quarta-feira, 13 de novembro de 2013

MARTHA MEDEIROS - Enquanto isso, nos bastidores do universo

Zero Hora - 13/11/2013

Você planeja passar um tempo em outro país trabalhando e estudando, mas o universo está preparando a chegada de um amor daqueles de tirar o chão, que fará você jogar fora seu atlas e criar raízes no quintal como se fosse uma figueira.

Você está muito satisfeita com a vida que tem e, se acabar seus dias desse mesmo jeito, ficará mais do que agradecida, porém publicará no Facebook uma foto incrível que tirou de um menino de rua e essa postagem despretensiosa vai lhe abrir as portas para uma nova carreira que você nem suspeitava ser possível iniciar.

Você treina para a maratona mais desafiadora da sua vida, mas não chegará com as duas pernas intactas na hora da largada, e a primeira surpresa será essa: o inferno da frustração. A segunda: durante a passagem pelo inferno, fará amigos que lhe ofertarão uma nova perspectiva de vida, aquela que você não imaginava que existia e que também o desafiará, só que de forma mais passiva.

Você não tinha certeza se queria filhos, mas todos em volta perguntavam: se não tiver, quem vai cuidar de você na velhice? Caiu nessa esparrela e hoje tem dois filhos amados – um é pesquisador na Antártica e a outra é dançarina em Moscou, ambos muito presentes pelo Skype, sem intenção de voltar.

Você sai toda bonita e cheirosa para encontrar seu namorado na casa dele, acreditando que será mais um encontro como os outros, mas no meio do caminho, num sinal fechado, é assaltada por um brucutu armado que lhe leva o carro e a confiança em noites que eram para ser apenas românticas.

Você sai toda bonita e cheirosa para encontrar seu namorado na casa dele, acreditando que será mais um encontro como os outros, e, ao chegar, se depara com um homem inspirado: ele sugere que você não saia mais de lá, que fique morando com ele.

O universo nunca entrega o que promete. Aliás, ele nunca prometeu nada, você é que escuta vozes.

No dia em que você pensa que não tem nada a dizer para o analista, faz a revelação mais bombástica dos seus dois anos de terapia. O resultado de um exame de rotina coloca sua rotina de cabeça para baixo. Você não imaginava que iriam tantos amigos na sua festa, mas tampouco imaginou que justo seu grande amor não iria. Quando achou que estava bela demais, não arrasou corações.

Quando saiu sem maquiagem e com uma camiseta puída, chamou a atenção. E assim seguem os dias à prova de planejamento e contrariando nossas vontades, pois, por mais que tenhamos ensaiado nossa fala e estejamos preparados para a melhor cena, nos bastidores do universo alguém troca nosso papel de última hora e não nos comunica, tornando surpreendente a nossa vida.

Fernando Brant - O livrinho e o Supremo‏

O livrinho e o Supremo 
 
Fernando Brant - fernandobrant@hotmail.com

Estado de Minas: 13/11/2013


Primeiro digo que sou filho de juiz de direito e aprendi, desde menino, a valorizar esse tipo de gente que se dedica a resolver conflitos e aplicar, com conhecimento e sensatez, a justiça. Mais que a lei, a justiça, pois a legislação que foge do bom direito não deve prosperar, tem de ser revogada. Claro que existem maus juízes, mas isso não justifica descrença no Judiciário, que é formado por humanos. O magistrado que não merece respeito deve ser defenestrado da mesma forma que os códigos ilegítimos.

Gostei de ler, outro dia, um texto da escritora Ana Maria Machado, presidente da Academia Brasileira de Letras. Do mesmo jeito dela, não sou jurista, mas sempre leio o livrinho. Aprendemos isso com nossos pais. O livrinho, como todos deveriam saber, é a Constituição, bíblia e bússola de todo cidadão brasileiro.

Sofremos mais de 20 anos, massacrados pelo autoritarismo, praga que se espalha por qualquer país, cidade, rua e praça dominados por qualquer tipo de ditadura. Desde os 16 anos, até quase os 40, tive que suportar, resistindo, o peso da ignorância, da estupidez. Lembro-me de meu pai expulsando de sua sala de trabalho um indivíduo que, desejando uma decisão, insinuando pressioná-lo, afirmou ser amigo de militares. A Justiça não deve nem pode se render à força.

Pois o nosso livrinho, roteiro da cidadania, é notável principalmente em seu quinto artigo, que trata exaustivamente dos direitos e garantias individuais. Trago-o sempre a meu lado, seguindo o conselho do comandante da democracia, Ulysses Guimarães. E me assusta perceber que governantes, legisladores e muita gente reconhecida como defensora das boas causas ignoram, tentam atropelar ou admitem pequenas exceções no cumprimento dos mandamentos constitucionais. Fico de cabelo em pé, berro e grito contra esses absurdos.

Em seu artigo quinto, nossa Constituição reservou lugar especial para alguns princípios fundamentais, protegendo-os de qualquer interferência ou modificação. São as chamadas cláusulas pétreas. Não podem ser nem objeto de deliberação. Artigos imexíveis, como diria o Magri. Na minha vida de compositor, me fixo sempre em duas dessas cláusulas, que, além de respeitadas, não podem ser modificadas.

Uma diz que ao autor pertence o direito exclusivo de utilizar a sua obra. Quer dizer: qualquer utilização necessita de sua autorização. A outra diz expressamente que a criação de associações é livre, sendo “vedada a intervenção estatal em seu funcionamento”.

Irresponsavelmente, o Congresso, o Executivo e alguns artistas que andam por aí procurando alguma coisa, os procuristas, aprovaram uma lei que é um tapa em nossa cara e em nossos direitos. Estamos com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para que o barco legal volte ao caminho justo.

Frei Betto - Informação é poder‏

Informação é poder 

 
Por meio do "poder suave", os EUA podem projetar, em todo o orbe terrestre, sua ideologia, sua cultura seu modelo de democracia
 
Frei Betto

Estado de Minas: 13/11/2013


A presidente Dilma não teria sido pega de surpresa com as revelações de Edward Snowden – de que o Planalto é espionado pelo governo dos EUA – se a sua assessoria fosse mais atenta às novas estratégias da Casa Branca após a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da União Soviética.

Joseph S. Nye e William A. Owen escreveram na revista Foreign Affairs, de março-abril de 1996, um intrigante artigo intitulado "A vantagem informativa dos EUA". Nye dirigiu o Conselho Nacional de Inteligência e foi subsecretário assistente de Defesa para Assuntos Internacionais no governo Clinton. Em seguida, dirigiu a Escola de Governo John F. Kennedy, da Universidade de Harvard. Owen foi subchefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas no governo Clinton.

Os autores ressaltam que, malgrado a superioridade estadunidense nas esferas militar e econômica, "sua mais sutil vantagem comparativa é a habilidade para coletar, processar, atuar sobre e disseminar informação". Para eles, a informação exerce, agora, o papel de "poder suave" (soft power), graças ao qual os EUA podem influenciar a política internacional, substituindo a coerção pela sedução.

As transmissões por satélite reduzem o nosso planeta às dimensões de uma pequena aldeia. Esse “olho instantâneo” que nos permite ver, do Sul da América, o momento em que ocorre uma enchente na China, produz profundas modificações na estratégia militar, que hoje utiliza drones – aeronaves não tripuladas – para bombardear supostos terroristas.

Que as guerras são sujas, todos sabemos. O complicador é quando telespectadores dos quatro cantos do mundo assistem ao procedimento criminoso das forças militares de países que se gabam de não agir como Hitler. E agem exatamente como os nazistas: segregação étnica, sequestros, torturas, confinamento terroritorial, invasão de propriedades etc.

Durante a Guerra Fria, a frágil estabilidade internacional dependia do arsenal nuclear dos países antagônicos. Segundo Nye e Owen, na era da globalização tudo depende da capacidade estadunidense de manter seus aliados informados. E aliados não são apenas governos, mas também amplos setores da população de países cujos governos são contrários à Casa Branca.

No Irã, na China ou em Cuba, há pessoas convencidas de que o símbolo da democracia é um McDonald's em cada esquina e, portanto, suscetíveis de serem mobilizadas pelo poder informativo dos EUA. Entenda-se: pela versão estadunidense dos fatos.

Nye e Owen não relutam em afirmar que "à medida que sua capacidade de prover esse tipo de informação crescer, os EUA serão vistos, cada vez mais, como o líder natural de coalizão, não só por ser o mais forte, mas porque podem produzir o insumo mais importante para as boas (sic) decisões e a ação efetiva a outros membros da coalizão". Portanto, "assim como o domínio nuclear foi a chave para a liderança na era passada, o domínio da informação será a chave nesta era informativa".

O que encanta os autores é constatar que a informação gerada desde os EUA tem ampliado os espaços do livre mercado e restringido a esfera de ação dos poderes centralizados. Citam como exemplo o papel dos computadores e das máquinas xerox no governo Gorbachev, quando "as tecnologias puderam disseminar também diversas ideias políticas".

Agora, com a proliferação de redes sociais e a conexão propiciada pela internet, dilatam-se os espaços democráticos na China. "O belo da informação, como recurso de poder” – dizem os autores – “é que, enquanto reforça a efetividade do poder militar, inelutavelmente democratiza as sociedades".

Por meio do "poder suave", os EUA podem projetar, em todo o orbe terrestre (como diria um papa), sua ideologia, sua cultura, seu modelo de democracia, suas instituições sociais e políticas, "liderando as redes de negócios internacionais e as telecomunicações". Esse "poder suave" visa a quatro objetivos prioritários: 1) favorecer as transições democráticas dos atuais Estados considerados autoritários e ditatoriais; 2) prevenir a reversão das frágeis democracias; 3) prever e resolver os conflitos regionais; 4) enfrentar a ameaça do terrorismo, do crime internacional e da proliferação de armas, sobretudo atômicas (que EUA e Israel têm, mas não admitem o direito de outros países terem).

A internet é outra arma nada desprezível. "Deixado a si mesmo, o mercado provavelmente continuará a tendência de concentrar desproporcionalmente o acesso à Internet". Por isso, a Agência de Informação dos EUA (Usia) e a AID "devem trabalhar para melhorar o acesso global à internet". Informação globalizada, por enquanto, é isto: uma versão que se impõe como a única e se julga a verdadeira. E é precedida por inescrupulosa espionagem eletrônica, doa a quem doer.

Na Tela da Sua Tv

TV paga
Estado de Minas: 13/11/2013


 (France 2 Cinéma/Divulgação )

À francesa

Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2008, o filme Entre os muros da escola (foto), dirigido por Laurent Cantet, é o destaque de hoje. Vai ao ar às 22h, no canal Arte 1, mostrando os conflitos culturais dentro de uma escola na periferia de Paris e o esforço de um professor e seus colegas para oferecer uma boa educação. O ator François Bégaudeau, que interpreta o protagonista, é também o autor do livro em que o longa é baseado.

Ação, drama e humor
no pacotão de cinema


Ainda no pacote de filmes, o Telecine Cult continua a homenagem a Woody Allen na sessão Drive-in, emendando esta noite os longas Simplesmente Alice (20h05) e A outra (22h). No Megapix, a sessão Retrô reservou para hoje, à 0h10, Indiana Jones e o Templo da Perdição. Na faixa das 22h, o assinante tem mais oito opções: As aventuras de Pi, no Telecine Premium; Flores do Oriente, no Telecine Touch; A outra história americana, no TCM; Quero ser John Malkovich, na MGM; O perigo dorme ao lado, no ID; Demônio, no Space; Sob o domínio do medo, no Max Prime; e Rock of ages: o filme, na HBO. Outras atrações da programação: Minority report – A nova lei, às 22h05, no Universal; Eu, robô, às 22h30, no FX; e Espanglês, às 23h, no Comedy Central.

Susana Vieira é a atriz
da vez de Damas da TV


Na edição de hoje do programa Damas da TV, às 21h30, no canal Viva, a convidada é a atriz Susana Vieira, que atualmente está no ar como Pilar Khouri de Amor à vida, da Globo, e no mesmo Viva em A próxima vítima, no papel de Ana Carvalho. “Sou a única atriz que tem três novelas com nome: A sucessora era eu; o Anjo mau fui eu, e a Senhora do destino fui eu”, enumera. "Na televisão, a primeira a beijar na boca do Tarcísio Meira, sem ser a Glória Menezes, fui eu”, arremata. E por aí vai.

O Grivo mostra que a
arte não tem fronteiras

Os criadores do coletivo O Grivo são os destaques de hoje da série Artes visuais, às 21h30, no SescTV. Músicos de formação, os artistas mineiros Nelson Soares e Marcos Moreira, cujo trabalho se localiza na fronteira entre a música contemporânea e as artes visuais, falam, entre outros temas, sobre carreira, obras e comparam as diferenças em criar para artes visuais, cinema, música e dança.

Germano Mathias vira
verbete de enciclopédia


Já falando exclusivamente de música, o irreverente cantor e compositor Germano Mathias é o bamba da vez em Enciclopédia do samba, às 18h45, no Canal Brasil. Acompanhado por Osvaldinho da Cuíca no pandeiro, ele interpreta O carro, o relógio e a mulher, Seu cochilo, Desigualdade, Metamorfose e Golpe de azar. No mesmo Canal Brasil, às 21h30, o músico argentino Gustavo Santaolalla, vencedor de dois Oscars, é o entrevistado da série Sangue latino. Na Cultura, às 23h30, o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro fala sobre a relação entre poesia e letra de música no programa Entrelinhas.

Ronny Renke vai comer
poeira na Estrada Real


Atleta de mountain bike, Guilherme “Ronny” Renke está percorrendo os 1.100 quilômetros da Estrada Real e documentando sua saga no programa Poeira, que vai ao ar às 18h15, no Woohoo. O programa mostra os bastidores das competições de downhill e sessões livres pelo Brasil e pelo mundo. Entrevistas, curiosidades sobre os locais dos campeonatos, dicas, técnicas e as clássicas gravações com a Helmet Cam fazem o apresentador comer muita poeira.


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Caras & Bocas  Simone Castro
simone.castro@uai.com.br
Publicação: 13/11/2013 04:00


A vilã Sílvia (Nathalia Dill) de Joia rara vai passar desta para melhor quase no final da novela (Alex Carvalho/TV Globo)
A vilã Sílvia (Nathalia Dill) de Joia rara vai passar desta para melhor quase no final da novela



Quem matou?
As autoras Duca Rachid e Thelma Guedes vão apelar para o “quem matou?” em Joia rara (Globo). No caso, vai passar desta para melhor, na reta final da trama, nada menos do que a vilã Sílvia, vivida por Nathalia Dill. Como se sabe, ela está empenhada numa vingança contra seu sogro, Ernest (José de Abreu), e toda a família Hauser. Sílvia quer limpar o nome do seu pai, que era amigo e sócio de Ernest e, depois de uma cilada armada pelo empresário, acabou preso. O pai dela e a mulher de Ernest, Catarina, viveram um amor na juventude e se tornaram amantes depois que ela se casou com o pai de Franz (Bruno Gagliasso). A mulher morreu assassinada e Ernest culpou o amigo. Sem dar pista de sua verdadeira identidade, Sílvia se casou com Franz e é amante do irmão do rapaz, Viktor (Rafael Cardoso). Como aliada, ela tem Manfred (Carmo Dalla Vecchia), alguém em quem não se pode confiar. Nos últimos capítulos, Sílvia conseguiu outro importante apoio, o de Pilar (Sílvia Salgado), funcionária da joalheria de Ernest. Ela conta à designer de joias que desconfia que Gertrude (Ana Lúcia Torre) possa ter sido a responsável pela armação contra o pai da jovem. Disposta a descobrir toda a verdade, Sílvia revistará o quarto da governanta de Ernest e encontrará uma carta escrita por seu pai para Catarina, onde promete tirá-la da mansão para que vivessem juntos. Como se vê, Sílvia mexerá em um vespeiro e gente com interesse para matá-la é o que não falta. O mistério com a revelação do assassino vai até o final da novela.

FILME O TEMPO E O VENTO
VAI VIRAR MICROSSÉRIE


O longa-metragem O tempo e o vento, de Jayme Monjardim, estrelado por Fernanda Montenegro e Thiago Lacerda, será transformado em microssérie e exibido, na Globo, entre 1º e 3 de janeiro. O mesmo valerá para Serra Pelada, de Heitor Dhalia, com Wagner Moura e Juliano Cazarré, no ar a partir
do dia 21.

CASAMENTO CHEGARÁ
AO FIM EM AMOR À VIDA


Perséfone (Fabiana Karla) dará o cartão vermelho para Daniel (Rodrigo Andrade) em Amor à vida (Globo). Inconformada com a insistência do marido para que ela emagreça, a enfermeira dirá que ele se casou com uma gorda, que se aceita, e não o perdoa por não defendê-la diante dos comentários maldosos dos colegas. Tudo começa quando Perséfone fica internada no hospital, depois de se aventurar em dietas malucas. Ela pedirá ao fisioterapeuta que deixe a sua casa.

COMEDIANTE NEGA QUE
ESTEJA SE SEPARANDO


Em entrevista ao site Caras online, a comediante Dani Calabresa negou que esteja se separando do também comediante Marcelo Adnet. “É um boato ridículo e maldoso. Nunca tivemos nenhuma crise. Somos apaixonados e felizes”, afirma. Eles estão casados desde maio de 2010. O tititi começou em função de os artistas morarem, praticamente, em casas separadas. É que ela vive em São Paulo, onde grava o CQC, da Band, e ele no Rio de Janeiro, por conta do quadro do Fantástico (Globo).

COBRAS & LAGARTOS DEVE
SER REPRISADA NA GLOBO


As reprises de novelas nas tardes da Globo vão continuar, pelo menos em 2014. A provável substituta de O cravo e a rosa, que vem ganhando em audiência de tramas atuais, como Malhação e Joia rara, é Cobras & lagartos, mais uma trama de Walcyr Carrasco, como a que ocupa a faixa, e Amor à vida.

VIVA - Nova temporada de Revenge, exibida no canal Sony (TV paga), deixa mocinha contra a parede e clima de suspense só aumenta.

VAIA - Amor à vida só se sustenta no embate entre César (Antônio Fagundes) e Félix (Mateus Solano). É muito pouco para uma novela.