domingo, 14 de setembro de 2014

Ajuste fiscal e ações sociais virão juntos, diz Marina - Daniela Chiaretti


Valor Econômico

Daniela Chiaretti | De São Paulo
Marina Silva está sob ataque, cansada de se defender do que chama de "bombardeio" dos adversários e frustrada por não conseguir debater suas propostas. A candidata à Presidência pelo PSB perdeu a dianteira que tinha no segundo turno das eleições, segundo as últimas pesquisas, mas não se sente acuada. Finaliza a entrevista exclusiva que deu ao Valor Pro, serviço de informação em tempo real do Valor, no flat que ocupa em São Paulo, mencionando a passagem bíblica de Davi e Golias. Davi tinha cinco pedrinhas no embornal e derrotou o gigante. Menos metafórica, ela ataca a presidente Dilma Rousseff dizendo que em seu governo "as coisas estão chegando ao fundo do poço" e que a crise energética do país é responsabilidade da adversária.
Na pequena sala de estar, sobre a estante, uma única foto - de Eduardo Campos - e vários livros, um deles sobre mulheres negras. Marina tem o cabelo preso em coque com um enfeite de capim dourado. Fala com desenvoltura sobre o quanto entraria de recursos na economia com a redução da taxa Selic, corrige o economista Eduardo Giannetti dizendo que ajuste econômico e ações sociais serão simultâneos em seu governo, se eleita. Diz que o agronegócio "não tem o que temer". A entrevista é interrompida com a chegada da sorridente deputada Luiza Erundina, sua coordenadora de campanha, para iniciar a intensa agenda do dia. A seguir, os principais trechos:
Valor: Se eleita, qual será a primeira medida de seu governo?
Marina Silva: Se eu ganhar, a primeira medida já terá sido feita pela sociedade brasileira: renovar os procedimentos na política e contribuir para renovar a política. E a parte mais importante, quebrar a polarização PT e PSDB para instituir um governo com base em um programa e não em um cheque em branco, que depois buscará governabilidade com base na distribuição de pedaços do Estado. Este governo programático tem a visão de manter as conquistas já alcançadas pela sociedade brasileira. Uma conquista importante são os 10% para a educação, que vamos implementar sem desvios de recursos e antecipando a meta para 4 anos, de universalizar a educação de tempo integral. Vamos mandar, no primeiro mês do governo, uma proposta de reforma tributária para o Congresso com base no princípio da justiça tributária, transparência e simplificação.
Valor: Os compromissos que a senhora assumiu implicam gastos de R$ 140 bi nas contas do PT e R$ 157 bi nas do PSDB. Quais são as contas de seu partido e como pretende custeá-los? E eles virão, como disse ao Valor o economista Eduardo Giannetti, apenas depois do ajuste?
Marina: Com certeza o que Giannetti estava dizendo é que essas coisas acontecerão juntas. Mas há uma conta que precisa ser feita antes e que PT e PSDB não estão fazendo: é a conta negativa de não fazer as escolhas de investir na saúde, educação, segurança, transporte digno, qualidade de vida e serviços que os brasileiros estão cobrando. Essa conta negativa que eles apresentam, de que nada disso será possível fazer, a sociedade tem que começar a perceber. Como é que alguém reivindica governar para deixar tudo como está? Nós estamos fazendo uma escolha.
Valor: Quais são estas escolhas?
Marina: A redução de um ponto percentual nos juros, na taxa Selic, significa cerca de R$ 25 bilhões. Este dinheiro circulando na economia alimenta o processo que nos ajuda a ir criando o espaço fiscal para os investimentos. O combate à corrupção que hoje grassa neste governo nos ajudará a ter o espaço fiscal para priorizar o que interessa. A eficiência do gasto público, evitando projetos que começam com R$ 6 bilhões ou R$ 7 bilhões e depois chegam a R$ 15 bilhões ou R$ 20 bilhões, nos ajudará a ter recursos para investir nas escolhas que fizermos. O PT e o PSDB fazem a conta de deixar tudo como está e reivindicam ganhar a Presidência da República. Nós estabelecemos prioridades e vamos trabalhar a partir dos pré-requisitos que mencionei para estimular o país, que ganhará nova credibilidade para investimentos e para que volte a crescer. Com o crescimento teremos ampliação do orçamento para que possamos fazer os investimentos.
Valor: E o Conselho de Responsabilidade Fiscal?
Marina: É para fazermos tudo com responsabilidade, para que as coisas aconteçam sem descontrole. Quando a inflação volta, o crescimento baixa e o país perde credibilidade. Isso prejudica até as conquistas já alcançadas.
Valor: Qual é a conta de vocês?
Marina: Estamos fazendo os cálculos, vamos concluir esse processo na transição. A conta negativa, de continuar fazendo as coisas do mesmo jeito, é o que precisa ser entendido neste subtexto que o tempo todo cobra de onde virá o dinheiro para a saúde, educação, segurança, moradia, mobilidade. Eles querem continuar colocando R$ 500 bilhões no BNDES para dar para meia dúzia de ungidos que são escolhidos pelo governo para serem os campeões. O próprio presidente Lula disse que nunca os bancos ganharam tanto como no atual governo. Citou vários países para dizer que o Brasil é campeão em dar lucro aos bancos.
"A autonomia do BC hoje é para recuperar credibilidade, para que o país volte a ter investimentos, volte a crescer"
Valor: Uma crítica que se faz à sua proposta de independência ao Banco Central é que seria dar todo poder ao mercado. Por que a opção?
Marina: O presidente Lula, quando ganhou o governo, quis dar um sinal forte para a sociedade brasileira de que os instrumentos da política macroeconômica seriam preservados. Fez isso com uma Carta aos Brasileiros, convidando Meirelles [Henrique Meirelles, ex-presidente do BC], e durante seu primeiro governo tivemos o cumprimento dessas metas. No seu segundo governo, as coisas já foram se depreciando. No governo da presidente Dilma estão chegando ao fundo do poço. E a autonomia de fato que o Banco Central conquistou, agora está completamente desacreditada. Diante deste descrédito, o baixo investimento no nosso país faz com que tenhamos o crescimento pífio que o governo ostenta. Quando as demais economias do mundo começam a se recuperar do tsunami com que foram assoladas - e que o governo dizia que era apenas uma marolinha -, o Brasil vive o tsunami de não ter feito o dever de casa. Estão pagando o preço da arrogância de quem não reconhece os problemas. A autonomia do Banco Central hoje é para recuperar credibilidade, para que o país volte a ter investimentos, volte a crescer. Foi tão depreciada no atual governo, que Eduardo Campos anunciou que iria buscar formas de institucionalização dessa autonomia.
Valor: Qual o melhor formato do BC independente? Cuidaria só da meta de inflação ou também de uma meta de emprego?
Marina: Estamos pesquisando qual a melhor forma. Este modelo a que você se refere é o americano. Um Banco Central autônomo é para que não aconteça com ele o que aconteceu com a Petrobras. Em vez de ficar a serviço da sociedade para ajudar a controlar a inflação, preservar o emprego e investimentos, seja colocado na lógica do poder pelo poder. O Banco Central autônomo ajudará o País a recuperar sua credibilidade. Nada disso seria necessário se não fosse a degradação que passa a política econômica. A inflação alta prejudica o salário dos trabalhadores. Um país que não cresce prejudica o emprego. Um país que coloca o futuro dos seus filhos a serviço de um grupo político que parece não encontrar limites na disputa do poder faz com que, no médio e longo prazo, até aquilo que se conquistou possa ser perdido, como é o caso das políticas sociais e dos ganhos econômicos. O que estamos fazendo é debatendo o Brasil. Não vamos pela lógica de ganhar a qualquer custo e qualquer preço.
Valor: Como pretende elevar o superávit primário? Com aumento de juros ou corte de despesas?
Marina: São várias políticas combinadas. A eficiência do gasto público - tem que se verificar o desperdício que está sendo feito em obras como a transposição do São Francisco, por exemplo. Maior eficiência, integração e planejamento dos projetos levará a uma grande economia. Fazendo uma política de redução de juros cria-se um processo virtuoso na economia. Ter a atitude de evitar o inchamento da máquina pública. É possível fazer uma gestão competente valorizando os quadros do funcionalismo público e fazendo uma combinação com os que estão na iniciativa privada, na academia. Queremos estimular um novo modelo de gestão. A redução de ministérios será feita a partir de critérios altamente rigorosos, sem prejuízo dos serviços e daquilo que a sociedade espera do Estado.
Valor: A senhora não está numa sinuca de bico quanto à governabilidade, se for eleita? Se não fizer alianças tradicionais ficará na minoria e corre o risco de crises constantes. Se formar maioria, não abandona a promessa de nova política e decepcionará eleitores?
Marina: Quem está numa sinuca de bico é a visão que acha que o Brasil deve continuar infinitamente com uma governabilidade baseada na distribuição de pedaços de Estado, que já nos levou a 39 ministérios e só não se chega aos 40 por constrangimento. Não consigo imaginar como é que a República inteira, cientistas políticos, partidos, se conformam com a ideia de que a única forma de governar o Brasil é com base na degradação política que assistimos. Temos que sair do terreno da opção para o da escolha. Na opção pega-se o que já existe e o que é mais vantajoso para você. No outro, escolhe-se o que ainda não existe e você trabalha para construir. A presidente Dilma tem 400 parlamentares em sua base, e toda vez que vai votar um projeto importante, é chantageada em todas as suas formas. É obrigada a ceder em coisas que ela já tinha dito que não ia fazer. Uma sinuca de bico é entregar o país para continuar do jeito que está. O Brasil tem que andar pra frente.
Valor: Mas o PT é um partido grande, e mesmo assim tem que fazer alianças ruins.
Marina: Quem foi que disse que alianças só se fazem com base na contrariedade do interesse público? Este Paulo Roberto Costa (ex-diretor da Petrobras que tem apontado possíveis beneficiários de um esquema de corrupção na estatal) está há 12 anos como funcionário de confiança do governo dos presidentes Lula e Dilma, indicado por um dos partidos do condomínio, fazendo um verdadeiro assalto na Petrobras. Não tem ninguém do bem para ser escalado?
Valor: Como avalia a mudança no modelo de exploração do petróleo, de concessão para partilha?
Marina: O que foi feito está feito, foi aprovada uma lei no Congresso e a lei deve ser implementada. O PT está fazendo uma mentira em relação ao pré-sal. Nós queremos explorar os recursos do pré-sal porque não existe tecnologia que possa prescindir aos recursos do petróleo em lugar nenhum do mundo. Mas o que o PT quer nos obrigar a dizer é que não se pode investir em tecnologia limpa, renovável e segura, que vamos desistir do etanol. Isso nós não vamos dizer. É possível fazer as duas coisas.
Valor: A presidente Dilma criticou sua proposta de energia. Disse que não é possível fazer esta mudança de matriz de forma rápida.
Marina: Quem disse que é pra fazer rápido? Dilma foi ministra de Minas e Energia, chefe da Casa Civil, presidente da República e diz que não dá para fazer com o argumento que não se faz da noite para o dia. Não se fará se nunca se começar. Não se fará se continuar deixando que o equivalente a 3 ou 4 Belo Montes continuem sem investimento no processo de cogeração do uso do bagaço e da palha da cana-de-açúcar. Não se fará se não se investir em energia solar e eólica. Não se fará sem os linhões para que a energia produzida possa ser integrada ao sistema. A responsabilidade da crise energética é dela. Ela está há 12 anos nesta agenda, nos cargos mais elevados da República. E continua dizendo que a única coisa que dá para fazer é o que já vem sendo feito.
Valor: A senhora fará hidrelétricas na Amazônia?
Marina: As hidrelétricas que temos como potencial na Amazônia são uma fonte de geração estratégica. Quem foi que disse que pra fazer hidrelétrica só se faz se for desrespeitando terras dos índios, questões sociais, culturais e ambientais? Está se criando no Brasil uma cultura de gestão que não tem "senões". Faremos todas as hidrelétricas que respondam pela viabilidade econômica, social e ambiental. O que o atual governo reivindica é apenas a econômica.
Valor: Crise da água em São Paulo é fruto da má gestão do PSDB?
Marina: É crise de má gestão do PSDB e do PT. No governo do PT, todas as políticas de recursos hídricos foram desmontadas. Todo o trabalho que vinha sendo feito nos comitês de bacia foram negligenciados. Aqui em São Paulo, o PSDB, há 20 anos no poder, sabendo o que significa a escassez de água, não tomou nenhuma atitude. É preciso cada vez mais apostar em recuperação de nascentes, de mata ciliar, no tratamento de esgotos, para que reservatórios de água como a Billings possam ser utilizados.
"Não se pode reivindicar ser a potência agrícola do mundo com padrões de produção do início do séc. XX"
Valor: O agronegócio está inquieto com sua promessa de rever os indicadores de produtividade agrícola. Os presidentes Dilma e Lula não conseguiram. Como a senhora pretende fazer isso?
Marina: A presidente Dilma não só não conseguiu fazer, como está comprometida com a ideia de que o Brasil deve se manter em baixos índices de produtividade, mesmo quando já alcançamos índices elevadíssimos. Da década de 70 para cá tivemos um aumento de mais de 200%. Uma expansão de área de, no máximo, 31%. Isso é aumentar índice de produtividade, o setor não tem o que temer, já tem alta produtividade, já usa alta tecnologia. Não se pode reivindicar ser a potência agrícola do mundo com padrões de produção do início do século XX. Isso não é mau para o agronegócio. É colocar o agronegócio no lugar que ele merece e precisa. E onde já está, com seus próprios esforços.
Valor: Outro ponto de tensão é a demarcação das terras indígenas. A senhora pretende fortalecer a Funai. Como vai tourear o agronegócio que resiste à demarcação?
Marina: Não é tourear, é dialogar. Aliás toureados estão sendo hoje. Só que a boiada está estourando a cerca em todos os lugares. Assassinatos de trabalhadores, índios e agricultores porque o governo não se dispõe a dialogar. Pensa que pode negar a realidade. Eu não consigo imaginar que a gente, em um país de 8 milhões de km 2, faça um debate para ganhar a Presidência da República dizendo que vai fragilizar os direitos dos mais frágeis. O Estado não é para dizer que vai governar apenas para os fortes. É para governar com justiça para todos. É possível assegurar os direitos de propriedade dos agricultores, grandes e pequenos, mas é possível também assegurar o direito dos índios, dos quilombolas, dos ribeirinhos. Não consigo imaginar que alguém reivindique que para se ser presidente da República tenha que se abrir mão dos direitos dos índios. Mas é isso que todos são obrigados a dizer. Eu não posso dizer isso. Sonho com um país onde o agronegócio não é vocalizado pelos os que fazem este tipo de discurso, mas por aqueles que querem ver segurança jurídica, credibilidade, respeito aos seus direitos, tecnologia, inovação, infraestrutura, armazéns. Em todas as eleições é feita uma cortina de fumaça por um grupo que ganha muito politicamente reduzindo o problema do agronegócio à disputa com os índios, quando o verdadeiro problema do agronegócio é falta de infraestrutura logística e segurança jurídica.
Valor: Os críticos da sua proposta de eliminar subsídios, o crédito subsidiado do BNDES, dizem que a senhora vai quebrar a indústria. Como será feito este "desmame"?
Marina: A indústria brasileira já está reduzida a pó no atual governo. Para perder a sua competitividade e ficar vivendo as agruras, é só votar na Dilma. A própria indústria reconhece que é preciso criar um ambiente em que investimentos possam acontecer em igualdade para todos. Não é criando um sistema em que, no caso a caso, se favorece um ou outro de forma errática. Tem que combinar políticas macroeconômicas que façam com que o Brasil possa crescer, que volte a ser próspero. Criar no espaço da política microeconômica um ambiente saudável para que a indústria possa se recuperar e que se tenham critérios e transparência. O atual governo favorece um pequeno grupo que escolheu para serem os campeões. Temos que criar os meios para que todos se candidatem nesse campeonato.
Valor: A senhora apoia o fim do fator previdenciário?
Marina: É uma discussão que está sendo feita em relação a como reparar as perdas que os aposentados estão vivendo. Estamos dizendo que vamos rever, buscar novos regramentos. Mas também não vamos nos conformar com a ideia de que os aposentados deverão ser punidos, como estão sendo, no atual governo. Queremos revisitar este tema para buscar novos caminhos, mas ainda não temos uma solução.
Valor: Qual o livro que mais marcou sua vida?
Marina: Um livro que me marcou muito é "A Cor Púrpura" [de Alice Walker].
Valor: Por quê?
Marina: Porque retrata a história de uma pessoa que estava condenada a não ter nenhum lugar ao sol. Existem pessoas que, por sua origem, aparência e história, mesmo quando conseguem uma fresta de Sol, logo são acionadas todas as nuvens e tempestades para mantê-las na sombra. Este é um livro secular. Eu sou uma mulher de fé e a Bíblia é um livro que marca profundamente a minha história. Sou movida a fé e a determinação.

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Pessoa, uma paixão - Ricardo Viel


Pessoa, uma paixão

O livreiro norueguês de um livro só
por Ricardo Viel
    Era uma quarta-feira do começo de julho. No ainda tímido verão de Lisboa, Ana Maria Calvas caminhava pelo Centro. Marcara um encontro às 11 horas ao lado da estátua de Fernando Pessoa, em frente ao café A Brasileira, no Chiado. Já estava bem perto, ia quase meia hora adiantada, e por isso se deteve na altura do número 11 da rua Anchieta, ao avistar uma pequena aglomeração em torno de um sujeito muito alto, louro, de costeletas e cabelos generosos. Perguntou o motivo das câmeras e microfones a uma moça, e de repente viu-se dentro da loja, cercada de livros e diante do homem que dava entrevistas. “Welcome”, disse-lhe o sujeito, que vestia uma túnica azulada espetada por um pin com a cara de Pessoa. Ana Maria avisou que não entendia inglês, mas alguém se dispôs a servir de intérprete.
“Você é minha primeira cliente”, prosseguiu, sempre sorridente, o balconista. “Aceita uma sugestão?”, e antes da resposta apontou para um dos cerca de 300 livros dispostos nas estantes, todos iguais, com uma capa branca que exibia um chapéu estilizado e o título: Livro do Desassossego. “Este aqui”, disse, arrancando risadas dos presentes. A cliente sorriu – uns segundos depois, diga-se de passagem, por culpa do atraso da tradução. “Pensando melhor, acho que recomendo este”, continuou o comerciante, e entregou-lhe outro exemplar, idêntico ao primeiro e a todos os demais.
Antes de ir embora, Ana Maria ainda posou com o livro, já devidamente assinado por Christian Kjelstrup (pronuncia-se “cheustrup”), o livreiro showman. Durante os cinco dias que passou em Lisboa, a rotina do editor e tradutor norueguês foi essa, a de receber de braços abertos e câmera na mão as centenas de visitantes da sua Livraria do Desassossego. Além de vender apenas um livro (e de uma só editora), Kjelstrup conversava com quem por ali passasse, contava histórias e fazia amigos.
Há cerca de quinze anos, o nórdico de 40 anos, hoje pai de três filhos, começou a desenvolver uma paixão pelo poeta falecido em 1935. Ainda estudante de literatura, deparou-se com o texto que mudaria sua vida. “O Livro do Desassossego não é um livro comum, com enredo, conflito e resolução. Fala de sensações, experiências, da vida como ela é, sem subterfúgios”, justifica. A partir daquele momento investiu-se da missão de tornar Pessoa conhecido na Noruega. Começou pelos amigos, depois criou um grupo de leitura, e anos mais tarde teve a ideia de levar o poeta a desconhecidos.

No tempo livre entre suas traduções e críticas literárias, Kjelstrup era uma espécie de “Testemunha de Pessoa”. Batia de porta em porta, oferecendo trechos de sua leitura preferida. “Queria chacoalhar um pouco as coisas, mudar a maneira como a literatura chega às pessoas.” O resultado quase sempre era positivo. “Alguns achavam que eu estava louco, mas em geral as pessoas se mostravam receptivas”, conta. Lia um trecho e, se o interlocutor demonstrasse interesse, apresentava o autor. “Lembro em particular de uma sexta-feira. Fui recebido por um casal que estava abrindo umas cervejas, se preparando para ir à discoteca. Deixaram-me entrar e passamos a noite toda conversando sobre Pessoa e literatura.”
Num domingo, ao cruzar com torcedores caminhando em direção ao estádio, o norueguês teve uma epifania. Telefonou a um clube local e conseguiu o contato de um fabricante de cachecóis na Turquia. Encomendou 100 deles – em vez do nome de um time, a palavra PESSOA, gravada em grandes letras – e os vendeu com facilidade.
O passo seguinte foi a livraria efêmera. Um dia, passeando por Oslo, Kjelstrup viu uma placa de ALUGA-SE num pequeno estabelecimento. Telefonou e perguntou se podia ter o espaço por apenas uma semana. Entre 27 de março e 2 de abril de 2014, as portas da Livraria do Desassossego foram abertas para vender apenas um livro, a tradução norueguesa do Livro do Desassossego. No primeiro dia foram vendidos cinquenta exemplares. No segundo, com a ajuda dos jornais e da televisão, 250. No dia seguinte, recebeu a visita dos príncipes e despachou mais de 500 volumes. No total, espalhou pela cidade uns 1 500 exemplares da obra e fez dela um best-seller. Uma editora decidiu publicar mais 500 exemplares e destacou na capa: “O melhor livro do mundo.” O autor da frase? Christian Kjelstrup, editor.

Anotícia da atípica livraria chegou a Portugal, e a Casa Fernando Pessoa chamou o editor para contar sua experiência. Foi quando ele teve a ideia de procurar em Lisboa um local para abrir sua loja fugaz. “Cheguei a temer pela reação das pessoas e a me perguntar se tinha o direito de tentar promover a obra de Pessoa em sua própria terra, mas a resposta foi maravilhosa, todos foram muito calorosos comigo.”
Em termos comerciais, o projeto “alfacinha” ficou aquém do de Oslo. Foram cerca de 250 livros vendidos, mas a iniciativa teve impacto midiático e Kjelstrup, graças também a seu carisma, ficou conhecido na cidade. Durante a semana em que esteve em Lisboa, o norueguês conheceu a agitada noite da capital, foi à praia e fez a via-crúcis de Pessoa: visitou sua tumba, os bares e cafés que frequentava, os locais onde trabalhou e viveu, o bondinho que sempre pegava.
Estrela principal de uma homenagem organizada na Casa Pessoa, o livreiro norueguês atraiu cerca de 300 interessados, alguns deles especialistas na obra do poeta. E arrancou aplausos diversas vezes, como quando contou que um repórter quis saber o que perguntaria a Pessoa caso o encontrasse pelas ruas da cidade. “Acho que não perguntaria nada, eu apenas o convidaria para tomar um absinto no Martinho da Arcada.” O encontro no mítico café não aconteceu, mas o editor pode dizer que dormiu com o poeta, ou quase. Foi convidado para passar uma noite no quarto que reproduz a última casa em que ele morou. “Me lembro de fechar os olhos e aparecerem muitos rostos. Seriam os heterônimos? As pessoas que conheci em Portugal? Alucinações etílicas? Não sei”, contou. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Artur Avila a semanas da Fields - João Moreira Salles

Conversas antes da medalha

Artur Avila a semanas da Fields
por JOÃO MOREIRA SALLES
Em 26 de fevereiro passado, Artur Avila recebeu um e-mail. Era em inglês e dizia assim:Professor Avila, gostaria de falar com o senhor por telefone em algum momento nos próximos dias. Seria possível, por favor, enviar seu número e alguns horários em que eu poderia ligar?Abraços, professora Ingrid Daubechies. Avila respondeu: Cara professora Daubechies, estou no Rio e posso ser contatado pelo celular. Não tenho linha fixa. Ligue quando quiser. Abraços, Artur. Clicou em enviar e disse: “Ufa.” Desde 2010 suspeitava que receberia esse telefonema.
A belga Ingrid Daubechies era a presidente da União Internacional de Matemática, IMU, a organização que concede os prêmios mais prestigiosos da área. Caro professor Avila, tentei ligar e apareceu uma mensagem automática dizendo que a ligação não pode ser completada. Será que o número está errado? Abraços, professora Daubechies. Avila: Cara professora Daubechies, só agora me ocorreu que talvez seja difícil completar as chamadas internacionais. O sistema provavelmente está sobrecarregado, por causa da quantidade de turistas que vêm para o Carnaval. Abraços, Artur.
O dia 26 virou dia 27. Daubechies: Caro professor Avila, passei o dia todo tentando, mas não consegui completar a ligação. Não tinha pensado no problema do Carnaval. Parece que não vou mesmo conseguir conexão, o que é uma pena, pois o que queria perguntar ao senhor não pode esperar. Então vou tentar esse meio mais impessoal de comunicação: poderia, por favor, ler a carta confidencial em anexo, de preferência quando estiver em algum lugar privado? Depois de ler e quando lhe for conveniente, por favor, envie-me um e-mail com sua resposta. Perdoe-me por enfatizar a confidencialidade do assunto, importante para muitas pessoas. Abraços, professora Ingrid Daubechies. Avila abriu o anexo e respondeu que, sim, aceitava a Medalha Fields.
Olhando no silêncio de seu apartamento para a carta aberta no laptop, Avila recebeu a notícia como uma honra e um desafogo. Honra, por não existir distinção maior na matemática; desafogo, porque a partir de 13 de agosto, quando a identidade dos contemplados fosse revelada, cessariam as especulações de antigos mestres e atuais colegas no Impa, Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada, em torno do sobe-e-desce de candidatos em potencial. A ciência brasileira jamais recebera láurea semelhante e era natural o bombardeio de expectativas sobre um talento formidável como ele. Era a pátria de ábaco, por assim dizer.
Desde 2009, quando seu nome começara a aparecer nas especulações sobre possíveis medalhistas, era cada vez mais raro pôr os pés no Impa sem ouvir sobre este ou aquele americano ou alemão ou italiano ou equatoriano que acabara de resolver um problema gigantesco. Numa tarde de junho de 2013, por exemplo, oito meses antes do e-mail de Daubechies, ele podia ser visto meio exasperado pelos corredores da instituição. É que de manhã um visitante dos Estados Unidos lhe falara de uma pessoa que, além de matemático excepcional, enfrentava problemas de saúde, possível fator de comoção junto aos jurados que escolheriam os ganhadores de 2014.
Naquele mesmo dia, foi exposto também a um balanço das chances da iraniana Maryam Mirzakhani, da Universidade Stanford, na Califórnia, cujas pesquisas de grande originalidade tinham interseção com as dele. Como a medalha jamais fora concedida a uma mulher; como era consenso que tal situação se tornara insustentável; como os predicados de Mirzakhani justificavam uma Fields; como as medalhas (em geral, quatro) são concedidas, a cada quadriênio, a matemáticos de até 40 anos completados no ano da premiação; como Avila, 35 anos em 2014, ainda teria chance em 2018, enquanto Mirzakhani, aos 37, teria ali sua última oportunidade; e, por fim, como a praxe é contemplar campos distintos da matemática; tudo considerado, dizia-lhe o interlocutor, era improvável que houvesse uma Fields para ele em 2014.
A exasperação de Avila se explicava não tanto por essa conclusão (apesar de um pouco por ela também), mas sobretudo porque esse tipo de conversa passara a dominar boa parte da interação com os colegas em seus dois empregos, no Impa e no CNRS, Centre National de la Recherche Scientifique, em Paris. Em vez de pensar matemática, ele agora ocupava a cabeça sopesando as minúcias da política de premiações. Torceu muito para ganhar em 2010. “No mesmo dia em que soube que não tinha ganhado, alguém me disse: ‘Na próxima você leva.’ A pior coisa é viver em função disso. A matemática sofre.” Quando o telefonema não veio, ficou deprimido. Decidiu que, dali por diante, faria matemática no seu passo, sem correrias estratégicas.
Mas quase ninguém é imune às pressões, responsabilidades e seduções inerentes à comunidade. Se depois de 2010 Avila fez questão de avançar em ritmo próprio, não se furtou a aparições programáticas em conferências de prestígio, para se fazer conhecer nos circuitos internacionais. Numa dessas ocasiões, um colega aconselhou: “A palestra foi muito interessante, Artur, mas difícil demais. Você precisa compreender que as pessoas estão mais interessadas em você do que na tua matemática.” Ele se tornara conhecido, e os convites que pipocavam eram em parte função do fator celebridade. Outros colegas que também torciam por ele batiam na mesma tecla das palestras mais acessíveis: “Artur, não confunde as pessoas, fala de uma coisa só.” Chegou a tentar, sem muito sucesso: “Depois de uma dessas apresentações, um cara veio falar comigo: ‘Olha, gostei, mas foi sobre o que mesmo?’ É que eu tinha dado a palestra inteira sem enunciar o teorema. Eu não sou bom nisso, é um problema, e sei que só vai piorar. Gosto de pensar durante a palestra e se a coisa é preparada não há pensamento.”

No dia 8 de agosto, sexta-feira, a cinco dias da entrega da Fields, Avila deixava a Galeries Lafayette, loja de departamentos parisiense onde acabava de comprar os sapatos para a cerimônia, quando resolveu ligar para Welington de Melo, seu orientador de doutorado. Melo estava para chegar a Paris, onde dormiria uma ou duas noites antes de seguir para Seul.
Não havia incentivador maior de sua candidatura. Melo vinha escrutinando a paisagem internacional da matemática havia anos, registrando com minúcias de relojoeiro o surgimento de jovens pesquisadores com potencial para o prêmio. Nos seus cálculos, levava em conta questões técnicas (“O resultado de Fulano é parcial, não encerra a questão”), políticas (lobby americano e francês) e etárias (“Esse ainda terá outras chances”). A seu pedido, muitos matemáticos de grande renome internacional haviam escrito cartas de apoio à candidatura de Avila, prática usual que orienta as decisões do comitê do prêmio. Melo fora o primeiro a identificar o talento excepcional daquele adolescente de 18 anos que em 1998 iniciara o doutorado no Impa, logo depois de concluir o mestrado junto com o ensino médio.
A história de Avila começara com ele e, a dias de receber a maior honraria a que um matemático pode aspirar, era natural que o antigo aluno quisesse a companhia do mestre. Não que tivesse revelado alguma coisa a Melo. Pelos termos da Fields, quem toma ciência dos premiados antes da cerimônia oficial – basicamente, o restrito grupo de matemáticos ligados à premiação, os próprios laureados e alguns jornalistas – compromete-se a manter a informação sob embargo. Eram altas as apostas de que Avila estaria entre os escolhidos, mas, se Melo ia para Seul, era por integrar o comitê organizador do Congresso Internacional de Matemáticos, o evento em que são anunciados os ganhadores da medalha. (O comitê organizador do congresso e o comitê de atribuição da Fields são corpos distintos; Melo fez parte do primeiro, não do segundo.) Até ali, na realidade, os dois praticamente não tinham se encontrado em 2014. “Quase não vi o Artur este ano”, Melo diria mais tarde. “Ele deve ter fugido de mim para cumprir as regras do embargo.”
Avila discou e, ao ouvir o alô, fez o convite: “E aí, vamos jantar?” Melo: “Você me pegou no táxi de volta para casa, Artur! Na hora do check-in, a Air France não me deixou embarcar.” Uma nova resolução da União Europeia exigia que todo viajante apresentasse passaporte com validade de no mínimo três meses. O dele expirava dali a oitenta e poucos dias. Por menos de uma semana, Melo não testemunharia o momento a que se dedicara com tanta diligência e paixão. Na calçada de Paris, com o celular na mão, Avila murchou.

Durante as semanas que antecederam a premiação, podia ser visto por Paris zanzando com uma garrafa de leite na mão. Ocupado em fazer um terno (três provas), conversar com jornalistas (os embargados) e posar para fotos, à parte tocar as atividades cotidianas – orientar doutorandos, fazer ginástica na academia –, Avila concluíra, segundo teses muito particulares de nutrição, que leite era o único alimento capaz de substituir as refeições que não tinha tempo de fazer. Ia dando goles pelas ruas, consumindo até três litros por dia, com uma confiança na beberagem não muito diferente da que os gauleses devotavam à poção mágica em que Obelix caiu quando moleque.
Num desses dias, avistou Mikhail Gromov no metrô. Aos 70 anos, o russo naturalizado francês é o próprio matemático dos matemáticos. Avila se aproximou: “Sou o Artur Avila e só queria cumprimentar o senhor, não vou incomodá-lo.” Gromov agradeceu e voltou às suas reflexões. Avila voltou ao seu leite. Os dois seguiram em silêncio, como sói a gente que trabalha pensando. Não ficou claro se Gromov identificou ou não o admirador, dúvida que dificilmente existiria se o encontro tivesse ocorrido depois de 13 de agosto. Reconhecida por toda a comunidade, a Fields é uma distinção que, desde 1936, foi concedida a não mais de 56 matemáticos, já contando os quatro de 2014. (Para efeito de comparação: de 1901 a 2013, 195 pessoas receberam o Nobel de Física.)
O que mudaria com a medalha? “Teoricamente, vou ficar mais preocupado em não fazer merda”, disse Avila na quinta-feira, 7 de agosto, durante um jantar ainda em Paris (sua única refeição do dia, afora o leite). “Tem gente que ganha a medalha e perde a confiança: ‘Será que eu merecia?’ No fim das contas, alguém tem que decidir: Esse simaquele não. Por quê? Muitos matemáticos excelentes não ganharam a medalha, então fica a dúvida. A vida da gente é quase sempre se sentir um imbecil porque não consegue avançar. Um grande matemático sabe que é muito ignorante. Toda hora eu vejo os resultados de um colega e digo: ‘Porra, não consigo nem começar a entender isso.’”
À diferença do Nobel, concedido à obra realizada, a Fields tem um caráter prospectivo, sendo atribuída também a título de incentivo às pesquisas futuras, o que explica o limite de idade de 40 anos dos laureados. Como muito ainda se espera de um medalhista, há o risco de se deixar sobrecarregar por expectativas alheias: “É a história de que ‘agora só posso fazer grandes trabalhos’”, diz Avila, “de que é preciso escolher os problemas não em função do gosto, mas da relevância.” É o que ele chama de “virar profissional”, armadilha da qual imagina poder escapar.
A comunidade matemática estava de olho nele fazia pelo menos cinco anos. Apesar desse escrutínio, sua produção – imensa, das maiores entre os de sua geração – não mudou de sabor nesse período. Avila se ocupou sempre do que gosta, e dar satisfação do que faz está longe de ser uma prioridade. “Por isso, o que o pessoal [o comitê da Fields] conseguiu compreender do meu trabalho são os resultados antigos”, ele diria em Seul, “porque os mais recentes eu nem publiquei. Basicamente, recebi a medalha pelo que produzi até 2010.” Quatro anos antes, portanto, tinha motivos para esperar o telefonema da IMU. Àquela altura, contudo, sem plena convicção do próprio valor, uma premiação dessa magnitude talvez resultasse na tal perda de autoconfiança. Hoje sabe que está à altura da Fields. Se a medalha não tivesse vindo, “isso talvez me bastasse”.
De uns tempos para cá, Avila tem refletido muito sobre a economia do reconhecimento. Seu salário-base na França é de 3 100 euros (“e não vai aumentar com a medalha”); o salário no Impa é maior, mas só é pago quando ele está no Brasil. “No momento, não quero formar família, ter filhos. Minha vida é muito barata. Sou pago em reconhecimento. No CNRS eu sou o mais jovem diretor de pesquisa que alcançou o nível 1, o mais alto, e todo dia alguém me diz que sou formidável... Então é fácil.”
Falava isso a respeito de uma carta publicada na piauí, a propósito do perfil de Fernando Codá [dezembro de 2013], à época com 34 anos e colega de Impa. Um leitor, o matemático José Teixeira Cal Neto, perguntava por que a revista só perfilava jovens pesquisadores excepcionais do Impa, sendo o campo composto por milhares de profissionais como ele, leitor, gente movida por amor à disciplina que labutava sem muita glória nas universidades do país. “Ele está certo”, disse Avila, “a matemática não avança sem esse pessoal. No perfil que vocês fizeram de mim em 2010, eu disse que dinheiro não era importante, que me interessava uma sociedade em que um pesquisador ganhava 2 mil euros e ninguém recebia muito mais. Hoje sei que disse uma bobagem. Não tinha me dado conta de como os matemáticos lutam para sobreviver. Daí o cara vai para o mercado financeiro e tem gente que censura. Eu posso não ganhar muito, mas o reconhecimento simbólico é alto. Está o.k. para mim, mas para outros, não. Então escreve aí: tem que pagar bem”.
Pensa que seu papel depois da Fields será “deixar claro que a matemática está viva. Ninguém sabe disso, mas se tem gente recebendo prêmios é porque a matemática não está pronta, ela avança. O outro aspecto é deixar claro que é possível fazer matemática no Brasil. É uma ciência pobre, que não requer muitos recursos”.
Despediu-se na calçada e entrou no metrô. Sumiu no túnel levando sua garrafa de leite na mão.

No sábado, 9 de agosto, véspera de embarcar para Seul, pegou o terno numa loja do elegante Faubourg Saint-Honoré, rua das grandes maisons de alta-costura de Paris. Era sua primeira roupa chique na vida. Na véspera, uma página australiana do Facebook mantida por aficionados da matemática dava seu nome como certo para a medalha e informava: “Quando viaja, Artur não gosta de programas turísticos. Prefere relaxar e fazer umas comprinhas. Meninas, entrem na fila.” Passou o resto do dia na casa ascética em que mora, acompanhando as peripécias de Welington de Melo para circum-navegar o globo sem pôr os pés em países com regras rígidas quanto a passaportes prestes a vencer. À noite, soube que a própria Coreia exigia documentos com pelo menos seis meses de validade. Depois de pedir a amigos que ligassem para Melo no Rio e o convencessem a não desistir, tomou leite e foi dormir.
No domingo, saiu no Le Journal du Dimanche, com foto e tudo. “Ele é um dos matemáticos mais promissores de sua geração. Podemos imaginá-lo enfurnado num escritório sombrio, deleitando-se entre livros e montanhas de folhas rabiscadas. No entanto, Artur Avila, jeans e camiseta branca colada aos músculos, prefere trabalhar ao ar livre.” Como desde 2013 tem também a cidadania francesa, é tratado como uma das glórias do país. Num arroubo olímpico, a reportagem informava que, se ele ganhasse a Fields, na quarta-feira seguinte França e Estados Unidos empatariam no quadro geral de medalhas, com onze para cada lado. (Como haveria um americano entre os premiados, a França continua atrás.) Dos outros cinco franceses mencionados entre os “cerca de vinte medalháveis”, um deles, Emmanuel Breuillard, afirmava que não recebera telefonema nenhum.
À tarde, fez a mala, que tomou emprestada de um amigo por não encontrar nenhuma no mercado por menos de 300 euros. Era a primeira vez que despacharia bagagem. Sem paciência para ficar esperando na esteira, só viaja com o que consegue carregar na mão. Às seis da tarde, três horas antes do embarque, ligou para o pai no Brasil: “Feliz Dia dos Pais!”, disse. “Olha, na terça à noite daí, pode ser que eu apareça numa cerimônia que vai ser transmitida pela internet, depois eu te mando o link. Se puder, assiste.” Era o seu presente para a data: uma Medalha Fields.
Ao entrar no A380 da Korean Airlines, aquele mamute aeronáutico de dois andares, Avila reparou que seu vizinho de poltrona já se acomodara. Era Emmanuel Breuillard, de 37 anos, um dos jovens pesquisadores citados pelo Journal du Dimanche. (Se quisesse calcular a probabilidade de duas pessoas predeterminadas acabarem sentadas juntas num A380 configurado para 407 passageiros, veria que ela é de mais ou menos 0,31469%.) O colega, um sujeito alto, gentil e de voz mansa, sorriu: “É por causa da medalha que você está aqui, não é?” Ao contrário de Breuillard, palestrante em Seul, Avila não aparecia na programação do congresso. Se estava a bordo, só podia ser por causa da Fields. O sigilo começava a evaporar.
Depois do jantar, Avila decidiu dar uma olhada no bar do avião. A coisa lhe pareceu simpática, e por umas horas, enquanto o avião cruzava incontáveis fusos, ele se entreteve com coquetéis de vodca de nomes como Absoluto Êxtase de Framboesa Absoluta Pera Deluxe. Voltou ao assunto da autoconfiança: “Minha sorte foi não ter ido fazer doutorado em Harvard ou Princeton. Quando comecei no Impa, minha cultura matemática era muito pequena. Nessas universidades só tem aluno brilhante, gente que provavelmente está na sua frente. Todo mundo já resolveu problemas importantes e você ali, tentando sair do lugar. Eu podia ter me achado um merda. No Impa, tudo foi do meu tamanho.”
Sem maiores angústias, foi entrando de mansinho e com naturalidade nas vestes de grande matemático. “Minha primeira regra é esta: só me interessam problemas em aberto. Tem muito matemático que gosta de me desafiar com questões de olimpíada. Às vezes eu até aceito, por diversão, mas prefiro não gastar energia no que todo mundo é capaz de fazer. Nem sou muito bom em problemas triviais. Quando surge um problema de pesquisa, aí, sim, sou mais eficiente.” Entenda-se: se não é o melhor solucionador de problemas já resolvidos, não significa que seja mau. Breuillard e ele se conheceram em 1995, na Olimpíada Internacional de Matemática, a mais dura competição mundial para talentos do ensino médio. Havia 412 participantes de 73 países. Os dois cravaram cinco das seis questões e, como outros 28 jovens, levaram para casa uma medalha de ouro. (A iraniana Mirzakhani gabaritou a prova.)
No desembarque em Seul, Avila não teve dificuldade em reconhecer o motorista enviado pela IMU para recepcioná-lo. Prestativo, o moço segurava o que se diria um outdoor portátil do qual saltavam as letras de um segredo: ARTUR AVILA. Isso a menos de dois dias do início do congresso, quando pencas de visitantes esperados para o evento certamente circulavam pelo mesmo saguão. “Somos uns idiotas”, diria mais tarde Jacob Palis, ex-diretor do Impa e ex-presidente da IMU. Referia-se à habilidade dos matemáticos para as artes do sigilo e do ludíbrio.

E-mail de Welington de Melo para Jacob Palis, a dois dias da premiação: Olá, Jacob. Estou saindo de São Francisco às 13h10 pela Asiana, voo 211. Devo chegar hoje mesmo, por volta das cinco horas da tarde. Pensei que estaria chegando na terça-feira, mas de fato estou chegando ainda na segunda, pela diferença de horário. Resposta de Palis: Caro Welington, estamos indo à luta para que você entre na Coreia! Fique calmo, estaremos do seu lado! A troca de mensagens indicava não só que a coisa estava ganhando ares épicos, mas também que mesmo matemáticos de ponta podem se equivocar nas contas mais básicas. Em vez de somar o fuso, Melo subtraiu e imaginou ter ganhado um dia inteiro na vida. Era na terça mesmo que ele chegaria, a doze horas da abertura do congresso. Disparou-se um esforço diplomático para livrá-lo da imigração coreana.
Na manhã de quarta-feira, no centro de convenções de Seul, diante de um público recorde de mais de 5 mil pessoas, a Medalha Fields foi entregue ao brasileiro Artur Avila, do Impa e do CNRS; ao austríaco Martin Hairer, da Universidade de Warwick, na Inglaterra; ao americano nascido no Canadá Manjul Bhargava, da Universidade Princeton; e à iraniana Maryam Mirzakhani, da Universidade Stanford, primeira mulher a receber o prêmio. Ao subir ao palco para receber das mãos da presidente da Coreia do Sul a sua Fields, Avila era o primeiro medalhista da história formado por uma instituição acadêmica do mundo em desenvolvimento e, não só isso, vinculado a uma delas como pesquisador. Dos quatro, era também o mais jovem, o único que ainda teria chance em 2018.
Na sexta fileira, Jacob Palis, um dos principais responsáveis pelo sucesso do Impa, chorou. Em algum outro lugar da plateia, Welington de Melo, discreto e tresnoitado, assistiu a tudo profundamente comovido. Faltando horas para o grande momento, fora resgatado na boca do avião por um funcionário da embaixada brasileira e cruzara a imigração pela área reservada a diplomatas. Ainda não vira ninguém, não conversara com ninguém. Estava ali e era o que bastava.
Num comunicado reproduzido pelos principais jornais franceses, o presidente François Hollande parabenizou Avila: “Ele confirma o papel de primeiríssima grandeza que a matemática francesa desempenha no mundo.” Manuel Valls, o primeiro-ministro, acrescentou: “É um jovem cientista excepcional que encarna a excelência da pesquisa matemática francesa.”
Às duas da tarde começaram as laudationes, palestras de meia hora em que um grande matemático honra a obra do premiado. Coube ao francês Étienne Ghys a laudatio de Avila. “Uma Fields jamais floresce no meio do nada”, disse, enquanto uma imensa fotografia do Rio de Janeiro aparecia no telão. Falou das temporadas no Impa, meio século antes, de Stephen Smale, americano, e René Thom, francês, ambos medalhistas Fields. Mencionou Jacob Palis, sublinhou a excelência de outros pesquisadores brasileiros formados pelo instituto e, concluindo sua introdução, afirmou: “O Impa pode se orgulhar desta medalha.” Nos 25 minutos seguintes, demonstrou o enorme impacto dos trabalhos de Avila – foto dele num botequim do Rio – em pelo menos quatro campos da matemática, dos estudos de fenômenos caóticos à solução global de problemas surgidos na física quântica. Terminada a laudatio, um jovem pesquisador do Impa comentou: “Preciso agradecer ao Étienne. Já assisti a mais de dez palestras do Artur e essa foi a primeira vez que compreendi o que ele faz.”
À noite, Manjul Bhargava ligou para o quarto de Avila: “Artur, acho que você está com a minha Fields.” Estava, sim. Por um desacerto na hora da entrega, todos eles tinham ido embora com a medalha alheia. (A probabilidade de quatro medalhas serem distribuídas a quatro pessoas e ninguém receber a sua é de 37,5%. Ao que parece, houve entre os medalhistas quem chegasse ao curioso valor de 25%.)
O último compromisso oficial de Avila em Seul seria a Palestra Fields, dali a dois dias. Cada premiado faz a sua, sobre algum aspecto do trabalho que desenvolve. Avila ainda não começara a preparar a dele. No dia seguinte, véspera da apresentação, cancelou o encontro com um amigo:Desculpa, estou ainda todo enrolado com a palestra. Hoje só saí para a recepção francesa e voltei para continuar a trabalhar. Não adianta nada, vai ser o desastre de sempre.

Às duas da tarde de sexta-feira, 15 de agosto, Avila subiu ao palco. Na segunda fileira, um senhor se inclinou para a frente. Alto, magro, barba e cabelos imaculadamente brancos, olhos intensos e rosto afilado de zigomas pronunciados, lembrava um místico de novela russa. Era John Milnor. Pense num gigante matemático, salpique gênio a gosto e este será o americano Milnor, de 83 anos, Medalha Fields 1962 (e mais quantos prêmios relevantes existam na matemática). Em 2001, ele viajara ao Rio para integrar a banca de defesa de tese de Avila. Agora, segurava um bloco no qual se avistava uma folha virgem, pronta para receber anotações. Estava pronto para começar e, se tivesse um lápis, o levaria à ponta da língua.
Todo de preto, vestindo jeans e camiseta, Avila se dirigiu ao auditório lotado: “Tenho certa dificuldade em falar para tantas pessoas. Já tentei explicar meu trabalho várias vezes, sem muito sucesso, e hoje vou tentar pela última vez.” Então projetou o primeiro slide. Dez minutos depois, Milnor largou discretamente o bloco na poltrona vazia a seu lado. A folha continuava limpinha, limpinha.
Um matemático russo certa vez descreveu a palestra matemática perfeita: no primeiro terço, palestrante e plateia compreendem o que está sendo dito; no segundo, o palestrante compreende e a plateia não; no terço final, ninguém compreende coisa nenhuma. Avila parecia ter entrado direto no segundo terço e prosseguira assim até o final. Welington de Melo, na condição de uma das raras almas na plateia que o compreendiam, balançou a cabeça. Horas depois, daria seu veredicto: “Foi uma porcaria... O Artur não pode fazer isso. Ele tem que ser um embaixador do campo. Precisa ir devagar.”
Avila não ligou. Aparentemente, outras pessoas também não: mal terminou de falar, foi cercado por dezenas e dezenas de jovens, todos querendo uma foto a seu lado. Quem mais penou foi um menininho de uns 8 anos que não conseguia furar o cerco. Só obteve sucesso quando chamou o pai às falas, mandando-o ser mais pró-ativo. Erguido acima dos ombros e levado até Avila, ganhou um autógrafo e saiu do auditório aos pulinhos.
Meia hora depois de encerrada a palestra, Avila ainda não conseguira deixar o palco. De longe, via-se ali apenas uma constelação de pessoas orbitando em volta de um centro invisível. 

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

TeVê

TV paga
Estado de Minas: 11/09/2014



 (Canal Futura/Divulgação )

A vida no Pantanal


Estreia hoje, às 22h, no canal Futura, o documentário Escola das Águas: o desafio pantaneiro. A produção acompanha o cotidiano de alunos e professores em um colégio da região do Pantanal do Paiaguás, em Mato Grosso do Sul. Separados de suas famílias, os alunos lidam com uma rotina e um calendário escolar diferenciados devido ao isolamento causado pela cheia dos rios. Roteiro e direção de Juliana Vicente.

O 11 de setembro sempre  será lembrado pelo terror

Outro documentário inédito é A good job: stories of the FDNY, que estreia às 20h, na HBO. Com relatos de bombeiros veteranos, o documentário mostra como é enfrentar o fogo em uma metrópole como Nova York. Entre eles o ator Steve Buscemi, que trabalhou no tal FDNY, o Corpo de Bombeiros da cidade. O 13º aniversário dos atentados terroristas que derrubaram as Torres Gêmeas será marcado também por outros dois documentários: Cães heróis, às 22h, no Animal Planet; e Policiais ao resgate, às 22h30, no NatGeo.

Os tubarões vão invadir a  tela do Discovery Channel


Setembro é também o Mês do tubarão no Discovery, que reservou para hoje dois documentários: Tubarão-branco assassino, às 22h20, e Mergulho com tubarões, às 23h10. No canal Curta!, às 20h30, será exibido o documentário A paixão segundo Callado, de José Joffily, sobre vida e obra do escritor Antonio Callado. Já às 21h30 é a vez de Victor Hugo, o olhar do artista, de Henry Colomer. E no Film&Arts, às 21h, estreia Os tesouros do Antigo Egito, com o jornalista e crítico de arte inglês Alastair Sooke. Em tempo: o mesmo Film&Arts exibe o concerto de 40º aniversário dos 12 Violoncelistas da Filarmônica de Berlim, às 17h, e estreia The Hollow Crown, inspirada nas peças de Shakespeare, às 22h.

Humor no Viva; culinária  e decoração no canal GNT


O Viva o Gordo volta hoje à programação do Viva, às 21h, para os fãs matarem a saudade não só de Jô Soares, mas também de veteranos do humor como Brandão Filho, Walter D'Ávila e Berta Loran. No canal GNT, às 20h, estreia a quarta temporada de Tempero de família, com Rodrigo Hilbert, seguido de Cozinheiros em ação, às 20h30; e Que marravilha! Risotos & sobremesas, às 21h, fechando com a estreia do designer Marcelo Rosenbaum no comando do Decora, às 22h.

Os sinos dobram por Gary  Cooper e Ingrid Bergman


No pacotão de filmes, o destaque é o clássico Por quem os sinos dobram, com Gary Cooper e Ingrid Bergman, às 22h, na Cultura. Outro clássico, Barbarella vai ao ar também às 22h, no Telecine Cult. Ainda na faixa das 22h, o assinante tem mais seis opções: Terapia de risco, na HBO 2; Jogos, trapaças e dois canos fumegantes, no Max Prime; Caçado, no Telecine Action; Percy Jackson e o mar de monstros, no Telecine Premiun; No rastro da bala, no MGM; e O exorcista, no TCM. Outras atrações da programação: Voo noturno, às 20h35, no Universal Channel; De olhos bem fechados, às 22h10, no Glitz; Cowboys & aliens, às 22h30, na Fox; Planeta dos macacos: a origem, também às 22h30, no FX; e Caçador de recompensas, igualmente às 22h30, na TNT.

CARAS & BOCAS » Louca por ele
Simone Castro

O ator Carmo Dalla Vecchia reforça o elenco de Império e vai conquistar o amor de vilã (Isac Luz/Ego-5/6/13)
O ator Carmo Dalla Vecchia reforça o elenco de Império e vai conquistar o amor de vilã

Nos próximos capítulos de Império (Globo), Maria Marta (Lília Cabral) vai ter motivos de sobra para esquecer, de vez, o marido. Revoltada com a traição do Comendador José Alfredo (Alexandre Nero), ela irá até o Monte Roraima, santuário que ele cultua, e vai furtar o diamante rosa, espécie de amuleto da sorte do milionário. Mas não será apenas um objeto de vingança que a dondoca encontrará no local. Entretida com o seu plano, ela não se dá conta de que uma tempestade se aproxima. O piloto a alerta, mas Maria Marta não se importa. Ele, então, vai embora. A ricaça, ao perceber que está sozinha no meio da chuva, se desespera. Até que um homem encapuzado aparece e ela, apavorada, desmaia. Ele a transporta para dentro da caverna. Ao acordar, Maria Marta pensa que o sujeito foi enviado pelo marido para maltratá-la. Ele nega e se apresenta como Maurílio (Carmo Dalla Vecchia). Trata-se do filho de Sebastião (Reginaldo Farias), aquele que deixou o mapa de sua fortuna para José Alfredo na primeira fase da novela. Maurílio conta que sempre vai visitar o túmulo do pai. Ela, então, não revela sua verdadeira identidade. Pouco depois, o piloto volta para resgatá-la e Maria Marta oferece uma carona ao moço. Eles trocam contatos e se despedem, sem querer, quase que com um selinho. No futuro, ela vai se apaixonar loucamente por ele. Os atores vão gravar as cenas em Carrancas e Cordisburgo, em Minas Gerais, no Monte Roraima da ficção, como parte do elenco já fez no início da trama.

JORNAL DA ALTEROSA TRAZ AS  PRINCIPAIS NOTÍCIAS DO DIA

Fique por dentro das principais notícias no estado e na capital com o Jornal da Alterosa – 1ª edição desta quinta-feira. A apresentação é de Laura Lima. A primeira edição do noticiário vai ao ar logo depois do Alterosa esporte.

SBT VAI MOSTRAR CENAS DE BARRACO DE PARTICIPANTE


Na segunda-feira, durante a gravação do programa Esse artista sou eu, do SBT/Alterosa, o participante Christian Chávez se revoltou com a avaliação e as notas dos jurados. O cantor mexicano, ex-integrante do grupo RBD, interrompeu a gravação para reclamar que os jurados não sabiam o que se passava nos bastidores da produção, o que deu início a uma discussão acalorada no palco da atração. Sobrou até para outro participante, o cantor Leo Maia, que foi acusado por Christian de destratar a equipe e de falta de profissionalismo. Na gravação de segunda, Christian se apresentou como MC Guimê e recebeu nota 4 dos jurados Carlos Eduardo Miranda, Cyz Zamorano e Thomas Roth. Já Leo Maia interpretou James Brown e ganhou nota máxima. De acordo com esclarecimentos do SBT, Leo e Christian chegaram a abandonar o palco, retornando depois de alguns minutos para finalizar a gravação do episódio. A nota da assessoria de imprensa do canal ressalta que não houve agressão física ou ameaças, como chegou a ser comentado nas redes sociais. “Somando-se o trabalho intenso de treinamento, preparação e caracterização realizadas a cada semana com o calor e a emoção das apresentações, a disputa fica agora ainda mais acirrada. O SBT vai exibir todo o ocorrido na atração daqui a algumas semanas e informa que, por ser um reality show, é normal que discussões aconteçam e não há sentido de ocultar cenas como essa”, afirmou a nota.

SENHOR DO TRÁFICO

O canal +Globosat (TV paga) estreia, dia 15, a série Pablo Escobar: o senhor do tráfico, que vai mostrar a trajetória daquele que é considerado o mais famoso traficante colombiano desde a infância, na cidade de Rionegro, em Antioquia, até sua morte, em 1993. Interpretado por Andrés Parra, Escobar, chefe do cartel de Medellín, tem destacado momentos cruciais marcantes de sua vida, como a parceria com o contrabandista Álvaro Prieto, e a posição no auge do tráfico internacional. A atração é baseada no livro La parábola de Pablo, de Alonso Salazar, e foi gravada, entre outras locações, em Miami, Bogotá, Medellín e Caribe. Os autores da série, Juana Uribe e Camilo Cano, são vítimas dos atos criminosos praticados pelo traficante e sua quadrilha. A direção da série, que vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 21h, é de Carlos Moreno.

VIVA
Adriana Calcanhoto no Mais você (Globo) de ontem. A cantora foi o fecho perfeito do programa, que contou, ainda, com o ótimo quadro “Dando um retoque”.

VAIA
Nada a ver exibir capítulos pra lá de enxutos de O rebu (Globo) depois dos últimos dois jogos da Seleção Brasileira. Antes não tivessem ido ao ar.