domingo, 20 de julho de 2014

Eduardo Almeida Reis-Nova ciência‏

De vez em quando aparecem jacarés em lagos improváveis. Parece que a Pampulha tem um. Muitos anos atrás, surgiram diversos jacarés num laguinho do Ibirapuera, em São Paulo


Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 20/07/2014





Antropologia, sociologia e outras ciências do homem, da organização e do funcionamento das sociedades humanas – das leis fundamentais que regem as relações sociais – têm agora o suporte da entrevistologia, que tudo explica e justifica. Através da entrevistologia, é facílimo entender o sucesso de José Renan, José Ribamar, Fernando Affonso, Luiz Inácio, Dilma Vana e quase cinco mil prefeitos, não sei quantos deputados estaduais, muitos milhares de vereadores, centenas de deputados federais, dezenas de senadores e a mais gente difícil de engolir.

Através da entrevistologia, na poltrona diante do televisor, o leitor ouve o que pensam da vida os brasileiros e as brasileiras no entorno do Itaquerão, também chamado Arena Corinthians, num dia de treino da Seleção. Ouve o que pensam os entrevistados nas ruas de Belo Horizonte, Cuiabá, Rio e Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte, fundada dia 25 de dezembro de 1599, área 170,3 km2, 803.739 habitantes em 2010.

Sinto funda saudade do tempo em que, residindo na capital de todos os mineiros, tive em domicílio, através da tevê a cabo, um canal japonês. Canais chineses, russos e sérvios também são ótimos, porque nos permitem acompanhar as entrevistas naqueles idiomas sem entender absolutamente nada. Só assim é possível acreditar no futuro da espécie humana.

Acabo de descobrir que na República da Sérvia, aliás, Republika Srbija, fala-se o dialeto servo-croata, língua eslava do grupo meridional, idioma materno dos sérvios e croatas e o mais falado na antiga Iugoslávia (na variante sérvia), que tem dois grandes dialetos: o sérvio, língua oficial da Sérvia escrita com alfabeto cirílico, e o croata, língua oficial da Croácia escrita com alfabeto latino.

Esquisitices

Pequeno jacaré aparecido num lago da Quinta da Boa Vista, no Rio, foi batizado com um nome ridículo e transferido para lagoa maior e mais apropriada para aligatorídeos, na Barra da Tijuca, recusando os alimentos que tem recebido porque só gosta de tilápias. Pois é: de vez em quando aparecem jacarés em lagos improváveis. Parece que a Pampulha tem um. Muitos anos atrás, surgiram diversos jacarés num laguinho do Ibirapuera, em São Paulo, para espanto da mídia e dos biólogos, não para mim, que soube como tudo aconteceu.

Répteis crocodilianos da família dos aligatorídeos não voam. Portanto, se aparecem em lagos improváveis é sinal de que foram levados por bípedes que se intitulam sapiens. Os jacarés de bom tamanho aparecidos num lago do Parque Ibirapuera saíram do Pantanal do MS, filhotes, na mala de um rapazola muito rico residente em São Paulo, SP.

Hoje descrito como senhor sereno e bom de papo, o rapazola pintava o sete. Engolia peixinhos vivos com algumas gotas de limão, mastigava giletes, passava os dias inteiros, nas férias pantaneiras, com água pela cintura fazendo experiências biológicas. Depois de uma semana, seus pés tamanho 40 só calçavam 45. Emprestei-lhe um par de botas.

Na volta para a mansão de seus pais em Sampa, o paulistano levou 28 filhotes de jacarés. Muitos sobreviveram num laguinho do jardim. Quando ameaçaram ficar maiores do que o laguinho, foram soltos à noite no Ibirapuera.

Prestigiar

Só um idiota completo, e o mundo está cheio deles, pode dizer que compareceu a uma noite de autógrafos para prestigiar o evento, ou que foi a um casamento prestigiar os noivos. O beócio não faz por mal, mas por ignorância. Não tem a mínima noção de que o verbo prestigiar significa conferir prestígio a algo ou alguém, como significa valorizar, com a idiotice de sua presença, alguém ao algum evento.

Não há dia em que não se ouça ou veja um(a) imbecil dizendo que lá está para prestigiar alguém ou alguma coisa. Seria muito mais lógico e inteligente dizer: “Estou aqui para cumprimentar o autor”, “para felicitar os noivos”, “para participar do evento”.

O mundo é uma bola

20 de julho de 514: eleição do papa Hormisdas, nome esquisitíssimo, que pontificou até agosto de 523. É considerado santo (dia 6 de agosto), sinal de que há um santo Hormisdas. Morreu com 48 anos e foi sucedido por João I. Em 1304, com a tomada do Castelo de Stirling, o rei Eduardo I, da Inglaterra, conquista a última fortaleza rebelde da Guerra da Independência da Escócia. Todo Eduardo é um perigo quando ouve falar de uísques escoceses em castelos, bares ou supermercados.
Em 1810, a Colômbia proclama sua independência da Espanha. Em 1871, a Colúmbia, então território britânico, adere à confederação do Canadá. Em 1897, sessão inaugural da Academia Brasileira de Letras. Em 1917, sérvios, croatas e eslovenos se juntam em um só reino, o da Iugoslávia, que duraria até a década de 90. O período monárquico durou de 1918 a 1941.
Em 1934, Getúlio Vargas, que já governava desde 1930, toma posse na Presidência da República. Hoje é o Dia do Frentista.

Ruminanças

“O que não está bem escrito não deveria ter sido escrito. Tudo o que é escrito merece ser bem escrito. O que é mal escrito não merece leitura” (Abgar Renault, 1901-1995).

EDUCAÇÃO » Uma torre de babel pela paz‏

EDUCAÇÃO » Uma torre de babel pela paz Estudantes de 15 a 18 anos podem se inscrever para curso pré-universitário das 14 unidades dos Colégios do Mundo Unido, que oferecem bolsas sem necessidade de fluência em inglês 

 
Junia Oliveira
Estado de Minas: 20/07/2014


Estudantes fazem trabalho voluntário num centro de reciclagem no UWC Costa Rica como parte do currículo (Arquivo pessoal)

Estudantes fazem trabalho voluntário num centro de reciclagem no UWC Costa Rica como parte do currículo

O câmpus mais parece uma torre de babel, mas, ao contrário do cenário bíblico, nessa moderna aldeia global, todos se entendem. Nos colégios UWC (United World Colleges), ou Colégios do Mundo Unido, estudantes e professores de mais de 100 nacionalidades e etnias convivem com a intenção de promover a paz e a compreensão dos povos por meio da educação. São 14 unidades espalhadas pela América, África, Ásia e Europa, que oferecem bolsas de estudo para o 2º e o 3º anos do ensino médio. Entrar nessa sala de aula está ao alcance de qualquer interessado, por meio do processo seletivo que está aberto até 15 de agosto.

Os colégios, fundações que se mantêm por meio de filantropia, estão localizados na Alemanha, Armênia, Bósnia-Herzegovina, Cingapura, Canadá, Costa Rica, Estados Unidos, Holanda, Hong Kong, Itália, Índia, Noruega, País de Gales e Suazilândia. O curso é oferecido em dois anos, com nível pré-universitário, baseado no bacharelado internacional, um diploma reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e por universidades do mundo todo. Os alunos aprendem sobre assuntos de interesse mundial, serviços comunitários, sociais, relacionados ao meio ambiente, saúde, como trabalhos com pessoas portadoras de deficiência física e mental e crianças de rua. São colégios internos, mas com a devida liberdade de sair para passear, com seus sistemas e regras.

A bolsa pode ser parcial ou integral e varia de acordo com a situação socioeconômica do candidato. A cada ano, o comitê central do UWC, localizado em Londres (Inglaterra), define quantas nacionalidades haverá em cada câmpus. O Brasil tem garantido vagas nos últimos anos – entre seis a 10. O estudante André Bicalho Ceccotti, de 18 anos, de Belo Horizonte, se formou em maio na unidade da Costa Rica, na América Central, e, agora, carimbou o diploma para uma universidade na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, onde começará o curso de economia e filosofia, mês que vem.

Os candidatos fazem uma prova com conteúdo do 1º ano, atualidades e redação. No fim de 2011, quando encarou o processo seletivo, André concorreu com 300 estudantes, que foram reduzidos a 50 na etapa da entrevista em BH. A terceira fase foi uma dinâmica de grupo de dois dias num sítio em São Paulo. Nove foram selecionados e, só no fim, o adolescente soube que iria para a Costa Rica.

O estudante diz que não trocaria a experiência por nada. No colégio, havia 164 alunos distribuídos em sete residências estudantis femininas e masculinas. “No meu primeiro ano, eu dividia o quarto com um norte-americano e um palestino, que se tornaram melhores amigos. Se dentro de um quarto isso funciona, por que não poderia ser da mesma forma lá fora?”, questiona. A diferença de hábitos e costumes é outro desafio. O mesmo palestino, que é muçulmano, rezava cinco vezes por dia, sendo uma delas de madrugada. Para não atrapalhar os colegas, que também tinham o direito de dormir, fazer as preces em tom mais baixo e num canto do cômodo foi o acordo para ninguém ficar prejudicado. Um garoto da Malásia, para quem era normal compartilhar tudo, teve que aprender que a toalha do colega suíço era só dele.

E num lugar onde o mundo inteiro se reúne, o inglês foi o idioma oficial. Mas o domínio de uma língua estrangeira não é pré-requisito para se inscrever no processo seletivo. “Se fosse assim, só alunos de classe média e ricos poderiam entrar, e não é o que ocorre. Como você tem que se comunicar, aprende rápido. Havia uma menina do Rio de Janeiro que não falava nem inglês nem espanhol e saiu fluente nos dois.” Chamou a atenção também a quantidade de estudantes vindos de escolas públicas – a maioria, segundo André. 




"Meu futuro é quem der mais, não necessariamente dinheiro, mas oportunidade. Se for no Brasil, volto. Mas se for na Austrália, na Índia ou no Japão, estou indo também" - André Bicalho Ceccotti, estudante

A experiência internacional fez o garoto criar asas: “Meu futuro é quem der mais, não necessariamente dinheiro, mas oportunidade. Se for no Brasil, volto. Mas se for na Austrália, na Índia ou no Japão, estou indo também. Realmente, você se torna um cidadão do mundo”.

SERVIÇO
Quem pode participar: brasileiros ou residentes permanentes no Brasil, entre 15 e 18 anos completados até 31 de agosto de 2015, que estejam cursando o 1º ou 2º ano do ensino médio. Candidatos do processo seletivo do ano passado que não chegaram à etapa do convívio poderão se inscrever novamente
Quando: até 15 de agosto
Valor: R$ 90
Não é necessário o conhecimento
prévio de inglês
Informações: www.uwc.org.br

Número de planos de saúde individuais está cada vez menor

Plano individual some da praça Convênios com reajuste regulado pela ANS representam menos de 20% do total, perdendo espaço para os coletivos, que custam inicialmente menos, mas não têm correção limitada

Bábara Nascimento
Estado de Minas: 20/07/2014


Custo alto para acesso a atendimento vai parar na Justiça (Juarez Rodrigues/EM/D.A Press - 3/7/14    )
Custo alto para acesso a atendimento vai parar na Justiça




Brasília – Com reajustes controlados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a quantidade de planos de saúde individuais disponíveis no mercado tem diminuído a cada ano. Eles são, hoje, menos de 20% do total de convênios. A ANS e as entidades representantes das operadoras, no entanto, garantem que ainda há muitas opções no mercado, e que quem procurar um modelo individual de saúde privada vai encontrar. O Estado de Minas foi atrás de várias empresas que fazem a intermediação da venda de planos e percebeu que, no momento da aquisição, não é dada muita escolha ao consumidor. Na maior parte das vezes, os vendedores direcionam a compra para os convênios coletivos e, questionados, chegam a afirmar que não existem mais planos individuais à venda no país.

Depois de alguma insistência, eles cedem e apresentam o outro modelo, mas sempre com argumentos contrários à aquisição. “Não compensa, é muito mais caro”, afirmou uma vendedora. De fato, os preços fixados pelas operadoras desanimam qualquer um. Em um orçamento para uma pessoa com 50 anos, por exemplo, o plano individual mais simples custaria R$ 1.664 mensais. Em outra empresa, o custo seria de R$ 1,5 mil. Os preços do plano coletivo, em diferentes operadoras, variam entre R$ 406, para o modelo regional, e R$ 560 o nacional, para a mesma idade do usuário, e considerando-se o plano mais simples, incluindo apenas o direito à enfermaria.

Para usuários com idade até 18 anos, o preço no convênio individual pode chegar a R$ 400, segundo os consultores de vendas das operadoras. Na faixa etária de 30 anos, o valor mensal sobe a R$ 675. Nas opções de planos coletivos pesquisadas o custo para menores de 18 anos é inferior a R$ 200 e fica em torno de R$ 280 para adultos. “O plano individual é tão mais caro que, mesmo com os reajustes maiores do coletivo ele não chega a esse preço”, argumentou outro vendedor.

A coordenadora institucional da associação de consumidores Proteste, Maria Inês Dolcci, discorda e alerta para as irregularidades desse tipo de venda. “O coletivo pode ser atrativo em um primeiro momento, mas os reajustes posteriores são extremamente elevados. Há anos estamos percebendo que as operados ou pararam de vender os individuais ou desestimulam a aquisição deles”, explica.

Sem barganha A ANS regula o reajuste apenas dos planos individuais, utilizando a média das correções aplicadas pelos coletivos. O aumento neste ano foi de 9,65%. A justificativa da agência reguladora para não estipular o reajuste máximo dos convênios coletivos é de que, como esses possuem carteiras com muitos beneficiários, têm poder de barganha para negociar preços justos.

Na prática, não é bem o que ocorre e vários dos casos vão parar na Justiça. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), entre esses casos judicializados, a média de reajuste é de 80%. De acordo com a ANS, existem dois tipos de planos coletivos: os empresariais, que prestam assistência à saúde dos funcionários da empresa contratante graças ao vínculo empregatício, e os coletivos por adesão, contratados por pessoas jurídicas como conselhos e sindicatos.

Os smartphones e a liberdade‏

Os smartphones e a liberdade
Aristides José Vieira Carvalho
Estado de Minas: 20/07/2014

Os smartphones trouxeram vários benefícios ao nosso dia a dia: podemos nos comunicar com pessoas que estão em locais próximos ou distantes, encaminhar e agilizar atividades pessoais e profissionais, atualizar dados e informações a partir de sites, WhatsApp, redes sociais e e-mails recebidos.

O fascínio pelos smartphones, em seus modelos cada vez mais atraentes, é uma ocorrência mundial. Certamente, o aumento da procura por esses aparelhos tem a ver com a tecnologia e/ou com o consumismo. É difícil dizer o que mais se sobressai. O fato é que, se por um lado os avanços tecnológicos e o mercado facilitaram e democratizaram o acesso à comunicação e à informação, por outro lado trouxeram um desafio enorme à sociedade em relação à convivência saudável com esses aparelhos.

Quero acreditar que chegaremos a um equilíbrio em relação à utilização dos smartphones. Preocupam-me os riscos que oferecem ao impor um ritmo novo ao nosso viver, comprometendo as relações interpessoais e deixando-nos dependentes da sua utilização. No que diz respeito à saúde, há pesquisas sugerindo a diminuição do rendimento escolar entre universitários; há relatos de especialistas sobre as alterações visuais entre usuários, quadros de ansiedade e tendinites desencadeados pelo uso excessivo. Os adolescentes são, provavelmente, os mais prejudicados. Com suas “redes de amizades”, não conseguem desgrudar do visor porque aguardam mensagens e mantêm conversas intermináveis.

Para os pais, fica o desafio – heroico nessa sociedade consumista e imediatista – de colocar limite em uma “turma” que, de forma compulsiva, se envereda por caminhos algumas vezes perigosos. Esse limite é fundamental para que cresçam com liberdade e possam conduzir suas vidas sem se sentirem escravizados por esses aparelhos.

Faz algum tempo comprei um smartphone. Ele tem me ajudado muito. Mas deixei claro o seguinte: ele me serve para que eu possa interagir com as pessoas. Esse é o acordo. Confesso que, com frequência, tenho que me disciplinar para que ele não dê o tom e me deixe à mercê das suas demandas.

Pensando na liberdade em fazer as escolhas e em saborear a vida é que coloco a questão da utilização da tecnologia sem ser usado e dominado por ela. O escritor e filósofo Fernando Savater diz que “somos livres para responder dessa ou daquela maneira ao que nos acontece”. Seguindo essa perspectiva, avalio o uso dos smartphones. Eles estão aí. Como vamos viver em liberdade e responder à utilização de seus recursos, que a cada dia se ampliam?

A ansiedade desenfreada em ler as mensagens sem poder esperar um minuto sequer e a compulsão em olhar a tela para acessar os recados, as novidades, mesmo quando se está dirigindo; a falta de cuidado ao não prestar atenção ao outro, ao trabalho, ao lazer porque as mensagens estão chegando e é preciso (imperativo!) respondê-las e/ou acompanhá-la são atitudes que nada têm de saudável.

Colocar os smartphones a nosso serviço me parece ser um dos grandes desafios atuais. Precisamos construir estratégias para conduzir nossas vidas em liberdade, o que significa sabedoria e serenidade para lidar com os aparelhos sem nos deixarmos escravizar por eles, por mais atraentes e fascinantes que sejam.