terça-feira, 10 de junho de 2014

BICENTENÁRIO DE ALEIJADINHO » Profeta é símbolo do Ano do Barroco

Obra do conjunto que ornamenta igreja de Congonhas foi eleita ícone das homenagens ao patrono das artes do Brasil


Gustavo Werneck
Estado de Minas: 10/06/2014

Profeta Daniel é uma das peças declaradas patrimônio da humanidade (Márcio Carvalho/Divulgação    )
Profeta Daniel é uma das peças declaradas patrimônio da humanidade




O bicentenário de morte de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1737-1814), e a comemoração do Ano do Barroco Mineiro já têm o seu símbolo. Em votação popular, via internet, foi escolhido Daniel, um dos 12 profetas integrantes do conjunto do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas, na Região Central de Minas, como ícone das comemorações. A obra teve a preferência de 57% dos internautas (1.280 votos), ficando em segundo lugar Cristo com a Cruz às Costas (380) e Anjo da Amargura (172), ambas da mesma cidade e reconhecidas, ao lado de todo o acervo esculpido por Aleijadinho no entorno da basílica, como patrimônio da humanidade pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

A figura do profeta Daniel será impressa em uma das faces da medalha comemorativa dos eventos que ocorrerão até o fim do ano, com ponto alto em 18 de novembro, data de morte do patrono das artes do Brasil. A programação organizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Secretaria de Estado da Cultura e Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) inclui exposições, publicações especiais, mostra de livros, lançamento de obras literárias, encontros sobre patrimônio cultural e outras atividades que enaltecem a genialidade do artista natural de Ouro Preto. A votação ficou aberta de 19 de maio até a última sexta-feira.

Entre as atrações na capital, está em cartaz no Museu Mineiro (Avenida João Pinheiro, 342, Bairro Funcionários, Região Centro-Sul de Belo Horizonte), a mostra Patrimônio recuperado. Estão expostas 150 obras apreendidas em operações do Ministério Público de Minas Gerais, Polícia Federal e outras instituições, desde 2003. Os visitantes poderão ver, de autoria e procedência desconhecida, as esculturas de São Francisco de Paula, em policromia e douramentos, São Miguel Arcanjo, com 1,23 metro de altura, Nossa Senhora da Piedade, de terracota, entre outros. Segundo restauradores, é uma ótima oportunidade para que as comunidades do interior ajudem a identificar a origem dos objetos sacros.

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL O ano do bicentenário de Aleijadinho e Dia do Barroco Mineiro, em 18 de novembro, foram criados pela Lei 20.470/2012, originária do Projeto de Lei 3.396/12, de autoria do deputado Dinis Pinheiro. A legislação prevê que, anualmente, em 18 de novembro, sejam realizadas atividades para preservar, valorizar e divulgar o patrimônio histórico, artístico e cultural vinculado ao barroco mineiro, à obra de Aleijadinho e aos demais expoentes desse estilo.

Para envolver professores e estudantes de quinta e oitava séries em todas as atividades, o Iepha está elaborando a Cartilha do Barroco, em estilo bem didático, sobre o mestre Aleijadinho e seu tempo. O material será ilustrado e tem lançamento previsto para o segundo semestre.

Um outro olhar sobre o Velho Chico‏

Engenheiro florestal, professor aposentado da Universidade Federal de Viçosa e especialista em hidrologia e manejo de pequenas bacias hidrográficas


Estado de Minas: 10/06/2014 



Acompanhei, com muita atenção, algumas reportagens publicadas ultimamente pelo Estado de Minas sobre rio São Francisco. Vi, também, a campanha que o comitê da bacia está lançando para criar o Dia Nacional do Velho Chico. O assunto é recorrente, mas não perde a atualidade, principalmente porque as mudanças sofridas por ele estão mais do que aceleradas, provocando condições novas de degradação em intervalos curtíssimos de tempo e pedindo um novo olhar sobre os problemas que o afetam.

A maior preocupação tem de ser com as severas quedas de vazões, originadas em suas nascentes e em seus córregos de cabaceiras. E as vazões, ou seja, as quantidades de água produzidas pelas nascentes e transportadas pelos córregos num determinado período, numa visão objetiva, são resultantes do processamento dos volumes de chuvas recebidos pelas respectivas bacias hidrográficas. Se o processamento é eficiente, ele promove o armazenamento de boa parte dos volumes recebidos nos aquíferos subterrâneos, diminui as enxurradas e garante o abastecimento das nascentes e dos córregos de cabeceiras nos meses sem chuvas. Tudo muito simples, mas tão pouco compreendido e aplicado na prática.

Mas como fazer com que o processamento seja bom? O princípio básico é ajudar a infiltração, ou seja, a passagem da água da superfície para o interior do solo, diminuindo enxurradas. Para isso, além de diminuir a impermeabilização, é preciso segurar a água em pequenas reentrâncias, obstáculos, caixas etc., dando tempo para a infiltração. A infiltração, portanto, não depende exclusivamente da cobertura florestal. Há muitas outras tecnologias disponíveis para tal. E por que não são aplicadas? Primeiro, pela crença de que só as matas ciliares têm a capacidade de proteger os rios; segundo, pela concentração de esperanças na legislação; e, terceiro, pela resistência em trabalhar com produtores rurais, em cujas terras estão a absoluta maioria das nascentes e dos córregos que sustentam as vazões do Velho Chico.

Os produtores rurais viraram os vilões da degradação, pois a maioria urbana (85% da população), com o propósito de livrar a própria cara, joga sobre eles as responsabilidades por quaisquer danos ambientais. E assim surge o grande dilema, já que sem a cooperação dos produtores rurais não haverá salvação para o Velho Chico.

O comitê da bacia já tem um programa chamado de “recuperação hidroambiental”, visando atuar em 22 pequenas bacias, em caráter demonstrativo. As metas englobam a construção de terraços, de paliçadas e de barraginhas, a recomposição de vegetação, a melhoria de estradas vicinais e o cercamento de nascentes. Tudo bem. Mas há um problema de execução, pois serão contratadas empresas para implantação das tecnologias e outras para fiscalização. E trabalhos de conservação de aquíferos e nascentes não podem seguir a lógica dos canteiros de obras, onde os barracões são montados, as obras executadas, conferidas, os barracões desmontados e as empresas vão embora.

No caso, as degradações estarão de volta se os produtores rurais não forem envolvidos diretamente na execução e não continuarem a ser apoiados, tanto técnica quanto financeiramente, para manutenção das estruturas implantadas. Tudo tem de ser feito com os métodos da extensão rural, aliando conservação com aumento de renda das famílias, e sem melindres de repassar recursos para os produtores rurais virarem, também, produtores de água.

E é bom não nos esquecermos que, por lei, a água é um bem de domínio público, escasso e de valor econômico, e cuidar dela não pode ser uma obrigação só do meio rural. Nós, urbanos, vamos ter de pagar pelos serviços ambientais que nos serão prestados pelos rurícolas.

Desbravando o Brasil

Enquanto a bola não rola, jogadores se deslubram com o país das favelas, dos índios e das paisagens


Carolina Mansur e Mayko Silva (Especial para o EM)

Estado de Minas: 10/06/2014


Com as seis seleções que desembarcaram ontem para a disputa da Copa do Mundo, o país já conta com 27 dos 32 candidatos ao título mundial. Hoje, chegam mais duas equipes (Bélgica e Nigéria), e amanhã mais três (Portugal, Gana e Coreia do Sul). Mais do que somente treinar e se preparar para a sequência de jogos a partir de quinta-feira, quando Brasil e Croácia abrem a competição no Itaquerão, em São Paulo, o que se vê são jogadores aproveitando para curtir as belas paisagens, principalmente as de visual paradisíaco, conhecer o carisma e a alegria do povo brasileiro e tirar muitas fotos. Primeiros a pousar em solo tupiniquim, os australianos têm as praias de Vitória ao seu dispor. O mesmo acontece com os holandeses, no Rio. Também na cidade maravilhosa, os ingleses preferiram, ontem, fazer um passeio e visitar um complexo esportivo na Rocinha, a maior e mais famosa favela da capital fluminense. Já os alemães foram a uma vila indígena, em Santo André, no Sul da Bahia. Aos poucos, eles estão descobrindo o Brasil. E estão se encantando.


LEÕES INDOMÁVEIS
A delegação de Camarões desembarcou ontem em Vitória, e sua principal estrela, o atacante Samuel Eto’o, já foi logo dizendo: “Bem-vindo ao Brasil...”.


 (MARCOS ARCOVERDE/ESTADÃO CONTEÚDO)

CARROSEL HOLANDÊS
Os atletas da Laranja Mecânica fizeram uma caminhada na praia de Ipanema. Entre os mais animados estavam os atacantes Kuyt e Robben, que entraram no mar e levaram “um caldo”. O principal astro holandês, aliás, se arriscou a jogar frescobol. O também atacante Jeremain Lens tirou uma foto com o Rio de Janeiro de fundo.



DIA DE ÍNDIO
O volante Schweinsteiger, o armador Özil e os atacantes Podolski e Klose tiraram fotos durante visita a uma vila indígena em Santo André, nos arredores de Porto Seguro, na Bahia.



VITÓRIA DOS AUSTRALIANOS
O armador James Holland aproveitou a bela paisagem com vista do hotel, em Vitória, e postou foto mostrando os seus pés e os do zagueiro McGowan. “Pés para cima e aproveitando a vista com Ryan McGowan depois de outra boa sessão de treinos. Relaxando para estar pronto para tudo de novo amanhã (hoje)”, foi a legenda.


 (REPRODUÇÃO DA INTERNET  )

ENGLAND IN RIO
A delegação da Inglaterra visitou ontem um complexo esportivo na favela da Rocinha. O armador Wilshere e os atacantes Welbeck e Sturridge registraram o momento. Este último se arriscou até mesmo a participar de uma roda de capoeira. O English Team também treinou no Centro de Capacitação Física do Exército, na Urca.

Vai ter match sim!

Vai ter match sim! 
 
Estrangeiros chegam para o Mundial e diversificam a oferta no aplicativo de paquera Tinder 
 
Shirley Pacelli
Estado de Minas: 10/06/2014


Criação da designer Carolina Chang reúne %u201Cachados%u201D no Tinder durante a Copa (Tumblr/Reprodução de internet)
Criação da designer Carolina Chang reúne %u201Cachados%u201D no Tinder durante a Copa

Adam, de 29 anos, é um norte-americano que tem muitas paixões, entre elas o Brasil. Ben, de 28, é um alemão perdido em Sampa. Jon, de 25, gosta de cachorros, procura por um amor e pode estar a apenas um quilômetro de você. Não demorou muito para que a criatividade brasileira criasse o tumblr Tinder na Copa (tindernacopa.tumblr.com), que reúne os perfis do aplicativo de paquera dos gringos que aportaram no país por causa dos jogos mundiais. A seleção, rigorosa no quesito beleza, se concentra apenas nos homens. Já são 101 “musos” de países variados, como Finlândia, Dinamarca, Grécia, França e Argentina postados na página.

A criação é da jovem designer Carolina Chang, de 28 anos, moradora de São Paulo. O tumblr foi criado há um mês, mas só ganhou visibilidade depois que Natália Penas (@Natalhapenas), redatora com cerca de 57,6 mil seguidores no Twitter, postou o link da página no seu microblog nesse fim de semana. Desde então, o número de contribuições tem crescido. Carolina conta que, por meio da rede, já saiu com um norte-americano e um francês, mas o relacionamento não vingou. “Eles estão aqui mais para passear, não tem como ter algo sério pois não sabemos se vão voltar”, conta.

BELOS ROSTOS A novidade pega carona no fenômeno surgido em março com o tumblr Tinder na Suécia (tindernasuecia.tumblr.com), que reunia os belos rostos dos usuários do país. Depois do sucesso da iniciativa, dispararam paródias da página na web com versões da Jamaica, Afeganistão e Coreia. O Tinder virou febre no país no ano passado. Basicamente, virou uma rede social da paquera que conecta usuários do Facebook que estejam geograficamente próximos. O termo “match” aparece quanto há interesse de ambas as partes. E é fato que, com a chegada dos estrangeiros ao Brasil e, mais especificamente, a Belo Horizonte, a oferta de gringos no aplicativo tende a subir significativamente.

A empresa acabou de lançar uma nova funcionalidade, similar ao também popular app Snapchat, que permite o compartilhamento de fotos que se autodestroem em um prazo de 24 horas. Segundo dados da empresa, há 100 milhões de usuários no mundo, sendo 10 milhões brasileiros. O aplicativo está disponível, gratuitamente, para dispositivos iOS e Android (gotinder.com). É baixar e torcer!