domingo, 20 de julho de 2014

TeVê

TV paga
Estado de Minas: 20/07/2014


 (Vítor Salerno/Divulgação )

Música Além do balé O lago dos cisne, com a companhia do Teatro Mariinski, às 18h, no Film&Arts, a música é destaque hoje. No canal Bis, o programa Minha trilha sonora traz o som do Mombojó (foto), às 19h30, enquanto a banda Scracho faz show às 20h30. No SescTV, o violonista e guitarrista Romero Lubambo é o artista da vez de Passagem de som, às 21h; e Instrumental Sesc Brasil, às 21h30. Na Cultura, o sambista Tuca Pellegrino é o convidado do Ensaio, às 23h.

Documentário Estreia hoje, às 22h20, no Discovery, a série Indochina selvagem, com cinco episódios que registram flora, fauna e cultura que constituem paisagens majestosas de países da região, começando pelo Camboja. No canal Bio, às 21h, vai ao ar episódio de O Universo: mistérios revelados sobre a história bíblica da destruição de Sodoma e Gomorra. E no NatGeo, a dica é o especial Quando os tubarões atacam, às 22h30.

A volta de Norman Bates

Mariana Peixoto - mariana.peixoto@uai.com.br


Uma das produções mais comentadas da temporada passada, Bates Motel, o prelúdio de um dos personagem mais míticos do cinema, o psicopata Norman Bates, ganha segundo ano a partir de quinta-feira, às 22h, no Universal Channel. No episódio de estreia, Norman (Freddie Highmore) mostra o quanto ficou desnorteado com a morte da professora Watson (Keegan Connor Tracy). Norma (Vera Farmiga) se preocupa com o filho, já que ele disse que voltaria do baile com a professora na noite anterior, mas acabou chegando em casa a pé. Aproveitando o retorno da série, o canal está promovendo uma maratona da primeira temporada. De hoje a quinta-feira, os episódios serão exibidos a partir das 16h.

Reta final
– Já hoje, às 21h, no Studio Universal, entra no ar a oitava e última temporada de Psych. Com 10 episódios, vai contar com a participação especial de Mira Sorvino, Billy Zane, Val Kilmer e até Curt Smith, integrante da banda Tears for Fears. No primeiro episódio, Shawn (James Roday) e Gus (Dulé Hill) são convocados para ajudar a Interpol em uma operação policial em Londres.

Para rir – Outro canal que está cheio de novidades é a Warner. Na terça-feira, às 22h25, entra no ar o sitcom O andar de baixo. Skyler Astin é Brody, um gerente financeiro que entra em parafuso ao conhecer Jenny (Briga Heelan), a chefe do departamento de suporte e manutenção no prédio onde ele trabalha. Já na quarta-feira, às 20h, o canal lança Os impegáveis, que acompanha um grupo de amigos sem qualquer talento na arte da conquista, mas que ganha a companhia de um expert no assunto.

Mais comédia
– Além das duas estreias, a Warner exibe as novas temporadas de 2 broke girls e Arrow (amanhã, às 20h e 22h25, respectivamente), Suburgatory (quarta-feira, 23h25), The middle (quinta-feira, 20h) e Mike & Molly (sexta-feira, 20h).


De olho na telinha
Simone Castro

Protagonistas Bruna Marquezine e Júlia Lemmertz: afinadas (João Miguel Júnior/TV Globo-25/5/14)
Protagonistas Bruna Marquezine e Júlia Lemmertz: afinadas
Despedida frustrante

Quando Manoel Carlos anunciou que Em família (Globo) seria sua última novela, a expectativa foi a melhor possível. Afinal, trata-se de um dos novelistas mais prestigiados da TV brasileira, autor de ótimas tramas, como Baila comigo, História de amor, Laços de família, Mulheres apaixonadas, consideradas clássicos do gênero. Mas, para decepção dos fãs, a última novela não emplacou.

A história parecia atraente. A última Helena, vivida por Júlia Lemmertz, foi apresentada como uma mistura de todas as outras que levaram o nome da famosa personagem do autor. Depois de viver um amor na infância e juventude, com desfecho desastroso e traumático, ela o reencontraria na maturidade, já casada. Por ele, largaria o marido, ferido gravemente por este ex-amor, mas teria uma rival pelo caminho: a própria filha, Luiza, personagem de Bruna Marquezine.

Em ritmo lento, a narrativa, que estreou em fevereiro e contou com duas fases anteriores, demorou a deslanchar. Apesar de Júlia e Bruna se mostrarem afinadas nos conflitos de suas personagens, a trama tomou outro rumo, com Helena, 20 anos depois da tragédia que viveu ainda moça, presa à mágoa e ao rancor pelo antigo amor, enquanto Luiza se apaixonou perdidamente por Laerte (Gabriel Braga Nunes) e, mimada e desaforada, bancou o relacionamento contra a vontade de toda a família.

Daí a novela desandou. Apesar de um ótimo time de atores, além da trama principal, que nunca disse a que veio, houve estranhamento na distribuição de personagens – casos de, por exemplo, Natália do Vale, que viveu a mãe de Helena; e Ana Beatriz Nogueira, a de Gabriel Braga Nunes: todos com idades relativamente próximas. Na dinâmica, ação e diálogos, estes sempre com maior ênfase pelo autor, sua característica mais forte, não andaram juntos. Resultado: novela morosa, muito detalhista, sem pegada.

A trama em todos os núcleos – de Juliana (Vanessa Gerbelli) e sua obsessão pela maternidade; de Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) e a enrolação até que, finalmente, formaram um casal que nunca convenceu –, ficou devendo. E na falta de um vilão colocou-se tudo no mesmo balaio, e de um suposto mocinho, Laerte, quase que de um capítulo para o outro tornou-se o mau da fita. Doente, mas vilão. Não convenceu. Enfim, Em família encerrou expediente e não deixa saudades. Uma despedida frustrante e melancólica de Manoel Carlos, um mestre das novelas.

PLATEIA

VIVA

Finalmente, se tocaram de que novela e futebol não combinam às quartas-feiras. O rebu (Globo) escapou do mico de ir ao ar apenas durante dez minutos em dia de jogo.

VAIA

Geração Brasil (Globo) continua a saga da novela “monotonia”. São raríssimos os momentos que realmente empolgam e convidam o telespectador ao capítulo seguinte.


Caras & Bocas
Simone Castro - simone.castro@uai.com.br

Tudo por dinheiro
 (Paulo Belote/TV Globo)

No episódio de terça-feira de Tapas & beijos, na Globo, as amigas Fátima e Sueli (Fernanda Torres e Andréa Beltrão, foto) estarão às voltas com problemas de dinheiro. Cada uma ao seu estilo. Fátima não pensa duas vezes antes de fazer um investimento em equipamentos tecnológicos e sua última aquisição é uma esteira que promete uma solução mirabolante para queimar calorias. Quem não gosta de tanta compra é Armane (Vladimir Brichta), preocupado com bugigangas que vão se acumulando na sala de estar do casal, ao mesmo tempo em que pesam nas contas da namorada. Ele prevê um prejuízo a caminho. Com o saldo negativo, Fátima pede dinheiro emprestado a Mão Santa (Marcelo Flores, em participação especial), um colega pouco confiável de Tijolo (Orã Figueiredo). E não é que o malandro será capaz de amarrar Armane em um poste até receber a dívida da vendedora? Já Sueli será envolvida numa trama de mentira desenvolvida há anos por PC (Daniel Boaventura), a fim de arrancar dinheiro da tia Cidinha (Camila Amado, também em participação especial). Ela enche o sobrinho de mimos exagerados e olha que ele a engana desde a faculdade, quando o dentista inventou que estava se formando em medicina. Agora ele inventou que Sueli é uma colega de profissão e, numa visita da tia a Copacabana, a vendedora tem que manter o disfarce para garantir os presentes.

VIAÇÃO CIPÓ DESTACA HOJE
OS ENCANTOS DE ARACAJU


Aracaju, capital de Sergipe, é o roteiro da Viação Cipó hoje, às 10h, na Alterosa. No menor estado da federação, o telespectador confere as grandes maravilhas naturais deste cantinho do Nordeste. Praias do Sul,
o caminho para Mangue Seco, o Rio Piauí, a Ilha da Sogra, entre outros atrativos.

CLÁUDIA RAIA SERÁ VIDENTE
CHARLATÃ EM NOVA NOVELA


Alto astral, trama que vai substituir Geração Brasil (Globo), contará com Cláudia Raia no elenco. Ela será Samantha, uma vidente charlatã. A fim de compor a personagem, Cláudia, que está longe das novelas desde que interpretou a vilã Lívia Marini em Salve Jorge (Globo), renovou o corte das madeixas e pintou os fios
de louro. Alto astral é de Daniel Ortiz, colaborador de Sílvio de Abreu no remake de Guerra dos sexos.

SÉRIE ANIMAL NEM ESTREOU
E JÁ GARANTIU SEQUÊNCIAS


Com estreia marcada para 6 de agosto, no GNT (TV paga), a série Animal, estrelada por Edson Celulari e Cristiana Oliveira, já garantiu outras duas temporadas. De acordo com o planejado, a atração ganhará 16 episódios em 2015. As gravações da nova leva, porém, só terão início depois que Celulari tiver encerrado sua participação na novela Alto astral, que deverá ocorrer no começo do ano que vem.

LORETO VOLTARÁ À TV COMO
OFICIAL DAS FORÇAS ARMADAS


Depois do Candinho em Flor do Caribe e do seriado Segunda dama (Globo), José Loreto se prepara para voltar à telinha. Ele será Pedro, um oficial das Forças Armadas apaixonado por Sandra (Ísis Valverde) em Boogie oogie, trama que vai substituir Meu pedacinho de chão a partir de 4 de agosto.

VELHOS EPISÓDIOS DE SESSÃO
DE TERAPIA JÁ ESTÃO NA WEB


A terceira temporada de Sessão de terapia (GNT) estreia em 4 de agosto, no GNT. Mas até lá os fãs da ótima série poderão rever os episódios antigos. O canal disponibilizou todas as histórias no GNT Play.Para assisti-los visite o site globosatplay.globo.com/gnt.

EMPRESÁRIA REVELA COMO
ADMINISTRA SEUS NEGÓCIOS

 (Carol Soares/SBT)

Presidente do conselho de administração de uma rede de lojas que leva o seu nome, Luiza Helena Trajano é a entrevistada de Marília Gabriela (foto) no De frente com Gabi deste domingo, à meia-noite, no SBT/Alterosa. 


Ela fala sobre o início de sua carreira, como consegue administrar seus negócios e também sobre sua família, sua vida pessoal e suas opiniões com relação à política. “Não sou presidente, não sou proprietária. O que eu mais sou é vendedora. Aos 12 anos, já era vendedora”, afirma. A empresária relembra: “Minha tia se chama Luiza também. Ela foi vendedora por muitos anos em uma loja grande na cidade de Franca, interior de São Paulo, e 58 anos atrás ela lançou um concurso na rádio para o público escolher o nome da loja”. E assim foi. Segundo Luiza, “na minha família, vender não era empurrar coisas para as pessoas, era realizar sonhos.” Ela comenta, ainda, que “não abro mão dos meus princípios, nem que eu tenha que perder dinheiro.” Sobre política, decreta: “Nada vai mudar se não mudarmos o regime político”. E revela: “Comprei as lojas do Baú, mas não a marca, porque o Sílvio (Santos) não vende.”

EM DIA COM A PSICANÁLISE » Saldo positivo‏

EM DIA COM A PSICANÁLISE » Saldo positivo 
 
Regina Teixeira da Costa
Estado de Minas: 20/07/2014




Depois de tudo encerrado, estamos contabilizando o saldo. Elaborar e concluir é o que nos resta a fazer. É sempre assim quando, depois de alimentar expectativas e investimentos vem um fracasso. E, pelo investimento emocional depositado na Copa do Mundo, nada mais justo do que aproveitar o saldo e positivá-lo de alguma forma. Nem que seja para aprender a lidar com a frustração.

Assistimos às crianças nos comerciais de TV envolvidas com o torneio desde o início, pedindo ao time a vitória. A propaganda rodou até o último dia. Depois da derrota, saiu do ar, claro, dando lugar a crianças desconsoladas, chorando compulsivamente diante dos pais igualmente atônitos.

Naquela hora, nada era mais importante. Um momento dramático, quase trágico e traumático por causa da importância dada ao futebol. É uma paixão nacional, como se diz sempre, mas é preciso rever por outra perspectiva, recolocar as coisas no lugar e repensar que valores queremos para nossos ainda pequenos futuros homens e mulheres.

Recebi manifestações a respeito do assunto. Numa delas, a fonoaudióloga Rafaela Teixeira Maia e a terapeuta ocupacional Larissa Alves Godinho, que trabalham com crianças, comentam o assunto. Diziam que na atualidade criam-se filhos para serem felizes e não para vencer na vida. Não para lidar com adversidades, e isso faz delas pessoas frágeis.

Larissa se lembra de quando o Brasil perdeu para a França, na final da Copa de 1998, tinha uns 9 anos... Ficou triste, foi quando ocorreu a convulsão do Ronaldo, mas ninguém precisou conversar nem explicar nada sobre como lidar com isso, nem pra nenhum dos colegas na época. Elas disseram que essa geração atual não consegue lidar sozinha nem com uma derrota do Brasil (por mais vergonhosa que seja).

Além disso, os pais devem ensinar o que é importante para a vida, e não valorizar tanto um prazer imediato, fugaz, que se torna uma tormenta desnecessária. É um bom momento para ensinar e aprender.

Já dizia Freud que mimar demais as crianças torna-as pessoas fracas e incapazes de lidar com problemas no futuro. Continuarão desejando a mesma proteção e o mesmo quantum de amor, o que nem sempre será possível.

O g1 publicou matéria sobre pais que protegem demais os filhos das decepções, deixando, por exemplo, que eles sempre vençam nas brincadeiras para não sofrer, ou evitando que resolvam sozinhos um dever de casa, um conflito com amigos ou uma dificuldade na escola. Assim, correm o risco de criá-los numa redoma. Poderão tornar-se adultos centrados em si mesmos, frustrando-se sempre que não se faz a sua vontade.

Ao contrário, é preciso encarar a derrota desde cedo; se houver boa orientação da família, pode ser estimulada a vontade de se superar. É aconselhado aos pais conversar com a criança mudando o foco, mostrando que um jogo não é tudo, e que existem situações bem mais importantes e difíceis no mundo  que também causam sofrimento e que podemos ajudar a melhorar.

Bem, esses são bons conselhos para os pais e servem não apenas em situações como a atual derrota do Brasil na Copa, mas diante de qualquer revés que surja no caminho, porque precisamos aprender e ensinar que no caminho sempre há uma pedra. E sempre haverá. Cabe a cada um saber lidar com as que encontrar. Podemos desviar, pular, empurrar ou trombar, sentar e chorar. O que o seu filho vai ser quando crescer?

Língua afiada - Morrissey chega ao seu 10º álbum solo

Língua afiada 
 
Morrissey chega ao seu 10º álbum solo, World peace is none of your business, cheio de provocações, a começar pelo título. No disco, o rock ganha outros ecos com direito a flamenco e até música clássica 
 
Mariana Peixoto
Estado de Minas: 20/07/2014


Morrissey, músico  (Túlio Santos/EM/D.A Press  )
Morrissey, músico

A paz mundial não é da sua conta. Só mesmo Morrissey para destilar tal ironia já no título. Disponível nos formatos digital e físico, World peace is none of your business, 10º álbum solo de Steven Patrick Morrissey – e o primeiro em cinco anos desde Years of refusal – é um dos trabalhos mais interessantes que você ouvirá neste ano. Com trajetória recente cheia de altos e baixos – aí incluídos problemas de saúde que fazem com que suas turnês sejam cada vez mais erráticas –, o velho Moz, do alto de seus 55 anos, continua mostrando que ainda tem muito a dizer. Mesmo que não se concorde com tudo o que ele diz.
O novo álbum chega na esteira de sua ruidosa autobiografia, com a promessa de ser lançada este ano no Brasil (leia box). Produzido e gravado na França por Joe Chiccarelli (vencedor de três Grammys por trabalhos com Café Tacvba, White Stripes e The Raconteurs), o disco foi antecipado por clipes de algumas faixas como Istanbul e Earth is the loneliest place. A demora em lançar um trabalho inédito é compensada pela variedade de canções. World peace..., por sinal, tem diferentes formatos: o álbum oficial conta com 12 canções; há uma versão de luxo com seis faixas-bônus.

O rock, a quem seu nome sempre estará ligado graças aos Smiths, ganha aqui outros ecos. Tem guitarra flamenca (Earth is the loneliest planet e The bullfighter dies) como também música clássica (Oboe concerto). Um dos últimos grandes letristas do rock, Morrissey destila no novo álbum suas próprias idiossincrasias. Para uma maioria que se formou por meio dos versos irônicos, amorosos, dolorosos e por vezes também contraditórios tanto dentro quanto fora dos Smiths, World peace... é um prato cheio, pois abrange todo o universo de Morrissey: política, vegetarianismo e sexualidade.

A canção-título, que remonta aos Smiths, dispara: "Each time you vote, you support the process/ Brazil, Bahrain, Egypt, Ukraine/ So many people in pain" (“Cada vez que você vota, você apoia o processo/ Brasil/ Barein/ Egito/ Ucrânia/ Tanta gente em agonia"), acompanhada por belo solo de guitarra. Na sequência, Neal Cassady drops dead relata a reação do poeta beat Allen Ginsberg ao tomar conhecimento da morte de seu antigo companheiro. Aqui a guitarra vai ganhando camadas distintas no decorrer da canção, até cair num solo quase choroso.

Morrissey canta a morte de um toureiro, defendendo a vitória do touro (The bullfighter dies) e, dizendo-se cansado de homens e mulheres, já que nunca matou ou comeu um animal, coloca-se acima deles: “I’m not a man/ I'm something much bigger and better than/ A man”. Trocando em miúdos: é algo maior e melhor do que um homem. Este é Morrissey. Melhor ou pior, não dá para ser indiferente a ele. Ainda bem.

Saiba mais

Na primeira pessoa

Lançada em outubro de 2013 na Inglaterra, a autobiografia de Morrissey, antes mesmo de vir a público, levantou polêmicas. Foi publicada pela Penguin Classics, editora reconhecida por editar clássicos. No livro de 450 páginas ele descreve a infância dolorosa em Manchester e suas brigas com a gravadora Rough Trade. Também fala de rancores do passado, como com o baterista Mike Joyce, a quem dedica 50 páginas. Dá mais espaço para a vida pessoal do que ao processo criativo. “Não sou mais infeliz do que qualquer outra pessoa”, afirma. No Brasil, a autobiografia será lançada pela Globo Livros. Mas não há data confirmada.

Hormônio masculino em equilíbrio‏

Hormônio masculino em equilíbrio 

 
Falta de libido, sono irregular, perda de massa muscular e disfunção erétil. Tudo isso pode ser causado pela baixa de testosterona nos homens, mas a reposição deve ser feita de forma cuidadosa e com acompanhamento médico 


Celina Aquino
Estado de Minas: 20/07/2014




A reposição de testosterona é a solução para muitos problemas. Desde que seja usada adequadamente. Homens que buscam os medicamentos sem orientação médica para melhorar a libido ou aumentar a massa muscular, ou mesmo aqueles diagnosticados com baixa produção do hormônio que seguem o tratamento sem o devido cuidado, estão sujeitos a sofrer graves consequências. O excesso de testosterona pode interferir na fertilidade masculina, às vezes de maneira irreversível.

A queda da produção de testosterona faz parte do processo de envelhecimento. É normal que o nível do hormônio caia anualmente 1% a partir dos 40 anos. “O homem nos procura reclamando de falta de libido e dificuldade de ereção, mas se a queda estiver dentro do previsto, não adianta receitar hormônio porque não haverá melhora sexual”, destaca o diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) e professor de Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Alexandre Hohl. Diabetes, pressão alta e obesidade podem influenciar o apetite sexual, assim como problemas de relacionamento.

Para indicar a reposição de testosterona, deve-se chegar ao diagnóstico de hipogonadismo (baixa produção do hormônio), considerando o resultado dos exames laboratoriais e as queixas do paciente. Há relatos mais raros de homens que, além da queda de libido e disfunção erétil, sofrem com desânimo, cansaço excessivo, piora do sono, perda de massa muscular e de pelos corpóreos, problemas de memória, alteração de humor, fragilidade óssea que pode levar à osteoporose e depósito de gordura no abdômen. “Em pacientes com mais de 40 anos, temos que excluir problemas de próstata antes de começar a reposição hormonal, porque o tratamento acelera a evolução de doenças malignas ou benignas”, alerta.

Os homens saudáveis, principalmente os que ainda planejam ter filhos, devem evitar a ingestão indevida de testosterona. “Quando você ingere o hormônio sem necessidade, bloqueia a hipófise, glândula essencial para a produção de espermatozoides. Nos casos em que se usa por muito tempo, a infertilidade pode não ser reversível”, comenta o diretor da Sbem. Hohl adianta, inclusive, que a testosterona vem sendo estudada como anticoncepcional masculino.

INFERTILIDADE O especialista em reprodução humana assistida Paulo Gallo, diretor do Centro de Fertilidade da Rede D’Or Vida, revela que são comuns os casos de pacientes que chegam ao consultório com a produção de espermatozoides zerada devido ao uso inadequado da reposição de testosterona. A infertilidade é constatada por meio do espermograma, exame de avaliação do sêmen, colhido por meio de masturbação, que analisa número, mobilidade e morfologia das células reprodutoras masculinas. “O medicamento melhora o desejo sexual e dá mais disposição, mas os altos níveis de testosterona inibem os hormônios da hipófise que estimulam a produção de espermatozoides. O comprometimento pode ser tão intenso a ponto de chegar à azoospermia, ausência total de espermatozoides”, relata.

Só este ano, Gallo atendeu dois pacientes que se descobriram totalmente estéreis ao tentar uma gravidez. Geralmente, a infertilidade é revertida com a suspensão do medicamento. Mas nem sempre é possível descartar a reposição, pois há casos em que jovens precisam ser tratados com medicamentos à base de testosterona, em geral quando os testículos ou a hipófise não trabalham adequadamente. Os portadores da síndrome de Klinefelter, por exemplo, normalmente são estéreis porque não produzem espermatozoides. O chefe do Departamento de Reprodução Humana da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e andrologista do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Reginaldo Martello, acrescenta: “O vírus da caxumba pode atacar os testículos de maneira agressiva, levando a um hipogonadismo grave. Pacientes que perderam os testículos também precisam fazer a reposição hormonal, na maioria das vezes pelo resto da vida”.

Martello informa que, quando o homem está com a intenção de ter filhos, a alternativa é indicar tratamentos que não interfiram na produção de espermatozoides. Utiliza-se, por exemplo, uma substância administrada em comprimido ou injeção que estimula a hipófise e os testículos a produzirem, simultaneamente, espermatozoide e testosterona. “É o mesmo medicamento indutor de ovulação na mulher. Ele estimula de maneira indireta o aumento da testosterona endógena, sem prejudicar a produção de espermatozoides, mas nem sempre é eficaz”, esclarece o médico da SBU.

Também existe a possibilidade de suspender o tratamento com testosterona para reverter o quadro de infertilidade. “O processo de reversão demora. É preciso suspender o uso do medicamento de seis meses a um ano para obter uma resposta, pois cada ciclo de espermatogênese dura aproximadamente três meses”, explica o andrologista. Nos casos em que a baixa produção de células reprodutoras masculinas persiste, Martello sugere técnicas de reprodução assistida como inseminação artificial e fertilização in vitro.

A REPOSIÇÃO
Existem três tipos de tratamento no Brasil. O mais antigo são as injeções aplicadas mensalmente, que repõem o hormônio, mas não de maneira fisiológica. Isso porque a testosterona aumenta muito rapidamente, acima do normal, e também abaixa em pouco tempo, levando desconforto ao paciente. Apesar de ser mais cara, a aplicação trimestral resolve o problema do efeito “enche e esvazia”, pois as taxas do hormônio se mantêm estáveis por três meses. Mais recentemente, chegou ao Brasil um gel que deve ser aplicado todos os dias nas axilas. É considerado o método mais próximo do processo natural.

POR DENTRO DA TESTOSTERONA
 A testosterona é um hormônio sexual masculino, produzido em grande quantidade no homem e em pequena quantidade na mulher.

 Dentro da barriga da mãe, enquanto o bebê se forma, o hormônio garante a diferenciação do sexo, estimulando a formação do aparelho reprodutor masculino.

Glândula do tamanho de uma ervilha que fica na base do cérebro, a hipófise produz hormônios que estimulam os testículos a começar a produzir testosterona e espermatozoides.

Na adolescência, a testosterona é responsável pelo crescimento do pênis, ganho de pelo no corpo e aumento da massa muscular.

 A testosterona também está relacionada
ao desejo sexual masculino e tem papel
fundamental na manutenção da ereção
do homem.
 
Com o passar dos anos, a produção de testosterona diminui. O quadro é chamado de declínio androgênico do envelhecimento masculino (DAEM).