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quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Setores culturais reagem ao uso da lei Rouanet na moda

folha de são paulo
JULIANA GRAGNANI
DE SÃO PAULO
PEDRO DINIZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
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O uso da Lei Rouanet em benefício de desfiles de moda, liberado pelo Ministério da Cultura na semana passada, causou as primeiras reações de setores culturais.
Entidades do teatro devem enviar nesta semana um ofício à ministra Marta Suplicy. O documento critica a autorização para que os estilistas Pedro Lourenço, 23, Alexandre Herchcovitch, 42, e Ronaldo Fraga, 46, tentem captar mais de R$ 7 milhões via Rouanet --que é um mecanismo de fomento à cultura por meio de renúncia fiscal.
No texto, a APTI (Associação de Produtores Teatrais Independentes) e a Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro pedem uma reunião com a ministra.
Presidente da APTI, o ator e diretor Odilon Wagner afirma que não vê problemas na inclusão da moda na Lei Rouanet, desde que o benefício vá para a parte criativa dos artistas do setor e não para a "promoção" de suas obras por meio de desfiles.
"É muito comum outras áreas quererem entrar na calha da lei. Sofremos uma concorrência muito desleal", diz.
Editoria de Arte/Folhapress
A decisão de aprovar os projetos de moda foi tomada por Marta depois de a Comissão Nacional de Incentivo à Cultura, que decide quem pode captar via Lei Rouanet, ter indeferido o pedido de incentivo para dois desfiles de Pedro Lourenço na semana de moda de Paris, em outubro deste ano e março de 2014.
"Os desfiles têm publicidade espontânea enorme, e os empresários poderão aplicar seu dinheiro nisso. O teatro não tem como fazer merchandising nos espetáculos", diz Eduardo Barata, presidente da Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro.
Os projetos de Fraga e Herchcovitch nem sequer foram votados pela comissão:foram aprovados em caráter de urgência por Marta. Segundo a ministra, os desfiles fortalecerão a imagem do país no exterior.
DISCUSSÃO CORPORATIVA
O diretor do Museu da Cidade de São Paulo, Afonso Luz, que integrou a secretaria de Políticas Culturais e hoje é um dos responsáveis por intermediar a relação entre nomes da moda e o ministério, critica a ideia comum de que o setor seja elitista.
"Se alguém pede [o incentivo], é porque precisa. Essa discussão é mais corporativa. Ser reconhecido como setor cultural e não usufruir dos benefícios públicos disponíveis é como não ter cidadania. Moda não se resume à indústria do luxo", diz.
"O problema é que, na hora de dividir o bolo [da Lei Rouanet], ninguém quer compartilhar", afirma o estilista Ronaldo Fraga. Para ele, "a moda precisa de incentivo fiscal", e o Ministério da Fazenda e o do Desenvolvimento deveriam abrir as portas para os estilistas.
"Mas, se o primeiro passo veio do Ministério da Cultura, ótimo, qual é o problema? A lei não vai resolver o problema da indústria, porque ela já está perdida", diz Fraga.
A Lei Rouanet já foi centro de outras polêmicas. Em 2006, a companhia canadense Cirque du Soleil foi autorizada a captar R$ 9,4 milhões, apesar do valor alto de seus ingressos. Em 2011, a cantora Maria Bethânia obteve autorização para captar R$ 1,3 milhão para fazer um blog. Alvo de críticas nas redes sociais, desistiu do projeto.
Durante os debates sobre o projeto de Lourenço na Cnic, a associação teatral já havia enviado uma carta à comissão, que dizia que os desfiles "provocariam distorções imediatas e uma insuperável assimetria concorrencial com os segmentos culturais na disputa por verbas".
Em 2012, o setor teatral captou cerca de R$ 252 milhões pela lei de incentivo fiscal, representando quase 20% do total distribuído por meio da Rouanet.
A moda, por sua vez, captou R$ 168 mil, ou 0,01% do total (veja quadro ao lado).
Embora não haja políticas públicas específicas para o setor da moda, o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior faz investimentos na área por meio do Texbrasil (Programa de Exportação da Indústria da Moda Brasileira).
Até agora, R$ 125 milhões foram investidos em ações para a moda, como o financiamento de desfiles de marcas brasileiras no exterior. Parte dos recursos sai de investimentos privados.
Cursos e doações são a contrapartida dos novos projetos
COLABORAÇÃO PARA A FOLHAOs projetos que permitem aos estilistas Pedro Lourenço, Alexandre Herchcovitch e Ronaldo Fraga captar recursos da Lei Rouanet para seus próximos desfiles preveem como contrapartida a doação das roupas para acervos de museus e a realização de workshops em faculdades de moda e exposições.
Como resultado de sua "Mostra de Moda Brasileira em Paris: Internacionalização da Criatividade", o designer Pedro Lourenço irá ministrar cursos gratuitos de moda nas instituições paulistanas Anhembi Morumbi, Senac e Santa Marcelina, segundo o projeto.
O Museu da Cidade de São Paulo também deverá receber o curso, além de parte das 75 peças que formam as coleções a serem apresentadas em Paris. O projeto prevê a doação de roupas ao Museu Carmen Miranda, no Rio.
Tema recorrente em desfiles e símbolo de um conceito de brasilidade tipo exportação, a cantora inspira a coleção de Lourenço.
O designer Alexandre Herchcovitch também irá oferecer cursos para estudantes como contrapartida.
A "antropofagia cultural" e a relação entre os valores estéticos do Ocidente e da Europa serve se base para a coleção do estilista.
Herchcovitch deve abrir seleção de estágio para 20 alunos de faculdades de moda.
De acordo com o texto enviado ao governo, todas as roupas serão doadas.
O Ministério da Cultura deverá indicar outras instituições que devem receber parte da coleção de peças, além do Museu da Cidade de São Paulo, do Museu de Moda do Rio de Janeiro e do Senac de São Paulo.
O desfile de Alexandre Herchcovitch em Nova York, que será gratuito, prevê a presença de apenas 200 convidados, entre público e "formadores de opinião". Em São Paulo, serão 500 pessoas.
"Quem nunca teve acesso a um desfile, agora terá", diz Herchcovitch.
Já Ronaldo Fraga, que pesca inspiração para suas próximas temporadas nas obras do artesão Espedito Seleiro e dos escritores João Cabral de Melo Neto e Mário de Andrade, pretende realizar uma exposição, ainda sem local e datas definidos, depois do primeiro desfile na São Paulo Fashion Week.
Assim como Herchcovitch, Fraga apresenta coleções na semana de moda paulistana e irá doar peças para museus e ministrar oficinas.
"A apresentação será aberta, fora da Bienal [do Ibirapura, onde ocorre o evento]. Procuro um lugar onde caibam mil pessoas", diz o estilista mineiro. As peças serão confeccionadas em parceria com bordadeiras de Tabira, interior de Pernambuco.

    quinta-feira, 30 de maio de 2013

    Grifes nacionais se distanciam das medidas da silhueta brasileira média

    FOLHA DE SÃO PAULO
    PEDRO DINIZ
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

    A declaração do principal executivo da grife americana Abercrombie & Fitch, Mike Jeffries, de que a marca deixou de produzir peças femininas nos tamanhos GG e XG para associar seu nome apenas a "gente magra e bonita", provocou uma onda de protestos nas últimas semanas.
    Se as americanas não encontrarão mais peças da marca, ícone dos EUA, nessas medidas, as brasileiras que vestem G já enfrentam as consequências de um raciocínio similar, ainda que não assumido, de marcas que são porta-vozes da moda nacional.
    Nas últimas duas semanas, a Folha consultou, sem se identificar, nove lojas em shoppings ou "flagships" (lojas-conceito) de grifes brasileiras em São Paulo. Entre elas, Iódice, Alexandre Herchcovitch, Ellus, Reinaldo Lourenço, Osklen, Gloria Coelho, Forum e Forum Tufi Duek.
    Ilustração Roberta Jaworski/Editoria de Arte/Folhapress
    Em nenhuma delas havia peças das linhas principais nos tamanhos GG.
    E mais: as medidas usadas para definir a modelagem dessas grifes --do P ao G ou do número 36 ao 46-- pouco condizem com as medidas reais da mulher brasileira.
    É esse desajuste entre corpo e vestimenta que revela um estudo do Senai Cetiqt, iniciado em 2006. Trata-se da maior pesquisa já realizada no país sobre as medidas das brasileiras, feita com 6.800 pessoas.
    Segundo dados preliminares do estudo, aos quais aFolha teve acesso, 64,4% das mulheres do Sudeste têm, em média, 97,1 cm de busto, 85,4 cm de cintura e 102,1 cm de quadril (veja ao lado).
    A reportagem mediu vestidos, peça icônica do vestuário nacional, nas lojas de Gloria Coelho, Iódice, Ellus, Forum e Forum Tufi Duek.
    À pedido da Folha, o próprio Senai Cetiqt comparou as medidas das peças às do corpo médio da brasileira. E concluiu: tamanhos 42 e 44, ideais para as medidas médias da brasileira, têm, nestas grifes, cerca de 10 centímetros a menos do que o necessário para vesti-las.
    "As brasileiras são maiores do que as marcas 'de ponta' acreditam. A maioria delas é corpulenta e usa tamanhos entre 42 e 46", diz Flávio Sabrá, coordenador do estudo.
    "Sim, a brasileira é gostosona. Tem boa estrutura e muita carne", brinca ele.
    *
    Veja o trailer de "Fora do Figurino - As Medidas do Jeitinho Brasileiro", documentário de Paulo Pélico lançado neste ano, que trata da falta de adequação do vestuário à realidade brasileira, com modelos inspirados em padrões corporais estrangeiros.
    Grifes têm baixa oferta de tamanhos ditos grandes
    Falta de GG em marcas nacionais dificulta vida das consumidoras
    Estudo inédito aponta desajuste entre as medidas das brasileiras e a modelagem de peças oferecidas pelas lojas
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHAA poucos dias de se casar, a executiva Raissa Kahn, 31, ainda não conseguiu encontrar um vestido "de grife" no tamanho 48 para selar a união no cartório.
    "Já não espero encontrá-lo na rua Oscar Freire", diz sobre o endereço na zona oeste de São Paulo conhecido pelas concentração de grifes nacionais e estrangeiras. "As roupas dessas lojas são sempre pequenas. Nenhuma marca ali tem meu número."
    Acima do seu peso ideal, assim como mais da metade da população brasileira, segundo o último levantamento do Ministério da Saúde, Raissa também está acima do tamanho máximo --manequim 46-- oferecido por parte das marcas importantes do cenário da moda nacional.
    Das grifes visitadas pela Folha --Ellus, Iódice, Osklen, Reinaldo Lourenço, Alexandre Herchcovitch, Forum, Forum Tufi Duek e Gloria Coelho-- apenas uma, Gloria Coelho, disponibilizava no estoque de suas lojas uma peça de sua linha principal no padrão GG (ou 48).
    "Da Ellus, por exemplo, uso alguns modelos de calças jeans, que cabem em mim. Vestido, não tem. Da Osklen, não uso mais nada desde que eles começaram a diminuir as cinturas das peças", destrincha Raissa.
    E continua: "Já a Iódice é uma marca que nunca tentei vestir. É que, só pela vitrine, já consigo identificar grifes cujas roupas não me representam e sei que, se vesti-las, vou sair triste do provador".
    SEM MEDIDA
    Em uma das lojas da Iódice, por exemplo, um vendedor disse à reportagem para "esquecer" quando questionado se haveria em estoque um vestido de festa 46 --último manequim do tamanho G adotado no Brasil.
    Outra loja da marca do estilista Valdemar Iodice, atual presidente da Associação Brasileira de Estilistas, oferecia apenas um modelo de blusa no padrão GG.
    O vendedor justificou a falta: "Vestido da nova coleção [de verão 2014, desfilada na São Paulo Fashion Week] não tem. É que não ficam bem num número grande".
    Em um dos endereços da Forum Tufi Duek --marca de luxo do grupo AMC Têxtil, dono de grifes como Forum e Colcci, e que carrega o nome de um dos maiores estilistas do Brasil-- havia apenas um vestido preto disponível no tamanho 44.
    Em outra loja da marca, era possível encontrar dois modelos com essa mesma numeração.
    "Mas a modelagem é pequena, a mulher tem que vir provar porque às vezes é difícil uma mais cheinha' entrar", afirmou, atencioso, o vendedor da etiqueta.
    Segundo o gerente de inovação do Senai Cetiqt, Flávio Sabrá, que coordena um amplo e inédito estudo antropométrico do corpo brasileiro, as marcas se baseiam num padrão de mulher aleatório para compor a modelagem de seus tamanhos.
    "A média pode ser a do corpo da dona da marca, por exemplo", brinca Sabrá. "Nas grandes grifes, as modelos de prova costumam ser mulheres altas, longilíneas e magras, que, até agora, fogem bastante do padrão identificado pelo estudo", afirma.
    ANTROPOMETRIA
    De acordo com a pesquisa, que terá seu resultado parcial divulgado neste semestre, mas cuja íntegra só sai em 2014, a mulher de estatura média (1,61 m de altura) representa 64,4% do total dos 6.800 corpos medidos pelo estudo. A mulher baixa (1,53 m) corresponde a 20,6% do total de pesquisados; e a alta (1,68m), 15%.
    "Dentro de cada um desses percentuais estão embutidos nove corpos diferentes, com medidas de busto, quadril e cintura distintos", diz Sabrá.
    Os resultados da pesquisa, que já consumiu R$ 6 milhões dos fundos do Senai, podem servir de base para a indústria de confecção criar tabelas confiáveis para a produção de roupas que atendam a seus clientes.
    Com a tendência de crescimento das compras on-line, medidas confiáveis serão cada vez mais importantes para o setor. Mas, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), essa normatização de tamanhos é um tabu para marcas nacionais, mesmo sem caráter obrigatório.
    Para a Abit, "alguns confeccionistas acreditam que padrões de medidas engessariam a produção. Há ainda o temor de que as médias se tornem obrigatórias, o que não deve ocorrer".
    A advogada Patrícia Levy, 27, seria uma das beneficiadas com a padronização.
    Consumidora voraz de marcas de luxo, seu corpo se encaixa nas medidas médias identificada pelo estudo. Mas ela tem dificuldade para encontrar peças com bom caimento no manequim 44.
    "Tenho pernas e quadris largos, cintura fina e busto grande. Numa roupa de festa do Reinaldo Lourenço, por exemplo, só entro no tamanho G", explica ela.
    Patrícia conta que, para conseguir peças que lhe sirvam, pede aos vendedores das lojas que lhe telefonem logo que chegam novidades às araras. "É que os números maiores sempre acabam mais rápido."
      'Demanda' e 'mercado' influem na produção de G e GG, dizem marcas
      COLABORAÇÃO PARA A FOLHAA suposta demanda incipiente por números maiores do que 44 e uma alegada dificuldade em adequar o modelo de negócio das grifes à produção em larga escala desses tamanhos são fatores que, segundo estilistas, limitam a variedade de modelos oferecidos nas lojas.
      Procurados pela reportagem, os estilistas Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho foram os únicos a atender aos pedidos de entrevista.
      Coelho, que cobra 30% a mais para fazer peças da sua linha de festa sob medida, diz não esquecer "as mulheres especiais" --que usam tamanho GG-- e que produz modelos pensando nelas.
      "Entretanto, a faixa em que a minha clientela se concentra [de 15 a 30 anos] não usa números maiores do que 44. Por isso, não dá para fazer vários modelos acima disso."
      E acrescenta: "Acredito que, para as outras marcas, talvez não seja bom negócio produzir tamanhos maiores também. Suas roupas, mais justas e curtas, não se encaixariam num padrão grande".
      Lourenço, que também oferece peças sob medida com acréscimo de 20% no preço, diz que cada marca tem seu padrão de medidas. "Eu, por exemplo, já percebo que as minhas clientes procuram números maiores. Na próxima coleção, vou oferecer opções acima do G", afirma.
      O estilista apoia o movimento atual em favor da normatização de medidas: "Seria bom entender o corpo da mulher brasileira para ter um referencial sobre o corpo para o qual criamos".
      A Iódice limitou-se a dizer por e-mail que algumas linhas da marca, como a de jeans, oferecem tamanhos maiores. Além disso, informou que a "experiência de mercado" mostra que o consumo de peças acima de 46 é menor nas lojas de São Paulo, o que explicaria a baixa oferta de números grandes.
      Procurada, a Abest (Associação Brasileira de Estilistas) disse não ser seu papel comentar a normatização.
      Assim como a Iódice, a Ellus apontou a baixa demanda como razão para não oferecer peças femininas no tamanho GG --e poucas no G. Por e-mail, a assessoria explicou que era comum sobrarem peças desses moldes e que, por uma questão de "adaptação de mercado", deixou de produzir modelos GG.
      A assessoria de imprensa da Forum Tufi Duek e de Alexandre Herchcovitch disse que os estilistas não poderiam falar por estarem no exterior. Já a Osklen alegou indisponibilidade de agenda do estilista Oskar Metsavaht.

        segunda-feira, 18 de março de 2013

        Astros oriundos de blockbusters, da TV e da internet dão a cara desta edição da SPFW

        folha de são paulo

        VIVIAN WHITEMAN
        PEDRO DINIZ
        COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
        SPFWAtor de blockbuster, tops internacionais, celebridades da TV e blogueiras "importadas". É nesse clima de Hollywood da moda que começa hoje a edição primavera-verão 2013/2014 da São Paulo Fashion Week.
        Será uma temporada que marca o triunfo dos grandes grupos e suas grifes cada vez mais poderosas. Basta uma olhada no line-up para entender o momento, muito promissor para os perfis chamados de comerciais e muito delicado para os pequenos e médios ateliês.
        Nomes de peso como Reinaldo Lourenço, André Lima, Maria Bonita, Paula Raia e Gloria Coelho não desfilam nesta edição. Maria Garcia, Jefferson Kulig, Movimento e Vitorino Campos também ficaram de fora.

        Preparativos do São Paulo Fashion Week

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        Edson Lopes Jr./Folhapress
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        Últimos preparativos para a semana de moda em São Paulo que acontece entre os dias 18 e 22 de março no prédio da Bienal, no parque do Ibirapuera Veja especial
        Nos comunicados oficiais, fala-se apenas em estratégia de negócios, ajuste de calendários e prazos e outros termos amenos. Nos bastidores, porém, a palavra de ordem é procurar soluções para crises e grandes dívidas.
        Com a chegada das grandes maisons internacionais e a concorrência de marcas controladas por investidores poderosos, os antigos donos do luxo nacional estão precisando se reinventar e refazer a estrutura de seus negócios.
        Enquanto isso, marcas pop como a Colcci, do grupo AMC, movimentam a semana de moda com estrelas na passarela. O ator Paul Walker, astro do sucesso "Velozes e Furiosos", a supertop e ex-angel da Victoria's Secret Izabel Goulart e a angel Erin Heatherton desfilarão para a marca.
        O grupo ainda traz Fernanda Lima, para a Forum, e Isabeli Fontana, para a Tufi Duek. A Ellus, carro-chefe do grupo InBrands, contratou a top internacional Lindsey Wixson, musa cult dos fashionistas; e a Animale, do grupo homônimo, traz Karlie Kloss, a segunda modelo mais importante do mundo segundo o ranking Models.com.
        Até a organização está em clima de "mainstream". A cenografia é assinada pelos irmãos Campana, com fama consolidada e recentes parcerias com Louis Vuitton.
        Há também as novas estrelas da mídia: top blogueiras. Entre elas, Viviana Volpicella, ex-assistente de Anna Dello Russo, da "Vogue".
        Editoria de Arte/Folhapress

        Colcci chega à SPFW com sucesso de mercado e crítica
        Após ter a coleção malhada em anos anteriores, marca cresce e conquista avaliação positiva dos consumidores
        Chefe do grupo destaca preocupação com estilo da grife, hoje bem avaliado, e com as estratégias comerciais
        VIVIAN WHITEMANCOLABORAÇÃO PARA A FOLHAEx-patinho feio da São Paulo Fashion Week, a Colcci chega a esta edição do evento como cisne dos ovos de ouro da moda brasileira.
        São 102 franquias no Brasil, nove no exterior e vendas em 31 países. E a grife coleciona outra conquista: vem ganhando o apoio da mídia especializada no quesito estilo.
        "A Colcci sempre teve muita atenção com seu estilo e produto e hoje chegou a um conceito equilibrado", diz Alexandre Menegotti, chefe da grife e do grupo AMC.
        Não é o que os críticos acham. Na última temporada, a marca, que atualmente tem coleções assinadas por Jeziel Moraes e Adriana Zucco, recebeu sua primeira onda de avaliações positivas.
        Em anos anteriores, as coleções foram bastante malhadas, e o comentário geral era que a marca usava grandes estrelas, como Gisele Bündchen e Ashton Kutcher, para ofuscar a falta de brilho criativo das roupas.
        Menegotti sempre deixou claro, no entanto, que cada passo da Colcci era parte de um plano. A marca, apesar de fazer roupas em massa, é avaliada pelos consumidores como fornecedora de produtos sofisticados. "Nossa preocupação vai além de um desfile acertado para a imprensa, a SPFW é um dos canais de conversão e informação para nossos clientes."
        O empresário não dá números, mas diz que dentro do grupo só se fala em crescimento. Segundo ele, no segmento jeanswear, a Colcci vem ampliando terreno, mesmo com as oscilações do mercado. "Não falamos sobre valores, por posicionamento estratégico, mas nossas projeções para 2013 são de crescimento", diz.
        Segundo dados do Pyxis Consumo, ferramenta do Ibope Inteligência, em 2013 a classe C deve comprar R$ 52 bilhões, e a classe B, R$ 51 bilhões, de um total de R$ 129 bilhões, 18% a mais do que no ano passado.
        A classe A deve representar 12%, com potencial de consumo de R$ 15 bilhões, contra R$ 13 bilhões em 2012.
        As projeções favorecem negócios como os da Colcci, que crescem entre as classes B e C. Para conquistar a classe A, que vem recebendo cada vez mais oferta de produtos importados de grandes maisons, a concorrência é mais complicada.
        "A entrada das marcas internacionais realmente mexeu com o mercado. Só que nos preparamos com antecedência. Ser moda é inovar, não só no estilo, mas em estratégias comerciais, porque diariamente o varejo muda, o público muda", analisa.
        Uma coisa que não tem mudado é o desejo do público da Colcci por celebridades.
        A escolha dos novos rostos da grife passa por pesquisas internas. As moças querem modelos internacionais mostrando as roupas que comprarão. Os moços, galãs das telas. O casal ideal. Estima-se que Paul Walker, astro de "Velozes e Furiosos", tenha recebido entre R$ 400 mil e R$ 500 mil para desfilar.
        A Folha apurou com um dos compradores que o clima é de desfile e festa. Cenário, música alta, modelos, champanhe. Há um esquema de "compra no escuro" (sem o preço, a conta vem depois). Jornalistas e críticos estão fora do formato. Trata-se de uma espécie de clubinho secreto. Estilo Hollywood.

          'Sou um prestador de serviços da moda', diz Marcelo Sommer
          Estilista desfila hoje quarta coleção que desenvolveu em parceria com a Cavalera
          COLABORAÇÃO PARA A FOLHAApós vender a marca que leva seu sobrenome para o grupo AMC Têxtil, em 2004, Marcelo Sommer fez de tudo um pouco. Lançou nova grife, a Do Estilista, criou figurinos para teatro e coleções para um supermercado.
          Em 2008, desfilou a primeira linha de roupas de uma série de três para a Cavalera, do empresário Alberto Hiar. Hoje, às 21h30, volta à passarela da marca, com criações inspiradas no soul e no rock.
          Folha - Sua relação com a Cavalera é antiga. O que representa o retorno à marca?
          Marcelo Sommer - É um trabalho pontual. O primeiro desfile e a coleção foram um sucesso, e o Alberto me chamou para trabalhar com a estilista Francis Petrucci nessa coleção, com perfume dos anos 1970 num shape moderno.
          Moderno como?
          É uma marca de streetwear. Fizemos estampas que relacionam rock e soul num contexto urbano. Uma delas foi feita a partir de uma pichação que fotografamos em São Paulo.
          Como será o desfile hoje?
          Haverá música, alguém ou um grupo que represente o tema "Rock'n'soul". Não gosto de desfile "jogo de tênis", com modelos indo e vindo. Moda tem que ter performance.
          Você fez bastante coisa desde que vendeu a marca Sommer.
          Sou um prestador de serviços da moda. A linha de jeans e camisetas para o Pão de Açucar são um sucesso e renovamos contrato. E o projeto da loja Do Estilista sai neste ano, a princípio só com camisetas, que são minha marca.

            Ronaldo Fraga lança livro com registro de 35 coleções na SPFW
            PEDRO DINIZCOLABORAÇÃO PARA A FOLHARonaldo Fraga nunca acreditou muito em obras autobiográficas. Pelo menos não sobre sua carreira.
            "Mas chegou a hora de lembrar que o fator autoral na moda é fundamental", diz o designer mineiro, que lança, amanhã, após o desfile de sua marca homônima na 35ª São Paulo Fashion Week, o livro "Ronaldo Fraga: Caderno de Roupas, Memórias e Croquis", pela editora Cobogó.
            Com desenhos e fotos produzidos por ele a partir dos anos 1990 para a criação de 35 das 36 coleções que desfilou no evento, além de textos de colegas como Costanza Pascolato, o livro expõe o processo criativo de Fraga e busca alertar novas gerações sobre a importância do trabalho manual e gráfico.
            "Há um embate entre os criadores e as regras do comércio de moda, que fazem os jovens chegarem ao mercado descrentes de que criação envolve esforço mental e mão. Hoje, para ser estilista, não precisa saber desenhar."
            Imagens de croquis de coleções famosas como "Pina Bausch", do inverno 2010, e "Costela de Adão", do verão 2004, revelam esse esforço do estilista, conhecido por colocar na passarela a cultura popular e os agentes que a influenciam -vide a coleção "A China", do inverno 2007.
            Se há duas temporadas Fraga chegou a afirmar que a "moda como a conhecíamos morreu", referindo-se a uma certa falta de autenticidade da moda e a uma descrença no formato de desfiles, agora, com o livro, enxerga luz no fim o túnel.
            "Percebo que a 'fome' dos jovens está no processo de confecção do produto. Talvez esse livro só seja entendido daqui a 50 anos", diz, "sem falsa modéstia". "Todos têm seus altos e baixos. Acho que as coisas vão começar a mudar. Sou otimista até quando não tenho de ser."