sábado, 2 de novembro de 2013

Homem com agá - Ângela Faria

Livro de ensaios estuda a constituição da noção de masculinidade na história do Brasil e ajuda a compreender a diversidade de papéis através dos tempos


Ângela Faria

Estado de Minas: 02/11/2013 


Com sua elegância a toda prova, Santos Dumont foi uma espécie de metrossexual antes do tempo (Letícia Abras/Reprodução)
Com sua elegância a toda prova, Santos Dumont foi uma espécie de metrossexual antes do tempo
  


“Quantos homens cabem num só?”, perguntam Mary del Priore e Marcia Amantino na introdução do livro História dos homens no Brasil (Editora Unesp), que reúne ensaios sobre o processo de construção da masculinidade no país. Doze capítulos abordam da saga dos escravos à virilidade nas academias de MMA do século 21, passando pelo sinhozinho da casa-grande, por padres divididos entre celibato e pecado, por pobres rapazes caçados para lutar no Exército, por guerrilheiros inspirados no mito Che Guevara e por ativos militantes do movimento gay contemporâneo.

Dividido em 12 capítulos, o livro chega em boa hora: enquanto ruas são invadidas por alegres e afirmativas paradas GLTB, páginas policiais estampam crimes de motivação homofóbica e assassinatos de mulheres por machos enfurecidos. Algozes? Vítimas? Antes de tudo, personagens da história. A virilidade é uma construção cultural – e não mero dom da natureza –, lembra Angélica Müller em seu artigo, invertendo a famosa frase de Simone de Beauvoir: “Não se nasce homem, torna-se”.

Organizadoras do livro, Mary del Priore e Marcia Amantino prestam tributo ao sociólogo pernambucano Gilberto Freyre, pioneiro no estudo do universo de sinhôs, doutores, escravos, matutos e caipiras. O Brasil e sua sociedade mestiça surgiram do corpo amedrontado dos negros, mas também da valentia de aguerridos quilombos. Não há como pensar em mestiçagem sem destacar os religiosos católicos amancebados com índias, negras e mulheres livres. A figura do padre don juan só perdeu prestígio no século 19, registra Robert Daibert Jr., especialista em ciências da religião.

No século 18, o Brasil experimentou sua primeira explosão demográfica. Provocada pelo Ciclo do Ouro, ela atingiu sobretudo o Centro-Sul, com profundo impacto sobre as relações familiares e as conexões entre os universos rural e urbano. Com a chegada da corte portuguesa, o século 19 foi emblemático para o homem brasileiro: ampliaram-se oportunidades de estudo, criaram-se colégios e se difundiram práticas corporais caras à virilidade. Há 300 anos, cariocas já se dedicavam à “política do corpo”: eram adeptos da cavalaria, do remo, da ginástica.

Marco da bravura nacional – os combates se davam corpo a corpo, é bom lembrar –, a Guerra do Paraguai foi fundamental para a reorganização das Forças Armadas brasileiras. Porém, o recrutamento forçado da tropa – leia-se, de pobres – só seria proibido em 1891, 21 anos depois do encerramento do conflito.

Sociedade patriarcal, o Brasil dos anos 1800 conferia ao pai poderes que nem a maioridade dos filhos (aos 25 anos) romperia, lembra Mary del Priore. Meninos se criavam entre o chicote (em casa) e a palmatória (na sala de aula). A pedagogia do castigo físico e o despotismo paternal regravam ricos e pobres. Entretanto, muitos desses núcleos familiares eram comandados por mulheres, sobretudo onde homens se viam obrigados a buscar o sustento longe de casa. Na São Paulo colonial, calcula-se que as matriarcas dirigiam 40% dos lares.

Tirano e amoroso

Del Priore lembra que a paternidade ganhou novos contornos no século 19. Dom Pedro I simbolizou essa mudança, explicitando em público o afeto aos filhos. “Passava-se do pai tirano ao pai amoroso”, observa a historiadora. De acordo com Gilberto Freyre, a transição da vida rural para a vida urbana levou consigo o patriarca. Mas o desmantelamento da imagem paterna autoritária se consolidou, mesmo, nos anos 1970/1980, com a profunda modificação das formas de casamento, o avanço das mulheres no mercado de trabalho e a revolução comportamental do século 20.

“Tudo colaborou para o fim de modelos tradicionais, embora muito do pater familiae subsista ao lado da figura do pai divorciado, homossexual, viúvo, adotivo ou ausente, enfim, de novas realidades para uma nova ordem social. A identidade dos pais será uma conquista a ser feita todos os dias”, acredita Mary del Priore. Leitura instigante, História dos homens... bem poderia ter mais dois capítulos, dedicados ao comportamento dos índios e ao mito de Lampião, o temido cangaceiro que sabia bordar.

Espelho

Especialista no estudo da indumentária, Márcia Pinna Raspanti escreveu um dos capítulos mais interessantes de História dos homens no Brasil. Nossos machos nunca foram indiferentes ao espelho – afinal, roupa é símbolo de poder. Calções de cetim, gibões, tecidos adamascados e acabamentos bordados, além do chapéu de lã, eram apreciados por senhores de nossa sociedade colonial, enquanto aos escravos proibia-se o uso de sapato. No Brasil império, ao austero dom Pedro II se contrapunha o fashion Joaquim Nabuco, com suas casacas compridas, coletes, bengalas e colarinhos engomados. Brasileiros copiavam os franceses, depois os ingleses e, mais recentemente, os americanos.

Aliás, nasceu em Minas um dos dândis mais chiques do século 20: Santos Dumont (1897 – 1932), o Pai da Aviação, com seus ternos risca de giz e sapatos de salto para despistar a pouca altura. Foi para ele que Louis Cartier criou o relógio de pulso, até hoje objeto de desejo de nossos vaidosos metrossexuais. O baixinho fez mesmo história – e não só a bordo do 14 Bis. Usava seu chapéu-panamá estrategicamente caído, de lado, chamando a atenção ao circular assim por Paris. A moda pegou. Winston Churchill e Harry Truman aderiram. Depois vieram Humphrey Bogart, Clark Gable e – last, but not least – Michael Jackson..
.

   (Unesp/Reprodução)
HISTÓRIA DOS HOMENS NO BRASIL

. Organizado por Mary del Priore e Marcia Amantino
. Editora Unesp, 415 páginas, R$ 69

Antônio Maria Reis-Cânticos para Aleijadinho‏

Antônio Maria Reis

Estado de Minas: 02/11/2013 

Profeta do Santuário do Bom Senhor de Matosinhos, em Congonhas: obra-prima do barroco brasileiro     (Euler Júnior/EM/D.A Press)
Profeta do Santuário do Bom Senhor de Matosinhos, em Congonhas: obra-prima do barroco brasileiro
 


Há dois séculos os profetas do Aleijadinho contemplam, lá embaixo, a cidade de Congonhas. Ao fundo, o anfiteatro das montanhas resiste bravamente às frentes de extração de minério de ferro, que vão abastecer o mercado nacional e o de inúmeros países. A natureza bucólica de outrora, com o verde antes intocado cobrindo os montes e as montanhas, vai pouco a pouco dando lugar a uma terra desgastada e estéril, invadida dia e noite pela poeira de minério.

Os profetas que antigamente apenas exultavam o povo ao arrependimento e à equidade, agora, parecem lançar seus olhares severos advertindo a cidade de Congonhas: Quo vadis? Para onde vais? Vencerás a poluição, o avanço impiedoso das máquinas que destroem as campinas, derrubando montes e montanhas? A poesia e a beleza estética do berço natural em que nos colocou o grande Mestre e criador subsistirão para a posteridade ou restarão, em um dado momento de nossa história, apenas uma lembrança deste cenário espetacular, patrimônio da humanidade?

Congonhas passa, atualmente, por profundas transformações sociais, culturais e econômicas. A vida pacata de outrora, em vários aspectos, se altera aceleradamente. O município passou a lutar contra o tempo, tentando adequar sua infraestrutura às crescentes necessidades atuais. Para agravar o problema, calcula-se que quase a metade da população atual, se origina de outras localidades. A maioria não possui laços afetivos, sentimentais e de origens com a cidade.

Congonhas convive ainda com um processo de descaracterização brutal de seu casario. Substituiu-se, gradualmente, o Barroco pela arquitetura contemporânea, tirando do município o seu formato original, quando era visto como um grande presépio a céu aberto. E é neste cenário que ostenta o título de patrimônio mundial. Neste momento, entretanto, em que se lembra o aniversário do bicentenário da morte do grande mestre, Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, vale a pena refletir sobre sua passagem por Congonhas, bem como o significado de sua obra grandiosa.

Antônio Francisco Lisboa já estava na casa dos 66 anos, quando foi contratado para esculpir as imagens dos Passos e os profetas do adro da basílica. Vivendo no lugar por quase uma década, já bastante debilitado pela enfermidade que se manifestou aos 47 anos, o artista realizou por aqui sua obra-prima, inspirada nos santuários portugueses do Bom Jesus de Matosinhos e do Bom Jesus de Braga.

Por aqui, do alto da montanha, os profetas do Aleijadinho gesticulam solenes. Numa grandiosidade teatral, apontam e mostram a cidade. Parece que conspiram, que tramam segredos e advertem. Lá embaixo, as pessoas permanecem em seu labor diário. Há sempre um olhar de fé atiçado em direção ao alto do morro Maranhão. Religiosidade, arte e trabalho se mesclam. Se entrelaçam, proporcionando o clima exato da espiritualidade que transpira no entorno da basílica. Realmente, há algo de mágico na colina do santuário do Bom Jesus de Matosinhos. A tocante sensação de paz, que envolve o local, parece resultar de um suave encantamento.

Vozes do tempo

A música que apareceu no período parece ter sido feita para enriquecer e dar voz ao patrimônio. Elemento artístico e cultural da história de nosso estado, a música colonial alcançou o seu apogeu em Minas, na segunda metade do século 18. Sua organização e profissionalização acontecem durante a formação de nossas primeiras vilas e arraiais, e no apogeu do ciclo do ouro. Estima-se que na região mineradora havia 15 mil pessoas dedicando-se às atividades musicais, dentre as quais 5 mil eram profissionais.

As irmandades ligadas à Igreja Católica disputavam entre si o mérito de possuírem magníficas igrejas e de promoverem os mais concorridos eventos religiosos. Este procedimento fazia com que contratassem renomados compositores da época, os melhores músicos, arranjadores e maestros para abrilhantarem os eventos. Era preciso proclamar a fé in hynnis et canticis”(com Hinos e cânticos), fazendo vibrar os espaços das igrejas, do chão até o teto. Dessa maneira, a música entoada nas igrejas no período colonial, acrescentava uma beleza toda especial às cerimônias religiosas.

Entre os mestres normalmente convocados pelas irmandades, destacam-se: Manoel Dias de Oliveira, Marcos Coelho Neto, Padre João de Deus de Castro Lobo, José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, entre outros. A música colonial mineira, em vários momentos da história de nosso estado, alcançou enorme notoriedade e uma grande beleza. Com o final do ciclo de ouro, as cidades mineradoras se empobreceram, havendo um reflexo natural na música, que passou a ser cantada mais pelo prazer, pelo amor a arte e o desejo de se manter a tradição. Os músicos tiveram que procurar outras atividades. E isto ocorreu em praticamente toda a região histórica do estado.

O trabalho do Coral Cidade dos Profetas surgiu justamente para divulgar este legado musical do passado. Fundado em 1988, por um grupo de pessoas interessadas em aprender o repertório, o coral teve, desde o início, a preocupação em aliar a arte musical à arte arquitetônica barroca, grande patrimônio de Congonhas. Ao se especializar na interpretação de música sacra antiga, notadamente a colonial mineira, o grupo se tornou um dos principais protagonistas da divulgação deste patrimônio. É reconhecido como uma das mais belas manifestações culturais do interior.

O coral participa, rotineiramente, de diversas atividades culturais e religiosas, sempre divulgando a música sacra do período. No dia 9, inicia uma nova série, os Concertos coloniais, em homenagem ao bicentenário da morte de Aleijadinho. A proposta é fazer entoar o repertório colonial para a atual geração e inaugurar uma nova opção turística na região, com a realização mensal de grandes concertos nas igrejas barrocas de Congonhas. De agora em diante, sempre no segundo sábado de cada mês, às 11h, num dos cenários históricos mais belos do país, os sons antigos de Minas estarão de volta.

. Antônio Maria Reis é pesquisador e membro do Coral Cidade dos Profetas.



O Brasil-Colônia nos arquivos históricos de Portugal: roteiro sumário
. De Caio C. Boschi
. Editora Alameda, 254 páginas

Tv Paga

Estado de Minas: 02/11/2013


 (Fox/Divulgação)

Noite de estreias


Telecine Premium e HBO jogam pesado para conquistar audiência nas noites de sábado. O duelo de hoje será respetivamente entre Daniel Day-Lewis e Tom Cruise. Ou melhor, entre os longas Lincoln e Rock of ages: o filme, ambos programados para as 22h. O primeiro leva vantagem por ter na direção ninguém menos que Steven Spielberg, além do próprio Daniel Day-Lewis (foto), ganhador do Oscar e do Globo de Ouro com sua interpretação mediúnica do presidente norte-americano Abraham Lincoln. Embora Tom Cruise também esteja muito bem como o roqueiro Stacee Jaxx.

Muitas alternativas na
programação de filmes


Outros dois atores de primeira estão no Telecine Action: Robert De Niro e Edward Norton, em Homens em fúria (20h) e A cartada final (22h) – este último conta ainda com Marlon Brando, em seu último trabalho para o cinema. No Universal Channel, o interminável Halloween continua com Luzes do além (20h), Atividade paranormal (22h) e Alma perdida (23h30). O A&E também aposta no terror, com Eu sei o que vocês fizeram no verão passado, igualmente às 22h. No mesmo horário, o assinante tem mais 10 opções: Cleópatra, no Canal Brasil; O homem que copiava, no Sony Spin; Em algum lugar esta noite, no Futura; Piaf – Um hino ao amor, no Telecine Cult; 007 – Operação Skyfal, no Telecine Pipoca; Jogos vorazes, na HBO HD; O corvo, no Max Prime; Guerra dos mundos, na MGM; Sex and the city – O filme, na Warner; e Amigas com dinheiro, no Comedy Central. Outras atrações: Meu nome não é Johnny, às 21h, no AXN, e O plano perfeito, às 22h30, no FX.

Brincar com jacarés na
Flórida não é saudável


No segmento dos documentários, o Nat Geo exibe duas produções inéditas em sequência, a partir das 20h30. O primeiro programa, Encontro animal, estreia o episódio “Ataque mortal”, relatando dois incidentes com jacarés, ocorridos na Flória (EUA), em julho de 2004 e em julho de 2012, em que as vítimas perderam um braço. Em Os mais perigosos, “Assassinos velozes” mostra como agem predadores que podem matar em um piscar de olhos, como leopardos e alguns peixes e serpentes.

Arte 1 mostra recital do
pianista Nelson Freire


Entre as atrações musicais, alguns destaques estão na tela da Cultura: o grupo Tosskera e a dupla Daniel Garnet e Peqnoh em Manos e minas, às 17h; a banda Cérebro Eletrônico, às 18h, em Cultura livre; o terceiro episódio da série Batuques, às 23h; e o segundo Ensaio especial em homenagem a Vinicius de Moraes, às 23h30. Às 21h30, o canal BIS exibe o especial Spectacle: Elvis Costello with... Lou Reed, em homenagem ao guitarrista e fundador da banda Velvet Underground. À meia-noite, no Arte 1, será apresentado um recital do pianista mineiro Nelson Freire no Festival Verbier, na Suíça, em 2007, tocando peças de Bach, Beethoven e Schumann.

Bem Simples promove
maratona do maracujá


Os chefs do canal Bem Simples vão fazer hoje maratona para ensinar receitas com maracujá, fruto que muitos acreditam ter efeito calmante. Em dois episódios de A confeitaria, Bruna Di Túllio e outros confeiteiros mostram como fazer infusão de maracujá e torta de chocolate branco com maracujá. Na sequência, os rapazes de Homens gourmet preparam uma mousse de maracujá. E para finalizar, em Cozinha caseira, Carola Crema dá a receita de carpaccio de goiaba com coulis de maracujá. No ar às 19h30.

CARAS & BOCAS » Sertanejo sensação
Simone Castro


O De frente com Gabi deste domingo, à meia-noite, no SBT/Alterosa, recebe o cantor e compositor Michel Teló. Nascido no Paraná, ele é um dos maiores fenômenos da nova música sertaneja brasileira. Antes de estourar com seu primeiro álbum solo, ele integrou o grupo Tradição. “Há 10 anos eu tocava em bailes no Mato Grosso do Sul. Fazer sucesso em um país continental como o Brasil já é absurdo”, comenta em relação ao sucesso internacional. Ano passado, ele foi para 18 países e realizou 240 shows. “Sou viciado na estrada”, admite. “Japão foi o país para onde eu mais gostei de ter viajado, tudo lá é muito diferente.” Para cuidar da voz, ele chega dos shows e fica uma hora no nebulizador, “fazendo exercícios para a garganta”. Já do corpinho, exercício só no palco, dançando. “Tento comer certinho e o certo seria fazer aeróbico, mas me falta tempo.” Sobre o sucesso internacional, Michel Teló tem os pés no chão: “Querer que isso aconteça de novo, uma música em português cantada no mundo inteiro, é muito difícil. Tem que ter consciência de que isso passa, essa ‘ressaca” é natural”, avalia sobre repetir o sucesso de Ai se eu te pego. A vida amorosa vai bem, obrigado. O cantor namora a atriz Thaís Fersoza. “Nós dois temos uma vontade imensa de ter uma família, mas não tem uma data (para casamento)”. Com tudo nos eixos, o cantor só tem a agradecer: “Não vou à igreja pela correria do dia a dia, mas rezo e agradeço a Deus todos os dias. Sou católico sim.”

‘FENÔMENOS DA INTERNET’
ESCOLHE VÍDEO NA FINAL

No programa Eliana, amanhã, às 15h, o quadro “Fenômenos do YouTube” conta com a presença da vocalista da banda Babado Novo, Mari Antunes. Ela vai ajudar os jurados Rodrigo Fernandes, Camilla Uckers, Dicésar e Tiago Barnabé a escolher qual vídeo vai para a final. Ainda na atração, um pedido de casamento. A namorada de Felipe está no programa achando que é para fazer número na plateia, mas acabou surpreendida. Eles participam do quadro “Quer casar comigo?”. O pedido mais emocionante e o casal mais entrosado ganham móveis para mobiliar a casa e uma viagem especial.

TRAJETÓRIA DE SUCESSO DOS
PROFISSIONAIS DA CULINÁRIA


O Programa especial deste sábado, às 10h30, na Rede Minas e na TV Brasil (canal 65 UHF), apresenta a rotina dos profissionais que atuam no ramo da culinária. A atração destaca a trajetória de sucesso das pessoas com deficiência que trabalham com alimentos e bebidas. No Projeto Ver o Vinho, a reportagem encontrou pessoas com deficiência visual que conhecem diferentes tipos de vinho e seus aromas. O sushiman João Akira ensina a fazer comida japonesa, enquanto Lucídio Siqueira, que é deficiente auditivo, sonha em se tornar chef.

DODGE DURANGO GARANTE
CONFORTO PARA A FAMÍLIA


Uma picape inédita no nosso mercado, a Strada cabine dupla de três portas, lançamento da Fiat, é um dos destaques do Vrum, amanhã, às 8h30, no SBT/Alterosa. Acompanhe, ainda, uma aula sobre os filtros do carro e a manutenção que merecem. Confira também os variados tipos de moto. E Emílio Camanzi testa o Dodge Durango, um espaçoso para levar a família com todo o conforto.

LEMBRANÇAS DO PRIMEIRO
PROGRAMA COM DON E JUAN


No Don & Juan e sua história, amanhã, às 9h30, na TV Alterosa, os cantores relembram seu primeiro programa. Com os pais, eles voltam à infância e entram no clima de recordações. A atriz Júlia Lemmertz pede a música Não aprendi dizer adeus. No roteiro, ainda, Porta-retrato, Minha pequena, Menino da porteira e Cadê você.

LIÇÕES DE ELKE

Neste sábado, o Estrelas (Globo) aceita o convite de Elke Maravilha que abre as portas de sua casa. O apartamento tem as paredes repletas de fotos da carreira e objetos trazidos de vários cantos do mundo. De origem russa, Elke relembra a vinda da família para Itabira, interior de Minas Gerais. “Em russo não existe o verbo ‘ser’, o que eu acho muito bom porque ninguém é. A gente está”, declara, fazendo referência à língua materna. Ela se casou oito vezes e considera o bom humor a melhor saída para as dificuldades: “Eu rio até de fratura exposta”, revela, com sua risada característica. Outras convidadas da atração são a cantora Roberta Miranda e a atriz Maria Casadevall, a Patrícia de Amor à vida (Globo).

VIVA
Tatiana Alvim, a Socorro, que praticamente se tornou uma protagonista nos últimos capítulos de Sangue bom (Globo) e deu conta do recado direitinho.

VAIA
Dramalhão de Gina (Carolina Kasting) e Hebert (José Wilker) em Amor à vida não tem nada de mais e é uma história boba que se repete à exaustão nas novelas. 

Pesquisa detalhada do agente infeccioso da Aids deve ajudar a criar vacina

Para entender o inimigo 

Pesquisadores apresentam na revista Science o modelo da proteína usada pelo HIV para invadir as células de defesa do corpo humano. A façanha permitirá o estudo detalhado do agente infeccioso e deve facilitar a criação de vacinas contra a Aids 

Isabela de Oliveira

Estado de Minas: 02/11/2013



A estrutura do conjunto de proteínas Env: chance de estudar a chave usada pelo HIV para invadir as células (AAAS/Divulgação)
A estrutura do conjunto de proteínas Env: chance de estudar a chave usada pelo HIV para invadir as células

Um dos princípios para ganhar uma guerra, segundo o general chinês Sun Tzu, a quem foi atribuída a autoria de A arte da guerra, é conhecer muito bem o inimigo. Talvez isso explique por que a luta contra o vírus da Aids ainda não foi vencida. Apesar de muitos avanços conquistados em anos de estudo, a estrutura e o comportamento do vírus que causa a doença ainda têm vários pontos obscuros. Dois estudos independentes publicados nesta semana na revista Science devem ajudar a mudar essa situação e fornecer um caminho para o desenvolvimento de vacinas contra o HIV.

O feito das equipes responsáveis pelas novas pesquisas foi reconstituir, em nível atômico, uma estrutura presente no envelope do vírus (a camada que recobre o micro-organismo) conhecida como Env. Essa combinação de proteínas é fundamental para que o HIV consiga invadir as células de defesa do corpo humano. Com isso, os cientistas passam a ter um modelo estável dessa importante parte do vírus e poderão estudá-la detalhadamente. Até agora, isso era impossível, porque o Env se mostrava muito frágil. “Ele tende a se desmanchar, mesmo na superfície do vírus. Por isso, tivemos que desenvolver um modelo mais estável”, explica Andrew Ward, autor de um dos estudos e pesquisador do The Scripps Research Institute, em La Jolla, Califórnia.

Para alcançar a façanha, o grupo de Ward utilizou uma técnica chamada de cristalografia, que consiste em criar um cristal com a estrutura estudada e, depois, atravessá-la com um feixe de raios X. Já o outro grupo, encabeçado por Dmitry Lyumkis, também do The Scripps Research Institute, optou pela microscopia crioeletrônica, na qual as amostras são observadas em temperaturas muito baixas e vistas com resoluções altíssimas. Os dados obtidos em ambos experimentos mostraram o complexo processo pelo qual o Env muda de formato para iniciar a infecção. 

As primeiras análises mostram que a estrutura se compara às proteínas do envelope de outros vírus perigosos, como as da gripe e do ebola. Os pesquisadores acreditam que os resultados ajudarão a projetar anticorpos a ser utilizados no desenvolvimento de vacinas. A professora da Universidade Católica de Brasília, Paula Andreia Silva, que não participou do estudo, concorda. “Esse trímero de proteínas do envelope viral têm sido alvo de estudos porque é o responsável pela entrada do vírus na célula hospedeira e é alvo da ação de anticorpos que neutralizam a partícula viral impedindo a infecção. O impacto desse trabalho está na possibilidade de desenhar novos imunógenos para serem usados como vacinas contra o HIV”, afirma Silva, pós-doutora em virologia pela Humboldt Universitat e Robert Koch Institute, em Berlim.

Avanço Segundo Lívia Vanessa R. Gomes, médica infectologista e chefe do Núcleo de Infectologia do Hospital de Base do Distrito Federal, existe um grande número de estudos relacionados à determinação estrutural do HIV, incluindo a estrutura de superfície e até as proteínas das próprias células infectadas, utilizadas para formar os novos vírus formados. “A novidade é que estamos cada vez mais próximos de compreender todos os mecanismos físico-químicos envolvidos na entrada do vírus nas células humanas. Esse é um importante avanço, uma vez que permite a descoberta de novas alternativas terapêuticas que possam potencializar as já existentes e, inclusive, colaborar para o desenvolvimento de uma provável vacina, pois delineia os principais sítios antigênicos reconhecidos pelo sistema imune”, acredita a médica.
Apesar, do grande passo que o estudo representa, Gomes lembra que isso, infelizmente, não significa que a cura esteja muito próxima. “Ainda não podemos afirmar que esse é um determinante de cura ou de que teremos uma vacina viável para administração em seres humanos de forma imediata. A guerra contra o HIV ainda está sobre os alicerces da prevenção e do uso de medicações antirretrovertais, que inibem a replicação do vírus.”

Presença do vírus reduzida em macacos

Um dos avanços mais expressivos da busca por uma vacina contra o HIV foi o isolamento e a caracterização de anticorpos que possuem uma grande capacidade de neutralizar a maioria das estirpes do vírus em circulação. As estratégias de ação desses potentes anticorpos humanos, chamados de monoclonais amplamente neutralizantes (mAb), envolvem o reconhecimento e o bloqueio de peças fundamentais do envelope viral. Por serem direcionados para atacar regiões muito específicas, esses anticorpos aparecem em menor quantidade no sistema imunológico, fazendo com que sua ação seja reduzida. O que tem tornado muito difícil a tarefa de gerar uma vacina ou terapia eficiente a partir dos mAbs. 

Isso não significa, contudo, que os benefícios trazidos por esses anticorpos está relegado a um futuro distante. Dois estudos publicados na edição desta semana da revista Nature demonstram como combinações de tais ferramentas do sistema imunológico são capazes de reduzir notavelmente os níveis do vírus em macacos rhesus cronicamente infectados com o HIV. Os resultados obtidos por dois grupos de pesquisa, formados por universidades norte-americanas e europeias, foram consistentes. 

A administração de coquetéis com dois ou mais tipos de mAbs conseguiu suprimir a presença do vírus no sangue (viremia), que chegou a ficar abaixo do nível de detecção. A redução da quantidade de vírus no organismo dos animais persistiu durante semanas. No entanto, os níveis de mAb permaneceram estáveis. A equipe de pesquisa liderada por Dan H. Barouch, da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, provou que um anticorpo chamado PGT 121 foi capaz de fornecer uma supressão viral prolongada mesmo quando administrado sozinho. 

“A viremia só conseguiu se restabelecer no organismo da maioria dos animais após uma média de 56 dias, quando a quantidade de mAbs no soro sanguíneo caiu para níveis indetectáveis. Esses dados demonstram um efeito terapêutico profundo dos mAbs em macacos infectados e um poderoso impacto nas respostas imunológicas do hospedeiro. Nossos resultados incentivam fortemente a investigação da terapia com esses anticorpos em seres humanos”, diz Barouch.

Combinação Louis Picker, pesquisador da Universidade de Saúde e Ciência do Oregon, também nos EUA, destaca que o trabalho deve ser analisado com cautela. Afinal, os testes ainda não foram realizados em humanos e a elevada mutabilidade do HIV dificulta o uso dos mAbs terapêuticos . No entanto, o especialista acredita que os resultados podem revolucionar os esforços para combater a Aids.
A junção da terapia convencional e da abordagem com mAbs poderia reduzir a replicação viral de forma mais eficiente. “No mínimo, esses resultados vão catalisar colaborações entre as equipes de especialistas que têm, por décadas, trabalhado com linhas diferentes de prevenção e tratamentos contra o HIV”, completa o pesquisador, que não participou dos estudos. (IO)