quarta-feira, 31 de outubro de 2012

MARCELO COELHO


Los dos amigos

Borges e Bioy Casares despacham para a lata de lixo uma multidão de grandes escritores

Maria Kodama, a viúva de Jorge Luís Borges (1899-1986), declarou guerra contra a memória do melhor amigo do escritor. Chamou Adolfo Bioy Casares (1914-1999) de "covarde" e de "dejeto humano".
O motivo desses ataques, que se renovaram nos últimos tempos, é um livro que Bioy deixou para publicar postumamente. Trata-se do registro das conversas, quase diárias, dos dois amigos.
"Borges", por Bioy Casares, cobre mais de 40 anos de diálogo entre os autores, e sua primeira edição, de 2006, tem 1.600 páginas.
Há espaço de sobra para todo tipo de fofoca e maledicência. Vem daí a acusação de "covardia", feita por Maria Kodama: os ataques a outros literatos argentinos, sem contar o que se diz das mulheres que faziam parte do círculo de Borges, só foram publicados depois da morte de Bioy.
O livro, pelo menos na sua versão completa, não tinha me animado muito. Li uma resenha das mais negativas desse diário. Seria uma coleção de despautérios, na maior parte das vezes a respeito de contemporâneos portenhos sem nenhuma importância, como Eduardo Mallea ou Miguel Etchebarne.
Mas não é bem assim, pelo menos na edição resumida que saiu no ano passado pela editora Backlist. O organizador, Daniel Martino, cortou mil páginas da versão original, e esse "Borges - Edición Minor" pode valer como um verdadeiro curso de literatura universal.
Sem dúvida, há enormidades em cada página. Como em geral acontece quando os interlocutores concordam muito, a conversa tende a se transformar numa corrida para ver quem é o mais radical.
Numa orgia condenatória capaz de produzir calafrios em Ayres Britto e Joaquim Barbosa, Borges e Bioy despacham para a lata de lixo uma multidão de grandes escritores.
Joyce escreveu contos "muito bobos", diz Borges. "Não era muito inteligente", acrescenta Bioy. Paul Valéry não passa de um ressecado acadêmico. "Homem muito inteligente, sem nenhum dom para a literatura." O "Fausto" de Goethe não passa de um blefe.
Nos romances de Henry James, resmunga Borges, há diálogos cheios de subentendidos, reticências e matizes, "que o leitor não descobre e não crê que valha a pena descobrir". Como poeta, Edgar Allan Poe "é mínimo". Thomas Mann "era um idiota".
Salvam-se, como sempre em Borges, alguns autores subestimados, como Kipling, Stevenson e Chesterton; entre os grandes, sempre são elogiados Cervantes, Kafka e Dante Alighieri.
Não se aproveita muito de opiniões tão genéricas e desbocadas. A grande utilidade do livro está nos muitos momentos em que Borges e Bioy analisam um detalhe isolado, um título, um verso, uma expressão qualquer, sob a ótica de um gosto literário quase impossível de tão exigente.
Os dois amigos analisam, por exemplo, a obra poética de um colega argentino, Carlos Mastronardi.
Bioy elogia o que lhe parece ser o único verso mágico desse autor: "Una vez yo pasaba silbando entre arboledas". A sonoridade, naturalmente, perde-se na tradução: "Uma vez eu passava assobiando entre alamedas".
Para Bioy, a beleza do verso está no fato em que o poeta parece estar vendo a sua própria figura no cenário. Borges retruca: "É um verso ridículo e muito vaidoso. Nós o vemos -e o pior é que ele se vê a si mesmo- de longe, pequenininho, como uma espécie de Charles Chaplin".
Num romance de aventuras inglês, Borges descobre "una buena compadrada", ou seja, uma gabolice típica dos velhos brigões do interior argentino.
Eis a frase. "Veja o senhor, acontece todo tipo de coisa importante na vida de uma pessoa, mas por incrível que pareça nunca se esquece a cara do primeiro homem em quem se deu um tiro."
A frase, comenta Borges, "dá por estabelecido que o interlocutor também já atirou em alguém".
É, como se vê, uma forma de ler muito imaginosa e sutil, e há exemplos disso a todo momento. Uma última citação.
Borges e Bioy discutem o que faz de "Os Três Mosqueteiros" um bom título de romance. Sugere, diz Bioy, "os prazeres da camaradagem". Borges vai mais longe: "Porque sugere o prazer de encontrar diferenças na identidade".
Talvez os dois estejam falando da mesma coisa -da amizade, coisa que este livro testemunha de forma emocionante, e também divertidíssima.
coelhofsp@uol.com.br

    JOSÉ SIMÃO


    Ueba! Haddad, libera o Bahamas!

    E já tem gente indo mais cedo pro trabalho pra filar o ar-condicionado do escritório! Rarará!

    Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
    Direto do País da Piada Pronta: João Santana, marqueteiro do Lula, Dilma e Haddad, nasceu em TUCANO, na Bahia. Rarará!
    E em Santo André ganhou um petista chamado Carlos GRANA! Grana pro companheiros. E na Bahia tão dizendo que o Jacques Wagner ganhou um Neto! Rarará!
    E atenção! APELO: "Haddad, libera o Bahamas! Cansei de traçar a patroa!". Rarará!
    O Haddad devia liberar tudo que o Kassab proibiu! O Kassab perseguiu as perseguidas! Fechou um monte de inferninho! Não tem mais bingo, o Playcenter fechou e o Kassab lacrou o Bahamas. Que deve tá com o estoque vencido. Mas o cartão infidelidade continua válido!
    Outra coisa: Haddad, libera o outdoor. Enche a cidade de outdoor da Marta. Rarará!
    E o Lula já elegeu dois postes. É o programa Luz Para Todos! E a manchete do Piauí Herald: "Depois de eleger dois postes, Lula aposta em Rubinho Barrichello pra governador". Rarará!
    E aquela minha amiga perua: "Foi só PT ganhar que a Net caiu aqui no Jardim Europa". Depois ela foi jantar no La Tambouille e encontrou com o Zé Maria Marin. É o Combo Derrota! Rarará!
    E o Kassab tá há uns dois anos fazendo a calçada da Faria Lima e aí estavam levantando uns postes e um amigo gritou: "Tão levantando uns haddads". Rarará!
    E aquele Lacerda de Belo Horizonte tem cara de máscara de diabo de Carnaval. Pronto pro Halloween. E diz que o ACMeio Neto soltou um rojão e acertou no sovaco do assessor.
    E o ACMeio Metro vai criar a velofaixa: os baianos podem andar tranquilamente de velotrol. O veículo oficial de Salvador!
    E o grito de vitória do ACM Neto: "Xuuxa, gaaanhei!". Rarará! Represália: flagraram o Serra fazendo xixi no poste! Rarará! E o rato roeu os votos do Ratinho Junior! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
    E o calor? Test drive pro inferno! Sensação térmica: quero ficar pelado. Sensação térmica: abraçando o sol. Você quebra um ovo no ar e ele frita antes de bater no chão!
    A Argentina não serve mais nem pra mandar frente fria! Já tem gente indo mais cedo pro trabalho pra filar o ar condicionado do escritório! Nóis sofre, mas nóis goza!
    Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
    simao@uol.com.br
    @jose_simao

    MÔNICA BERGAMO


    GLOBELEZA
    Mauricio Nahas
    A atriz Deborah Secco, 32, teve o corpo coberto por gotas de cristais para a capa da edição de 25 anos da revista "Corpo a Corpo".
    "Não sou do tipo que ama malhar, fazer tratamentos estéticos, dieta. Por outro lado, se tenho um trabalho que pede isso, me transformo", diz.
    HOMEM DE PLÁSTICO
    Os homens estão mais plastificados: 35% das cirurgias plásticas estéticas realizadas em 2011 no mundo foram em pacientes masculinos. Há dois anos, o percentual era de 25%. O levantamento, ainda inédito, é da Isaps (Associação Internacional de Cirurgia Plástica), presidida desde setembro pelo brasileiro Carlos Uebel.
    BRASILEIRO BONITO
    "No Brasil, o percentual deve ser ainda maior", diz ele. No ano passado foram realizados 8,5 milhões de procedimentos no mundo. A lipoaspiração segue no topo da preferência nacional, com 140 mil cirurgias. A lipoescultura foi a que mais cresceu, com 60 mil enxertos em 2009.
    PALMAS
    O ministro Ricardo Lewandowski foi aplaudido por alunos da Faculdade de Direito da USP, na segunda. Professor catedrático de teoria do Estado, recebeu a homenagem um dia depois de ter sido hostilizado nas eleições.
    MULHERADA COM TUDO
    A ex-secretária de Estado americana Condoleezza Rice vem a São Paulo para o Women in the World Summit, em dezembro. O evento é realizado por Tina Brown, Diane von Furstenberg, Glória Maria e Nizan Guanaes.
    O PREFERIDO
    Lula elegeu o ministro Alexandre Padilha, da Saúde, como convidado especial de suas festas de aniversário. Pré-candidato ao governo, ele foi às duas celebrações na casa do ex-presidente -na sexta e no sábado.
    COM DILMA
    Na sexta, Lula convidou também outros dois pré-candidatos: Marta Suplicy (PT-SP) e Aloizio Mercadante (PT-SP) celebraram com a presidente Dilma Rousseff e com amigos pessoais como o médico Roberto Kalil Filho e sua mulher, Cláudia Cozer.
    EM FAMÍLIA
    No sábado, Lula convidou praticamente a família -e, de novo, Alexandre Padilha.
    DE CASA
    Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo, também foi à casa de Lula nos dois dias. Mas ele entra mais na cota pessoal que na de candidato.
    PASSARELA A PASSEIO
    O estilista Dudu Bertholini não desfilou com sua marca, Neon, nesta SPFW. Mas foi ao evento, a passeio. "É uma delícia, estou só curtindo." Bertholini está investindo em licenciamento: lança em breve linhas de maquiagem, bolsas, mochilas, óculos e móveis. "É o caminho para um estilista autoral."
    NEM DISFARÇA
    Na manhã de sábado, interlocutor privilegiado de Gilberto Kassab (PSD-SP) procurava informações de pesquisas eleitorais. Motivo: o prefeito estava "muito preocupado". Não com a eventual derrota de José Serra (PSDB-SP), como seria o lógico. Mas sim com a vitória: as pesquisas internas do PSDB mostravam o tucano subindo e em posição melhor do que as apontadas por Datafolha e Ibope.
    ALÔ!
    As sondagens tucanas, divulgadas por dirigentes do PSDB, de fato tinham números diferentes. Depois de reclamação de Serra, o Ibope chegou a fazer um estudo para entender a discrepância. Uma das hipóteses é que, como as pesquisas de Serra eram feitas por telefone, elas não alcançariam a população de baixa renda, que optou pelo celular. Os outros institutos fazem entrevistas pessoais com os eleitores.
    SPFW PELADA
    A semana de moda de SP, que só terá quatro dias nesta edição, está em versão mais do que econômica.
    Nenhuma marca deu brindes para os convidados das primeiras filas, como já era tradição no evento.
    MODA.COM
    A empresária Andrea Zolko lançou anteontem, no restaurante do MIS, um site de moda. As apresentadoras Sabrina Sato e Isabella Fiorentino e a cantora Caroline Celico, mulher de Kaká, foram à festa.
    QUER TECLAR?
    Os artistas plásticos Paulo Pasta e Célia Euvaldo foram à Sala São Paulo para ver a apresentação única do pianista americano Keith Jarret. O ator Dan Stulbach e o músico Fabio Góes também foram ao centro de SP.
    CURTO-CIRCUITO
    O artista Lucas Arruda inaugura a mostra "Deserto - Modelo", hoje, às 19h, na galeria Mendes Wood, nos Jardins.
    José Renato Nalini e José Carlos Gonçalves Xavier de Aquino lançam a quarta edição de "Manual de Processo Penal" na Livraria da Vila dos Jardins. Às 18h30.
    A ex-jogadora MagicPaula fala sobre Olimpíadas, hoje, às 19h30, na Saraiva do shopping Morumbi.
    A festa da Forum pós-desfile na SPFW acontece hoje no clube SET.
    com ANNA VIRGINIA BALLOUSSIER, CHICO FELITTI e LÍGIA MESQUITA

      Passo a passo da destruição


      Giuliana Miranda


      DE SÃO PAULO
      SandySandy não é um evento qualquer. Enquanto avançava, a tempestade interagiu com outros fenômenos e mudou de características e de classificação.
      Ela nasceu no mar do Caribe, onde virou furacão, um fenômeno que necessita de águas quentes para se formar e avançar. Depois, rumou para o continente, onde deveria ter perdido força pela falta de contato com sua principal fonte de energia, o vapor e a umidade da água do oceano.
      Isso, no entanto, não aconteceu desta vez.
      "Sandy encontrou o chamado cavado, que é uma região de pressão atmosférica mais baixa. Ela conseguiu extrair energia daí e ganhou força", explica Ernani Nascimento, professor de meteorologia da Universidade Federal de Santa Maria (RS).
      Devido à mudança de características, o fenômeno passou a ser classificado como ciclone pós-tropical.
      "No leste, onde ainda está mais ou menos sobre o mar, o vento sul ainda leva umidade para o continente", diz Nascimento. Por isso, há muita chuva e inundações severas nessa região.
      Mais para dentro do continente, correntes de ar mais frio e a presença de montanhas levam à ocorrência de nevascas. A expectativa agora é que Sandy perca força nas próximas 72 horas.
      Como a formação de furacões está diretamente ligada à temperatura dos oceanos, há quem trace um paralelo entre tempestades gigantes como essa e o aquecimento global. A maioria dos climatólogos ainda não bate o martelo nesse sentido.
      Porém, sabe-se que, com o aquecimento global e a consequente entrada de mais energia no sistema climático, eventos extremos, como esse, ficam mais frequentes.
      Editoria de Arte/Folhapress