sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Tv Paga

Estado de Minas: 04/10/2013 



 (Chris Valias/Divulgação )

Sem desafinar


Dois programas de música estreiam hoje na telinha. Às 19h, o canal Bis apresenta o primeiro episódio de Áudio retrato, com Fernanda Abreu falando sobre o funk carioca, suas origens e particularidades. Pouco mais cedo, às 18h45, no Canal Brasil, Anelis Assumpção (foto) abre a nova temporada de Cantoras do Brasil, dedicada ao poeta Vinicius de Moraes. E no mesmo Canal Brasil ainda tem O som do vinil, às 21h30, focalizando o álbum Alerta geral, que Alcione gravou em 1978.

Contraplano debate
o samba hoje à noite


“O samba pede passagem” é o tema de hoje do programa Contraplano, às 22h, no SescTV. Os convidados para debater o assunto são o professor de filosofia Celso Favaretto e o artista plástico Luiz Aquila, partindo da análise dos filmes Garotas e samba (1957), de Carlos Manga; O mandarim (1995), de Júlio Bressane; Paulinho da Viola – Meu tempo é hoje (2003), de Isabel Jaguaribe; e Cartola – Música para os olhos (2005), de Lirio Ferreira e Hilton Lacerda.

Futebol é o tema de
atração do Discovery


No Discovery Channel, estreia hoje, às 19h25, Futebol 360: Jogadas de mestre. A série mostra jogadas incríveis já realizadas no esporte. O episódio de abertura, intitulado “Cobrança de falta”, mostra o que é preciso para que uma cobrança desse tipo acabe em gol. Overath Breitner da Silva, jogador do Santos, se põe à prova para mostrar os detalhes da cobrança perfeita.

TV Cultura estreia
a série Peripatético


Na Cultura, a novidade de hoje à meia-noite é Peripatético, que em sua primeira temporada vai tratar de temas como vaidade, sexo, fé, melancolia e casamento. Na atração, diferentes grupos de pessoas se reúnem com o filósofo Luiz Felipe Pondé durante um dia em uma casa de campo. A convivência e a filosofia se combinam para buscar a compreensão da vida cotidiana de cada um.

Bourdain vai ao Rio
na sua volta ao TLC


No canal TLC, às 21h, estreia a oitava temporada de Anthony Bourdain: sem reservas, em que o famoso chef de cozinha e escritor viaja pelo mundo em busca de aromas, sabores e autênticas experiências culturais, começando hoje pelo Rio de Janeiro. Ele inclusive visita favelas com um escritor da Cidade de Deus, e encontra o também chef Alex Atala.

Telecine aposta em
um filme de terror


No pacote de filmes, o maior destaque é a estreia do terror O segredo da cabana, às 22h, no Telecine Premium. No mesmo horário, o assinante tem mais oito opções: Desassossego (filme das maravilhas), no Canal Brasil; Almas à venda, na Cultura; Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas, no Telecine Cult; 007 – Operação Skyfall, no Telecine Pipoca; O noivo da minha melhor amiga, na HBO 2; Superclássico, no Max; Machete, no Max Prime; e D-Tox, no TCM. Outras atrações da programação: Domino – A caçadora de recompensas, às 20h, no Universal; A carruagem de ouro, às 21h30, no Arte 1; e Cartas para Julieta, às 22h30, no Megapix.

Freud explica - Mariana Peixoto

Sessão de terapia chega à segunda temporada apostando na TV para adultos, na contramão da estética adotada no país. O ator Cláudio Cavalcanti se despede em grande estilo do público


Mariana Peixoto

ESTADO DE MINAS: 04/10/2013 



Zécarlos Machado (c) interpreta o terapeuta Theo, que enfrenta novos desafios dentro e fora do consultório     (Adalberto Pygmeu/divulgação)
Zécarlos Machado (c) interpreta o terapeuta Theo, que enfrenta novos desafios dentro e fora do consultório


São Paulo – Para os padrões dos cortes incessantes, dezenas de cenas por capítulo e personagens à exaustão, a melhor produção da TV brasileira dos últimos anos é quase antitelevisão. A segunda temporada de Sessão de terapia estreia segunda-feira, às 22h30, já com o terceiro ano confirmado para 2014 e a missão de ir ainda mais longe. “Numa época afobada, estamos vivendo um momento histórico. Temos aqui a noção do que só iremos confirmar daqui a alguns anos: é possível se expressar fora da TV aberta”, afirmou Selton Mello, que também dirige os 35 novos episódios.

A narrativa tem início quase um ano depois da primeira temporada. Agora separado, o psicólogo Theo Cecatto (Zécarlos Machado) vive num pequeno apartamento, onde também funciona seu consultório. Sozinho e isolado, ele vai atender quatro novos pacientes nesse período de adaptação. Se no ano anterior seu questionamento se dava principalmente em torno da vida pessoal, do casamento fracassado e da paixão não concretizada por uma paciente, agora é a vida profissional que está em risco.

Entre as sessões, o terapeuta tem de se confrontar com o processo movido por Antônio (Norival Rizzo), pai de Breno (Sérgio Guizé), que o culpa pela morte do filho policial. Na nova vida, Theo se aproxima de algumas mulheres: a primogênita, Malu (Mayara Constantino), que tenta, sem muito sucesso, tirar o pai da apatia; Miriam (Renata Zhaneta), amiga de infância e primeiro amor; Lia (Luana Tanaka), a jovem vizinha; e Milena (Paula Possani), viúva de Breno.

“Desta vez, deu para ver mais claramente não só as questões que os pacientes traziam, mas o quanto o Theo carregava. Ele segue os princípios da primeira temporada, mas há um exercício maior de estudo e de aproximação”, afirma o ator Zécarlos Machado. A série é adaptação da produção israelense Be’Tipul (2005). A temporada inicial teve 9,5 milhões de espectadores no Brasil, considerando todas as exibições. “Fomos muito mais agressivos agora. A vizinha não existe na série original, a participação da filha do Theo era diferente. Na terceira temporada, a série será 100% original”, informou Roberto D’Avila, produtor do projeto.

Última mensagem


A ausência mais presente do lançamento de Sessão de terapia, num cinema paulistano, foi, obviamente, a de Cláudio Cavalcanti. Morto domingo, aos 73 anos, o veterano ator interpretou o empresário Otávio, cuja história será exibida às terças-feiras. Na sessão, foi exibido o vídeo do último dia de gravação de Cavalcanti – ele recebeu flores da equipe e disse que aquele momento “era mais importante do que a estreia com o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), 55 anos antes”.

“Fiquei arrasado, porque Cláudio estava com a cabeça boa e fez o trabalho sem nenhum percalço de saúde. Pensei tanta coisa nesses dias, mas agora estou em outro movimento, o de achar que poucos atores tiveram a oportunidade que ele teve, de deixar um trabalho tão lindo como última mensagem. O artista é finito, a arte, infinita. Cláudio fez algo muito poderoso nessa saída de cena”, disse Selton Mello.

* A repórter viajou a convite do GNT


Tipo exportação

Com o título Be’Tipul, a Sessão de terapia original, criada por Hagai Levi, estreou em abril de 2005, em Israel. Foram somente duas temporadas, a segunda em 2008, mas não houve economia nas versões: a produção ganhou edições nos EUA, Argentina, Canadá, Romênia, República Tcheca, Polônia, Hungria, Itália, Japão, Holanda, Rússia, Sérvia, Eslovênia e Croácia.


Em todas as frentes

Na TV de vários países, Sessão de terapia – em livro – só existe no Brasil. A convite da editora Arqueiro, a roteirista da série, Jaqueline Vargas, transformou a primeira temporada num volume de 280 páginas (R$ 29,90). Em primeira pessoa, o terapeuta Theo apresenta seu relato das sessões e do que ocorreu em sua vida pessoal durante nove semanas. Também agora chega às lojas, pela Som Livre, a caixa com os 45 episódios da temporada inicial. Está prometida também para este ano a trilha sonora, assinada por Plínio Profeta.


No sofá

Segunda-feira – Carol (Bianca Comparato), estudante de arquitetura, não consegue começar sua monografia de final de curso. A razão é uma só: há três semanas descobriu que tem um linfoma. Até chegar ao consultório de Theo, Carol não havia falado com ninguém sobre a doença. E só consegue revelá-la ao terapeuta numa folha de papel.
 (Jorge Bispo/divulgação)
Terça-feira – Antes da chegada de Otávio (Cláudio Cavalcanti, foto) à sessão, Theo lê no jornal sobre um escândalo ambiental em que a empresa do executivo está envolvida. Mas não é isso que o leva à terapia. Casado e pai de três filhos, todos vivendo bem longe dele, Otávio tem crises de ansiedade – uma delas, inclusive, no início da primeira sessão.

Quarta-feira – Paula (Adriana Lessa) é uma agressiva advogada de 41 anos. Chega ao consultório de Theo depois de ouvir do ginecologista que seus óvulos estão ficando velhos. Casada, ela nunca pensou em ser mãe. Mas a afirmativa a leva a questionamentos: se tivesse um filho, iria amá-lo? Seria boa mãe? Conseguiria deixar o trabalho de lado em prol de outra pessoa?

Quinta-feira – Daniel (Derick Lecouflé) é um garoto de 10 anos muito acima do peso. Ele não aceita a separação dos pais, Ana (Mariana Lima) e João (André Frateschi), antigos pacientes de Theo. O menino já chega ao consultório querendo ir embora, mas, em meio ao jogo de damas, em que “come” todas as peças do terapeuta, passa a revelar as dificuldades de estar no meio de uma briga.

Sexta-feira – Theo está de volta ao consultório de Dora (Selma Egrei). O terapeuta retoma as sessões com um objetivo: pedir à colega um relatório que o ajude no processo movido contra ele pelo pai do ex-paciente Breno (Sérgio Guizé), culpando-o pela morte do filho. Já no primeiro encontro, Theo desfia para a supervisora uma série de problemas de sua vida pós-separação.


SESSÃO DE TERAPIA
A segunda temporada estreia segunda-feira, às 22h30, no canal pago GNT. Exibição de segunda a sexta-feira.

Carlos Herculano Lopes - Das boas coisas

Carlos Herculano Lopes

carloslopes.mg@diariosassociados.com.br

Estado de Minas: 04/10/2013 



Se existe uma coisa boa em participar de encontros e feiras literárias, que de uns tempos para cá têm se espalhado pelo Brasil, é a chance de encontrar velhos amigos, fazer novos, conhecer lugares. De uns dias para cá, aqui no país das Gerais, tive a oportunidade de estar em dois desses eventos: o Fliaraxá – Festival Literário de Araxá, com curadoria de Afonso Borges, e o Felit – Festival Literário de São João del-Rei, cujo curador foi José Eduardo Gonçalves. Belas festas de celebração ao livro e às palavras.

Nas duas cidades, para minha alegria, estive com muita gente boa. Em Araxá, seguindo a velha tradição mineira, fui anfitrionado por ilustres filhos da terra: os irmãos Dirceu e Leila Ferreira, e um primo deles, Evandro Affonso Ferreira, cujo romance, O mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Roterdam, está entre os finalistas do Prêmio Jabuti deste ano. Não será nenhuma surpresa se for o vencedor. Numa noite, com a lua cheia, estivemos na casa de Cristina e Gustavo Pena, que fica de frente para uma lagoa, em volta da qual, como ele contou, vivem centenas de passarinhos. Do papo, que entrou noite adentro, participaram, entre outros, a empresária Ângela Gutierrez e a professora Mary Del Priore. Seu último livro, sobre a princesa Isabel, é leitura obrigatória para quem quiser saber mais sobre a história deste país.

De Araxá, onde havia ido em outras ocasiões, segui para São João del-Rei. Fui nas ótimas companhias da escritora Paula Pimenta, cujos livros, voltados para o público adolescente, estão fazendo o maior sucesso, e do romancista Ivan Ângelo. Com ele participei de duas mesas-redondas: na primeira, durante o dia, falamos para centenas de professores de várias cidades do Campos da  Vertentes, que estavam reunidos em um congresso sobre educação. E na outra, à noite, no Teatro Municipal, a discussão versou sobre a crônica e seu método de criação. Na plateia, para a nossa honra, ninguém menos que o casal Lúcia e Luis Fernando Verissimo, que estavam hospedados em Tiradentes, na casa de Zenilca Navarro. Há coisa de quatro anos, também naquela cidade, tinha me encontrado com eles.

Depois da conversa, que teve mediação do professor e também cronista José Antônio Rezende, seguimos para o Restaurante Dedo de Moça, no qual seria oferecido um jantar em homenagem ao escritor gaúcho que, justo naquele dia, 26 de setembro, estava completando 77 anos. A reunião, que entrou noite adentro, mostrou um Luis Fernando Verissimo, cuja timidez é famosa, feliz e bem disposto. Tomou uma dose da cachaça Tabaroa, provou tira-gostos e ainda guardou lugar para o linguado a Verissimo, servido como prato principal. Antes da sobremesa, outra reverência ao mestre, feita pelo Trio Serenate, lá mesmo de São João, e que é formado por Kessin no saxofone, Fábio Neves na gaita e Douglas André no violão.

Terminada a apresentação, com todos novamente em volta da mesa, perguntei a Verissimo de quais livros do seu pai ele mais gostava: “Da trilogia O tempo e o vento”, respondeu sem vacilar, como já devia ter feito outras vezes . Daí a pouco, no início da madrugada, nos despedimos. Estava quase na hora, como sempre acontece em encontros deste gênero, de pegar novamente a estrada.

P.S.: A Editora Objetiva acaba de lançar um novo livro de Luis Fernando Verissimo, Os últimos quartetos de Beethoven e outros contos.

Vacina desenvolvida no Canadá pode aumentar proteção contra tuberculose

Injeção de vírus contra a tuberculose 

Vacina desenvolvida no Canadá poderá ser aplicada com a BCG e aumentar proteção em adultos. Durante testes, imunização aumentou número de células de defesa dos voluntários



Isabela de Oliveira


Estado de Minas: 04/10/2013 


Pesquisadores canadenses divulgaram hoje, na revista Science Translational Medicine, os resultados dos primeiros testes feitos com uma vacina que pode aumentar a eficiência da imunização contra a tuberculose. Projetada na McMaster University, em Ontário, para ser aplicada após a vacinação inicial com a BCG, a terapia obteve boas respostas em testes de fase 1 com humanos. A BCG é a única imunização disponível contra a doença. A que está em teste, chamada de AdHu5Ag85A, não provocou efeitos colaterais relevantes nas cobaias e ainda aumentou a quantidade de células de defesa.

Embora consiga imunizar com sucesso bebês e crianças, a BCG encontra dificuldades em proteger adultos contra a infecções pulmonares causadas pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, agente também chamado de bacilo de koch e causador da tuberculose. Os testes clínicos foram realizados com 24 homens e mulheres saudáveis, sendo que alguns haviam sido previamente imunizados. Todos receberam uma única dose da AdHu5Ag85A e nenhum resultado adverso considerável foi registrado. A vacina conseguiu potencializar dois tipos de linfócitos T auxiliares, os CD4+ e CD8+, em especial no grupo que já havia sido vacinado com a BCG.


Zhou Xing, um dos pesquisadores da McMaster University, explica que a vacina foi desenvolvida a partir do adenovírus recombinante humano tipo 5, o AdHu5. Esse tipo de vírus quando manipulado é capaz de expressar um antígeno da bactéria causadora da tuberculose para ativar as células T — responsáveis pela imunidade celular e pela produção de anticorpos. “A vacina AdHu5Ag85A foi um sucesso. Também demonstrou ser eficiente quando usada de forma independente e como uma otimizadora da BCG em murinos, porquinhos-da-índia , cabras e bovinos com tuberculose pulmonar”, disse Xing. 


Luiz Castello-Branco, diretor científico da Fundação Ataulpho de Paiva, única produtora da BCG no Brasil, explica que a nova vacina está longe de chegar ao mercado, pois o estudo clínico ainda está na primeira fase. Segundo o médico, que não participou do estudo, na fase 1, é verificada a segurança e a ação imunogênica do produto. O projeto ainda precisará passar por duas etapas, quando será verificada a ação do imunizador em doentes, crianças e grandes populações.

“Há pouco tempo, tínhamos um modelo de vacina que estava bem evoluída, já na fase 2. No início do ano, ela foi testada e parecia ser uma boa coadjuvante à BCG, dada como reforço. Era também feita com vírus, produzida por pesquisadores da Universidade de Oxford, mas obteve resultados ruins. Essa vacina produzida pelos canadenses pode ser algo interessante, mas ainda não podemos avaliar se ela poderá realmente ajudar. Eu espero que sim”, diz Castello-Branco.

Problema mundial Xing destaca quer a tuberculose continua sendo uma das principais causas infecciosas de morte no mundo. Cerca de 1,4 milhão de pessoas morrem a cada ano por causa da doença e um terço da população mundial está infectada de forma latente pela bactéria. Há anualmente entre 8 a 9 milhões de novos casos de tuberculose registrados no mundo, sendo os soropositivos os mais suscetíveis à doença. Pelo menos um terço dos pacientes com AIDS não resiste a ela. 


O Brasil está entre os 20 países de maior carga de tuberculose no mundo, com cerca de 72 mil novos casos e 4,5 mil mortes por ano. Os estados mais atingidos são Rio de Janeiro e Amazonas. Castello-Branco explica que a mortalidade de crianças relacionada à bactéria, como meningite tuberculosa, foi reduzida drasticamente desde que a vacina começou a ser aplicada na década de 1930. “Para as crianças, portanto, há um claro benefício. No entanto, a eficácia da BCG nos adultos é de cerca de 48%.”


Segundo Lindivânia Brandão, coordenadora do Programa de Tuberculose da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, em 2011, a média de cura da doença no Brasil foi de 75,4% e de 83% no DF. Ela destaca que o grande dificultador do combate à doença, principalmente por parte dos adultos, é o abandono do tratamento. “É longo, dura seis meses. Ao perceberem uma melhora no primeiro mês, os pacientes acabam abandonando os medicamentos. Além de vacinas, precisamos de um tratamento supervisionado que instrua melhor a comunidade”, conclui Lindivânia.


UFMG avalia testes de diagnóstico da doença

Descobrir se novos kits de diagnóstico são eficazes e se atendem aos requisitos necessários para serem usados na rede pública de saúde é o principal objetivo da pesquisa “Avaliação de custo-efetividade por meio de amplificação de ácido nucleico para o diagnóstico da tuberculose”, conduzida pelo Laboratório de Microbactérias da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A iniciativa tem apoio do Hospital das Clínicas da UFMG, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Os testes também serão realizados em outros dois estados, nas cidades de Manaus e Rio de Janeiro, para comparação dos resultados.


Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil ainda faz parte da lista de 22 países com maior número de casos da doença. São em torno de 70 mil novos registros, por ano. Só em Belo Horizonte, cerca de mil novos, e na região metropolitana, mais de 2 mil a cada ano. Em média, a cada dia morrem 16 pessoas vítimas da tuberculose na região. De acordo com a pneumologista Silvana Spindola de Miranda, professora do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da UFMG que coordena a pesquisa no estado, a partir da autorização expressa dos pacientes do Hospital das Clínicas da UFMG suas amostras respiratórias serão testadas usando o kit Molecular Detect-TB Labtest.

A médica explica que o novo método, altamente sensível e específico, deverá levar cerca de dois dias para ficar pronto. Atualmente, os exames negativos, que exigem a cultura de células para confirmação, podem levar até 8 semanas. Assim, como os exames de diagnóstico realizados não são tão sensíveis e específicos, e apresentam grande probabilidade de erro. Por isso, mesmo sem um diagnóstico confiável, muitos pacientes são tratados. 


Mal de todos os séculos A tuberculose é uma doença de causa bacteriana e que está relacionada com a pobreza, condições precárias de saúde, alcoolismo e doenças crônicas como diabetes. Na maioria das vezes ela compromete os pulmões, mas pode afetar outros órgãos e sistemas do organismo. Apesar de o tratamento ser financiado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o principal problema para o devido controle da tuberculose é o abandono do tratamento. “Quando o tratamento é iniciado, o paciente já percebe que sintomas como tosse, febres e outros são reduzidos e, por isso, acha que já está curado. Isso é grave, pois é comprovado que a doença não é curada em menos de seis meses”, alerta a professora. Pessoas com tuberculose ativa podem transmitir a doença através de espirros, tosse e também ao falar. “Por isso a importância da conscientização, principalmente em locais com maior incidência, e métodos mais eficazes para o diagnóstico”, ressalta Silvana.