segunda-feira, 14 de julho de 2014

Vai ter Copa nas eleições? - Renato Janine Ribeiro

Valor Econômico - 14/07/2014

"Não vai ter Copa" na eleição. Se a derrota da seleção a afetar, será só porque nossa política está sem horizonte


A pergunta que estes dias mais se ouviu foi se nossa derrota na Copa influirá nas eleições. Traduzindo: se Dilma será prejudicada pela performance da seleção. A maioria das respostas que li não é racional, só eleitoreira. Mas, para melhorar a discussão, devemos colocar a questão da mudança no poder sob a perspectiva de nossas primeiras três décadas de ininterrupta vida democrática.

Cada vez que o Brasil passou por uma mudança política significativa, estes trinta anos, foi uma epopeia. Em vários sentidos da palavra: um empreendimento enorme e difícil, comparável talvez à guerra de Troia ou à aventura portuguesa dos Descobrimentos; um momento de fortes emoções, dúvidas, questionamentos; uma discussão sobre os destinos nacionais e de cada um; o uso de recursos literários, como na Ilíada ou nos Lusíadas, consagrando uma coletividade. Desta vez, não. Desde junho de 2013, vivemos na incerteza. O que parecia garantido - a reeleição de Dilma - já não o é. Nenhum dos três candidatos entusiasma, ao contrário dos dois grandes líderes épicos que foram Fernando Collor e Lula (as virtudes de Fernando Henrique são outras, estão na moderação, na prosa).

Passamos por uma temporada épica, a mais forte de todas, no final da ditadura. Durante meses, manifestamos nas ruas nossa repulsa ao regime de força, à imoralidade que é privar o povo do direito de decidir. Em 1984, não passaram as Diretas-Já, mas elas produziram uma democracia de alta qualidade, que em poucas décadas se mostrou capaz - dentro da lei - de afastar um presidente acusado de corrupção, de vencer a inflação, de promover uma maciça inclusão social e de ampliar o alcance dos direitos humanos.


Depois da queda, uma eleição sem entusiasmo

Em 1989, os três candidatos mais votados, Collor, Lula e Brizola, propunham mudanças radicais na política que vivíamos, e não por acaso o governo Collor começou e terminou na elevada linguagem da quase-tragédia, com vastas emoções e pensamentos imperfeitos. Já FHC foi eleito em 1994 no bojo da menos épica das epopeias, que foi o triunfo do real sobre a inflação, da moderação sobre a inflamação, da prosa sobre a exaltação; mas essa foi uma tarefa difícil, quase hercúlea. Na eleição de Lula, em 2002, tivemos a fala belíssima do menino pobre, que na propaganda televisiva terminava gritando "Viva o Brasil!", depois de expor uma agenda inteira de mudanças no país.
Nada comparável se vislumbra hoje. E no entanto pode ser que vivamos a quarta mudança de direção política do Brasil, em três décadas. Se um candidato de oposição ganhar, será, ao contrário de Collor em 1989 ou Lula em 2002, "sem emoção", para usar as palavras dos pilotos de buggy nas dunas perto de Natal, quando perguntam se você quer descê-las com ou sem emoção, berrando de medo ou em estado semi-zen. Ou pior, será com emoções negativas: não a grande paixão da esperança, mas a medíocre do ódio.

Esta parece ser mais uma eleição contra, do que a favor. Uns votam contra o PT, outros contra o PSDB ou o PSB. Não sabemos ainda quem vencerá, porque tudo pode mudar. O exemplo mesmo da influência da Copa na campanha é significativo. Mentes calmas mostraram que a eleição de 1994, que o candidato governista venceu, teria o mesmo resultado sem o tetra, porque o grande cabo eleitoral de FHC foi o Real, não a Taça; que em 2002, quando Lula venceu pela oposição, o penta não ajudou em nada o postulante pelo lado do governo; mais para trás, que em 1962 a conquista do bicampeonato tampouco salvou João Goulart, e que - único exemplo de manipulação bem sucedida - o tricampeonato de 1970 nada alterou no panorama eleitoral, porque estávamos no pior tempo da ditadura e eleições, bem, eleições...

Este ano, porém, vivemos por um fio: qualquer acidente pode afetar tudo. Ou seja, "não vai ter Copa" nas eleições; elas podem afetá-las assim como qualquer fagulha pode atear fogo numa plantação seca: o problema não é a fagulha, é a seca. Nosso problema não é se a Copa, um desastre natural ou um imprevisto humano causará mudanças políticas: nosso problema é que nossa paisagem não tem horizonte, pelo menos horizonte límpido.


O Brasil não enxerga hoje rumos claros, nem projeto dominante. Em 1984, estávamos fartos de ser tratados como crianças. Conseguimos, feito notável, transformar o fim da ditadura numa grande expectativa de melhora, de festa, lamentavelmente frustrada pela tragédia curta e altamente simbólica da morte de Tancredo Neves e pela tragédia longa e fortemente material da hiperinflação. Em 1989 e 1994, fartos da inflação, apostamos no seu fim, épico na promessa descumprida de Collor, prosaico na mudança efetivada por FHC. Já 2002 foi o ano da festa quase pura, em que preservaríamos o real associando-lhe o social. E agora? Se tivermos a mudança, qual será o projeto, a proposta, o programa? A cada mudança havida, vivemos um sonho, quatro ao todo - Diretas-Já, Collor, o Real e a inclusão social. Hoje nenhum dos postulantes acena com um sonho. É tão significativo que Marina, a "sonhática", seja apenas coadjuvante...

Mudaremos, agora, sem projeto? Mudaremos, sem entusiasmo? Mais me parece que esta eleição, seja qual for seu resultado, marque um fim do que um começo. E não penso em fim do governo do PT, porque a exaustão marca todas as candidaturas. Isso não é ruim, porém. Quase toda mudança histórica de realce passa por aquele momento que Oliver Cromwell, líder da mais radical revolução ocorrida na Inglaterra, definiu em 1650 ao dizer: "Quando começamos, não sabíamos o que queríamos; sabíamos, apenas, o que não queríamos". Este é um trajeto longo, mas que pode ser rico.

Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.
E-mail: rjanine@usp.br


TeVê

TV PAGA » Canta e conta
Publicação: 14/07/2014 04:00
[FOTO1]

A cantora Ângela Ro Ro (foto) assume hoje o posto de apresentadora de TV. Ela vai comandar no Canal Brasil, toda segunda-feira, às 20h30, o programa Nas ondas da Ro Ro, alternando números musicais inéditos e conversas com grandes nomes da música brasileira. A musa do tecnobrega Gaby Amarantos abre a série. Nas próximas edições, os convidados serão Jerry Adriani, Leila Pinheiro, Serjão Loroza, Teresa Cristina, George Israel, Alessandra Maestrini, Zélia Duncan, Dudu Nobre, Sandra de Sá, Zé Renato, Mart’nália e Jorge Vercillo


A viagem vai reencarnar
esta tarde no canal Viva

O canal Viva passa a reprisar, a partir de hoje, a novela A viagem, remake do folhetim original de Ivani Ribeiro exibido pela Tupi em 1975 e que ganhou esta versão na Globo, em 1994. Vai ao ar de segunda a sábado, às 14h30. No elenco, Antonio Fagundes, Christiane Torloni, Maurício Mattar, Andréa Beltrão e Guilherme Fontes, entre outros. Também hoje o Viva estreia A turma do Didi, às 20h30; e Destino fantástico, às 23h.

FX exibe segundo ano da
série policial The bridge

Outra estreia de hoje é a da segunda temporada de The bridge, série policial estrelada pelo mexicano Demián Bichir e pela alemã Diane Kruger, além do veterano ator norte-americano Ted Levine. Exibida pelo canal FX às 23h15, a produção é baseada na série escandinava Bron e combina mistério e suspense.

Novidade também na
telinha do canal History

Na minissérie em cinco episódios A maldição de Oak Island, que o canal History estreia hoje, às 21h, dois irmãos tentam desvendar um mistério que há séculos envolve uma pequena ilha canadense. As especulações são de que lá haveria um tesouro pirata, um antigo depósito de ouro ou uma relíquia bíblica perdida, como a Arca da Aliança.

A bola continua rolando
no gramado do Futura

A Copa acabou, mas o canal Futura continua a série Cores do futebol, exibindo esta noite, às 20h, o documentário Pequena cidade, grande paixão, produção boliviana. Mais cedo, às 14h35, no Sala de notícias, a atração é Não esqueça de mim, de Ana Júlia Isse, que mostra o mal de Alzheimer sob o olhar
de quem cuida.

Programação de filmes
atende a todos os gostos

No pacote de cinema, a pedida é o drama O mestre, com Joaquin Phoenix e Phillip Seymour Hoffman, às 22h, no Max. Na mesma faixa das 22h, o assinante tem como alternativas Os guardiões, na HBO; Dezesseis luas, na HBO 2; O último desafio, no Telecine Premium; Mato sem cachorro, no Telecine Pipoca; e A lenda do Zorro, no MGM. Outras atrações da programação: O homem do ano, às 20h45, na Warner; Na mira do chefe, às 21h, no Cinemax; e X-Men origens: Wolverine, às 22h30, na Fox.

CARAS E BOCAS » Pelo Mundo

Estado de Minas: 14/07/2014



Desfecho da personagem Luiza (Bruna Marquezine) ainda é incógnita (Paulo Belote/TV Globo)
Desfecho da personagem Luiza (Bruna Marquezine) ainda é incógnita

Em família (Globo) ainda não deu pistas sobre os reais desfechos de alguns de seus personagens. Uma das maiores expectativas é sobre o destino de Luiza (Bruna Marquezine) e Laerte (Gabriel Braga Nunes). Até agora, muita especulação. Há rumores de que a jovem abandonará o noivo no altar na hora do "sim". Ou nem aparecerá na igreja, deixando o flautista mais louco do que nunca. E há quem aposte que a situação nem chegará a esse extremo, pois, diante de um grande surto de ciúmes de Laerte, dias antes da cerimônia, Luiza colocará um ponto final na conturbada relação. Assim, ela sairá pelo mundo, disposta a estudar e a curtir a liberdade. E o que ocorrerá ao músico? Ainda no campo das especulações, Laerte, que demonstrará ser um desequilibrado perigoso, irá para uma clínica psiquiátrica se tratar, contando com o apoio irrestrito de Shirley (Viviane Pasmanter). Pode ser que ele também ganhe o mundo ao lado da socialite, com quem viverá intensa paixão, já que há gosto para tudo e, no caso, dois loucos se bicam!


JÚRIS DE DOIS CRIMES SÃO
DESTAQUES EM TELEJORNAL

Nesta segunda-feira, o Jornal da Alterosa – 1ª edição mostra dois júris de crimes de muita repercussão em Minas. Outros dois acusados de participar da quadrilha da degola no assassinato de dois comerciantes vão ao banco dos réus. Um garçom foi quem revelou o caso a um policial militar. Seis PMs encaram a Justiça em outro tribunal, acusados da morte de uma inocente em um cerco desastroso a criminosos na MG-10. O Jornal da Alterosa – 1ª edição vai ao ar, depois do
Alterosa esporte.

ATORES BADALADOS ESTÃO
RESERVADOS PARA TRAMA

Os atores Adriana Esteves e Mateus Solano, que já trabalharam juntos em Morde & assopra (Globo), de Walcyr Carrasco, estão reservados para a trama de João Emanuel Carneiro, prevista para estrear em 2015. Os dois interpretaram recentemente os mais badalados vilões dos últimos tempos na TV. Ela foi a Carminha em Avenida Brasil, de João Emanuel Carneiro; ele, o Félix, em Amor à vida, também de Carrasco. Em tempo: Carneiro emplaca uma trama no Vale a pena ver de novo, Cobras & lagartos, a partir do dia 21.

ESTÁ DESCARTADA SEGUNDA
TEMPORADA DE O CAÇADOR

Apesar da boa repercussão, a série O caçador (Globo), que terminou na sexta-feira, não terá segunda temporada. O diretor e também um dos roteiristas, José Alvarenga Jr., segundo o ator Cauã Reymond, que viveu o protagonista André, teria avaliado que a história se fechava com 14 episódios.

MISTÉRIO E MUITOS SONHOS
MARCAM NOVAS PRODUÇÕES

Estreiam hoje duas atrações da Globo. Malhação sonhos inaugura temporada da novelinha, que terá como cenários uma escola de arte e uma academia. Entre as participações, Eriberto Leão, Patrícia França e Emanuelle Araújo. E em capítulo especial, depois de Em família, entra em cena o remake de O rebu, trama de suspense e mistério. No elenco, Tony Ramos, Patrícia Pillar, Cássia Kiss Magro, José de Abreu e Daniel de Oliveira.


CAMILA DE VOLTA

A nova temporada da ótima série Sessão de terapia, atração do GNT (TV paga), contará com a atriz Camila Pitanga, longe da telinha desde a novela Lado a lado (Globo), exibida em 2012. Em entrevista à revista Joyce Pascowitch, ela falou sobre Ritinha, personagem da série, uma terapeuta que se envolve muito com os pacientes, e acabou fazendo uma comparação consigo mesma: "A Rita tem uma falha como terapeuta, não consegue deixar de se envolver com os pacientes. Sou assim com meus personagens. Acabo deixando que eles invadam um pouco a minha vida, e sempre me abalo emocionalmente". A atriz comentou que faz terapia há 18 anos. A nova temporada da série dirigida por Selton Mello estreia em 4 de agosto.


VIVA

O ótimo Globo repórter que mostrou a maravilhosa Icaria, ilha da Grécia. Lindas imagens e conversa boa!

VAIA

Reação passional de Zelão (Irandhir Santos) assusta em Meu pedacinho de chão (Globo). É preciso cuidado.

Eduardo Almeida Reis-Históricos‏

Históricos
Filme de temática homossexual pode apresentar três resultados: obra de arte, filme comum ou porcaria 
 
Eduardo Almeida Reis
Estado de Minas: 14/07/2014

Nascido em São Paulo há 36 anos, o escritor e tradutor Daniel Galera, além do sobrenome divertido, é dado a incluir em seus textos um histórico pessoal sobre o assunto abordado. Escrevendo sobre maconha, incluiu um parágrafo sobre o seu envolvimento com as drogas.

Vejamos: “Cocaína: três vezes, todas horrendas. Ácido: não gostei, fiquei esperando passar. Cogumelo: uma vez, péssimo (crise de autoconsciência, análise obsessiva da experiência em tempo real, erupções cutâneas). Benflogin: uma vez, divertido, mas o preço é caro (gastrite, insônia). Ecstasy: ainda não. Ayahuasca: uma vez, formidável. Maconha: umas cinco vezes por ano, para fins concupiscentes e contra dores musculares. Tabaco: desde os dezoito, em pouca quantidade. Álcool: dedicação total desde os quinze. E a vida segue”.

Nunca ouvi falar do Benflogin, mas fui ao Google para aprender que o cloridrato de benzidamina é um anti-inflamatório indicado para a região da orofaringe, doenças periodontais, combate a infecções e é indicado até para acalmar coceiras em crianças. A dose máxima diária é de 200mg. Estudos mostram que a ingestão de 500mg de Benflogin leva ao desenvolvimento de alucinações, mais intensas se associado ao álcool.

Há jovens que incrementam os seus fins de semana com oito a 15 comprimidos da “poção mágica” tomados com bebida alcoólica ou refrigerante. Em Sampa, 20 drágeas de Benflogin de 50mg custam R$ 9,25. Portanto, você compra 500mg por R$ 4,62, preço que me parece muito razoável.

Meu histórico é mais simples: cocaína, ácido, cogumelo, Benflogin, ecstasy, maconha e ayahuasca ainda não tive o desprazer de conhecer. Tabaco; desde os dezoito em muita quantidade. Álcool: dedicação total desde os dezoito, parando há três anos de livre e espontânea. É pouco e é só.

Bololô

Filme de temática homossexual pode apresentar três resultados: obra de arte, filme comum ou porcaria. Por sinal, resultados iguais aos dos filmes com outras temáticas. O bololô atual, acusado de homofobia, rejeição ou aversão a homossexual e à homossexualidade, é devido ao fato de muitos espectadores se retirarem dos cinemas em que é exibido o filme Praia do Futuro, de Karim Aïnouz.

Ora, bolas, sempre foi e continua sendo direito do espectador retirar-se de um cinema em que é exibido um filme ruim, seja hétero, homo, bi, vegano, vegetariano, ecológico, religioso etc. O sujeito compra a entrada, não gosta do filme e sai na metade ou antes da metade.

Vale notar que também no Festival de Berlim boa parte da plateia se retirou no meio do filme de Aïnouz, prova provada de que a obra cinematográfica deve ser uma porcaria. Outro filme brasileiro de temática homossexual, Hoje eu quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro, fez sucesso no mesmo festival e recebeu os prêmios Teddy (temática LGBT) e Firepresci (da Federação da Crítica Internacional), além de obter o segundo lugar na escolha do público.

Implicância

É triste constatar que certa imprensa continua implicando com as manifestações artísticas de alto nível. Uma das últimas demonstrações da birra midiática foi com a performance do grupo Coletivo Coiote, no câmpus de Rio das Ostras, RJ, da UFF, Universidade Federal Fluminense, quando apresentou a Xereca Satânik, algo assim como vagina satânica.

Performance intelectualizada condenando a violência contra a mulher e o alto número de estupros denunciados por aí. No encerramento de um seminário organizado pelo curso de produção Cultural da UFF, o Coletivo Coiote se apresentou com jovens nuas num espetáculo a que não faltou a costura, sem assepsia, de uma xereca, flagelação numa cena “que tanto pode ser para questionar como para divertir”, sem que alguém possa explicar o divertimento.

Raíssa Vitral, que teve a vagina costurada, jovem mineira integrante do Coletivo Coiote, foi a mesma que durante a Jornada Mundial da Juventude pretendeu chocar os católicos na Praia de Copacabana ao se masturbar com a escultura de uma santa.

Apoiadores da performance realizada no câmpus da UFF dizem que os críticos do espetáculo evidenciam quão conservador, hipócrita, moralista e legalista é o mundo em que vivemos. Um mundo que precisa ser abalado em suas estruturas para acabar com todas as formas de opressão e exploração: “Estamos apenas no começo!”.

Realmente, depois desse começo, os conservadores, hipócritas, moralistas e legalistas precisam aprender com a jovem mineira como é possível masturbar-se com uma santa através da xereca costurada. Em tempo: nas fotos publicadas nos jornais dá para perceber que a maioria das jovens performers é tatuada, talqualmente os jogadores de futebol que se expressam em língua portuguesa, com duas exceções: David Luiz, o beque mais valorizado do planeta, e Cristiano Ronaldo, o melhor jogador do mundo.

O mundo é uma bola

14 de julho de 1789: início da Revolução Francesa. Revolucionários tomam a Bastilha, prisão do regime monárquico, e libertam sete prisioneiros políticos.

Em 1795, La Marseillaise é adotada como hino nacional da França.

Em 1867, o químico sueco Alfred Nobel faz a primeira demonstração da dinamite, explosivo à base de nitroglicerina misturada com areia de quartzo, de larga aplicação nas pedreiras, nas demolições e nos caixas eletrônicos.

Hoje é o Dia Mundial da Liberdade de Expressão, o Dia do Doente e a festa nacional da França.

Ruminanças

“Gato de luvas não pega ratos” (Franklin, 1706-1790).

Nanotubos para todos

Nanotubos para todos 

UFMG assina contrato para construir Centro de Tecnologia em Nanotubos de Carbono, espaço de pesquisa que fará a transferência de conhecimento entre universidade e indústria 

 
Pedro Cerqueira
Estado de Minas: 14/07/2014




Fazer uma ponte entre o conhecimento desenvolvido na universidade e sua aplicação na indústria. É com esse intuito que nasceu o Centro de Tecnologia em Nanotubos de Carbono (CTNanotubos), que atualmente funciona num espaço provisório cedido pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-Tec), com patrocínio da Petrobras e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). A boa nova é que, em breve, o CTNanotubos estará em sua casa definitiva. O projeto de R$ 36 milhões está sendo patrocinado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Petrobras e InterCement.

“A ideia desse centro de tecnologia nasceu ao enxergarmos que existia uma demanda por parte da indústria para aplicar a tecnologia dos nanotubos desenvolvida dentro da universidade”, explica Marcos Pimenta, professor do Departamento de Física da UFMG e coordenador do CTNanotubos. O desafio é desenvolver a tecnologia criada num laboratório para uma escala maior e então transmiti-la à indústria, “da escala de laboratório para a escala industrial”, resume Bruno França Pádua Coelho, diretor-executivo do Instituto para o Desenvolvimento de Empresas de Base Tecnológica (IEBT), que presta consultoria para o CTNanotubos.

Segundo Pimenta, trata-se de um trabalho de desenvolvimento de tecnologia que visa otimizar processos para viabilizar determinada ideia, já que na concepção de uma tecnologia dentro da universidade a principal preocupação, na maioria dos casos, é a demonstração de que ela funciona, mas não que ela venha a ser financeiramente viável ou se é possível fazer aquilo em grande escala, fatores que são essenciais à sua aplicação na indústria. O resultado esperado é obter uma maior eficiência, um maior foco no resultado do desenvolvimento de um produto.

O CTNanotubos, que vai funcionar num prédio de quatro andares cujo anteprojeto já está pronto, será construído numa área cedida pelo BH-Tec. A ideia é criar, no futuro, uma entidade sem fins lucrativos para administrar o CTNanotubos. O objetivo é que o centro se torne uma plataforma para a transferência de tecnologias capaz de atrair até mesmo empresas internacionais. Assim, o projeto pode se autossustentar por meio das receitas dos royalties pagos pelas empresas, assim como a prestação de serviços de consultoria e novos projetos de pesquisa e desenvolvimento. Outra possibilidade é a criação de uma empresa a partir do CTNanotubos (spin offs) para comercializar em larga escala os produtos resultantes das tecnologias desenvolvidas em escala-piloto a partir do próprio centro.

Segundo Marcos Pimenta, o projeto é pioneiro no Brasil. “Começamos há quatro anos e tivemos que desenvolver um modelo de negócio. Falta uma legislação que permita, de forma mais fácil, essa transferência de tecnologia entre universidade e indústria”, explica o coordenador do CTNanotubos, contando como foi difícil chegar a um acordo sobre que fatia do bolo iria receber cada parte envolvida no projeto, processo que durou dois anos.

APLICAÇÕES Um dos principais produtos que já estão sendo desenvolvidos pelo CTNanotubos é o nanocompósito de cimento. A mistura com fibras de diâmetro nanométrico, ou seja, com diâmetro 100 mil vezes menor que um fio de cabelo, torna o cimento muito mais resistente, impedindo a formação e a propagação de fissuras, além de reduzir o consumo de aço em elementos de concreto armado. As aplicações da nanotecnologia do cimento estão nas plataformas e poços de petróleo, além da indústria da construção civil, em materiais diversos.

Os nanotubos de carbono podem ser até 50 vezes mais resistentes que o aço, sendo que sua densidade é seis vezes menor que a do aço. Assim, eles podem ser misturados a outros materiais convencionais, como plásticos, cimento e cerâmicas, tornando-os mais resistentes. Essas misturas são chamadas de nanocompósitos. Outras propriedades dos nanocompósitos de carbono são uma maior resistência às variações de temperatura e significativa melhora na condução de energias elétrica e térmica. Os nanotubos também são empregados em outros produtos, como matrizes poliméricas, tema da pesquisa realizada há seis anos pela professora Glaura Silva, da UFMG, em parceria com a Petrobras.

Nesse ramo, os materiais em que a empresa petrolífera tem manifestado interesse são, em especial, a resina epóxi adesiva de alto desempenho, que pode ser usada na adesão de estruturas metálicas na indústria de petróleo e gás, e o poliuretano termorrígido, aplicado em enrijecedor de curvatura, também na indústria de petróleo e gás. Na eletrônica, os nanotubos de carbono podem ser usados para desenvolver dispositivos como sensores e circuitos integrados e, para o setor de energia, em baterias, supercapacitores e células solares, mas isso por enquanto está fora do escopo do CTNanotubos/UFMG.


saiba mais


SEM LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA 


Como a tecnologia dos nanocompósitos é relativamente nova, pouco se sabe sobre os efeitos desses materiais tão pequenos no meio ambiente. Pensando nisso, uma das coordenadorias do CTNanotubos será voltada à segurança, meio ambiente e saúde, com a finalidade de entender possíveis efeitos adversos e também criar protocolos sobre a aplicação correta desses materiais. De acordo com Bruno França, diretor-executivo do Instituto para o Desenvolvimento de Empresas de Base Tecnológica, atualmente não existe legislação específica para produção, estoque, manuseio ou descarte de nanotubos de carbono. Porém, qualquer empreendimento baseado nesses materiais deve levar em consideração esses aspectos no desenvolvimento de seus protocolos. Uma das funções dessa coordenadoria vai ser dar suporte não apenas ao CTNanotubos, em Minas Gerais, mas a outros empreendedores dessa área, visando também fornecer uma certificação da inocuidade da utilização desses produtos.