quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Ácido úrico nas alturas‏

Ácido úrico nas alturas
 
Consumo de bebidas alcoólicas e excesso de alimentos ricos em proteína elevam nível da substância. Quando alta demais no organismo, ela provoca inflamação nas articulações, gerando muita dor


Paula Takahashi
Estado de Minas: 15/01/2014


Entre as doenças mais antigas de que se tem registro na medicina, a gota está na mira da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). “Apesar de ter tanto tempo, as causas serem conhecidas e haver remédios para o tratamento, a enfermidade ainda é muito mal tratada”, reconhece o coordenador da Comissão de Gota da SBR, Geraldo Castelar. Segundo o especialista, são poucos os pacientes que conferem cuidado adequado ao problema ou recebem orientações corretas para controlar os sintomas. Para mudar esse quadro, pesquisas estão em andamento e serão usadas para atualizar o quadro da gota no Brasil.

Desencadeada pela elevação de ácido úrico no sangue, a gota tem um fator genético determinante, podendo ser passada de pai para filho. Bebidas alcoólicas em excesso e alimentação rica em proteína também podem aumentar os índices da substância, evoluindo para a inflamação das articulações. “O principal causador é a predisposição genética, aferida por meio do histórico familiar. Mas se a pessoa abusa do álcool, pode desenvolver a gota, mesmo com pouca predisposição para isso”, alerta o reumatologista e presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia, Boris Cruz.

Ao contrário do que reza o conhecimento popular, qualquer bebida alcoólica pode desencadear a produção excessiva de ácido úrico no sangue e não apenas as fermentadas, como a cerveja. “Existe uma crença de que as versões destiladas podem ser consumidas, mas qualquer bebida alcoólica provoca alterações no metabolismo”, esclarece Boris. É no fígado que dois terços do ácido úrico é produzido. O restante é proveniente da degradação da purina, proteína encontrada principalmente em carnes brancas e vermelhas, vísceras e frutos do mar.

Parte desse ácido úrico é eliminado pelos rins, enquanto o restante permanece no sangue. Para superar os níveis considerados aceitáveis, é preciso produzir muito mais ácido úrico do que o organismo é capaz de eliminar ou ter alguma deficiência no processo de expulsão da substância do corpo por meio da urina. “Esse último caso atinge 90% dos pacientes”, calcula Geraldo Castelar.

Em excesso, o ácido úrico pode formar cristais que, com o passar do tempo, são depositados nas articulações, evoluindo para a gota. “Por ter uma temperatura local mais baixa, esse depósito de cristais ocorre principalmente nas extremidades do corpo, como no dedão do pé e na orelha”, explica Castelar. Traumas frequentes como batidas formam o cenário perfeito para que as primeiras crises ocorram justamente no dedão do pé. Com o tempo, podem atingir outras regiões, como cotovelo, tornozelo, joelho, calcanhar, ombros e mãos. Vale lembrar que não são todas as pessoas que têm a substância em nível elevado no organismo que desenvolverão a gota. O diagnóstico definitivo só é possível mediante a punção do líquido presente no local inflamado e verificação da presença dos cristais de ácido úrico.

HOMENS EM FOCO A doença é predominantemente masculina, podendo se manifestar a partir dos 30 anos, sendo mais comum na faixa de 40 a 50 anos. “A mulher, principalmente durante a vida fértil, tem altos níveis de estrogênio, hormônio que aumenta a excreção renal de ácido úrico. Por isso a gota não é comum antes da menopausa”, explica Castelar. O sintoma mais comum é de inchaço na área atingida, seguido de uma forte dor. “É a forma de inflamação das articulações que provoca a dor mais intensa. Essa condição é utilizada, inclusive, como fator de diagnóstico”, reconhece o reumatologista e presidente da Sociedade Mineira de Reumatologia Boris Cruz.

Se não tratada corretamente, a gota pode atingir quadros preocupantes que incluem deformidade das articulações e formação de tofos, caroços fixados próximo às articulações. “Eles podem inflamar, provocar erosão e desgaste ósseo e levar até a deformidades características da fase crônica da doença”, descreve Cruz. Outras funções do organismo também podem ser comprometidas pelo ácido úrico em excesso. “Pode haver formação de pedras nos rins, doenças renais, hipertensão, artrite e problemas cardiovasculares. Pesquisas recentes associam a substância à resistência à insulina, determinando um maior risco de desenvolvimento de diabetes”, alerta a nutricionista Juliana Castilho.


Enquanto isso... dados são coletados


Foi lançado no final de 2013 levantamento para verificar como os profissionais estão tratando a gota no Brasil. “A partir dos resultados, vamos elaborar atividades de educação médica continuada”, afirma Geraldo Castelar, coordenador da Comissão de Gota da Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Na maior parte dos casos, não é o reumatologista, mas sim o clínico geral, médico de saúde da família, cardiologista e até o ortopedista que identificam o problema. “No primeiro momento, queremos atualizar os conhecimentos dos próprios reumatologistas para depois reproduzir as informações para as demais especialidades médicas”, planeja Castelar. Também está em fase de pesquisa o percentual da população brasileira acometida pelas dores nas articulações causadas pelo excesso de ácido úrico no sangue. Nos Estados Unidos e Europa, estima-se que 1,5% da população adulta seja portadora de gota.


Sem carne e sem álcool


Américo José Vivas de Sá - empresário    (Euler Júnior/EM/D.A Press)
Américo José Vivas de Sá - empresário
Com gota desde os 30 anos, o empresário Américo José Vivas de Sá, de 48, lembra que, durante as crises, não podia fazer qualquer movimento com o pé. “Não podia nem sequer ventar no local”, conta, na tentativa de descrever a intensidade do sofrimento. Com nível de ácido úrico quase duas vezes superior ao considerado normal, ele lembra que qualquer excesso era suficiente para desencadear as crises, que, ao longo do tempo, se tornaram mais intensas e frequentes. “Diante disso, resolvi eliminar as bebidas alcoólicas e reduzir o consumo de carne. Somente com o lançamento de um remédio é que as crises foram controladas definitivamente.”

CARTÃO DE CRÉDITO » Anuidades até 900% mais caras

CARTÃO DE CRÉDITO » Anuidades até 900% mais caras
Victor Martins

Estado de Minas: 15/01/2014


Os consumidores que receberam as faturas de cartão de crédito neste início de ano levaram um susto. Sem qualquer explicação plausível, os bancos e as administradoras desse meio de pagamento aumentaram as tarifas de anuidade entre 14,6% e 937%, provocando uma reação irada da clientela. Como não há um teto para as tarifas e uma regulação mais severa para o segmento, as instituições financeiras e as empresas se sentem confortáveis para avançar sobre o bolso dos usuários de cartões.

Além dos reajustes abusivos, uma vez que a inflação de 2013 foi de 5,91%, muitos clientes se queixam de promessas não cumpridas. É comum, na aquisição do dinheiro de plástico, que a instituição dê garantias de taxas reduzidas ou mesmo nulas. Com o tempo, porém, as cobranças das anuidades são inseridas nas faturas em parcelas que passam despercebidas pelos consumidores.

Para os órgãos reguladores, a exemplo do Banco Central e o Ministério da Justiça, não é possível definir um valor máximo das tarifas. Os encargos são determinadas pelo mercado e o consumidor deve ficar atento na hora de decidir se permanece ou não cliente do banco ou da administradora. "Não há controle sobre o valor das tarifas em cartões de crédito. Circulares do BC e resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN) determinam transparência e que as tarifas correspondam a prestação de um serviço. É importante ressaltar que os reajustes devem ser informados com clareza aos consumidores", disse Juliana Pereira, secretária Nacional de Defesa do Consumidor (Senacon).

MULTA O economista Giancarlo Gil Soares, 50 anos, queixa-se de problemas com o Citibank. Depois de promessas de que o cartão emitido pelo banco seria isento da taxa de anuidade, após o primeiro ano de uso foi cobrada uma tarifa de R$ 24. Inconformado, ele entrou em contato com a instituição para entender o porquê da mudança no acordo, mas o máximo que conseguiu foi dividir o valor em três prestações de R$ 8. "Quando ameacei cancelar o cartão, me ofereceram o parcelamento", explicou Soares. Entre 2012 e 2013, no entanto, a anuidade subiu para R$ 249 — um aumento de 937,5% frente a primeira anuidade. "Eu me recusei a pagar esse valor", disse.

Diante da negativa em quitar a tarifa, o Citibank, segundo Soares, passou a cobrar juros e multa sobre o valor. Com a virada do ano, a tarifa apresentou nova alta. Passou para R$ 315, um ajuste de 26,5%, quase cinco vezes mais que a inflação oficial de 2013. "Essa conta veio rolando e hoje está em R$ 1.110,63." O Citi informou que deu descontos ao cliente e que está à disposição para mais esclarecimentos.

Problemas semelhantes foram detectados em outras instituições. No Bradesco, clientes relataram aumentos de 14,6%, com a anuidade passando de R$ 348 para R$ 399. Na bandeira American Express, a tarifa passou de R$ 960 para R$ 1.200 — mais de 25%. No Itaú Unibanco, os ajustes ficaram em torno de 30%. O Bradesco, que controla a American, informou, por meio da assessoria de imprensa, que os reajustes em valores elevados, são improcedentes. O Itaú Unibanco não se pronunciou até o fechamento da edição.

Carro, presente de Deus ou de grego?‏

Carro, presente de Deus ou de grego?
Eduardo Amaral Gomes
Médico Ortopedista

Estado de Minas: 15/01/2014


Observa-se, atualmente, com uma frequência cada vez maior, estampado no vidro traseiro dos automóveis, um adesivo em letras garrafais, para deleite dos felizes e orgulhosos motoristas, usuários de um bonezinho com a aba voltada para trás: “Presente de Deus”. Denota-se no adesivo a concretização de um acalentado sonho, em nível mundial: a posse de um automóvel está, atualmente, em primeiro lugar na lista de consumo dos bens duráveis, até mesmo na frente da tão sonhada casa própria – em segundo plano, dado seu elevado valor e prolongado tempo para a efetivação da aquisição.

Mas, pensando racionalmente, seria mesmo um presente de Deus ou estaria o orgulhoso proprietário usando o Seu santo nome em vão? Observa-se tal fato até mesmo na área da construção civil. Quando da compra de um apartamento, por exemplo, o cabeça do casal preocupa-se, fundamentalmente, com a vaga de garagem, onde ele vai guardar seu valioso carrinho. Pede ao vendedor detalhes como o número de vagas, dimensões, se é coberta ou não, se é livre ou travada. A infeliz esposa, preocupada com as diminutas dimensões da cozinha, onde um tem que sair quando o outro entra, ou com a área minúscula do quarto do filho adolescente, onde não cabe uma cama de casal, fica em segundo plano. Alguns corretores até acham que o marido gosta mais do carro do que da esposa.

Por outro lado, as despesas de um carro são múltiplas, equivalendo às de uma segunda família. Economistas de renome fizeram as contas, na ponta do lápis, e chegaram à conclusão de que um veículo zero quilômetro, popular, rodando 1.250 quilômetros por mês e totalmente pago, equivale a uma despesa de, no mínimo, R$ 800 mensais. Incluem-se aí a depreciação acentuada do veículo e o custo de oportunidade, que seria o rendimento auferido mensalmente se o dinheiro pago estivesse aplicado em uma instituição financeira qualquer. Com um detalhe: deixando-se o automóvel totalmente parado em uma garagem, a economia que se faz é somente do combustível que se deixa de gastar. O taxímetro das outras despesas continua a trabalhar dia e noite.

Se o veículo for financiado, o que ocorre na maioria das vendas, aí é que a “porca torce o rabo”, lembrando que 58% da frota brasileira de veículos é financiada. Muitas vezes, o adquirente de um carro preocupa-se em saber se o valor do financiamento cabe em seu bolso, desprezando os juros a serem pagos, a quantidade de prestações e demais despesas inerentes à manutenção do veículo.

Desse modo, somando-se os R$ 800 de despesas mensais mais a mensalidade do financiamento de R$ 500, por exemplo, de um carro dito popular, chegaríamos à estonteante quantia de R$ 1.300 mensais, se não houver “acidente de percurso”, como uma batida, por exemplo. Como o ainda feliz proprietário não vive de vapor de gasolina, seu salário para sobreviver e com as despesas do carro deveria ser, pelo menos, o dobro, cerca de R$ 2.600 mensais líquidos, salário difícil de receber por muita gente. Muitas pessoas também se esquecem de que as despesas com um carro nos três primeiros anos de uso equivalem ao preço de outro carro novo.

Se o saltitante proprietário do carro tem outros financiamentos, como o da casa própria, empréstimo consignado, cartão de loja, cartão de crédito, cheque especial, empréstimos bancários e outros, e não fizer os cálculos na ponta do lápis, terá uma porta aberta para o caos financeiro; ou seja, o tão temido superendividamento, um inferno astral para o devedor. Tal fato denota o elevado número de inadimplentes em carros financiados.

Destarte, conclui-se que, muitas vezes, se não posicionado financeiramente, o presente de Deus pode se transformar em um presente de grego.

Tecnologia e terceira idade - Moema Belo

Tecnologia e terceira idade 
 
Moema Belo
Diretora executiva do Grupo Cotemig


Navegar na internet e enviar e-mails favorece a autoestima dos idosos

Estado de Minas: 15/01/2014


A tecnologia e os meios de informação fazem parte do cotidiano como facilitadores da comunicação e de diversos serviços. O processo marca a importância da inclusão digital na sociedade, indiferentemente da idade ou classe social. Dados do IBGE revelam que a parcela da população que utiliza a internet passou de 20,9% em 2005 para 46,5% em 2011. O incremento em seis anos foi de 45,8 milhões de usuários, sendo que, desses, cerca de 8 milhões estão com mais de 50 anos. Ainda que essa pesquisa aponte a participação dos idosos no meio digital, é fácil encontrar muitas pessoas com alienação tecnológica. A capacitação do idoso é uma grande aliada para a saúde e bem-estar, sendo apropriada também para estimular o cérebro e a memória, aumentar a autoestima e facilitar a aquisição de informações e relacionamentos. A evolução tecnológica para a sociedade está cada vez mais acelerada. Ninguém escapa de usar novos aparelhos ou serviços em plataformas digitais. Isso impulsiona todos os setores e gera grandes melhorias, que auxiliam na conclusão de tarefas do cotidiano. Saber usar o computador ou navegar na internet, em qualquer faixa etária, garante maior interação com a sociedade, uma vez que o internauta estará diante de possibilidades de negócios, de ampliar seus relacionamentos e de obter uma pluralidade de informações e serviços.

Contudo, assim como a maioria dos processos que envolvem a evolução social, o acesso à tecnologia não aconteceu de forma igualitária, gerando uma exclusão digital. No Brasil, essa exclusão ainda é acompanhada pela desigualdade social e diferenças regionais. Outro aspecto que dificulta ainda mais a participação de idosos no universo on-line é o choque de gerações. Ao contrário das gerações mais novas, amadurecidas em um período com ampla tecnologia, a terceira idade vê os equipamentos como uma novidade e precisa de estímulos para perder o receio da tecnologia. O aprendizado tecnológico pode acontecer de forma gradual com estímulos para isso. Os mecanismos de inclusão digital devem ser proporcionados à população sem distinção de idade ou escolaridade. Apesar de raros, existem programas de extensão que oferecem cursos estruturados de informática. O conteúdo didático é elaborado de acordo com as peculiaridades dos idosos e ministrado por pessoas preparadas para lidar com o processo de aprendizagem desse público. No Colégio e Faculdade Cotemig, por exemplo, promovemos, anualmente, um projeto para inclusão digital da terceira idade, atendendo as comunidades dos bairros Barroca e Floresta, onde estão nossas unidades. Trata-se de um curso de informática gratuito, ministrado e monitorado por alunos voluntários para pessoas acima de 60 anos, que aprendem a utilizar o computador e a internet, enviar e-mails e navegar em sites de pesquisas e entretenimento.

A importância do acesso dessa população ao universo virtual é indiscutível na era digital. A tecnologia pode ser definida como um elemento-chave para o desenvolvimento da sociedade. Ter acesso a esse artifício mantém o idoso informado sobre questões que permeiam o seu cotidiano, proporcionando cidadania, autonomia e, acima de tudo, gerando benfeitorias para a saúde, já que o contato tecnológico mantém a mente ativa.