sábado, 5 de julho de 2014

Todo o poder da uva bordô‏

Todo o poder da uva bordô
Estudo aponta que casca e semente da fruta, transformadas em pó, podem gerar benefícios para a saúde humana, combatendo radicais livres e inibindo o protozoário da leishmaniose

Luciane Evans
Estado de Minas: 05/07/2014


O engenheiro de alimentos Volnei de Souza quis trabalhar com subprodutos da fruta, transformá-los em pó e, a partir daí, avaliar sua atividade antioxidante (Arquivo pessoal)
O engenheiro de alimentos Volnei de Souza quis trabalhar com subprodutos da fruta, transformá-los em pó e, a partir daí, avaliar sua atividade antioxidante

No Brasil, ela não está em supermercados nem nas feiras. Sua cor e gosto fortes atraíram aqui os produtores de vinhos e sucos caseiros e, assim, a uva bordô, originária dos Estados Unidos, está desde o século 20 na mesa dos brasileiros. Porém, seu colorido esconde um tesouro muito além do paladar: pigmentos funcionais. Na maioria das vezes dispensados durante o processo de fabricação de vinhos, as cascas e as sementes da fruta, transformadas em pó, apresentam alto potencial antioxidante que protege o corpo dos efeitos prejudiciais dos radicais livres, tem poder antibacteriano e até mesmo capacidade de inibir a enzima arginase, associada ao metabolismo e à reprodução da Leishmania, protozoário causador da leishmaniose.

Essa nova face da uva bordô é conclusão de estudo da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP), em Pirassununga, interior paulista. De autoria do engenheiro de alimentos Volnei Brito de Souza, a dissertação de mestrado teve como objetivo trabalhar com os subprodutos da fruta, obtendo deles um pigmento em pó que pode ser usado pelas indústrias alimentícia, farmacêutica e de cosméticos. Os artigos foram publicados em periódicos científicos holandês e inglês. “Para a análise, conseguimos no interior de São Paulo cerca de 50 quilos de cascas e sementes da fruta, mas nem tudo foi usado. Essa espécie de uva é tinta, tem uma cor roxa mais forte, gosto amargo e é conhecida por ser rica em pigmentos, que se chamam antocianina”, afirma Volnei.

O pigmento, presente em todas as uvas, exceto nas brancas, de acordo com o pesquisador, é responsável por dar cor à fruta e está presente na casca dela. “Aqui no Brasil, essa espécie frutífera é mais usada na produção de vinhos e sucos, e não é muito consumida in natura, já que dá uma sensação amarga na boca. Aquelas que consumimos, geralmente, têm menos pigmentos e não têm um roxo tão intenso”, compara. A primeira etapa do estudo teve como objetivo retirar esse pigmento da casca com a ajuda de um solvente líquido, composto por uma mistura de etanol e água. “Na semente não há pigmentos, mas há nutrientes que seriam essenciais para a nossa pesquisa”, esclarece Volnei.

Depois de triturar as sementes e cascas, ele adicionou o solvente. “Agitamos o material durante três horas. Depois o filtramos, para ter em mãos somente o extrato. Como o obtivemos em forma líquida, a intenção era transformá-lo em pó. Para isso, usamos um equipamento chamado atomizador, muito usado na indústria para produzir leite em pó”, detalha. É por meio de um processo de secagem que a máquina, rapidamente, faz a transformação. Porém, segundo o pesquisador, no caso da pesquisa, o extrato em análise continha um teor muito baixo de sólido, o que levou o estudioso a adicionar um carboidrato chamado maltodextrina, um açúcar obtido do amido e que ajuda no processo de secagem.

CAPACIDADES A partir do pó pronto, o pesquisador passou a analisar a capacidade da substância. O primeiro teste foi avaliar a estabilidade do pigmento e, para isso, segundo Volnei, o pó foi armazenado durante 120 dias em diversas condições de temperatura e umidade. “Percebemos que quanto maior a quantidade de maltodextrina, menor era degradação que o produto sofria. Ou seja, o carboidrato servia como proteção para o pó”, esclarece. Outra avaliação foi a atividade antioxidante da mistura. “Por meio de uma análise in vitro , avaliamos se o pigmento seria capaz de inibir os radicais livres. E o resultado foi positivo, o que indica que ele pode ser usado em produtos voltados para benefícios da saúde, tanto para tratamentos de câncer quanto para cosméticos”, aponta o engenheiro de alimentos.

Outro ponto levantado é a capacidade antibacteriana que o pigmento apresenta. Segundo Volnei Souza, há bactérias que causam problemas quando presentes em alimentos, as chamadas bactérias patogênicas. “Elas causam infecção e intoxicação alimentar. Testamos, então, o poder do pigmento de inibir quatro bactérias e conseguimos um resultado positivo para duas delas, a Staphylococcus aureus e a Listeria monocytogenes, relacionadas a infecções de origem alimentar”, revela Volnei. Ele diz que essa atividade antimicrobiana pode ser aproveitada, por exemplo, para inibir o crescimento dessas bactérias em diferentes produtos alimentícios.

As amostras ainda tiveram alta inibição da atividade da enzima arginase, associada ao metabolismo e à reprodução da Leishmania, protozoário causador da leishmaniose. “O pigmento poderia ser testado na produção de alguma droga para o tratamento da doença”, sugere o pesquisador, concluindo que o pigmento obtido no estudo poderia substituir os corantes sintéticos, que podem ser tóxicos. “O pigmento é natural, solúvel em água, não tem gosto e remete à uva por causa da cor roxa. Pode ser empregado em bebidas, iogurtes e cosméticos, entre outros”, acrescenta. O trabalho contou com a colaboração do professor Edson Roberto da Silva, da FZEA, e da professora Maria Inés Genovese Rodriguez, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.

RICAS EM ANTIOXIDANTES

Não só a uva bordô, mas todas as uvas escuras são benéficas para a saúde, conforme comenta a coordenadora do curso de nutrição do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), Sabrina Fabrini. “Quanto mais escura é a casca, maior é seu poder antioxidante”, diz. Reconhecendo que a uva bordô não é tão usada pelos brasileiros, ela indica para uma alimentação saudável o uso do suco dessa uva, já que o vinho tem álcool. A nutricionista afirma que para uma dieta balanceada, 100 gramas de uva rubi, encontrada com facilidade em supermercados e feiras, contêm cerca de 70 calorias. “A uva não é uma fruta calórica. É rica em vitamina dos complexos B e C, é fonte de carboidrato, além de conter potássio, fósforo e magnésio. As uvas-passa, por exemplo, são uvas concentradas e contêm muitas fibras. O ideal é que sejam consumidas, no máximo, 10 unidades por dia”, indica. 

MUITO ALÉM DO PALADAR

Conheça os benefícios da casca e da semente da uva bordô, de acordo com estudo da USP:

Antioxidante: o pigmento apresentou, entre suas propriedades funcionais, capacidade antioxidante,
que protege o corpo dos efeitos prejudiciais dos radicais livres (substâncias geradas no organismo, responsáveis por reações que prejudicam as células).

Antibacteriana: o pigmento foi testado contra a ação de quatro bactérias patogências, conseguindo inibir o crescimento de duas delas: Staphylococcus aureus e Listeria monocytogenes, relacionadas a infecções de origem alimentar.

Leishmaniose: o pó teve alta inibição da atividade da enzima arginase, associada ao metabolismo e à reprodução da Leishmania, protozoário causador da leishmaniose.  

Mejor que Pelé uma ova! ARNALDO VIANA‏

Mejor que Pelé uma ova!
ARNALDO VIANA - arnaldoviana.mg@diariosassociados.com.br
Estado de Minas: 05/07/2014


Sentemo-nos no divã. Não necessariamente para uma consulta, um desabafo diante de um profissional da mente. Sentemo-nos para mera reflexão sobre os gratos ensinamentos proporcionados por esta ocorrência chamada Copa do Mundo. Comecemos assim: se o Brasil mostrar ao planeta que é mesmo o melhor no futebol, será bom, muito bom. Caso contrário, sairemos também vencedores. O mundo está nos mostrando que não somos apenas uma pátria calçada de chuteiras com uma bola no lugar da cabeça. Temos muito mais a mostrar do que imaginávamos. A invasão estrangeira em BH se surpreende com uma cidade mais atraente do que aquela que imaginávamos. Cara feia para o cheirinho da Pampulha, nunca mais! O que há acima do espelho d’água é esplêndido. Desdenhar do Mercado Central, nunca mais também! E da Savassi, da Praça da Liberdade? E o olhar gringo se espalha por grutas, serras, casarões, quitandas e quitutes. Bom aprendizado. Quem viaja mundo afora é apresentado a cada coisa chamada de atração turística que não faz nenhuma inveja a um pedregulho do cerrado. Então, mineiro, a beleza do Brasil não se encerra no Corcovado e no Pão de Açúcar.

O divã é também para o brasileiro refletir sobre ídolos. Para os argentinos, pouco importa se Maradona cheirou cocaína ou se fala bobagens (e como fala!). É o herói deles no futebol. Brilhante! Condutor da seleção na conquista do bicampeonato mundial, no México, em 1986. Pouco lhes importa o homem com as imperfeições inerentes. O brasileiro age diferente. “Viu o Pelé? Tem o filho envolvido com drogas!” É inadmissível o homem que foi aclamado atleta do século 20 ter alguém com tal fraqueza na família. “E o Pelé, hein? Não quis reconhecer a filha!” Negaram-lhe o direito à dúvida, por ser o rei do futebol. “Que decepção, o Pelé. Só fala bobagem na política!” Pelé, além de jogador de futebol, tinha de ser cientista político. O que deveria ser Pelé para o brasileiro, afinal? Apenas o herói de mais de mil gols, cada um mais bonito que o outro, tricampeão mundial com a camisa canarinho, o brasileiro mais famoso no mundo, no tempo em que não havia internet, celular e TV a cabo. O craque que fez um país africano suspender uma guerra civil por três dias só para vê-lo jogar. Mas é apenas Pelé a vítima da decepção brasileira. “O Romário, que pula de mulher em mulher?” “O Ronaldo, flagrado num motel com travestis?” “Garrincha, o alcoólatra que abandonou as filhas para ser amante de uma cantora?” “E o antipático do Nelson Piquet?” O Ayrton Senna, tricampeão da F-1, como é o Piquet, é adorado, acima de todas as coisas, porque não viveu o bastante para ser imperfeito como são todos os outros humanos. Ídolo no Brasil tem que ser tipo que a mamãe sonha como genro.

Os argentinos descobriram nossa fraqueza de aceitação e estão enchendo o saco em ruas e praças com o tal de “Maradona es mejor que Pelé!”. E deve ser mesmo. Na concepção deles, sim. Maradona não tem defeitos. Não o craque. Pelé, pelo contrário, é cheio deles, porque misturamos o jogador com o homem. Quando marcou o milésimo gol, Pelé pegou a bola no fundo das redes e pediu ao país para olhar melhor suas criancinhas. Chamaram-no de demagogo. “Ele é que tinha que cuidar das crianças, porque ganha muito dinheiro!” Ora, ele estava apenas, com o foco de todo o país naquele momento, fazendo um pedido de uma política social e educacional intensa voltada para a infância. Se o apelo fosse atendido, a realidade seria outra. Ah, deixem o Pelé, o maior jogador de futebol de todos os tempos, ser ídolo em paz.

Reflexão do Negão: Novos viadutos, passarelas e afins. Passar por cima ou por baixo? Tô fora!

Eduardo Almeida Reis-Pandegando‏

Tudo é esquisito, muito esquisito, num tribunal de contas, a começar pela maioria dos conselheiros em todos os estados, sem olvidar os ministros do Tribunal de Contas da União


Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 05/07/2014





Como sabe o leitor, pandegando é o gerúndio do verbo pandegar, viver em pândegas como vivem os tribunais de Contas de um país grande e bobo. Ainda quando aqui ou ali, eventualmente acolá, seja possível encontrar cavalheiros e damas capacitados e bem-intencionados procurando trabalhar honestamente, o conjunto da obra é pândego.

Agora em maio os telejornais nos mostraram alguns dos bens imóveis de um conselheiro do TCESP, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, cavalheiro que recebe por mês pouco mais de R$ 26 mil e deve gastar perto disso na manutenção de cada um dos seus muitos imóveis. Não é fácil ter acesso ao saldo de suas contas nos paraísos fiscais, mas as assinaturas daqui coincidem com as fichas dos bancos paradisíacos, como deu para perceber nos jamegões mostrados pela tevê.

Tudo é esquisito, muito esquisito, num tribunal de Contas, a começar pela maioria dos conselheiros em todos os estados, sem olvidar os ministros do Tribunal de Contas da União. Quais são os critérios de escolha? Quem escolhe? Por que escolhe? Quem elege? Por quê?

O fenômeno é contagiante e se estende aos funcionários concursados e/ou apaniguados. No TCMG – e Minas é estado menos incivilizado que os outros – vi coisas do arco da velha, como por exemplo: um conselheiro analfabeto de pai e mãe, sem prejuízo do seu próprio analfabetismo pessoa física. Deve ser carismático, pois o carisma tem sido usado para explicar a eleição de outro analfabeto para cargo muito mais importante do que o de conselheiro do TCMG.

Releva notar que carismáticos eram Lampião, Hitler, Mao, Ceausesco, Benito Amilcare Andrea Mussolini, Pol Pot, Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro, e tantos outros do mesmo naipe, donde se conclui que é melhor não concluir nada e não acreditar na inviolabilidade das urnas eletrônicas.

Hebdomadário


O vestibular da Nacional de Direito, no Rio, tinha provas escritas e orais. Em francês, pediam a tradução de autor moderno. Até hoje não falo uma palavra de francês, mas estudei Françoise Sagan (1935-2004), que tinha publicado Bonjour Tristesse aos 18 aninhos com enorme sucesso: “Sur ce sentiment inconnu dont l'ennui, la douceur m'obsèdent, j'hésite à apposer le nom, le beau nom grave de tristesse”.

Pensei que fosse autora moderna e caiu na prova a tradução de um trecho de Balzac (1799-1850), que falava de uma “fête hebdomadaire” nos arredores de Paris. Mesmo para um analfabeto em francês, a tradução era fácil, mas empaquei no “hebdomadaire”. Julgando improvável a existência de camelos e dromedários nos subúrbios parisienses, mantive “hebdomadaire” na tradução, explicando no final da lauda: “Hebdomadaire é palavra muito usada na França, principalmente nos arredores de Paris, e significa esquisito, inusual, incomum”. Voltando para casa, fui ao dicionário e descobri que “hebdomadaire” é semanal. Portanto, no subúrbio parisiense a festa era semanal. Tirei 6 na prova escrita.

Dias depois a prova oral, anfiteatro imenso, centenas de vestibulandos, três professores sentados na banca lá embaixo. Fui dos primeiros sorteados. Levantei-me de terno e gravata, lá em cima, e gritei para os professores-doutores: “Aqui vai o homem do hebdomadaire”. Os três caíram na gargalhada. Minha “tradução” tinha circulado entre eles. Conversamos sobre os mais diversos assuntos, menos sobre a língua oficial da França: os três já sabiam da minha ignorância. Tirei 10.

Provas orais são muito perigosas. Aluno desembaraçado leva os professores na lábia. Tirei 10 em diversas disciplinas no vestibular da Faculdade do Catete. Em vez de responder às perguntas, elogiava as obras publicadas pelos examinadores. Obras que nunca li, mas sabia os nomes dos autores. Na prova de medicina-legal – especialidade médica que aplica conhecimentos médicos na resolução de questões jurídicas –, quando o professor Hélio Gomes perguntou se o sujeito, querendo, pode ficar maluco, respondi que sim. “Como?” perguntou o mestre. E o aluno engravatado: “Comprando um carro velho”. Opinião de um vestibulando que havia comprado, um mês antes, um Cadillac 47, hidramático, que chegava aos 135km/h na Praia de Ipanema sem o menor compromisso com a estabilidade e vivia enguiçando, sem falar da noite em que pegou fogo na porta do melhor rendez-vous do Rio. Graças ao carro velho tirei 10 em medicina-legal.

O mundo é uma bola

5 de julho: faltam 179 dias para acabar o ano e oito dias para acabar a Copa das Copas. Em 1687, publicação dos Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, de Isaac Newton (1642-1727), que tomava conta da fazendinha de sua mãe e vivia no mundo da lua próximo do seu alto filosofar. Em 1811, independência da Venezuela, o primeiro país da América do Sul a livrar-se da Espanha. Decorridos 203 anos, a Venezuela está nas mãos de Nicolás Maduro e falta papel higiênico. Pobre país.

Em 1914, portanto há exatos 100 anos, o aviador Eduardo Pacheco Chaves faz o primeiro voo de São Paulo para o Rio de Janeiro em seis horas e meia. Monoplano Bleriot, velocidade média: 80 km/h.

Ruminanças

“Não foi Chesterton quem escreveu que o avião faz encolher o mundo e que o microscópio o engrandece?” (Paul Morand, 1888-1976). 

Tecnologia a favor da água‏

Agricultura deve buscar soluções tecnológicas ante ameaça de escassez

Marcos Balbi
Engenheiro-agrônomo, especialista em gestão estratégica em serviço pela FGV, consultor na Olearys S/A
Estado de MInas: 05/07/2014



Que a água é essencial todos sabem, mas só valorizamos esse líquido poderoso quando sentimos na pele a falta que ele nos faz. A pouca incidência de chuvas nos últimos meses e o intenso calor em alguns municípios brasileiros têm piorado cada vez mais a situação dos reservatórios de água. E mesmo sendo dono do maior potencial hídrico do mundo, o Brasil corre grandes riscos de chegar ao próximo ano com problemas de abastecimento. Segundo levantamento realizado pela Agência Nacional de Águas (ANA), o governo deverá investir R$ 22 bilhões para evitar a escassez no futuro. A demanda de água no Brasil é direcionada, basicamente, para quatro finalidades: agricultura, produção de energia, usos industriais e consumo humano. Porém, a agricultura é a atividade que faz uso intensivo desse recurso natural, o que corresponde a 70%.

De acordo com o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos – documento principal da ONU Água –, as estimativas de consumo mundial de água para a agricultura são de 19% até 2050, que poderá crescer ainda mais, caso não ocorra uma melhoria no rendimento dos cultivos e a eficiência da produção agrícola. Além disso, a maior parte desse aumento de uso da água para irrigação ocorrerá em regiões já afetadas pela escassez de recursos hídricos. A gestão com responsabilidade da água para fins agrícolas contribuirá fortemente para a segurança desses recursos do planeta. Diante desse cenário e no que diz respeito à melhoria da qualidade de vida mundial, além de, consequentemente, economia de água, algumas tecnologias estão sendo aplicadas na busca de soluções sustentáveis. Um bom exemplo é a área da agricultura, cuja finalidade da inserção de equipamentos tecnológicos é possibilitar que o agricultor realize irrigações no campo, reduzindo energia e, ao mesmo tempo, potencializando a produção sem perder qualidade na colheita. A tecnologia empregada no campo é, sem dúvida, um caminho sem volta não só para economizar água, mas também para monitorar o clima, diminuir o uso de agrotóxicos e prevenir contra doenças e pragas, que a cada ano, a cada safra, trazem para os agricultores prejuízos incalculáveis. Isso significa que as culturas que vão sofrer menos serão aquelas que utilizarem tecnologia avançada, rompendo com paradigmas de hábitos e costumes passados de geração em geração.

A percepção do novo empresário rural terá que ser alinhada ao que há de melhor em termos de tecnologia que possa ser agregada ao dia a dia do campo. Enfim, a real iminência da escassez de água será, sem trocadilhos, um divisor de águas não só para o setor agrícola, mas para toda a sociedade e cadeia de produção dos mais variados segmentos. E a tecnologia certamente se apresenta como uma das principais aliadas na busca de soluções efetivas.