terça-feira, 24 de setembro de 2013

EMMY » Influências da rede

Estado de Minas: 24/09/2013 



Atores de Breaking bad celebram a vitória no Emmy (Jason Merritt/AFP)


Atores de Breaking bad celebram a vitória no Emmy

O aclamado drama de televisão Breaking bad ganhou seu primeiro prêmio Emmy importante na noite de domingo, às vésperas do fim da sombria história do professor de química que se torna produtor e traficante de drogas. Resta apenas um episódio da sexta e última temporada para ir ao ar pelo canal AMC, no domingo. Os criadores atribuíram o sucesso de domingo a uma mudança no mundo da televisão, em que sistemas de vídeo on demand e por streaming permitem o consumo de vários episódios sucessivos, e as redes sociais geram o burburinho.

"Acho que nosso programa não teria durado nem sequer além da segunda temporada se não fosse pelo video on demand, e também o componente da internet, onde as pessoas batem papo", disse o criador da série, Vince Gilligan, nos bastidores. "Isso realmente nos manteve em boa posição. É uma ousada nova era." Se o prêmio de Melhor Drama vingou o poderio dos canais a cabo, o prêmio de Melhor Comédia foi um aceno aos valores de produção das redes de TV aberta. Modern family, série altamente estilizada da ABC sobre famílias não convencionais, ganhou nessa categoria pelo quarto ano consecutivo.

Os Emmys são concedidos pela Academia de Artes e Ciências Televisivas. Numa alusão aos novos tempos, o apresentador Neil Patrick Harris abriu a cerimônia fechado em uma sala, assistindo a programas em múltiplas telas para não perder nenhum episódio. A nova sensação no mercado televisivo, a empresa de transmissão on-line Netflix, não conseguiu emplacar os prêmios de Melhor Drama e atuações para seu thriller político House of cards, mas levou o prêmio de Direção e foi motivo de conversas nos bastidores, sendo elogiada por concorrentes por sua capacidade de inovar desenvolvendo conteúdo original para transmissão on-line.

O canal a cabo HBO, que tinha 108 das mais de 500 indicações, mostrou que tem força para se manter num setor cada vez mais competitivo, em que os canais a cabo básicos e o Netflix vêm desafiando suas produções de alta qualidade. Jeff Daniels, que interpreta um esgotado âncora em The newsroom, surpreendeu ao vencer na categoria de Melhor Ator Dramático. Claire Danes emplacou pela segunda vez consecutiva o Emmy de Melhor Atriz Aramática por sua atuação como uma agente da CIA bipolar em Homeland. 

Tv Paga

Estado de Minas: 24/09/2013 



 (Universo Produção/Divulgação )

Resgatando a história


Estreia hoje,. às 22h, no Canal Brasil, o documentário Dossiê Jango (foto). O diretor Paulo Henrique Fontenelle propõe uma reflexão sobre o período da ditadura militar brasileira a partir de um dos mais controversos fatos políticos da história do país: a morte do ex-presidente João Goulart, em 6 de dezembro de 1976, na Argentina. Oficialmente, o ex-presidente morreu de infarto durante seu exílio político, quando planejava voltar ao Brasil. O argumento é de Paulo Mendonça e Roberto Farias.

José Sette faz poesia com  samba de Geraldo Pereira


Também em formato de documentário – ou um poema musical, como preferem alguns –, o longa O Rei do Samba, que o mineiro José Sette de Barros rodou em 1999, é atração de hoje, às 21h50, no Cine Brasil, traçando o perfil do compositor Geraldo Pereira. Outra produção brasileira, O diário de Tati, com Heloisa Périssé, volta em reprise no Telecine Pipoca, também às 22h.

Muitas alternativas na  programação de filmes


Na mesma faixa das 22h, o assinante tem mais seis opções: O lutador, na MGM; Uma viagem muito louca, na Warner; Sherlock Holmes – O jogo de sombras, na HBO; A máquina do tempo, no ID; Super 8, no Telecine Action; e Anjos da lei, no Telecine Premium. E mais: Ligeiramente grávidos, às 20h, no Megapix; Um homem misterioso, às 20h, no Universal; Martha Marcy May Marlene, às 20h05, no Telecine Premium; A jovem rainha Victoria, às 21h35, no Glitz; e Meu amante é de outro mundo, às 23h , no Comedy Central.

José Wilker entrevista o colega ator Diogo Vilela


Diogo Vilela é o convidado de José Wilker no episódio desta noite de Palco e plateia, às 21h30, no Canal Brasil. Comz uma extensa carreira, com personagens marcantes na televisão, cinema e teatro, Vilela conta histórias de bastidores e curiosidades de sua trajetória.

Abujamra vai provocar  um vegetariano convicto


Na Cultura, às 23h, Antônio Abujamra entrevista o professor de literatura Roberto Juliano Gonçalves em mais um programa Provocações. Professor de cursinho e defensor fervoroso do estilo vegan de vida, Roberto Juliano fala sobre a era do “ecologicamente correto”. Ele é autor do livro O dilema do vegano.

Você já ouviu falar do  Museu do Real Madrid?


Narrado por Milton Gonçalves, Mundo museu vai levar o assinante até o Museu do Real Madrid, na capital espanhola. É isso mesmo: assim como no Brasil, o futebol é parte importantíssima da Espanha. Muito mais que um esporte, é um traço da cultura do país. E na capital, futebol é sinônimo de Real Madrid, o clube mais vitorioso de todos os tempos. Confira no +Globosat, às 21h.

MARIA ESTHER MACIEL » Enfim, a primavera‏

Estado de Minas: 24/09/2013 



Na semana passada, ao descer até o portão de seu prédio, Laura viu a lua. De repente (quase num susto), ela parou e pôs-se a olhar demoradamente para o alto, capturada pelo círculo branco e luminoso que se deixava ver entre as árvores da rua. Há muito tempo ela não contemplava uma lua cheia assim, tão incisiva. Não que Laura seja chegada a paisagens idílicas ou temas românticos. Mas diante dessa lua enorme, algo mexeu com sua sensibilidade. Talvez porque estivesse se sentindo meio triste e sozinha, sem a expectativa de que algo (por mínimo que fosse) pudesse desviá-la da rotina de seus dias. Mas a lua cheia de setembro apareceu, magnífica, e perturbou a mulher por alguns minutos, tornando-se, para ela, o grande acontecimento da noite.

Dias depois, no domingo, e ainda com a memória da lua nos olhos, Laura se deu conta de que a primavera estava para começar naquela tarde. Foi durante uma caminhada até a padaria da esquina que ela se lembrou disso e conferiu a data na tela do celular: 22 de setembro de 2013. “Acho que a lua me preparou para receber a primavera”, disse para si mesma, com certa satisfação. Pelo jeito, ela acredita (ou tenta acreditar) que a primavera chegou para alterar o curso das coisas em sua vida. Afinal de contas, Laura passou por um período difícil nos últimos meses e tem o direito de achar que a primavera pode lhe trazer uma outra fase, bem mais venturosa e amena. Para isso, ela se apega intensamente à simbologia da estação: tempo em que o princípio luminoso volta à terra, depois de um longo período de recolhimento, e confere um novo sentido a tudo. Mesmo que nada disso possa ser verdade na vida real, ela prefere achar que é. “Não custa ser otimista de vez em quando”, Laura pensa, ao chegar em casa e ir para a cozinha preparar um sanduíche. Aí se lembra, sem mais nem menos, de Maria Pastora, uma conhecida sua que lhe escreveu contando ter perdido a única filha, Sílvia, há pouco tempo. Esta completaria 50 anos em 19 de setembro, mas adoeceu e partiu antes disso, deixando a mãe em completo desconsolo. “Que Maria Pastora encontre um alento possível para sua dor, nesta primavera”, desejou, com ternura.

Mais tarde, para não deixar passar o dia 22 em vão, Laura resolveu comemorar a chegada da primavera com duas taças de espumante bem gelado, ao som de um concerto de Keith Jarrett – um de seus pianistas preferidos. Nessa mesma noite, ainda ouviu músicas de John Coltrane. O calor excessivo que fez ao longo de todo o domingo (algo incomum no mês de setembro) não permitiu que ela tomasse o vinho tinto português que tanto gosta de beber nas comemorações especiais. Mas o espumante estava bom, e ela não lamentou a troca. Ligou para Glória, sua vizinha do 13º andar, para convidá-la a compartilhar da bebida e da música, mas não a encontrou em casa. Foi, então, à biblioteca e, depois de percorrer com os olhos toda a parte de poesia, pegou o livro Jardins, de Rainer Maria Rilke, por considerar que ele combinava muito bem com o primeiro dia de primavera do ano. E para não dizer que não pensou em flores, olhou para o vaso de orquídeas no canto da sala e viu, com alegria, que novas flores estavam nascendo. 

Em nome das raízes - Ailton Magioli

Em nome das raízes 

Historiador e sambista Nei Lopes participa de debate em BH. Ele vai falar da importância do negro na formação cultural brasileira e denunciar a existência do preconceito racial no país 

Ailton Magioli

Estado de Minas: 24/09/2013


Nei Lopes se prepara para lançar disco e finaliza dicionário sobre a história social do samba (Márcia Moreira/Divulgação)
Nei Lopes se prepara para lançar disco e finaliza dicionário sobre a história social do samba

O Brasil não seria o que é se não fosse a presença africana. A constatação é do historiador, escritor, cantor e compositor Nei Lopes, um especialista do assunto que vai abordar hoje à noite, no Museu de Artes e Ofício, como convidado do projeto Ofício da Palavra.

Em plena Primavera de Museus, que tem a cultura afro-brasileira por tema, Nei lembra que a presença africana no país é verificada, principalmente, na língua. “De uma forma tão intensa e impregnada que muitas vezes falamos palavras africanas em estado quase puro, sem que nos demos conta disso”, exemplifica Nei Lopes, lembrando que são milhares de palavras, entre as quais ele cita bunda, cachaça, cafuné, carimbo, fofoca, fubá, maconha, moleque, umbanda e zombar, entre outras.

 “Muitas técnicas agrícolas, de criação de gado e de mineração, até hoje praticadas, são de origem africana”, ressalta o historiador. “Também técnicas de tecelagem e ourivesaria, além de usos culinários. Sem falar na música de todo o Brasil, nas várias formas de samba, nos diversos instrumentos usados na música popular fora de mercado, na capoeira, hoje uma prática desportiva mundializada”, acrescenta Nei Lopes.

Segundo ele, a religiosidade de matriz africana também é muito importante, principalmente pelos aportes que trouxe ao catolicismo. “E nessa religiosidade há toda uma fundamentação filosófica e moral. Sem o africano, o Brasil seria muito diferente, talvez nem tivesse uma identidade definida”, adverte o historiador. De acordo com ele, apesar da Lei 10.639/2003, que obriga o ensino de história e cultura africana e afro-rasileira nas escolas, a reação a ela tem sido muito grande.

“E isto principalmente nos redutos menos favorecidos, onde a força das chamadas Igrejas eletrônicas, neopentecostais, sataniza a cultura negra”, denuncia. Na opinião do historiador, é preciso divulgar cada vez mais conteúdos das culturas afro-originadas, para elevar a autoestima dos afrodescendentes, sempre muito baixa no país.

Nei Lopes faz questão de lembrar que, apesar das políticas públicas que menosprezam a presença negra no Brasil, até os anos 1930, desde a década de 1970 as entidades civis de defesa e promoção do povo afrodescendente vêm ganhando força por aqui. “Ainda assim, elas tinham de atuar como entidades meramente culturais, pois a repressão era grande”, recorda.

Como afirma Nei Lopes, foi a militância que fez com que os governos começassem a voltar seus olhos para a questão no Brasil. “Foi assim que chegamos ao Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010), que embora bastante esvaziado em relação ao projeto original, é um texto importante. A própria Constituição federal, promulgada em 1988, já contém dispositivos inovadores, provocados por reivindicações do movimento negro”, defende.

Letra e música
Nei Lopes, que está finalizando o Dicionário da história social do samba, em parceria com Luiz Antônio Simas, lamenta o fato de a presença negra no Brasil só ter visibilidade forte na música e nos esportes. “Mas se a gente levar em conta que, por exemplo, Machado de Assis, Cruz e Souza, Lima Barreto, Mário de Andrade, Gonçalves Dias, Irineu Marinho, Theodoro Sampaio, André Rebouças, João do Rio e Milton Santos eram afrodescendentes, já vai dar vontade de saber onde estão os outros”, conclui.

No momento, ele ainda aguarda o lançamento do CD Samba a rigor, gravado com a Orquestra Coisa Fina, de São Paulo, sob a direção do músico Guga Stroeter. Nei, que acaba de entregar a Íris Amâncio, da Nandyala Editora & Livraria, de Belo Horizonte, um volume de artigos, muitos dos quais publicados em jornais, atualmente mantém  também o blog Meu lote, em seu site oficial: www.neilopes.com.br.

NEI LOPES – OFÍCIO DA PALAVRA
Hoje, 19h30, no Museu de Artes e Ofícios, Praça da Estação, s/nº, Centro. Entrada franca. Informações: (31) 3248-8600.