quarta-feira, 9 de abril de 2014

Transparência nos rótulos [Alergia alimentar pode matar]

Transparência nos rótulos
Alergia alimentar pode matar. Famílias lançam movimento na internet, para que informação nas embalagens dos produtos seja obrigatória. Apoio da população é fundamental


Valéria Mendes
Do Portal Saúde Plena
Estado de Minas: 09/04/2014



Alergia alimentar deve ser levada a sério e os riscos de choque anafilático e fechamento de glote, entre outras reações graves, existem e fazem vítimas Brasil afora. Pesquisa desenvolvida na Unidade de Alergia e Imunologia do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), em 2009, mostra que 39,5% das reações alérgicas estão relacionadas a erros na leitura de rótulos dos produtos. A alergia alimentar atinge 8% das crianças e entre 3% e 5% dos adultos. Um estudo feito em uma década nos Estados Unidos (1997-2007) indicou aumento de 18% nos casos de alergia alimentar na faixa etária até 18 anos. Diante da ausência no Brasil de uma legislação específica para os rótulos de alimentos, que indiquem a presença de ingredientes considerados mais potentes para desencadear uma reação alérgica – oleaginosas e lactose, por exemplo –, cerca de 600 famílias se engajaram em uma campanha pelas redes sociais intitulada #poenorotulo, que tem o objetivo de tornar obrigatória a rotulagem correta e completa dos alimentos no país.

A ação na internet (acesso pelo www.facebook.com/#poenorotulo) quer também chamar a atenção da população não alérgica para a importância dessa informação. Pessoas públicas, como o ator Mateus Solano e o músico Toni Belloto, apoiam a campanha. Nesse contexto, é importante destacar que o alérgico alimentar pode morrer dependendo do grau de sensibilidade. A insistência de haver na rotulagem a indicação de traços ou ingredientes que podem causar reações é importante porque nas indústrias alimentícias há uma prática comum de compartilhamento de maquinário para produção de vários produtos. Esse compartilhamento gera o que é denominado de “traços de alérgenos”, ou seja, alguns produtos como pão ou biscoitos podem não conter exatamente um determinado ingrediente, mas podem ter “traços”, por serem fabricados na mesma máquina, mesmo que esta seja higienizada. Alérgeno é um tipo de alimento que pode desencadear reações alérgicas.

LONGA ANGÚSTIA A pedagoga Marcela Bracarense, de 33 anos, sabe bem o que é passar meses angustiada, investigando o que levava o filho, Augusto, a ter tantos problemas. Ela passou a noite de 31 de dezembro de 2011 ao lado do berço, pois temia que ele, na época com 1 ano e três meses, parasse de respirar e morresse. “Ele já tinha ido ao hospital e estava medicado há três dias com antibiótico. Os médicos disseram que não tinha o que ser feito, que teríamos que aguardar a medicação fazer efeito e fomos para casa”, recorda-se. O diagnóstico era sinusite, faringite e laringite. “Ele dormia e parava de respirar. Eu o acordava e dizia: ‘respira, Augusto, respira’. Ele dormia mais um pouquinho, parava de respirar de novo e eu lá, massageando e pedindo para ele respirar. Naquela noite eu decidi que descobriria o que ele tinha”, afirma.

E assim foi feito. Em 1º de janeiro de 2012, depois de uma pesquisa na internet, Marcela se convenceu que o filho tinha tido uma reação alérgica. O réveillon daquele ano caiu em um final de semana e a mãe só conseguiria um médico na segunda-feira. Apreensiva, recebeu uma doação de uma fórmula alimentar de aminoácidos livres indicada para alergias severas. Três dias depois, o filho era outra criança. “Ele passou a dormir sem crises de apneia, sem roncar. Comecei a conhecer meu filho de outra forma. Troquei de gastropediatra e também de pediatra e fui acolhida por uma médica que abraçou minha tentativa de buscar o diagnóstico de alergia alimentar”, conta.

Naquele início de 2012, Marcela descobriu que o filho tinha alergia às proteínas do leite e a soja. “O diagnóstico não aparece nos exames específicos de sangue, chama-se alergia alimentar não mediada. Suspendi o leite, todos os derivados e ele se tornou outro menino. Na época, descobrimos que ele estava, inclusive, desnutrido”, relata. A partir daí, a família precisou passar por um processo de adaptação até que a saúde de Augusto se estabilizasse. “Foram tantas vivências... Depois de março de 2013, quando ele teve o choque anafilático com edema de glote durante uma tentativa de reintrodução do leite de vaca na dieta, ficamos ainda mais apreensivos com possíveis ingestões acidentais. Mais do que nunca, depois desse episódio, redobramos nossa atenção aos rótulos de industrializados”, afirma a pedagoga.

UTENSÍLIOS SEPARADOS Para se ter uma ideia da rotina da família que tem entre seus entes uma pessoa alérgica, Marcela conta que, como o pai de Augusto continuou consumindo laticínios, na casa deles há utensílios específicos para o filho. Até a bucha para lavá-los é diferente. “Dedico-me pessoalmente à cozinha e à higiene dos utensílios. Demorei mais de um ano para descobrir que alguns episódios de alergia do Augusto, mesmo depois do diagnóstico, eram causados por traços dentro da minha própria casa.”

Ao ter de aprender a se adaptar, Marcela garante que o filho, além de ter muita qualidade de vida, desfruta de momentos felizes em festas, com os amiguinhos. “Tem aniversário de colega em pizzaria? Eu faço a pizza, ele leva e come junto de todo mundo. No Natal, fiz um panetone especial para ele, que comeu com toda a família. Até brigadeiro para festa de aniversário é possível adaptar.”


Caneta de adrenalina sempre na bolsa

A jornalista Mariana Claudino, de 40 anos, conhece bem a gravidade da situação de uma alergia alimentar e passou a integrar a coordenação da campanha #poenorotulo. No ano passado, o filho dela, Mateus, de 4, teve dois episódios de pré-choque. “Ele tem alergia gravíssima a leite de vaca e às proteínas do leite. À medida que ele foi tendo pequenos contatos com esses alimentos, a alergia foi ficando mais potente até chegar à área respiratória.” Pipoca e giz de cera foram os responsáveis pelo susto da família em 2013. “Perguntei ao pipoqueiro se ele havia usado manteiga ou óleo. Ele respondeu que só no óleo, mas não contou que tinha queijo. O Mateus começou a inchar, ficou com dificuldade de respirar, foi grave, mas conseguimos controlar. Em outra ocasião, ele brincava com os colegas da escola no pátio com giz de cera. Toda criança brinca de giz. Só que na composição desse giz tinha caseína, um das proteínas do leite. A ação foi igual a de veneno de cobra. Ele inchou, começou a tossir, a coordenação da escola me ligou desesperada, mas também superamos esse episódio”, narra.

Depois dos acontecimentos, Mariana decidiu que o filho precisava ter uma caneta de adrenalina na escola para usar em situações como a do giz. “A caneta não é vendida no Brasil, é muito cara e para importar mais barato é preciso pedir judicialmente”, diz. A pedagoga Marcela Bracarense também usa essa estratégia. “Tenho um kit de adrenalina sempre comigo, caso seja necessário novamente”, diz, acrescentando que o lado positivo de tudo isso é que, em função de Augusto, a família aprendeu a consumir mais alimentos frescos e orgânicos, a ler rótulos não apenas para identificar alérgenos, mas para consumir industrializados de marcas que se preocupam com quantidade de sódio e de açúcar. “Em função de um sistema de rotulagem precário no Brasil, muitas famílias têm optado por consumir importados pela garantia de informação correta nos rótulos. “Certamente, essa necessidade de recorrer a esses produtos diferenciados pesa muito no orçamento doméstico e não se faria presente caso a rotulagem dos produtos nacionais fosse mais segura”, conclui Marcela.

Eduardo Almeida Reis-Coparticipaçáo‏

Em Buerarema, Bahia, ficarão as seleções da Alemanha e da Suíça às voltas com os conflitos entre índios e produtores rurais


Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 09/04/2014






Certos espetáculos envolvem tantos investimentos, tantos interesses, tantos ganhos, comissões e ladroeiras, que não podem ser imputados a um só cidadão, por pior que seja: exigem coparticipação. Há sempre um núcleo responsável pelo que acontece. Mesmo nos regimes ditatoriais extremos é difícil acusar unicamente Hitler, Stálin, Mao, Fidel, Pol Pot de todos os crimes cometidos. Em torno deles havia grupos de apoio aos crimes que todos vimos ainda no século passado.
Temos, agora, a suprema imbecilidade da Copa 2014 num país carente de hospitais, escolas, estradas, energia elétrica, portos, saneamento, aeroportos, e carente até de bom futebol: há jogos da primeira divisão em que a assistência não chega a mil pagantes.

Houve núcleos responsáveis pela ideia de realizar a Copa no Brasil. Deles fazem parte pessoas e empresas que já faturaram bilhões, repassando comissões a políticos, dirigentes de federações e outros do mesmo naipe. Fala-se em “legado da Copa” como se espetáculos do gênero, por aqui, legassem algo além de ruínas e maus exemplos.
Mais grave que isso: relatórios do próprio governo, que promete a Copa das Copas, temem pelo que possa acontecer em certas regiões. Em Buerarema, Bahia, ficarão as seleções da Alemanha e da Suíça às voltas com os conflitos entre índios e produtores rurais. O keeper Manuel Neuer, da Alemanha, um dos melhores do mundo, tem quase 2 metros de altura e deve ser alvo fácil para uma flechada.

Na Mata de São João, sede dos croatas, quilombolas reivindicam área de 30 mil hectares. Fosse francesa a seleção, a reivindicação quilombola seria apoiada no maior entusiasmo. Há mais craques afro-gauleses atuando nos times franceses do que nas equipes africanas.


Lição

 Logo que fui admitido no Globo, então vespertino que rodava às 9h, incumbiram-me de fazer matéria sobre as favelas cariocas. No entusiasmo dos jovens repórteres, pensei em alugar pequena casa numa favela para sentir o problema in loco ou in situ, o que significa dizer “no próprio local”. Naquele tempo, a loucura ainda seria possível.
Entrei em contato com diversas assistentes sociais e fui abastecido de tantos dados, tantos estudos, que em poucas semanas havia uma pilha de escritos de leitura impossível. Foi quando um velho repórter me disse: “Solta logo, menino, antes que alguém te fure”. Não era furar no sentido de ser espetado por um punhal na favela, mas furo jornalístico “notícia importante, publicada por um órgão de imprensa antes dos demais”.

No recente episódio do desaparecimento do Boeing da Malaysia Airlines lembrei-me do conselho do velho colega. Ali pelo décimo dia do sumiço pensei em fazer um suelto comparando o avião com as seis vigas da Perimetral do Rio, cada uma pesando 40 toneladas em aço especial suposto de durar 300 anos, vigas que desapareceram sem deixar notícia.
Sumiço de avião com mais de 200 passageiros é coisa séria, que não permite graça, mas o roubo das vigas foi hilariante. Afinal, cada peça de 40 toneladas não cabe num caminhão comum, nem mesmo nos grandes, e depende de guindaste para ser posta em cima de uma carreta. Não no meio do Oceano Índico, ou na Oceania, mas no centro da cidade do Rio de Janeiro. E as vigas, somando 240 toneladas, sumiram sem deixar endereço.

Pois bem: o avião ainda estava desaparecido e um rapaz chamado Queiroz comentava o fato, através da internet, comparando-o com o roubo das vigas de 240 toneladas, justificando o conselho do velho colega de redação: “Solta logo, menino, antes que alguém te fure”.


O mundo é uma bola

9 de abril de 1555: o cardeal Marcelo Cervini é eleito papa Marcello II e seu pontificado dura exatos 21 dias, provando que eleição de papa quase sempre equivale a uma sentença de morte. Em 1691, forças francesas capturam a cidade de Mons na Bélgica.

Em holandês e alemão Bergen, em picardo, Mont – Mons, é uma cidade francófona da Bélgica situada na região da Valônia. Picardo, como é do desconhecimento geral, é o dialeto francês da Picardia, que suponho fique perto da Valônia. Picardia, substantivo feminino em língua portuguesa, tanto pode significar garbo, elegância, como ação de velhaco, desfeita acintosa, logro, desconsideração. Prometo descobrir os motivos que levaram as forças francesas, em abril de 1691, a capturar Bergen, Mons ou Mont. Se foi pelos biscoitos belgas, obraram muito bem.

Em 1721 um terremoto mata 250 mil pessoas na Pérsia, atual Irã. Em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, as tropas de Portugal sofrem severa derrota na Batalha de La Lyz. Pudera: os portugueses enfrentaram as forças imperiais alemãs. Em 1928 o islamismo deixou de ser religião estatal na Turquia, mas tenho cá as minhas dúvidas. Em 2005, casamento de Charles, príncipe de Gales, com a idosa Camila Parker-Bowles, nascida Camila Rosemary Shand no ano de 1947. Em 1954 nasceu Joyce Pascowitch, colunista social brasileira de família judaica. Hoje é o Dia Nacional do Aço e o Dia da Biblioteca.


Ruminanças

“Há pessoas que têm uma biblioteca
como os eunucos têm um harém” (Victor Hugo, 1802-1885). 

terça-feira, 8 de abril de 2014

TeVê

TV paga

Estado de Minas: 08/04/2014



 (Paprica Fotografia/Divulgação)

Na estrada


O humorista Paulo Gustavo embarca em uma nova viagem hoje no canal Mutishow, com a estreia, às 22h, da série Paulo Gustavo na estrada (foto). A produção acompanha o artista durante as turnês dos espetáculos Hiperativo e Minha mãe é uma peça e até numa esticada até Nova York.

Assinantes vão ficar  com água na boca


No Discovery Home & Health, hoje é dia de Terças à mesa, com três atrações de dar água na boca. Às 20h40, em Jr. masterchef, uma disputa gastronômica envolve crianças de 8 a 12 anos encarando o desafio de prepara pratos com lombo, vieiras, chili, abacaxi, pera, baunilha, hortelã e limão. Às 21h30, em Batalha dos confeiteiros, Buddy Valastro continua sua busca por um assistente entre 13 candidatos. E às 22h20, em Guerra dos cupcakes, quatro confeiteiros de bolinhos mostram suas habilidades na preparação da mesa para uma festa VIP da Broadway. Em tempo: no GNT, às 22h, em Bela cozinha, a chef e nutricionista Bela Gil cozinha para Baby do Brasil, adepta da alimentação saudável, um cardápio à base de grãos: mingau de aveia com leite de amêndoas, quibe vegetariano com triguilho e salada de quinoa com ervilha.

Conheça o parque da  Ferrari em Abu Dabi


Para os fãs da velocidade, o canal +Globosat promove hoje a estreia da série O mundo da Ferrari, às 17h30. Em quatro capítulos, o programa mostra detalhes do parque temático da montadora italiana, um dos maiores complexos de entretenimento do mundo, construído no Yas Island, uma ilha artificial a 40 quilômetros do Centro de Abu Dabi, capital dos Emirados Árabes. O local conta com um parque aquático, campo de golfe, canais artificiais, marinas, hotéis e pista de corrida, utilizada para várias modalidades do automobilismo mundial.

NatGeo conta como Itaipu foi construída


Ainda no segmento dos documentários, o destaque de hoje é a série Obras incríveis, às 20h, no NatGeo, com um episódio sobre Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo e um grande triunfo da engenharia de grande escala. O programa mostra como os engenheiros e mais de 40 mil trabalhadores brasileiros e paraguaios trabalharam contra o relógio para erguer esta imensa estrutura.

Faroeste na madrugada  e no Planalto Central

O Telecine Cult dá sequência ao especial Madrugada faroeste, virando a noite com mais dois longas do gênero: Sinistra emboscada (23h50) e Valente como poucos (1h15). Já o brasileiro Faroeste caboclo, baseado na canção de Renato Russo, será reprisado pelo Telecine Pipoca, às 20h. No canal FX, sessão dupla com Planeta dos macacos (2001), às 20h25; e Planeta dos macacos: a origem, às 22h30. No Canal Brasil, a atração de hoje, às 22h, é O homem que não dormia, de Edgard Navarro. Na mesma faixa das 22h, o assinante tem mais seis opções: Frankenstein (2004), no Cinemax; Perigo por encomenda, no Max HD; Tempos de violência, na MGM; U-571 – A batalha do Atlântico, no Studio Universal; O diário de Tati, no Telecine Fun; e Intocáveis, no Telecine Premium. Outros destaques: Atirador, às 19h40 , no Universal; Escuridão, às 20h35, no Max; Vestígios do dia, às 20h55, na Warner; Deixe-me viver, às 21h30, no Viva; Janie Jones, às 21h55, no Glitz; A proposta, às 22h30, na TNT; e A rocha do diabo, às 23h, no Space.




CARAS & BOCAS » Quase presa
Simone Castro

Selma (Ana Beatriz Nogueira) vai preocupar toda a família com  (Cynthia Salles/TV Globo-24/3/14)
Selma (Ana Beatriz Nogueira) vai preocupar toda a família  

Nos próximos capítulos de Em família (Globo), Selma, personagem de Ana Beatriz Nogueira, se verá em apuros. Ela será flagrada furtando lingeries em uma loja do Rio de Janeiro. E, por pouco, não acabará presa. Tudo começa quando Selma passeia em um shopping e entra em uma loja. Na cena, ela é barrada ao sair e o segurança pede para que ela o acompanhe. Selma se revolta e não aceita. A confusão começa e a bolsa da mãe de Laerte (Gabriel Braga Nunes) acaba caindo no chão, fazendo com que várias lingeries se espalhem. Até que Shirley (Viviane Pasmanter) aparece e interfere. “Tirem as mãos de cima dela! Agora! Essa senhora está comigo!”, dispara. O segurança diz que Selma estava furtando as peças e a dondoca inventa uma desculpa: “Deixa de falar bobagem. Quer levar um processo? Essas peças são minhas. Eu escolhi e pedi que ela guardasse para mim enquanto eu ia a outra seção... e ela, certamente, colocou na bolsa por distração”. Daí, chega Chica (Natália do Valle) e Shirley pede que ela leve Selma para tomar um café enquanto desfaz a confusão. Depois, ela conta tudo o que ocorreu. “Eu gostei daquela lingerie, por isso eu ia trazer. A moça disse que eu não podia, porque eu tinha que pagar, que ia chamar a polícia. Fiquei com medo. Em Goiânia, todos me conhecem, mas aqui no Rio... Se não fosse você, Shirley..., aparecer naquela hora. Eu ando esquecendo muito as coisas.” Chica se desespera. “Ela... ela colocou na bolsa várias peças de lingerie e ia saindo da loja sem pagar. Devia estar perturbada, claro. Mas o segurança não quis saber. Segurou ela e queria levá-la para a delegacia”, conta Shirley. Chica reage: “Minha Nossa Senhora! O médico tinha me falado que podiam ocorrer esses surtos de cleptomania”. Ela se preocupa mais ainda quando Shirley diz: “E ela não viu nada de mais, achou muito natural encher a bolsa e ir saindo da loja”. A mãe de Helena (Julia Lemmertz) completa: “Ele também falou nesse sintoma. Na possibilidade mesmo dela ir perdendo o senso crítico. E não distinguir direito o que está certo e o que está errado”.

SiLVIO SANTOS NÃO DÁ
CHANCE A CONCORRENTE


O apresentador Silvio Santos venceu, anteontem, a estreia do reality show musical Superstar (Globo), segundo comunicado oficial do SBT. Na disputa das 23h02 à 0h04, a atração marcou 12,5 pontos contra 12,2 do reality. Na média geral, das 19h56 à 0h04, Silvio Santos conquistou a vice-liderança com 10,3 pontos contra 17,0 da primeira colocada, 10,0 da terceira e 4,7 da quarta. O share foi de 18,3 e o pico de 15,2. Em seu primeiro programa gravado do ano, depois das férias, Silvio recebeu os humoristas Danilo Gentili e Fábio Porchat no “Jogo das 3 pistas”. Bem-humorado como sempre, brincou com Gentili, seu novo contratado. “Como chama o programa dele, é o “De Nóte?” Já sobre Porchat, afirmou que o auditório apenas ria das piadas dele porque acha o humorista bonito. Sobre uma possível entrevista dele para Danilo, avisou: “Ele que não venha com a ideia de querer me entrevistar, porque eu fiz promessa. Quando eu for entrevistado, no dia seguinte eu morro. A cigana me avisou e eu vou atrás da cigana. Eu acredito na cigana”, brincou. Enquanto isso, o novo programa da Globo, comandado por Fernanda Lima e André Marques, derrapou não só na audiência como em problemas técnicos que inviabilizaram o uso pleno do aplicativo para celulares e tablets na participação do público em votar em uma das bandas participantes, que disputavam também a preferência dos jurados Ivete Sangalo, Fábio Jr. e Dinho Ouro Preto.

SEM MARÍLIA PÊRA

A terceira temporada da série Pé na cova (Globo), de Miguel Falabella – também ele um dos principais nomes do elenco –, retorna à cena, mas sem Marília Pêra. A atriz, que interpretava a alcoólatra Darlene, está afastada da atração para tratar de um problema de saúde. Nos novos episódios, Ruço, personagem de Falabella, dono da funerária F.U.I, terá um concorrente no bairro, a Funerária Santa Abigail, de propriedade da ex-mulher do empresário, vivida por Lorena Comparato. De volta ao bairro e com a ajuda de Clécio (Magno Bandarz), com quem fugiu para construir uma nova vida meses antes, Abigail começará a afugentar os clientes de Ruço, o que causará dores de cabeça no ex-marido e tumulto no Irajá. O ex-casal ainda travará outra disputa para ver quem ficará com a guarda do filho, Neymã, que havia ficado com ele quando a mãe o largou. Mas, paralelamente a tantos problemas, Ruço, agora solteiro para valer, se renderá a uma vida de diversão e se tornará o maior pegador do bairro. A temporada deste ano contará com a participação de Diogo Vilela, no papel do doutor Zoltan.

VIVA
José Wilker: despedida precoce de um ator que fez história no cenário artístico brasileiro.

VAIA
Cortes em Caras & bocas (Globo): se é para reprisar, que o trabalho seja feito como se deve. 

Tereza Cruvinel - Abaixo da linha d'água‏

Abaixo da linha d'água 
 
Doações para políticos e partidos com mediação do doleiro Youssef podem configurar um propinoduto ou novo esquema de financiamento político ilegal 
 
Tereza Cruvinel
Estado de Minas: 08/04/2014


Com tantas nuvens pesadas despejando chuva ácida sobre o Planalto e derretendo as intenções de voto da presidente Dilma Rousseff, e com o pessimismo econômico, real e/ou induzido, corroendo a confiança no governo, que mais poderia faltar, se não um grande escândalo político? Não falo do escândalo econômico da compra da refinaria de Pasadena pela Petrobras, já em curso com as respectivas implicações, mas de um escândalo envolvendo atores políticos importantes na seara governista, com poder para balançar a figueira e abalar as raízes dela, como foi o mensalão. Se ele vier, pode até não alterar o resultado da eleição, mas afetará muito as condições da disputa.
Desde o início do imbróglio para a instalação da CPI da Petrobras, alguns sussurros, já registrados aqui e alhures, informavam que o problema principal não era o negócio da refinaria. Problema, ressalve-se, para os parlamentares que se opuseram à CPI, não para proteger a presidente Dilma, pelo fato de ela ter votado a favor do negócio, ou para preservar a joia da coroa de estatais. O que temiam era o desembarque, na CPI, do ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso com o doleiro Albert Youssef pela Polícia Federal na esteira da Operação Lava a Jato. Isso porque haveria uma teia de relações perigosas entre ele, Youssef e integrantes da base governista, especialmente do PP e do PMDB. Pelo menos por ora, as relações do deputado André Vargas com o doleiro, que ontem o levaram a pedir licença da Câmara, parecem ser de ordem individual, não representando uma conexão do PT.
O governo conseguiu embananar a instalação da CPI, mas, mesmo assim, começam a surgir informações, vazadas a partir do inquérito policial da Operação Lava a Janto, sobre doações que teriam sido mediadas pela dupla hoje presa. Segundo reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, a Polícia Federal encontrou e-mails de Youssef tratando de doações para políticos com diretores da empreiteira Queiroz Galvão e da empresa Jaraguá Equipamentos. Ambas têm contratos com a Petrobras e atuam na construção da Refinaria Abreu e Lima, que estaria superfaturada por influência de Costa. Nos e-mails, eles acertam doações no pleito de 2010 e a emissão de recibos pelos beneficiados. O PP declarou ao TSE ter recebido R$ 500 mil da Queiroz Galvão e R$ 2,24 milhões da subsidiária Vital Engenharia. As seções baiana e pernambucana do PP também receberam doações, de R$ 500 mil e R$ 100 mil, respectivamente, e o executivo estaria cobrando os recibos no e-mail para Youssef, certamente por ter sido ele o mediador. Alguns parlamentares do PP, como Roberto Teixeira (PE), Nelson Meurer (PR), Roberto Britto (BA) e Aline Corrêa (SP) – filha de Pedro Corrêa, condenado no processo do mensalão – teriam recebido doações individuais. Outro condenado na Ação Penal 470, o ex-deputado Pedro Henry (MT), também. A matéria cita ainda a seção do PMDB de Rondônia, chefiada pelo presidente em exercício do partido, senador Valdir Raupp (RO).

Se forem confirmadas transferências frequentes e abrangentes de recursos para partidos ou parlamentares, estará configurado um propinoduto ou esquema de financiamento político-eleitoral ilegal, o que sempre dá no mesmo. E é o fio dessa meada que a oposição tentará puxar na CPI, quando for instalada, assim como a CPI dos Correios não se interessou nem um pouco pelo que houve nos Correios sob a influência de Roberto Jefferson, concentrando-se nas relações entre o valerioduto e os aliados do governo.
Se o doleiro negocia com empresários doações para políticos, está claro o papel dele de elo num esquema de favorecimentos recíprocos em que os partidos da base usam seus feudos no governo, especialmente na Petrobras, para obter vantagens.

O aparelhamento político da Petrobras teve um momento emblemático em 2005, quando o ex-deputado Severino Cavalcanti reuniu-se com a então ministra Dilma e pediu para seu partido, o PP, “aquela diretoria que fura poço e acha petróleo”. Dilma lhe disse que a Diretoria de Exploração e Produção não poderia sofrer alterações, mas que outro posto na empresa poderia ser estudado para um indicado dele. Severino já presidia a Câmara, não gostou e passou a torpedear o governo, até cair na esteira do escândalo do “mensalinho” do restaurante da Casa.

As quedas
É cedo ainda para saber se as quedas sofridas pela presidente Dilma na pesquisa Datafolha representam um soluço na conjuntura adversa para seu governo ou uma tendência. Como os adversários Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) nada ganharam, e ela ainda venceria no primeiro turno, o discurso do PT, pelo menos para fora, será o de minimizar o tropeço. Dois efeitos, entretanto, são inelutáveis. Um, o reforço ao “volta, Lula” em setores do PT. Outro, a injeção de ânimo nos rivais, especialmente em Aécio, que vai dedicar as inserções televisivas do PSDB à desconstrução da imagem de Dilma.
Uma evidência de que o pessimismo econômico – que, segundo o Datafolha, justifica as quedas – é pelo menos parcialmente fabricado pelo mercado, que detesta Dilma, foi a alta de 6,6% ontem nas ações da Petrobras. O mercado as derrubou para inflar a crise. Agora, as valorizou festejando a pesquisa.

Troca na Mesa
Fernando Bandeira, chefe de gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros, homem de sua inteira confiança, é o novo secretário-geral da Mesa da Casa. Substitui Cláudia Lyra, que deixou o cargo para ser candidata a deputada federal pelo PMDB do Distrito Federal.