terça-feira, 21 de maio de 2013

José Simão

folha de são paulo

Virada! Arrastão é cultura!


Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! E a Virada Cultural? O Arrastão da Virada! E o tuiteiro Jorge Miranda: "O 'Palco Arrastão' foi o mais movimentado, se movimentava o tempo inteiro". Arrastão também é cultura! Cultura de São Paulo! Rarará!
"Você vai pra Virada?" "Vou, arrastado." Até o Suplicy foi assaltado. Aí ele subiu no palco da Daniela Mercury e começou a cantar "Blowing in the Wind" pro ladrão devolver a carteira. E o ladrão devolveu. Pra ele parar de cantar!
E o Suplicy fez outra ameaça: "Se não devolverem minha carteira, vou fazer uma palestra sobre renda mínima".
Até quem não roubou devolveu. Choveu carteira. "Tó, aqui, fica com a minha carteira." Devolução em massa.
E esta da revista "Rolling Stone": "Na praça da República, polícia assiste a arrastão sem tomar atitudes". Eles pensavam que era show?!
E adorei esta da Virada: o cinema pornô lotado. Adorei os filmes: "Um Belo Mistério: A Lenda do Grande Pênis". E "Ejaculando Orações". Com o Marco Feliciano?
Rarará!
E Santos X Corinthians? Timão campeão! E Peixe agora só no Ceasa! Os manos estouraram os rojões de quarta-feira passada. Já que o Boca não morreu, o Peixe morreu pela boca!
E o Neymar? Ainda tava na festa da final de "Salve Jorge"? Continuo com a minha campanha: "Neymar! Volta pro Wellaton". Volta a ser loiro. Saudades do Neymar quando usava aquele
topete mamute da "Era do Gelo"!
E o site CornetaFC deu três cornetadas no Neymar. Diz que o Messi ligou pra ele: "Com esse futebolzinho, é melhor continuar no Santos, hein?".
E diz que o Neymar gritou: "Meu Deus, o Zizao é campeão e eu não?". Rarará! O Neymar assistiu ao jogo de casa! E torno a repetir que o Pato só faz gol na filha do Berlusconi! Rarará! É mole? É mole, mas sobe!
E o Neymar agora só vive de mídia: "Neymar fará uma ponta na novela 'Amor à Vida'". "MC Baixada lança o funk 'Triangolano' e convida Neymar para dançar".
E o site Futirinhas lança uma camiseta pro Neymar: "Eu vivo de mídia". Nós vivemos de Corinthians, e o Neymar vive de mídia.
Nóis sofre, mas nóis goza!
Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
José Simão
José Simão começou a cursar direito na USP em 1969, mas logo desistiu. Foi para Londres, onde fez alguns bicos para a BBC. Entrou na Folha em 1987 e mantém uma coluna que considera um telejornal humorístico.

Mônica Bergamo

folha de são paulo

MinC barra captação para projeto sobre os Paralamas do Sucesso por alto valor


O Ministério da Cultura barrou projeto sobre os Paralamas do Sucesso. A pasta negou autorização para que a editora Automatica captasse R$ 742 mil, via leis de incentivo, para o lançamento de livro sobre os 30 anos da banda. Alega que o valor apresentado é alto e necessita de um corte orçamentário de mais de 50%.
NA GAVETA
Luiza Mello, diretora-geral da Automatica, acredita que o livro foi barrado por causa de polêmicas antigas em relação à autorização para que grandes nomes da MPB, como Maria Bethânia, captassem recursos via leis de incentivo. "Por isso o ministério tem optado em não patrocinar projetos inteiros [de grupos famosos]." Afirma ainda que o orçamento será readequado e a proposta, reapresentada ao MinC.
CERTIDÃO
O governo brasileiro reconheceu, pela primeira vez, o casamento homoafetivo de um estrangeiro, naturalizado brasileiro, e emitiu, há alguns dias, certidão para que ele passasse a usar o sobrenome do companheiro. José Evaristo de Faria, que nasceu em Portugal e obteve a nacionalidade brasileira em 1982, passou a assinar José Evaristo de Faria Silva, adotando o sobrenome do parceiro, Laércio Teixeira Silva --que, por sua vez, adicionou o Faria a seu sobrenome.
LUZES, CÂMERA, AÇÃO!
Victor Moriyama/Folhapress
O diretor e cineasta Felipe Hirsch, mais conhecido por seu trabalho no teatro, faz sua estreia na televisão no dia 27; ele está à frente da nova minissérie da MTV, "A Menina sem Qualidades".
BANCADA DO KASSAB
O ex-prefeito de SP Gilberto Kassab pode ser candidato a deputado federal pelo PSD para ajudar a eleger uma bancada forte da legenda no Estado em 2014. É a impressão que transmite a interlocutores, em especial do PSB, com quem busca alianças regionais.
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A despeito de dizer que gostaria de ser candidato ao governo de SP, Kassab tem manifestado desejo de que o partido eleja o maior número possível de parlamentares ligados a ele.
PONTO DE PARTIDA
O PSD tem hoje nove deputados federais eleitos por São Paulo.
SENHORES DA ARTE
A Zipper Galeria inaugurou as exposições individuais "Noir", de Ricardo van Steen, e "A Direção do Vento Predominante 2", de Victor Lema Riqué, no fim de semana. A galerista Claudia Marchetti e Lucas Cimino, filho do dono da Zipper, Fabio Cimino, estiveram no vernissage.

Ricardo van Steen e Victor Lema Rique abrem exposições

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Greg Salibian/Folhapress
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O artista Ricardo van Steen inaugurou a exposição "Noir", na galeria Zipper, no sábado (18)
SANGUE FRIO
Faz parte da estratégia do PT para pressionar Eduardo Campos (PSB-PE) a recuar da pré-candidatura à Presidência da República o gelo que Lula dá no governador. Se antes o procurava com frequência, o ex-presidente agora guarda distância.
ESTOU NA AMÉRICA
O filme brasileiro "O Som ao Redor", de Kleber Mendonça Filho, já está à venda na loja iTunes dos Estados Unidos por US$ 14,99.
HERMANOS
O guitarrista mexicano radicado nos EUA Carlos Santana convidou a banda Skank para fazer uma participação especial em seu novo álbum. Os músicos mineiros embarcaram para Los Angeles para gravar a versão em espanhol da música "Saideira".
ME CHAMA
A cantora Marina Lima estreou temporada paulista de seu novo show, "Maneira de Ser", no Tom Jazz. O diretor Candé Salles e as empresárias Karina Mota e Raquel Dias estavam na plateia, na sexta-feira. A direção do espetáculo é de Marcio Debbelian.

Marina Lima estreia o show "Maneira de Ser" em SP

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Zanone Fraissat/Folhapress
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A cantora Marina Lima estreou o show "Maneira de Ser" no Tom Jazz, na sexta (17)
É DO BRASIL!
Marlon Teixeira, 21, subiu da 16ª para a 12ª posição no ranking de modelos masculinos do site Models.com.
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Ele é o brasileiro mais bem posicionado na lista, que inclui profissionais de vários outros países.
OS 'IMUNDOS' TUÍTES E A DESPEDIDA DE LUANA
Luana Piovani deixou o Twitter. Ela teria recebido ameaças de morte após xingar a torcida corintiana na rede social. Quando o Corinthians foi eliminado da Libertadores, na semana passada, ela postou: "Saudações são-paulinas a tds (sic) os imundos corintianos q se acham incríveis quesse (sic) time q anda bom mas ontem se f.. .".
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Ela escreveu em seu blog: "Não adianta, não sei ser velada, eu não lembro, antes de me expressar, que sou pública e que 'não me é dado o direito' de ser sincera sobre qualquer assunto".
"A p.... do mensalão chegou às penas... quero ver esses petistas metidos a populares e honesto se f..."
"Faz 35 anos que sou linda e faço sucesso; queria ver a cara da mulher que cê (sic) come, fio"
Para internauta que falou que a pele dela estava horrorosa
_"Eu não leio roteiros, mando seu pai ler bruaca burra! vai toma (sic) na peida" _
Resposta a uma mensagem que sugeria prova de português para ser atriz
"Pq evento na agenda dos outros é refresco"
Sobre não ter ido à festa de lançamento da programação da TV Globo
CURTO-CIRCUITO
Nina Ranieri autografa "Teoria do Estado: do Estado de Direito ao Estado Democrático de Direito", nesta terça-feira (21), às 18h30, na Livraria da Vila da alameda Lorena.
O 6º Leilão de Vinhos da Apae de São Paulo é nesta terça, às 19h30, no Espaço JK, na Vila Olímpia.
Leandro Matulja e Priscila Borgonovi dão aula sobre relações-públicas, nesta terça-feira (21), na Escola São Paulo.
O ministro britânico Ken Clarke conhecerá nesta terça projetos de saúde do governo de São Paulo e também será recebido por Claudio Lottenberg, presidente do Hospital Albert Einstein.
Mônica Bergamo
Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

Debates com autores portugueses buscam fortalecer união com Brasil

folha de são paulo

Programa Vozes da Literatura Portuguesa reúne hoje seis escritores em encontros em São Paulo
Apesar de avanços, artistas e editores dizem que intercâmbio literário entre os dois países ainda é pequeno
MARCO RODRIGO ALMEIDADE SÃO PAULOBem mais do que o oceano Atlântico separa a literatura brasileira da portuguesa.
Apesar da língua em comum, e de avanços significativos na última década, o intercâmbio editorial entre os dois países ainda é incipiente. Autores fundamentais de um são às vezes desconhecidos pelo outro. As vendas são quase sempre inexpressivas.
Com a esperança de mitigar essa defasagem, seis escritores portugueses atravessaram o oceano para tentar, se não descobrir o Brasil, pelo menos torná-lo mais próximo de Portugal.
Eles apresentam hoje em São Paulo o projeto Vozes da Literatura Portuguesa. Lídia Jorge, Patrícia Reis e Rui Zink fazem debate às 16h na Biblioteca Mário de Andrade. Depois, às 20h, Gastão Cruz e José Luís Peixoto conversam no Sesc Consolação.
A mediação será feita pela também escritora Inês Pedrosa, diretora da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, que promove o programa. Na quinta, eles estarão em Porto Alegre e, no sábado e no domingo, no Rio.
Os seis autores representam diferentes vertentes da literatura portuguesa contemporânea. Todos já foram publicados no Brasil, mas não são muito badalados por aqui.
Pedrosa, autora de "Fazes-me Falta" (ed. Alfaguara), diz que o desconhecimento mútuo da literatura produzida nos dois países era enorme.
Ela avalia que a situação começou a mudar no começo dos anos 2000, com o fortalecimento das editoras, a proliferação das feiras literárias e as possibilidades abertas pelo mercado on-line.
Ainda assim, aponta lacunas graves. "Jorge de Sena e Vergílio Ferreira quase não são lidos no Brasil. E só agora a obra completa de Clarice Lispector está sendo lançada em Portugal", conta.
Pedrosa diz que, dentre os escritores brasileiros vivos, destacam-se em Portugal, entre outros, João Ubaldo Ribeiro, Rubem Fonseca e Luis Fernando Verissimo.
No Brasil, fora medalhões como o Nobel José Saramago e António Lobo Antunes, chamaram atenção nos últimos anos autores lusófonos publicados graças a incentivos do governo português --Gonçalo M. Tavares e José Eduardo Agualusa, por exemplo.
A brasileira Escrituras Editora criou há nove anos a coleção Ponte Velha, dedicada a autores portugueses contemporâneos. Com apoio da Direção-Geral do Livro e das Bibliotecas, ligada à Secretaria de Estado da Cultura portuguesa, já publicou 52 livros.
Com a crise econômica de Portugal, o financiamento caiu de 70% para 40% dos custos da coleção. "Os livros têm bom resultado de crítica e divulgação, mas as vendas são fracas. Não chegam a esgotar a edição de 600 exemplares", diz Raimundo Gadelha, diretor da Escrituras.
"Publicar português é fácil, difícil é divulgar, distribuir. Não adianta trocar figurinhas se não podemos colocá-las no álbum", completa.
Em 2012, a Fundação Biblioteca Nacional lançou um edital para incentivar a publicação de brasileiros em outros países de língua portuguesa. Apenas editoras de Portugal inscreveram-se. Dez bolsas foram concedidas.
A editora portuguesa Relógio D'Água publicou cinco livros pelo programa: dois de Dalton Trevisan e três infantojuvenis de Clarice Lispector.
"O programa é importante. Sem ele, não teríamos podido editar os títulos de Trevisan, que não são muito vendáveis", diz o editor Francisco Vale.

    João Pereira Coutinho

    folha de são paulo

    Felizes, mortos e enterrados
    Hoje, ninguém deseja ser feliz se a sorte o permitir; as pessoas acreditam que têm o direito de ser felizes
    Todos sabemos que o filósofo Sócrates foi condenado à morte. Poucos sabem exatamente por quê. Sim, nos bancos da escola aprendemos qualquer coisa sobre "o desrespeito pelos deuses da Cidade" e "a corrupção da juventude ateniense". Mas o que significam ao certo essas acusações? Onde estava o "desrespeito"? E onde estava a "corrupção"?
    Fiz uma enquete privada entre colegas de ofício. Gente das ciências humanas, alguns de filosofia. Ninguém deu respostas satisfatórias. No máximo, havia apenas o clichê conhecido de um Sócrates que ensinava os outros a pensar pela própria cabeça e de como isso é uma ameaça para os poderes estabelecidos, e blá-blá-blá.
    Bocejos. Sócrates não foi condenado por isso. O principal crime do filósofo foi ter subvertido para sempre a ideia de felicidade que vigorava na antiga Grécia. Há um livro de Darrin McMahon que explica o "crime" de forma inultrapassável: até Sócrates, escreve o autor em "The Pursuit of Happiness" (a busca da felicidade, em tradução livre), a ideia de felicidade estava intimamente ligada à noção de sorte.
    Para os nossos antepassados pré-socráticos, a felicidade dos homens dependia sempre dos caprichos dos deuses. Por isso, os grandes dramaturgos do mundo helênico afirmavam que a única pessoa que se poderia considerar feliz era a pessoa morta. Porque sobre ela os deuses já não podiam fazer mais nada.
    Sócrates destroçou essa concepção para afirmar, vários séculos antes do seu herdeiro Voltaire, que o paraíso é onde estamos. Eu sou senhor do meu destino, e a felicidade não é uma dádiva dos deuses. É uma construção minha, da minha razão soberana --um "direito", como escreveram depois os pais fundadores da República americana; e, sobretudo, um "dever", como escutamos nas novelas.
    Hoje, ninguém deseja ser feliz se a sorte o permitir. As pessoas acreditam que têm o direito de ser felizes --e, mais ainda, o dever. E a sorte que se lixe.
    Não vale a pena elaborar sobre a infelicidade que a "tirania da felicidade" provoca entre os contemporâneos. Pascal Bruckner já escreveu um ensaio primoroso a respeito, que recomendo ("L'Euphorie Perpétuelle", a euforia perpétua).
    Mas vale a pena olhar para o caso Angelina Jolie. Falo do caso porque Jolie entendeu torná-lo público: de forma a eliminar as altíssimas hipóteses de ter câncer de mama, a atriz cortou os males literalmente pela raiz. Agora, segundo leio, pode seguir-se o ovário. Aplausos?
    Nem aplausos, nem o seu contrário: a escolha é pessoal, e eu, confrontado com dilema semelhante, provavelmente faria o mesmo. Mas o mais interessante é acompanhar as discussões éticas que o caso provocou.
    Se a medicina oferece tratamentos radicais para doenças graves e prováveis, justificam-se esses tratamentos?
    Responder à questão implica saber primeiro que tipo de probabilidades são essas. E, já agora, que tipo de doenças. Uma hipótese de câncer próxima dos 90% não é o mesmo que uma hipótese mais modesta, facilmente quantificada em testes de DNA, para milhares de outras doenças.
    O problema é que a nossa tradição racionalista (e socrática-platônica) também não se vai contentar com valores mais modestos. No fundo, e para regressar a Sócrates, não se vai contentar que os caprichos da sorte continuem a pairar sobre o nosso direito à felicidade --e à longevidade.
    Se o paraíso é onde eu estou, também é "direito" e "dever" excluir todas as hipóteses (das mais prováveis às mais remotas) que ameaçam essa felicidade e longevidade.
    Hoje, os seios. Amanhã, o ovário. Mas por que não eliminar também outros apêndices que, por definição, são vulneráveis à doença, a qualquer doença, em qualquer altura?
    De órgão em órgão, de doença possível em doença possível, de inquietação crescente em inquietação crescente, a lista é generosa porque o corpo, imperfeito e perecível, não é. Até o dia em que nada mais resta para cortar.
    Talvez nesse dia os herdeiros de Sócrates descubram com espanto que, afinal, os pré-socráticos tinham alguma razão. E que a única forma de estarmos completamente a salvo do infortúnio é se ficarmos bem mortos e enterrados.