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| O escritor Ignácio de Loyola Brandão participa
pela terceira vez da Flipoços, aproveitando a nova oportunidade para
lançar o livro Os olhos cegos dos cavalos loucos |
Na
1ª edição da Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas, realizada em
maio de 2006, o evento contou com apenas 30 expositores e uma
programação voltada apenas para atividades infantis. Este ano, a feira,
que é realizada simultaneamente com o Festival Literário de Poços de
Caldas (Flipoços), vai reunir, de sábado até 3 de maio, no Espaço
Cultural da Urca, na cidade do Sul de Minas, cerca de 50 expositores com
mais de 80 mil títulos de livros a preços atrativos, dezenas de
palestrantes e atrações variadas ligadas não só à literatura, mas à
música, cinema, teatro e gastronomia.
“Começamos timidamente, com
poucos convidados, mas a receptividade da população foi impressionante”,
explica Gisele Ferreira, diretora da GSC, empresa organizadora do
festival. “Poços é uma cidade muito literária, desde a sua criação, em
1872, e tudo isso favoreceu para que tanto a feira quanto o festival
crescessem ao longo dos anos. A Flipoços se consolidou e se tornou um
dos principais eventos de literatura do Brasil e o maior do estado”,
destaca, enumerando alguns dos palestrantes confirmados: Ignácio de
Loyola Brandão, Zuenir Ventura, João Carrascoza, Ana Miranda, Clóvis de
Barros, Luís Erlanger, Antônia Pellegrino e Carlos Herculano Lopes.
Em
2015, o tema escolhido para celebrar os 10 anos do Festival Literário é
“A literatura como resgate da velha infância”, que convida todos a uma
reflexão sobre os bons tempos em que as brincadeiras de rua e os livros
faziam parte do universo infantil. O patrono da Flipoços 2015 será o
escritor, jornalista e cartunista mineiro Ziraldo, que participa pela
primeira vez do evento. “A ideia é redescobrir a criança que existe
dentro de nós por meio dos livros e fazer com que a garotada de hoje
viva mais no mundo das crianças, com as brincadeiras de rua e jogos
coletivos, do que no mundo da tecnologia. E o Ziraldo tem tudo a ver com
isso, porque ele pega todas as gerações e ainda hoje vem conquistando
os pequenos cada vez mais”, acrescenta Gisele.
Pedido de perdão
Primeiro escritor de renome que foi à Flipoços, Ignácio de Loyola
Brandão participa do evento pela terceira vez. Ele vai lançar nessa
edição um livro que tem tudo a ver com a temática do festival: Os olhos
cegos dos cavalos loucos. O escritor revela que levou 60 anos para
escrever este livro, que é uma homenagem ao avô, Zé Maria, um marceneiro
que construiu um carrossel de cavalos de madeira e cujos olhos eram
bolinhas de gude. Um dia houve um incêndio e do carrossel só restaram as
bolinhas, que ficaram guardadas numa caixa. Numa traquinagem, o neto
Ignácio pegou as bolas de gude e foi brincar com os amiguinhos. No
entanto, acabou perdendo todas elas.
“Vovô ficou muito deprimido
porque era a única coisa que tinha restado do carrossel”, lembra o
escritor. “Minha avó ficou cobrando quem tinha pegado as bolinhas, mas
meu avô nunca acusou ninguém. Anos depois, ele me deu aquela caixa
vazia, e me disse que sempre soube que era eu quem tinha pegado as
bolinhas e que era para eu guardar as melhores coisas da minha vida
dentro dela. Nunca guardei nada porque nunca achei que tivesse nada mais
importante do aquilo que o meu avô tinha”, acredita Loyola, que
considera Os olhos cegos dos cavalos loucos uma espécie de pedido de
perdão ao avô.
Acostumado a participar de eventos literários país
afora, Ignácio de Loyola Brandão afirma que quanto mais feiras,
festivais, fóruns e bienais de literatura forem realizados, mais se
chama a atenção para livros e autores, mas é importante que isso se
transforme também em formação de leitores. “Acho fundamental levar os
escritores para as escolas, para a periferia e outros locais porque há
casos em que a feira fica lá e as pessoas acabam não tendo acesso, ficam
com receio, ou não querem ir. Muitas vezes nós é temos que ir em busca
do leitor.”
Juventude Estreante na Flipoços, a escritora mineira
Stella Maris Rezende, que mora no Rio de Janeiro, está bastante ansiosa
por causa da palestra que fará sobre “A aventura de ler na juventude”.
“Sempre ficava me perguntando quando iriam me convidar, porque é um
evento superconsolidado. Pretendo falar sobre essa descoberta da
leitura, a magia e outras coisas que surgem na juventude, como a
sexualidade, as primeiras desilusões”, frisa.
Vencedora do Prêmio
Jabuti de ficção em 2012 com o livro A mocinha do Mercado Central,
Stella aprovou o tema do festival, ainda mais que está acostumada a
escrever para crianças e acha extremamente relevante resgatar os valores
antigos da infância. Nascida em Dores do Indaiá, ela é outra que tem
participado de vários eventos de literatura no Brasil e só tem a
celebrar a proliferação deles. “Todos são importantes e, apesar de se
parecerem em vários aspectos, cada um tem a sua particularidade.”
Destaques da programação
Dia 25
Abertura Orquestra Ouro Preto com o espetáculo
Cantigas de bem querer
Palestra de Stella Maris Rezende
“A aventura de ler na juventude”
Dia 26
Homenagem especial e bate-papo com Ziraldo
Dia 27
Ignácio de Loyola Brandão lança
Os olhos cegos dos cavalos loucos
Dia 28
Encontro Arte da Periferia
Dia 29
Encontro dos Escritores Lusitanos
Dia 30
Bate-papo com o escritor e jornalista Luis Erlanger
João Carrascoza conversa sobre o livro Aquela água toda
Dia 1º
Zuenir Ventura e Merval Pereira debatem o jornalismo
Encontro “Ler é bacana”, com Thalita Rebouças e Babi Dewet
Dia 2
Bate-papo com Ana Miranda
10ª Feira Nacional do Livro de Poços
de Caldas e Festival Literário (Flipoços)
De 25 de abril a 3 de maio, no Espaço Cultural da Urca
– Poços de Caldas. Entrada franca. Para as palestras
masters é necessário ingresso, que é trocado por livros
doados Informações: www.flipocos.com