Por enquanto, a
telepatia estava limitada à parapsicologia: comunicação direta e a
distância entre duas mentes, ou conhecimento, por alguém, dos processos
mentais de outrem, além dos limites da percepção ordinária. Agora, a
neurociência ameaça confirmar o processo telepático.
Acredito em
parapsicologia porque já levitei. Não estava bêbado e pesava cerca de
130kg. Sentei-me numa mesa de jacarandá maciço, também muito pesada, e
quatro senhoras, orientadas por uma delas, que andava estudando o
assunto, disseram: “Levanta, Eduardo”. Tive a nítida impressão de
levitar, cena testemunhada por uma porção de pessoas às quatro horas de
uma tarde de domingo, em casa de parentes meus.
Dir-se-á que fui
sugestionado. É, bebé? Tanto levitei com a mesa, que um dos pés de
jacarandá maciço, de bons 20cm de diâmetro, quebrou durante a
“aterrissagem”. E todos nós – peço ao leitor que confirme – já vivemos
episódios em que reencontramos algumas pessoas, depois de pensar nelas,
que só podem ser precognição, percepção extrassensorial. Normalmente,
dizemos que foi coincidência, mas é muita sincronia para ser aceita como
tal.
As experiências neurocientíficas sobre transmissão de
pensamento foram mostradas num programa da GloboNews por um cientista de
nome complicado, que apresenta quadro rápido num telejornal vespertino.
Difícil de entender e de explicar, a experiência foi mostrada aos
telespectadores. Amanhã ou depois vamos saber mais sobre o assunto. Por
enquanto, tive a prova da quebra do pé de jacarandá maciço.
Símbolos
Obrou
muito mal o engenheiro Paulo Roberto Costa, o Paulinho do Lula, ao
incluir na lista dos beneficiários da ladroeira da Petrobras os nomes
ilustres de brasileiros que são símbolos da pátria, talqualmente a
Bandeira, o Hino, as Armas Nacionais. Mais que um político, o jornalista
Edson Lobão é um símbolo nacional. Formado em direito, trabalhou em
jornais e revistas, e chefiou o departamento de jornalismo da Rede Globo
no Distrito Federal, antes de se destacar como senador, governador do
Maranhão e ministro de Estado. Um maranhense com a sua trajetória paira
acima do bem e do mal, é inimputável, símbolo do que há de mais elevado e
representativo no Piscinão de Ramos.
O vocábulo delator me parece
pouco simpático. Por isso, prefiro dizer que o engenheiro Paulinho do
Lula é o relator, aquele que relata, que narra o assalto aos cofres
públicos organizado não por mim nem pelo leitor do Estado de Minas, mas
pelo Partido dos Trabalhadores. Ao relatar, deveria poupar nossos
símbolos e os brasileiros mortos, que não se podem defender dos crimes
de que são acusados pelo engenheiro. Neste país grande e bobo, todo
morto vira saudoso: o saudoso Lampião, o saudoso Antônio Conselheiro, o
saudoso Bandido da Luz Vermelha.
É muito de desejar que a Polícia
Federal tenha condições de proteger o Paulinho do Lula. Por muito menos,
o prefeito Celso Daniel foi retirado de um carro blindado (!),
torturado e morto. Ocupando os mais altos cargos públicos, seus
assassinos continuam circulando por aí.
Textos
A
ideia da Editora Contexto foi boa, mas a incumbência é complicada:
livros escritos por brasileiros sobre os povos dos países em que
viveram: Estados Unidos, Argentina, Índia, Japão, Irã, Portugal... Mesmo
Portugal, com seus 10,5 milhões de habitantes, não deve ser fácil de
padronizar. Que dizer de uma Índia, uma China ou mesmo dos Estados
Unidos, que andavam em 2012 pelos 314 milhões de habitantes?
Deles
todos, o japonês talvez seja o povo mais fácil de resumir num livro:
são 128 milhões com certas manias incomuns no planeta, como conservar as
ruas limpas e respeitar os mais velhos. No Brasil, país que o leitor
conhece bem, limpeza de rua é problema dos outros e os velhos só
interessam quando têm dinheiro para ajudar a família. Não precisam ter
muito dinheiro: qualquer trocadinho ajuda.
Por fim, a ideia da
Contexto esbarra nos textos dos autores convidados, que podem ser
interessantes e divertidos, como podem ser chatos, enrolados, confusos.
O mundo é uma bola
17
de outubro de 1769: decreto português estipula penas para os
atravessadores de vinho. Na falta de informações sobre o decreto,
apraz-me contar-lhes que o nome Portugal apareceu entre os anos 930 e
950 da Era Cristã e começou a ser usado com mais frequência no final do
século 10.
Para homenagear Anna Barbara e Antônio Martinez,
latinistas de truz, informo que no século 5, durante o reinado suevo,
Idácio de Chaves já escrevia sobre um local chamado Portucale, para onde
fugiu Requiário: “Rechiarius ad locum qui Portucale appellatur,
profugus regi Theudorico captivus adducitur” e o negócio vai por aí, mas
vou parando porque dá muito trabalho copiar textos em latim.
Em
1966, Botswana e Lesoto são admitidos como Estados-Membros da ONU,
organização que se esforça para ser ouvida e respeitada, mas é dirigida
pelo diplomata Ban Ki-moon, cavalheiro que sempre dá a impressão de
falar sorrindo, o que põe a seriedade a perder. Hoje é o Dia da
Agricultura, do Eletricista, do Maquinista, do Profissional de
Propaganda e da Indústria Aeronáutica Brasileira.
Ruminanças “Prometemos segundo nossas esperanças e cumprimos segundo nossos medos” (La Rochefoucauld, 1613-1680).