineira, cuja poesia tem, de fato, um caráter muitas vezes interrogativo.
    Para Bruna, a resposta é mais sucinta. "Escrevo poesia porque gosto de escrever poesia e gosto de poesia."
    Já Alice, brincalhona, resume: "Comecei a escrever, para valer, porque era muito ruim em educação física".
    Enquanto para Alice o cotidiano é a fonte incontornável de toda poesia ("Não sei de uma poesia em que isso não apareça"), Bruna diz que "nem sempre se escreve sobre o habitual, o corriqueiro".
    "Se colocarmos nesses termos, não existiria invenção. Acho que o tema da mesa trata disso, do que está próximo e é rotineiro."
    "Talvez seja mesmo uma das características frequentes da poesia tratar dos grandes temas a partir do singular, dos objetos cotidianos, do pequeno", diz Ana. "De qualquer modo, isso diz respeito a um plano temático, e nesse aspecto não há tantas questões assim a serem tratadas. O que importa é o como."
    SEM ROTINA
    Se o cotidiano conforma a poesia das três, o contrário, contudo, nem sempre se dá. Nenhuma delas diz escrever com rotina de escritório.
    Bruna diz que gosta de "sentar para escrever, como é mais saboroso fumar um cigarro sem fazer outra coisa ao mesmo tempo"; Ana se angustia quando passa muito tempo sem produzir, temendo que não seja "capaz de escrever alguma coisa de novo"; e Alice se preocupa bem menos: "O último poema escrevi há três meses", calcula.
    De modo geral, porém, é de leveza a relação que as poetas têm no dia a dia com o ofício que abracaram no paralelo de seu ganha-pão ("Não dá para escrever poeta como profissão em ficha de hotel", diz Ana, "vão pensar que você não tem dinheiro para pagar").
    E nenhuma delas quer, nem de longe, que sua poesia seja vista como algo "solene" --mesmo se dificilmente poderia, seja o tema o amor ou a decepção de calçar sandálias num dia de chuva. "Aliás, que palavra, solene, parece nome de creme de cabelo vagabundo", ironiza Bruna.