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quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
Painel - Fabio Zambeli [interino]
FOLHA DE SÃO PAULO
Sintonia fina Grella, que substituiu Antonio Ferreira Pinto na pasta no auge da crise, afirma que teve na semana passada sua primeira reunião com o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Avaliaram as operações em curso na área de inteligência da polícia e nas divisas do Estado.
Pechincha A exemplo do que fez com as prefeituras de São Paulo e Rio nas tarifas de ônibus, o ministro Guido Mantega (Fazenda) pediu ao governo paulista que retenha reajustes das passagens de metrô e trem para impedir alta da inflação no início do ano. Não obteve resposta.
Parabéns... Dilma Rousseff será protagonista da programação do aniversário de 459 anos de São Paulo, no dia 25. A presidente participará da entrega de 300 moradias do Minha Casa Minha Vida.
... a você O evento marcará a abertura da temporada de parcerias federais com a capital após a posse de Fernando Haddad, que completa 50 anos na mesma data.
Protocolo Ao contrário de Dilma, que omite as reuniões com Lula em sua agenda oficial, Haddad registrou encontro com o ex-presidente, às 11h de hoje, em seu roteiro divulgado para a imprensa.
Apetite Favorito à Presidência da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) se reúne amanhã com Alckmin no Bandeirantes. O encontro foi agendado por Michel Temer. Em seguida, irá a jantar com a bancada paulista.
Corrida... Ao assumir o STF, anteontem, Ricardo Lewandowski recebeu pedido do senador Magno Malta (PR-ES) para que seja suspensa a análise dos 3.000 vetos presidenciais, pautada por José Sarney (PMDB-AP) no final do ano passado.
... de obstáculos A manobra foi adotada após o ministro Luiz Fux determinar a interrupção da sessão na qual seria apreciada decisão de Dilma rejeitando parcialmente o projeto que reformula a partilha dos royalties.
Onde pega À ocasião, ministros estranharam o fundamento central da deliberação de Fux. Para ele, os vetos devem ser apreciados em ordem cronológica. Lewandowski, de plantão no Supremo, deve decidir sobre a questão ainda esta semana.
Assino embaixo Nomeado anteontem por Dilma para o STJ, Sérgio Kukina teve aval do presidente da corte, Félix Fischer. O novo ministro é próximo do governador Beto Richa (PSDB-PR).
Rebote Preterido por ora, Sammy Lopes ainda pleiteia a vaga de César Asfor Rocha. Ele tem apoio dos irmãos Tião e Jorge Viana (PT-AC) e do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM).
Bíblico De Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), sobre a recém-lançada candidatura à presidência do Senado contra Renan Calheiros (PMDB-AL). "Tal qual Davi, enfrentarei com fé republicana o gigante do coronelismo."
DO DEPUTADO MIRO TEIXEIRA (PDT-RJ), sobre Renan Calheiros (PMDB-AL) repassar R$ 117 mil ao suplente como pagamento de aluguel em Maceió.
Em seu primeiro discurso durante evento público após empossado prefeito, Fernando Haddad falava aos empresários dos setores têxtil e calçadista na abertura da Couromoda, anteontem, em São Paulo. O petista relembrou sua ligação afetiva com o comércio:
-Visitar a Couromoda me fez lembrar do tempo em que fui lojista na 25 de Março, nas décadas de 80, 90...
Na plateia, um dos participantes do evento brincou:
-Se soubessem que o prefeito era "de casa", não o colocariam para ser o 11º a discursar logo na sua estreia. Foi um verdadeiro teste de paciência!
Caderninho
Com a popularidade abalada pela crise na segurança, Geraldo Alckmin passou a monitorar diariamente os índices de criminalidade de São Paulo -tema que o PT vê como mais sensível ao tucano para a eleição de 2014. Desde o início do ano, o governador anota em sua agenda pessoal o número de homicídios, latrocínios e confrontos com policiais. Em privado, mostra entusiasmo com as estatísticas de 2013: a média de assassinatos do ano passado só foi alcançada em três ocasiões.
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Muita calma Apesar dos indicativos preliminares, Alckmin tem dito a aliados que prefere aguardar o balanço mensal de crimes, a ser divulgado pelo secretário Fernando Grella (Segurança Pública), para comemorar eventual redução substantiva.Sintonia fina Grella, que substituiu Antonio Ferreira Pinto na pasta no auge da crise, afirma que teve na semana passada sua primeira reunião com o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Avaliaram as operações em curso na área de inteligência da polícia e nas divisas do Estado.
Pechincha A exemplo do que fez com as prefeituras de São Paulo e Rio nas tarifas de ônibus, o ministro Guido Mantega (Fazenda) pediu ao governo paulista que retenha reajustes das passagens de metrô e trem para impedir alta da inflação no início do ano. Não obteve resposta.
Parabéns... Dilma Rousseff será protagonista da programação do aniversário de 459 anos de São Paulo, no dia 25. A presidente participará da entrega de 300 moradias do Minha Casa Minha Vida.
... a você O evento marcará a abertura da temporada de parcerias federais com a capital após a posse de Fernando Haddad, que completa 50 anos na mesma data.
Protocolo Ao contrário de Dilma, que omite as reuniões com Lula em sua agenda oficial, Haddad registrou encontro com o ex-presidente, às 11h de hoje, em seu roteiro divulgado para a imprensa.
Apetite Favorito à Presidência da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) se reúne amanhã com Alckmin no Bandeirantes. O encontro foi agendado por Michel Temer. Em seguida, irá a jantar com a bancada paulista.
Corrida... Ao assumir o STF, anteontem, Ricardo Lewandowski recebeu pedido do senador Magno Malta (PR-ES) para que seja suspensa a análise dos 3.000 vetos presidenciais, pautada por José Sarney (PMDB-AP) no final do ano passado.
... de obstáculos A manobra foi adotada após o ministro Luiz Fux determinar a interrupção da sessão na qual seria apreciada decisão de Dilma rejeitando parcialmente o projeto que reformula a partilha dos royalties.
Onde pega À ocasião, ministros estranharam o fundamento central da deliberação de Fux. Para ele, os vetos devem ser apreciados em ordem cronológica. Lewandowski, de plantão no Supremo, deve decidir sobre a questão ainda esta semana.
Assino embaixo Nomeado anteontem por Dilma para o STJ, Sérgio Kukina teve aval do presidente da corte, Félix Fischer. O novo ministro é próximo do governador Beto Richa (PSDB-PR).
Rebote Preterido por ora, Sammy Lopes ainda pleiteia a vaga de César Asfor Rocha. Ele tem apoio dos irmãos Tião e Jorge Viana (PT-AC) e do líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM).
Bíblico De Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), sobre a recém-lançada candidatura à presidência do Senado contra Renan Calheiros (PMDB-AL). "Tal qual Davi, enfrentarei com fé republicana o gigante do coronelismo."
com ANDRÉIA SADI e DANIELA LIMA
TIROTEIO
Vejo no Congresso Nacional, pela primeira vez, um caso em que o titular sustenta o próprio suplente com verba de gabinete.DO DEPUTADO MIRO TEIXEIRA (PDT-RJ), sobre Renan Calheiros (PMDB-AL) repassar R$ 117 mil ao suplente como pagamento de aluguel em Maceió.
CONTRAPONTO
Chegou a minha vez?Em seu primeiro discurso durante evento público após empossado prefeito, Fernando Haddad falava aos empresários dos setores têxtil e calçadista na abertura da Couromoda, anteontem, em São Paulo. O petista relembrou sua ligação afetiva com o comércio:
-Visitar a Couromoda me fez lembrar do tempo em que fui lojista na 25 de Março, nas décadas de 80, 90...
Na plateia, um dos participantes do evento brincou:
-Se soubessem que o prefeito era "de casa", não o colocariam para ser o 11º a discursar logo na sua estreia. Foi um verdadeiro teste de paciência!
Marta Suplicy - Tendências/Debates
FOLHA DE SÃO PAULO
O Brasil nos últimos anos, com Lula e agora Dilma, tem dado passos gigantescos para acabar com a miséria. Não preciso citar os números dos que hoje comem nem dos que hoje entraram na classe média. O Bolsa Família, trucidado pela oposição, hoje é comprovadamente um instrumento de erradicação da pobreza.
O Vale-Cultura pode, sim, ser o "alimento da alma". Por que não? Pela primeira vez o trabalhador terá um dinheiro que poderá gastar no consumo cultural: sejam livros, cinema, DVDs, teatro, museus, shows, revistas...
Lembro que, quando fizemos os CEUs (Centro Educacional Unificado), na pesquisa (2004) realizada no primeiro deles, na zona leste, 100% dos entrevistados nunca tinham entrado num teatro e 86%, num cinema. Quando Denise Stoklos fez seu espetáculo de mímica, a plateia se remexia inquieta até entender a linguagem e não se ouvir uma mosca no teatro, fascinado.
Fomento ao teatro, aquisição de conhecimento e bagagem cultural! Não foi à toa que Fernanda Montenegro ficou pasma com a plateia dos CEUs. Essas pessoas, se tiverem criado gosto, finalmente poderão usufruir e escolher mais do que hoje podem. E os que não têm CEU têm televisão e conhecem o que é oferecido para determinado público. Sabem também o que aparece no bairro. E sabem que não podem ir.
Existe toda uma multidão de brasileiros (17 milhões) que hoje ganha até cinco salários mínimos (R$ 3.390) que potencialmente poderão, além de comer, alimentar o espírito. Este é um projeto de lei que toca duas pontas: o cidadão que vai consumir e o produtor cultural que terá mais público para sua oferta.
Quando chegarmos nesse potencial, serão R$ 7 bilhões injetados na cultura. Nossa previsão é atingir R$ 500 milhões neste ano.
Em 2008, o Ibope realizou pesquisa sobre indicadores de cultura no Brasil e mostrou que a grande maioria da população está alijada do consumo dos produtos culturais: 87% não frequentavam cinemas, 92% nunca foram a um museu; 90% dos municípios do país não tinham sala de cinema e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança.
Segundo a Folha, estaremos incentivando blockbusters e livros de autoajuda. Visão elitista. Cada um tem direito de consumir o que lhe agrada. Não esqueço quando, visitando um telecentro, fiquei indignada que a maioria dos jovens estava nos chats de um reality show. Fui advertida pela gestora: "Esse é um instrumento que eles estão aprendendo a usar. Depois, poderão voar para outros interesses. Ou não".
Não custa lembrar que a fome pelo acesso à cultura é enorme, o que ficou evidente nas filas quilométricas na mostra sobre impressionistas quando apresentada gratuitamente pelo Banco do Brasil.
O que a Folha também menosprezou é a enorme alavanca que o VC pode representar e desencadear na economia. A cadeia produtiva da cultura é o investimento de maior rentabilidade a curto prazo. Para uma peça de teatro, você vai desde os artistas, ao carpinteiro, cenógrafo, vestuário, iluminador...
Quanto ao recurso ir para formação e atividades de menor sustentação comercial, citadas como prioritários pela Folha, os editais do ministério, os Pontos de Cultura, têm exatamente essa preocupação, assim como os CEUs das Artes e Esporte que são, no momento, 124 em construção no país.
"A gente quer comida, diversão e arte." (Titãs)
Estavam em vigor desde 1989. E, desde então, o Congresso havia se autolimitado a definir os critérios em dois anos. A economia mudara. Não havia indícios suficientes de que o FPE estaria cumprindo a sua função constitucional de "promover o equilíbrio socioeconômico entre Estados". O desequilíbrio persiste. Era imperioso reavaliar e mudar.
A definição desses critérios é competência do Congresso. O Supremo respeitou. Apenas ordenou que, no razoável prazo de quase três anos, o próprio Congresso buscasse critérios mais eficazes para cumprir a Constituição e promover o equilíbrio socioeconômico. O prazo extinguiu-se em 31 de dezembro. O Congresso nada fez. Não cumpriu a ordem do Supremo. E agora?
A Presidência da República não quis interferir na decisão do Congresso. Pois, como diz o senador Francisco Dornelles, "Se a questão do petróleo são 24 Estados contra 3, na do FPE, são 27 contra 27". Acordo quase impossível. A Presidência não atentou que o descumprimento do prazo pelo Congresso a atingiria, pois é a responsável legal para fazer os repasses mensais.
A lei que estabeleceu os critérios antigos não mais existe. Existe um vácuo legislativo. E agora? A Presidência tende a pagar como vinha pagando, com base em um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU). O TCU não vale mais que o Supremo.
No final do ano passado, alguns parlamentares tentaram um acordo. Congelava-se os recursos repassados em 2012, em termos reais. O recurso adicional do crescimento do FPE seria 50% distribuídos com base na população (limitando a um peso máximo por Estado de 7% da população do Brasil) e os 50% restantes, com base no inverso da renda domiciliar per capita.
Ora, isso, na verdade, apenas chegava o mais próximo possível dos critérios antigos. Obedeceria formalmente ao Supremo. Mas dificilmente atingiria o objetivo de promover o equilíbrio socioeconômico que a Constituição exige. Mais do mesmo. Mesmo assim, o acordo não foi feito. Impasse.
A omissão do Congresso e o pagamento da Presidência vão fazer a questão voltar ao Supremo, confrontando agora com ordem não cumprida. Como resolver? O Supremo dará novo prazo ao Congresso? Quais as chances do Congresso cumprir o novo prazo?
Para não interromper os repasses aos Estados, desfazer o impasse congressual e cumprir com a Constituição, reduzindo os desequilíbrios, a alternativa seria: (a) Os repasses atuais seriam mantidos, em termos reais. Ninguém perde e se garante a solvência dos Estados. Algo similar ao que deveria ser feito na questão dos royalties. (b) O crescimento futuro do FPE seria dividido de modo a combater os desequilíbrios socioeconômicos através de uma regra que possa cumprir esse objetivo. A atual não conseguiu, nem a proposta de dezembro conseguiria.
O fundo cresceu 5,1% em termos reais entre 1995 e 2001, ou seja, 127% em 16 anos. Estima-se que, a cada ano, o FPE teria em média cerca de R$ 2,5 bilhões adicionais para efetivamente combater os desequilíbrios.
O pressuposto desta ou qualquer solução é óbvio: o Congresso tem capacidade de exercer sua competência legal no tempo que o Supremo determina?
"A gente não quer só comida"
O Vale-Cultura pode, sim, ser o "alimento da alma". Por que não? Pela primeira vez o trabalhador terá um dinheiro para o consumo cultural
A Folha publicou editorial ("Vale-populismo", 10/1) crítico do Vale-Cultura (VC). Chama de "populismo" e promoção pessoal e eleitoreira projeto de lei que buscava aprovação desde 2009. Com a regulamentação do VC, empresas poderão passar R$ 50 a seus funcionários que recebam prioritariamente até cinco salários mínimos (R$ 3.390) para gastarem em cultura.O Brasil nos últimos anos, com Lula e agora Dilma, tem dado passos gigantescos para acabar com a miséria. Não preciso citar os números dos que hoje comem nem dos que hoje entraram na classe média. O Bolsa Família, trucidado pela oposição, hoje é comprovadamente um instrumento de erradicação da pobreza.
O Vale-Cultura pode, sim, ser o "alimento da alma". Por que não? Pela primeira vez o trabalhador terá um dinheiro que poderá gastar no consumo cultural: sejam livros, cinema, DVDs, teatro, museus, shows, revistas...
Lembro que, quando fizemos os CEUs (Centro Educacional Unificado), na pesquisa (2004) realizada no primeiro deles, na zona leste, 100% dos entrevistados nunca tinham entrado num teatro e 86%, num cinema. Quando Denise Stoklos fez seu espetáculo de mímica, a plateia se remexia inquieta até entender a linguagem e não se ouvir uma mosca no teatro, fascinado.
Fomento ao teatro, aquisição de conhecimento e bagagem cultural! Não foi à toa que Fernanda Montenegro ficou pasma com a plateia dos CEUs. Essas pessoas, se tiverem criado gosto, finalmente poderão usufruir e escolher mais do que hoje podem. E os que não têm CEU têm televisão e conhecem o que é oferecido para determinado público. Sabem também o que aparece no bairro. E sabem que não podem ir.
Existe toda uma multidão de brasileiros (17 milhões) que hoje ganha até cinco salários mínimos (R$ 3.390) que potencialmente poderão, além de comer, alimentar o espírito. Este é um projeto de lei que toca duas pontas: o cidadão que vai consumir e o produtor cultural que terá mais público para sua oferta.
Quando chegarmos nesse potencial, serão R$ 7 bilhões injetados na cultura. Nossa previsão é atingir R$ 500 milhões neste ano.
Em 2008, o Ibope realizou pesquisa sobre indicadores de cultura no Brasil e mostrou que a grande maioria da população está alijada do consumo dos produtos culturais: 87% não frequentavam cinemas, 92% nunca foram a um museu; 90% dos municípios do país não tinham sala de cinema e 78% nunca assistiram a um espetáculo de dança.
Segundo a Folha, estaremos incentivando blockbusters e livros de autoajuda. Visão elitista. Cada um tem direito de consumir o que lhe agrada. Não esqueço quando, visitando um telecentro, fiquei indignada que a maioria dos jovens estava nos chats de um reality show. Fui advertida pela gestora: "Esse é um instrumento que eles estão aprendendo a usar. Depois, poderão voar para outros interesses. Ou não".
Não custa lembrar que a fome pelo acesso à cultura é enorme, o que ficou evidente nas filas quilométricas na mostra sobre impressionistas quando apresentada gratuitamente pelo Banco do Brasil.
O que a Folha também menosprezou é a enorme alavanca que o VC pode representar e desencadear na economia. A cadeia produtiva da cultura é o investimento de maior rentabilidade a curto prazo. Para uma peça de teatro, você vai desde os artistas, ao carpinteiro, cenógrafo, vestuário, iluminador...
Quanto ao recurso ir para formação e atividades de menor sustentação comercial, citadas como prioritários pela Folha, os editais do ministério, os Pontos de Cultura, têm exatamente essa preocupação, assim como os CEUs das Artes e Esporte que são, no momento, 124 em construção no país.
"A gente quer comida, diversão e arte." (Titãs)
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MARTA SUPLICY, 67, é ministra da Cultura. Foi prefeita de São Paulo (2001-2004), ministra do Turismo (2007-2008) e senadora (2011-2012)
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.br
JOAQUIM FALCÃO
Impasse entre os Estados
A omissão do Congresso ao definir novas regras do Fundo de Participação dos Estados gera questionamento sobre sua capacidade de cumprir a função
Em fevereiro de 2010, após ser provocado pelo Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os critérios de repasse dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE), criado pela Constituição, deveriam ser revistos pelo Congresso.Estavam em vigor desde 1989. E, desde então, o Congresso havia se autolimitado a definir os critérios em dois anos. A economia mudara. Não havia indícios suficientes de que o FPE estaria cumprindo a sua função constitucional de "promover o equilíbrio socioeconômico entre Estados". O desequilíbrio persiste. Era imperioso reavaliar e mudar.
A definição desses critérios é competência do Congresso. O Supremo respeitou. Apenas ordenou que, no razoável prazo de quase três anos, o próprio Congresso buscasse critérios mais eficazes para cumprir a Constituição e promover o equilíbrio socioeconômico. O prazo extinguiu-se em 31 de dezembro. O Congresso nada fez. Não cumpriu a ordem do Supremo. E agora?
A Presidência da República não quis interferir na decisão do Congresso. Pois, como diz o senador Francisco Dornelles, "Se a questão do petróleo são 24 Estados contra 3, na do FPE, são 27 contra 27". Acordo quase impossível. A Presidência não atentou que o descumprimento do prazo pelo Congresso a atingiria, pois é a responsável legal para fazer os repasses mensais.
A lei que estabeleceu os critérios antigos não mais existe. Existe um vácuo legislativo. E agora? A Presidência tende a pagar como vinha pagando, com base em um parecer do Tribunal de Contas da União (TCU). O TCU não vale mais que o Supremo.
No final do ano passado, alguns parlamentares tentaram um acordo. Congelava-se os recursos repassados em 2012, em termos reais. O recurso adicional do crescimento do FPE seria 50% distribuídos com base na população (limitando a um peso máximo por Estado de 7% da população do Brasil) e os 50% restantes, com base no inverso da renda domiciliar per capita.
Ora, isso, na verdade, apenas chegava o mais próximo possível dos critérios antigos. Obedeceria formalmente ao Supremo. Mas dificilmente atingiria o objetivo de promover o equilíbrio socioeconômico que a Constituição exige. Mais do mesmo. Mesmo assim, o acordo não foi feito. Impasse.
A omissão do Congresso e o pagamento da Presidência vão fazer a questão voltar ao Supremo, confrontando agora com ordem não cumprida. Como resolver? O Supremo dará novo prazo ao Congresso? Quais as chances do Congresso cumprir o novo prazo?
Para não interromper os repasses aos Estados, desfazer o impasse congressual e cumprir com a Constituição, reduzindo os desequilíbrios, a alternativa seria: (a) Os repasses atuais seriam mantidos, em termos reais. Ninguém perde e se garante a solvência dos Estados. Algo similar ao que deveria ser feito na questão dos royalties. (b) O crescimento futuro do FPE seria dividido de modo a combater os desequilíbrios socioeconômicos através de uma regra que possa cumprir esse objetivo. A atual não conseguiu, nem a proposta de dezembro conseguiria.
O fundo cresceu 5,1% em termos reais entre 1995 e 2001, ou seja, 127% em 16 anos. Estima-se que, a cada ano, o FPE teria em média cerca de R$ 2,5 bilhões adicionais para efetivamente combater os desequilíbrios.
O pressuposto desta ou qualquer solução é óbvio: o Congresso tem capacidade de exercer sua competência legal no tempo que o Supremo determina?
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JOAQUIM FALCÃO, 69, mestre em direito pela Universidade Harvard e doutor em educação pela Universidade de Genebra, é professor de direito constitucional e diretor da Escola de Direito da FGV-RJ
Os artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate dos problemas brasileiros e mundiais e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo. debates@uol.com.brElio Gaspari
FOLHA DE SÃO PAULO
Pindorama vive uma época de perplexidade vocabular. Primeiro, apareceu uma tal de "nova classe média" depois, uma milagrosa "classe C" que frequenta lugares aonde não ia (aeroportos, por exemplo).
Outro dia Janio de Freitas reclamou, com toda razão, que as operadoras de planos de saúde chamam sua clientela de "beneficiários". Ora, beneficiárias são as empresas que mereceram a confiança dos fregueses. Essa nova classe é o velho e bom trabalhador brasileiro.
Milhões de pessoas que viviam nas fímbrias da sociedade, trabalhando sem carteira assinada e raramente tinham conta em banco. Iam ao aeroporto aos domingos para apreciar pousos e decolagens.
Essa "gente diferenciada" veio para ficar. Algum pesquisador poderá confirmar que o aparecimento de 42,5 milhões de novos clientes num sistema bancário é um fenômeno mundialmente inédito. O número foi levantado há poucos meses pelo Banco Central. Ele decorre da ampliação do mercado de trabalho formal, batendo a marca dos 50 milhões de brasileiros.
Esse trabalhador tem conta em banco, direitos trabalhistas, crédito nas lojas que vendem móveis e fornos de micro-ondas. É um novo cidadão. Está num mercado consumidor onde a taxa de juros média mensal (5,4%) caiu ao menor nível desde 1995, quando passou a fazer sentido acompanhar esse índice.
Nada disso teria acontecido sem Itamar Franco, que botou Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda; sem o Plano Real e os oito anos de FHC no Planalto; sem Lula, que abriu o crédito para o andar de baixo; ou sem Dilma, que forçou a baixa dos juros. Melhor assim.
O que está sobre a mesa da banca é a necessidade de se adaptar a um país que mudou. Trata-se de aproveitar a oportunidade, em vez de reclamar do fantasma da inadimplência.
Ele pressupõe que a demanda de crédito de uma parte desses 42,5 milhões de novos correntistas seja uma fonte de calotes. Falta provar. A inadimplência dos brasileiros oscila dentro de uma faixa que vai de 5% (2001) a 8,5% (2009). Hoje está em 7,8%. É mais alta no mercado de venda de carros (8%) e saudavelmente baixa (2%) no crédito imobiliário.
A banca deveria dar a todos os seus diretores dois retratos. O de Amadeo Giannini e o de Carlo Ponzi. Um tinha seu pequeno banco em São Francisco quando, em 1906, um terremoto destruiu a cidade. Ele tirou o dinheiro do cofre e passou a emprestá-lo na rua, contra um aperto de mão. Meses depois, seus depósitos duplicaram. Mais tarde, ergueu o Bank of America.
Ponzi tomava dinheiro prometendo um retorno de 50% em 45 dias. Deu um golpe de US$ 200 milhões (em dinheiro de hoje) e acabou na cadeia. Olhando para um, farão seu serviço direito. No outro verão a ruína. Libertado, em 1939 Ponzi veio para a terra onde canta o sabiá. Morava no Rio (rua Engenho Novo 118, prédio que não existe mais) e morreu na Santa Casa, aposentado pelo Instituto dos Comerciários.
O Brasil vai bem, obrigado
Em sete anos, uma Argentina entrou para a rede bancária nacional, isso não é problema, é solução
Deve-se ao repórter Felipe Marques a informação de que os bancos brasileiros estão às voltas com um novo desafio: organizar um filtro para suas análises de crédito, capaz de absorver 42,5 milhões de novos clientes que entraram no circuito financeiro entre 2005 e 2012. Há muito tempo não aparecia notícia tão boa. Em sete anos, a clientela da rede bancária cresceu uma Argentina.Pindorama vive uma época de perplexidade vocabular. Primeiro, apareceu uma tal de "nova classe média" depois, uma milagrosa "classe C" que frequenta lugares aonde não ia (aeroportos, por exemplo).
Outro dia Janio de Freitas reclamou, com toda razão, que as operadoras de planos de saúde chamam sua clientela de "beneficiários". Ora, beneficiárias são as empresas que mereceram a confiança dos fregueses. Essa nova classe é o velho e bom trabalhador brasileiro.
Milhões de pessoas que viviam nas fímbrias da sociedade, trabalhando sem carteira assinada e raramente tinham conta em banco. Iam ao aeroporto aos domingos para apreciar pousos e decolagens.
Essa "gente diferenciada" veio para ficar. Algum pesquisador poderá confirmar que o aparecimento de 42,5 milhões de novos clientes num sistema bancário é um fenômeno mundialmente inédito. O número foi levantado há poucos meses pelo Banco Central. Ele decorre da ampliação do mercado de trabalho formal, batendo a marca dos 50 milhões de brasileiros.
Esse trabalhador tem conta em banco, direitos trabalhistas, crédito nas lojas que vendem móveis e fornos de micro-ondas. É um novo cidadão. Está num mercado consumidor onde a taxa de juros média mensal (5,4%) caiu ao menor nível desde 1995, quando passou a fazer sentido acompanhar esse índice.
Nada disso teria acontecido sem Itamar Franco, que botou Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda; sem o Plano Real e os oito anos de FHC no Planalto; sem Lula, que abriu o crédito para o andar de baixo; ou sem Dilma, que forçou a baixa dos juros. Melhor assim.
O que está sobre a mesa da banca é a necessidade de se adaptar a um país que mudou. Trata-se de aproveitar a oportunidade, em vez de reclamar do fantasma da inadimplência.
Ele pressupõe que a demanda de crédito de uma parte desses 42,5 milhões de novos correntistas seja uma fonte de calotes. Falta provar. A inadimplência dos brasileiros oscila dentro de uma faixa que vai de 5% (2001) a 8,5% (2009). Hoje está em 7,8%. É mais alta no mercado de venda de carros (8%) e saudavelmente baixa (2%) no crédito imobiliário.
A banca deveria dar a todos os seus diretores dois retratos. O de Amadeo Giannini e o de Carlo Ponzi. Um tinha seu pequeno banco em São Francisco quando, em 1906, um terremoto destruiu a cidade. Ele tirou o dinheiro do cofre e passou a emprestá-lo na rua, contra um aperto de mão. Meses depois, seus depósitos duplicaram. Mais tarde, ergueu o Bank of America.
Ponzi tomava dinheiro prometendo um retorno de 50% em 45 dias. Deu um golpe de US$ 200 milhões (em dinheiro de hoje) e acabou na cadeia. Olhando para um, farão seu serviço direito. No outro verão a ruína. Libertado, em 1939 Ponzi veio para a terra onde canta o sabiá. Morava no Rio (rua Engenho Novo 118, prédio que não existe mais) e morreu na Santa Casa, aposentado pelo Instituto dos Comerciários.
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