quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Redes crescem e livrarias médias encolhem no país


Diagnóstico trianual do setor revela ainda aumento da concentração no Sudeste
Folha DE SÃO PAULOAs livrarias do país estão cada vez mais concentradas em redes e na região Sudeste, segundo o Diagnóstico do Setor Livreiro, divulgado ontem pela Associação Nacional de Livrarias (AN L).
O levantamento trianual, realizado desta vez pela empresa de pesquisa GFK, mostra que o número de lojas pertencentes a redes com mais de 20 filiais passou de 14% para 20 % do total -destaque para as que têm mais de cem lojas, que representavam 6% em 2009 e, agora, 15%.
As livrarias independentes, com uma ou duas lojas, representam 62% do total, patamar similar ao de 2009. O impacto maior foi nas livrarias com três a 20 filiais, que tinham 23% de participação e hoje correspondem a 17%.
"O lema hoje é ser gigante ou encolher e ser excelente", disse Ednilson Xavier, presidente da ANL, se referindo à grande porcentagem de livrarias especializadas em algum segmento: 61% do total.
Entre as livrarias que se dizem especializadas, se destacam as religiosas, que correspondem a 19%, sendo 15% católicas e 4% evangélicas. Outras 18% informaram ser especializadas em literatura.
Houve aumento da concentração de lojas na região Sudeste, a mais populosa do país. Em 2006, na primeira edição do Diagnóstico do Setor Livreiro, a região abrangia 53% das livrarias. Hoje, esse número é de 60%.
Já o Norte caiu de 5% para 2% no período, e o Centro-Oeste se manteve em 4%. O Nordeste, depois de cair de de 20% em 2006 para 12% em 2009, mostra sinais de recuperação, chegando a 15%.
O levantamento foi realizado a partir de questionários respondidos por 716 lojas (há 3.481 livrarias no país) de julho a outubro deste ano.
A ANL aproveitou para ressaltar, numa época em que Kobo, Google e Amazon chegam ao Brasil, a carta enviada a editores e ao governo sugerindo medidas para evitar que o livro digital prejudique livrarias. Entre as sugestões, a de que haja um intervalo de 120 dias entre o lançamento do livro físico e do digital.

    Mônica Bergamo


    MÔNICA BERGAMO
    FIM DO MUNDO
    A inauguração da Eldorado Brasil Celulose, a maior do setor no país, vai ser em data e horário cabalísticos: 12/12/2012, às 12h12. "Antes que o mundo acabe", diz o empresário Joesley Bastista, presidente do conselho da holding JBS. A fábrica vai produzir 1,5 milhão de toneladas por ano. Começa a funcionar antes do dia 21, tido como a data do fim do mundo pelos seguidores do calendário maia.
    PIBINHO
    O empresário Jorge Gerdau minimiza o PIB baixo de 2012 e diz acreditar numa aceleração maior. "A perspectiva é de melhora." O empresário afirma que o cenário brasileiro deve ser analisado no contexto mundial. "Com a crise internacional muito forte, o ajuste interno é complexo." O grupo Gerdau fatura R$ 66 bilhões e está em 14 países.
    PIBINHO 2
    Para Edson Bueno, que vendeu o controle da Amil para a americana UnitedHealth Group por R$ 10 bilhões, o PIB vai crescer mais do que as projeções pessimistas, que chegam a 1%. "Não vamos chegar aos 4%, mas aposto em 3,5%." Ele continua no conselho da Amil e diz trabalhar até mais do que antes. "Se eu tivesse 40 anos, não teria vendido a empresa, mas estou com 69."
    MUY AMIGO
    Os "elogios" feitos por Eduardo Campos (PSB-PE) a Lula foram mal digeridos pelo PT. O governador de Pernambuco defendeu o ex-presidente no "Rosegate" afirmando que ele "merece respeito" pelo "legado" que deixou ao país. "Ele está aposentando o Lula, dizendo que ele faz parte do passado", diz um dos principais aliados do petista.
    MUY AMIGO 2
    Diante da ponderação de que o próprio Lula afirma que não será mais candidato a nada, o aliado, sob a condição de anonimato, diz: "O Lula pode dizer isso. Mas os aliados não podem aposentá-lo nunca. Se o José Serra, aos 70 anos e derrotado, ainda está no páreo, por que o Lula não pode concorrer à Presidência em 2018?".
    NOVO ENDEREÇO
    Alexandre de Moraes, ex-secretário de Transportes da administração de Gilberto Kassab, vai se filiar ao PMDB. Ele estava no DEM.
    MAMONAS VIVEM
    O produtor musical Rick Bonadio gravou uma música inédita dos Mamonas Assassinas. A canção "Renato, o Gaúcho" será apresentada no reality show que Bonadio terá no canal pago Multishow, mostrando o dia a dia em seu estúdio. "Já nasci com 20 anos/ Com o peito cabeludo/ Mato qualquer um que rir/ Dos meus discos do Menudo", diz a letra. A atração estreia em março.
    ASSINATURA
    Foi por sugestão da modelo Bruna Mattos que Madonna usou a expressão "periguete" no show do Rio. Ela é amiga de Giovanni Bianco, diretor de arte dos discos da cantora, que soprou a ideia à diva do pop.
    LIVRO DE VISITA
    Rodolfo Konder lança hoje o livro "Água Turva".
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    Recebe para sessão de autógrafos no quarto em que está no hospital Beneficência Portuguesa, para uma cirurgia na coluna.
    SEDE ZERO
    Os organizadores do projeto Satisfeito, que vai diminuir pratos de restaurantes em 30% para, com o dinheiro economizado, ajudar ONGs, querem estender a ideia aos drinques.
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    Neste caso, eles pretendem reverter os recursos da ação para projetos de combate ao alcoolismo.
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    Gabo Morales/Folhapress
    Reynaldo Gianechinni
    Reynaldo Gianechinni
    ISTO SÃO BRASILEIROS
    O ator Reynaldo Gianecchini e a modelo Izabel Goulart foram à cerimônia de premiação das revistas "IstoÉ", anteontem. Graça Foster, presidente da Petrobras, e o autor de novelas João Emanuel Carneiro também foram homenageados no evento. No Credicard Hall esteve ainda Sérgio Cabral, governador do Rio.
    CUBO MÁGICO
    A artista inglesa Tracey Emin veio ao Brasil para a inauguração da galeria White Cube, na Vila Mariana. O estilista Dudu Bertholini também foi recebido pela galerista Melina Valente na inauguração do espaço de arte.
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    CURTO-CIRCUITO
    A Associação Santo Agostinho realiza hoje o bazar Mãos Brasileiras, das 10h às 20h, no Jockey. A renda será revertida à entidade.
    Mariana Prates apresenta de hoje a sábado a nova coleção da Paul & Mary, no Jardim Paulista.
    Dalcides Biscalquin autografa "Por Onde o Amor me Leva" na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, às 18h30.
    Valeria Luchiari lança hoje, às 19h, o livro "Mediação Judicial", na Livraria da Vila do shopping Pátio Higienópolis.
    A Tiffany inaugura hoje sua primeira loja no Rio, no Village Mall.
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    Timão! Guarulhos vira Bagulhos! - José Simão


    Timão! Guarulhos vira Bagulhos!
    E adorei os corintianos no aeroporto com a faixa: "Japão! A favela está chegando". Sensacional!
    BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E o embarque do Timão pro Japão? "Festa corintiana tem tumulto e destruição em aeroporto." Guarulhos vira Bagulhos!
    E sabe por que o avião atrasou pra sair? Porque tava esperando o alvará de soltura! O habea asas! Rarará! O AVIÔNIBUS do Corinthians!
    E diz que os jogadores pediram pro piloto parar no Frango Assado! Rarará! E adorei os corintianos no aeroporto com a faixa: "Japão! A favela está chegando". Sensacional! O Japão é um país predestinado: Hiroshima, tsunami e agora 20 mil corintianos!
    E os corintianos enfrentaram o primeiro adversário já no aeroporto: a PM. Jogaram contra a PM. Rarará!
    E quando eu perguntei prum corintiano: "A que horas sai o aviônibus do Timão?". Resposta: "Na mesma hora que tua mãe tá dando pro vizinho!". Rarará! O corintiano é fofo!
    E um são-paulino, quando viu a multidão no aeroporto: "É despedida ou indulto de Natal?". E eu cheguei à conclusão de que eu amo os corintianos. Rarará!
    E as manas com aquela fitinha de sushiman na cabeça? E corintiano tem mania de perseguição, olha esta faixa: "Timão Rumo ao Japão! Contra tudo e contra todos!". Rarará! E já tem empresa de ônibus clandestino oferecendo pacote Itaquera-Tóquio-Itaquera. Bate Volta! Bate na saída e na volta! Rarará!
    E atenção! Como todo ano, nesta data temos que celebrar aquele que veio à Terra para nos salvar: o Péssimo Terceiro! Aquele que você demora 12 meses pra ganhar e uma hora pra gastar! E como diz um amigo: "Do que adianta ganhar 13 salários se a minha mulher gasta 14!".
    Dicas de como usar o seu 13º: 1) Investir em gado: comprar um quilo de alcatra. 2) Cortar o cabelo na rodoviária e chupar um picolé da Yopa. 3) Se atirar do 13º andar. Já imaginou a manchete: "Recebeu o 13º e se atirou do 13º"? Com 13 centavos no bolso! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
    O Brasil é Lúdico! Olha esta pichação em Osasco: "A sociedade deu o fiofó!". Rarará! E olha esta pichação em Pouso Alegre: "Marx morreu, Freud morreu, Cristo morreu e eu não estou passando muito bem". Rarará!
    Nóis sofre, mas nóis goza! Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno! Quem não tiver colírio pode pingar água de bateria, que dá no mesmo!

      Marcelo Coelho


      No metrô com James Bond
      O filme explora a ideia de um Bond já entrado em anos, com um desempenho físico deixando a desejar

      Folha de São Paulo

      MEU CONHECIMENTO dos filmes de 007 é praticamente nulo -acho que só assisti ao primeiro da série, o de Sean Connery contra o satânico doutor No, além de um outro na década de 1980.
      Eu achava aquelas histórias muito sem pé nem cabeça, com James Bond indo de um lugar para outro sem ter a menor ideia do que estava fazendo. O inimigo mortal acabava sendo derrotado graças a uma série de coincidências e absurdos.
      Claro que eu estava perdendo o humor de tudo, em especial uma coisa que reconheço agora no último filme de Bond, "Skyfall". Seria, digamos, a arte das pequenas surpresas.
      Exemplo inesquecível, logo no começo da série. Um mergulhador sai do mar, com roupa de borracha, pés de pato, garrafão de oxigênio. Tira a máscara: é Sean
      Connery. Abaixa o zíper da roupa: está impecavelmente vestido num "summer jacket", pronto para entrar no mais caro cassino tropical.
      Há alguns desses imprevistos silenciosos no novo filme de Sam Mendes. Melhor não contar.
      Não sei se os maníacos de 007 acham "Skyfall" melhor ou pior do que os anteriores, mas para mim tudo funciona muito bem, com grandes atores (Judi Dench, Albert Finney, um Javier Bardem insuperável como vilão) e perseguições espetaculares.
      A grande caçada que inicia o filme é uma obra-prima do gênero e tem essa característica da improvisação, do absurdo, que impregna de humor toda a seriedade dos personagens.
      Ninguém imaginaria o que uma retroescavadeira poderia fazer numa corrida em alta velocidade -mas o filme mostra que qualquer coisa, por mais pesada e lerda que seja, pode ser útil nas mãos de James Bond.
      O próprio agente do serviço secreto britânico está pesado e lerdo, para nada dizer da instituição em que trabalha e do país que representa. O filme explora a ideia de um Bond já entrado em anos, ruim de pontaria e com um desempenho físico deixando a desejar.
      Claro que a Inglaterra será sempre a Inglaterra, ainda mais porque o próprio vilão parece estar vitimado pela mesma decadência.
      Numa das cenas mais "disgusting" do filme, pode-se ver que a figura de Javier Bardem, recoberta de maquiagem, tintura loira e falsos dentes brancos é, na verdade, algo bem mais horrível do que a espécie de Donald Trump dos pobres que se apresentava no início.
      As armas mirabolantes e carros cheios de truques já não adiantam nada contra esse tipo de inimigo. Ele é capaz de dominar tudo graças a uma rede de computadores, escondida dentro de uma ilha em ruínas.
      De certo modo, é como se o mundo da prosperidade industrial civilizada já não existisse mais. As grandes potências do Ocidente escondem seus sinais de velhice, o eixo econômico se transferiu para a China, e o aparato tecnológico de destruição, antes guardado nos arsenais de poucos países, hoje está ao alcance de qualquer gênio com um teclado à sua frente.
      Num artigo para o site Artinfo, Kelly Chan conta a história da cidade arruinada que serve de esconderijo para Javier Bardem. Trata-se da ilha de Hashima, no porto de Nagasaki. Usada como dormitório para mineiros de carvão, chegou a ser um dos lugares com maior densidade demográfica de todo o mundo.
      A preferência pelo petróleo terminou deixando o lugar abandonado, mas a memória do apinhamento, da superpopulação, volta ao filme em alguns momentos.
      O vilão conta que, na sua família, o método usado para exterminar ratos era guardá-los vivos dentro de um barril, até que todos se entredevorassem. Outra perseguição notável em "Skyfall" se dá dentro de um metrô lotado, na hora do rush.
      Também abandonada e erma, por outro lado, é Skyfall, a propriedade dos antepassados de Bond, perdida nas solidões da Escócia. O casarão semidestruído será o cenário para o embate final entre 007 e seu inimigo.
      Decadência por toda parte. Não será daí, na verdade, que o terrorismo tira suas forças? A ilha destruída de Javier Barden se assemelha, em seus escombros pálidos, às imagens da faixa de Gaza.
      Ia-me esquecendo: lá a superpopulação é um problema também. Um pouco mais de espaço, não digo vastas propriedades na Escócia, sempre ajuda a pacificar os ânimos.