quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Manoel de Oliveira dá sentido à crise - 36ª MOSTRA DE SP





CRÍTICA/DRAMA


Manoel de Oliveira dá sentido à crise

"O Gebo e a Sombra", nova produção do diretor português, discute pobreza e honra na Europa


INÁCIO ARAUJO
CRÍTICO DA FOLHA

O assunto de Manoel de Oliveira em "O Gebo e a Sombra", sem ambiguidades, é a pobreza. Não estamos no agora da crise europeia, mas provavelmente na virada do século 19 para o 20.
Gebo (Michael Lonsdale) é o pobre guarda-livros que luta para esconder da mulher, Doroteia (Claudia Cardinale), a verdadeira natureza e as atividades do filho (Ricardo Trêpa), que ela não vê há muito. Gebo representa a resignação diante do mundo, é fato. Exatamente aquilo que o filho João rejeita.
Antes de prosseguir na descrição da ação do filme é preciso deter-se um pouco em sua forma. Oliveira trabalha como que num teatro, usando como cenário praticamente único a sala da casa de Gebo.
Ali, Gebo conversa ora com a nora Sofia (Leonor Amarante), ora com Doroteia ou algum outro conviva.
Doroteia é uma mulher queixosa. Quer sempre saber do filho. Gebo desconversa.
A mãe não deve saber que o filho é um ladrão ("isso a mataria"). Esse cenário único, essa imobilidade (determinada seja pelo trabalho, seja pelo frio) podem dar ao espectador desatento a falsa impressão de um filme desprovido de ação.
Nada mais inexato. Se a teatralidade é evidente, a ação é febril. Mais febril se torna depois que João aparece (entra como um fantasma) e fica então claríssimo que é alguém que não aceita a sua condição,a pobreza. Prefere roubar. Enquanto isso, Gebo ocupará sempre mais o lugar do pobre. Para ele existem a decência, o sacrifício, a renúncia.
Em suma, na hora do aperto ao pobre resta a honra. Ou, mais precisamente: a fome e a honra. Não parece que essa formulação, tomada no coração da crise que toma a Europa, seja casual. O sentido de oportunidade de Oliveira faz parte de mais este filme precioso do autor português.
O GEBO E A SOMBRA
QUANDO hoje, às 21h30, no Cine Sesc; dia 29/10, às 17h, na Cinemateca; 30/10, às 22h40, no Cine Livraria Cultura; 31/10, às 19h, no Espaço Itaú Frei Caneca
CLASSIFICAÇÃO 12 anos
AVALIAÇÃO ótimo

MÔNICA BERGAMO



monica.bergamo@grupofolha.com.br

NÃO É BOLINHO, NÃO
Terry Richardson
Gisele Bündchen, 32, grávida de sete meses, é capa da edição de um ano da revista "Harper's Bazaar", que chega às bancas na sexta.
A modelo brasileira estrelou também o primeiro número da publicação nacional. Ela foi fotografada em Nova York por Terry Richardson.
PRATO QUENTE
A presidente Dilma Rousseff já avisou a interessados: se acharam que ela foi rápida ao indicar Teori Zavascki para ser ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), na próxima oportunidade ela será "fulminante". Não quer demorar mais do que três dias para revelar o nome do escolhido.
DECISÃO SOLITÁRIA
Dilma escolherá o substituto do ministro Carlos Ayres Britto, que se aposenta em novembro. E quer evitar os intensos lobbies que se formam em torno das indicações do Supremo.
Se puder, não consultará nem mesmo Lula.
O ÚLTIMO
A última nomeação em que Dilma se viu pressionada para o STF foi a do ministro Luiz Fux. As recomendações partiram de Antonio Palocci, Delfim Netto, João Pedro Stédile, do MST, e até de Roger Agnelli, ex-presidente da Vale. Sem contar o apoio de réus do mensalão, que viam nele um possível voto pela absolvição. Fux acabou condenando quase todos.
EM TEMPO
O próximo ministro do STF será o relator do mensalão do PSDB, conhecido também como "mensalão mineiro".
AMIGOS PARA SEMPRE
Paulo Maluf (PP-SP) se diverte com eleitores do PT que encontra nas ruas. Na semana passada, o advogado Pierpaolo Bottini comprava jornais numa banca nos Jardins. Em seu carro, estampava um adesivo de Fernando Haddad (PT-SP). Maluf, num Porsche, parou ao lado e buzinou. Fez sinal de positivo e gritou: "Estamos juntoooos!" Deu uma gargalhada, acelerou e foi embora.
AMIGOS PARA SEMPRE 2
Em 2002, quando Lula foi eleito presidente, o até então adversário José Sarney (PMDB-AP), que apoiava o petista pela primeira vez, também se divertiu. Ao passar em frente ao Palácio do Planalto, no dia da eleição, atendeu a telefonema da coluna e relatou: "Estou aqui no meio de um mar de bandeiras vermelhas do PT, minha filha. O povo vê e grita: 'Sarney! Sarney! Sarney!'".
AGORA SOU NEUTRO
O apóstolo Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, recebeu o deputado federal José de Filippi Jr. e o vereador José Américo, do PT, em sua casa, em Alphaville. Disse que ficará neutro na eleição.
Em agosto, José Serra (PSDB) recebeu uma bênção do apóstolo, em cerimônia com o prefeito Gilberto Kassab.
NINA E TUFÃO EM SP
O ator Murilo Benício esteve no apartamento de Debora Falabella, em Higienópolis, na noite de anteontem.
CABELO LOCAL
Hadiiya Barbel, americana que faz perucas de milhares de dólares para Beyoncé, Rihanna e Cher, vai lançar uma inspirada em visita recente ao Brasil. "É um modelo crespo, bem cheio de cabelo. Vai se chamar Baiana."
DENTES À MOSTRA
A Turma do Bem, do dentista Fábio Bibancos, promoveu anteontem o prêmio Melhor Dentista do Mundo. A cerimônia, no teatro Abril, teve show da cantora portuguesa Mariza e presença da apresentadora Eliana e dos atores Tarcísio Filho, Ricardo Pereira e Nívea Stelmann.
TERRA EM TRANSE
As modelos Talytha Pugliesi e Ana Beatriz Barros foram ao festival Planeta Terra no fim de semana. Bandas como Gossip e Suede tocaram no Jockey Clube de SP para um público que incluía as atrizes Nathália Rodrigues e Alinne Moraes.
CURTO-CIRCUITO
O ministro Justice Salim Joubran, do Supremo Tribunal de Israel, debate o papel da corte nos direitos humanos. Hoje, na Zumbi dos Palmares, às 15h30.
A Bo.Bô lança nova linha, na Vila Nova Conceição.
A Film Cup 2012 começa hoje, no Itaú Cultural, com delegação de 46 alemães.
com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, CHICO FELITTI e LÍGIA MESQUITA

JOSÉ SIMÃO



Ueba! Filha da Gretchen é espada!

O Zé Dirceu foi condenado por formação de quadrilha. E o Sarney por formação de família. Rarará!

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
E o chargista Jacobsen diz que o Fidel não morreu porque não conseguiu visto de saída! Rarará!
E a manchete do Sensacionalista: "Rejeição a Serra faz Globo tirar do ar Drauzio Varella e o ator que fez Leleco". Piauí Herald: "PT lança novela 'Salve José Dirceu'". O Zé Dirceu foi condenado por formação de quadrilha. E o Sarney por formação de família. Rarará!
O Zé Dirceu tem o sotaque da Sabrina Sato. Que fala: "Veeerrrdade". O Zé Dirceu era o chefe da quadrilha? "Veeerrrdade!". Rarará!
E "Salve Jorge"? A filha da Gretchen é o Jorge da novela? Não, diz que ela é o dragão! Não, diz que ela é a espada! Isso! A filha da Gretchen é a espada de "Salve Jorge"! Ela vai passar a espada em todo mundo.
E aquela atriz Nanda Costa é a cara da Jennifer Lopez! E o Raj ocupou o morro do Alemão! A novela vai lançar a moda UPP: camuflado. UPP: União das Periguetes Perigosas!
E esta: "Evangélicos prometem boicotar 'Salve Jorge'". Eles querem cobrar dízimo do dragão. Rarará! E eu adoro novela da Locória Perez porque é sem noção. Mistura Complexo do Alemão, UPP, tráfico de pessoas e dança do ventre!
E a onda dos brasileiros agora é viajar pra Turquia. Começou com o Amaury Jr. inaugurando a Turkish Airlines. Diz que se você citar o nome do Amaury Jr. no bazar, ganha desconto no tapete! Rarará!
E qual a pena pro Zé Dirceu? Cortar cana em Cuba com tesourinha de unha. Com TRIM!
E repararam que os tiozinhos do Supremo já estão todos corcundas? Os Morcegos Corcundas! E não querendo ser inconveniente: quando os tiozinhos vão julgar o mensalão mineiro do PSDB? Em setembro de 2014? Rarará!
Fatiar o pão de queijo! E só tem duas pessoas calmas e serenas no Supremo, as mulheres: Cármen Lúcia e Rosa Weber! Os homens é que usam salto alto! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
O Brasil é Lúdico! Goiânia inventa uma nova profissão. Olha o cartaz no poste: "Pintor e Peidero". Ueba! Tá contratado. Profissional perfeito: pinta e peida. Loira não consegue fazer isso ao mesmo tempo!
E esta placa no interior de Minas: "Temos pastéis QUETNTE". As letras certas na ordem errada. Rarar´! Nóis sofre, mas nóis goza
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!

Crítico tido como severo é jurado 'C' do Jabuti


Colunista de jornal do PR, Rodrigo Gurgel garantiu vitória a iniciante


Coordenador do prêmio e jurado não confirmam nem negam informação apurada pela Folha; júri será divulgado em 28/11

PAULO WERNECK

EDITOR DA “ILUSTRÍSSIMA”

O jurado "C" do Jabuti 2012, que causou controvérsia ao atribuir notas extremamente baixas a favoritos, levando um autor iniciante a ganhar o prêmio principal da categoria romance, é o crítico e editor Rodrigo Gurgel, segundo a Folha apurou.
A Câmara Brasileira do Livro, organizadora do prêmio, não endossa a informação, mas também não a nega.
Por e-mail, Gurgel disse à Folha que não se pronuncia sobre o prêmio -por contrato, os jurados não podem se manifestar até a premiação.
"Nihonjin", de Oscar Nakasato, desbancou "Infâmia" (Alfaguara), de Ana Maria Machado, que provavelmente levaria o prêmio caso as regras não tivessem mudado.
Até 2012, a nota mínima que os jurados podiam dar era 8. Gurgel deu duas notas 0 e um 0,5 a Ana Maria e três 10 a Nakasato, catapultando-o ao primeiro lugar.
Ele também deu boas notas para "Naqueles Morros, Depois da Chuva", de Edival Santana (2º lugar) e a Chico Lopes (3º, com "O Estranho no Corredor"). A estratégia garantiu os primeiros lugares a nomes de fora do "mainstream" literário e de grandes editoras, à exceção de Nakasato, "outsider" editado pela Benvirá, do grupo Saraiva.
Além de ter decidido a parada na final, Gurgel também votou na primeira fase, que filtrou os dez finalistas.
Paulista, colaborador do jornal literário "Rascunho", do Paraná, e da revista eletrônica de crítica e poesia "Sibila", Gurgel é notório pelo rigor com que resenha autores contemporâneos e clássicos.
No recém-lançado "Muita Retórica, Pouca Literatura - De Alencar a Graça Aranha" (ed. Vide), Gurgel não poupa autores canônicos como Raul Pompeia e Machado de Assis.
Além de "machadismos" que "por vezes" dão "tom pernóstico" a "Dom Casmurro", ele aponta "certo eruditismo repleto de amor pelas citações", "vezo de odor quiçá brasileiro, subdesenvolvido".
Em resenha do livro, a pesquisadora Marisa Lajolo o define como "leitor rigoroso, de dedo em riste e olhar severo".
O regulamento é extremamente restritivo quanto à escolha de jurados: eles "não poderão ter vínculo com editora ou obra inscrita em qualquer categoria do Prêmio".
Procurado pela Folha, Gurgel respondeu por e-mail na segunda: "Agradeço por sua atenciosa mensagem, mas não me pronuncio sobre o Jabuti. Em relação a esse tema, por favor, procure a CBL". No livro, Gurgel diz ter sido jurado em 2009, 2010 e 2011.
Indagado sobre se Gurgel é o jurado "C", o coordenador do prêmio, José Luiz Gold-
farb, não confirma nem desmente: "A identidade só será revelada no dia 28/11", disse, citando o regulamento.
Frederico Barbosa, do conselho curador do prêmio, disse àFolha que "o regulamento foi seguido 'ipsis litteris'" e será seguido com a revelação do júri na data prevista.


"Ele votou contra o meu livro", diz Machado

RAQUEL COZER

COLUNISTA DA FOLHA

Se estivesse vivo, o paranaense Wilson Bueno (1949-2010) seria o autor com mais motivos para questionar o jurado "C" do Prêmio Jabuti.
Em três semanas, seu romance "Mano, a Noite Está Velha" (Planeta) caiu 8,34 pontos, numa escala de 0 a 10, na avaliação do crítico e editor Rodrigo Gurgel.
O romance ficou em primeiro lugar na fase inicial da disputa por ser o único dos 142 concorrentes votado pelos três jurados -cada jurado elegeu dez títulos e atribuiu notas apenas a eles. Passaram à segunda fase os dez com média mais alta.
Em 26 de setembro, na primeira etapa, o romance de Bueno recebeu média 8,67 de Gurgel. Na quinta passada, levou do jurado média 0,33.
Outro título que caiu bruscamente na avaliação de Gurgel foi "O Passeador" (Rocco), de Luciana Hidalgo, cuja média passou de 9 a 0,83.
Gurgel não votou em "Infâmia" (Objetiva), de Ana Maria Machado, na primeira fase. Na segunda, atribuiu-lhe 0,17.
O livro da imortal foi o mais bem votado pelos jurados "A" e "B" nas duas etapas. Ficou em segundo lugar na fase um e, devido ao jurado "C", em sexto na classificação final.
Embora a Objetiva tenha declarado "perplexidade" pela "evidente manipulação do resultado", a escritora evitou se manifestar para não "dar a impressão de estar desmerecendo quem ganhou".
Questionada pela Folha, a presidente da Academia Brasileira de Letras argumentou que o jurado "C" não votou "apenas a favor de alguém", e sim "contra o meu livro".
"O que haverá no 'Infâmia' capaz de despertar tanta ira? Que setores se sentiram atingidos com tanta intensidade pelo que narro no romance e por quê? Ou todo mundo acha que o objetivo dele era só dar a vitória a um estreante que o deixara embasbacado com suas qualidades?"
O livro trata da forma como "documentos espúrios e falsificações criminosas difundidas por meio da imprensa", como diz um personagem, se abatem sobre os que injustamente se tornam réus.
"Nada muda o fato de que não vou poder anunciar que o livro ganhou o prêmio e ter todos os benefícios que isso pode trazer, do dinheiro ao prestígio. Porque ele não ganhou. Simples assim", diz.
O vencedor do Jabuti, "Nihonjin", de Oscar Nakasato, sobre a imigração japonesa ao Brasil, foi votado só por Gurgel na fase um, mas foi bem avaliado pelos três jurados na final, com média 9,33.