segunda-feira, 10 de junho de 2013

Peça usa metáforas para tratar do suicídio

folha de são paulo
CRÍTICA TEATRO
Peça usa metáforas para tratar do suicídio
'Azirilhante', concebida e atuada por Flavia Melman, é uma experiência teatral singular, com potencial para encantar
LUIZ FERNANDO RAMOSCRÍTICO DA FOLHAO teatro como ato de cura. "Azirilhante" evoca perda terrível e revela o amadurecer de uma jovem atriz.
Concebida e atuada por Flavia Melman, a encenação tem texto e direção de Daniela Duarte. A experiência vivida por Melman, revista pelos olhos cúmplices de Duarte, resulta na fábula de uma filha de mãe suicida.
Por mais trágica que a narrativa se anuncie, evita a literalidade dos fatos e migra para regiões simbólicas, ou metafóricas, onde o ar torna-se mais respirável e se contorna o miolo inatingível da dor.
Esse distanciamento talvez reflita a circunstância de alguém que viu o evento fatídico com olhos infantis e só consegue projetar a mãe perdida com estereótipos.
A montagem se tece na combinação de três registros dramáticos. Um apresenta a mãe, ou a memória de suas idiossincrasias, que alcança momentos de intensidade emocional. Outro recorda a filha e o arsenal de alegorias com que elaborou seu destino imprevisto. E um terceiro é quase performático, no sentido de ser a própria atriz se revelando no presente.
Em qualquer um desses planos, o movimento é de retirada e de expansão para fora dos fatos reais.
Ao mesmo tempo que se está olhando o pesadelo, cria-se uma dimensão poética que, seja nos ditos premonitórios da mãe, seja nas conversas da filha com seu amigo imaginário, ou nas brincadeiras da atriz com o público, protege a ferida cicatrizada que se está reabrindo.
Flavia Melman, atriz com características marcantes, merece elogios não só pela coragem artística de trazer à tona traumas vividos, como pelo desempenho na sustentação desse projeto.
Uma limitação do trabalho é a de ter mantido seu objeto de interesse, a mãe, incapaz de revelar-se mais plenamente. Por exemplo, o fato de ela ter comprado, pouco antes de morrer, o direito de nomear uma estrela, que inspira o nome da peça e aparece detalhado no programa, poderia tornar-se matéria cênica.
"Azirilhante" é uma experiência teatral singular, com potencial para encantar pela inteireza com que sua protagonista se coloca nela.
Merece ser vista e comentada, até para que, em processo, possa se aperfeiçoar. Mas, com certeza, a criadora alcançou ali um brilho que a liberta de sua sombra.

    Obras apagadas em SP expõem confusão na prefeitura e falta de políticas para o grafite

    folha de são paulo
    JULIANA GRAGNANI
    COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
    SILAS MARTÍ
    DE SÃO PAULO

    Numa sala do 18º andar do edifício Martinelli, no centro de São Paulo, um grupo se reúne todo mês para discutir questões que podem mudar a cara da cidade, desde a autorização de eventos em espaços públicos até a liberação do uso dos pilares do Minhocão para intervenções artísticas.
    Formado por arquitetos, representantes de vários órgãos da prefeitura e da sociedade civil, o grupo integra a Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), subordinada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, hoje o único órgão público com poder de autorizar ou vetar uma obra de arte nos muros de São Paulo.
    Mesmo a Secretaria Municipal da Cultura, que realiza editais para fomentar a arte de rua, não delibera sobre os casos nem tem um grupo de consultores sobre o tema.
    Enquanto a secretaria da Cultura diz que a decisão cabe ao Desenvolvimento Urbano e vice-versa, obras que estampam a paisagem da cidade, e fizeram de São Paulo uma referência mundial do grafite, correm o risco de sumir do mapa, apagadas no meio desse empurra-empurra entre os órgãos da prefeitura.
    Folha acompanhou o último encontro da CPPU, no fim do mês passado.
    Editoria de Arte/Folhapress
    GRAFITE AMEAÇADO - Idas e vindas entre gestões revelam ausência de políticas públicas para a arte urbana em São Paulo
    GRAFITE AMEAÇADO - Idas e vindas entre gestões revelam ausência de políticas públicas para a arte urbana em São Paulo
    Quando analisaram a proposta de grafitar a estrutura do elevado Costa e Silva, o Minhocão, durante a Copa das Confederações, alguns dos membros da comissão deram risada. Outros descartaram a ideia sem fazer grandes considerações. No final, acabaram autorizando que apenas um dos pilares fosse pintado, e em caráter temporário.
    Essa falta de critério do poder público ficou evidente nas últimas semanas, quando a prefeitura apagou por engano três murais da dupla Osgêmeos no viaduto Leste-Oeste, na região do Glicério. Há cinco anos, um mural da mesma dupla, uma das mais valorizadas do grafite mundial, também foi eliminado.
    "Se a prefeitura não tem noção de que esses trabalhos são obras de arte na rua, não sou eu que tenho que avisar", ironiza Nunca, que trabalhou com Osgêmeos no mural que foi apagado em 2008.
    Dias depois do último equívoco -o governo municipal diz ter tomado "providências para que ocorrências dessa natureza não se repitam"-, o secretário municipal da Cultura, Juca Ferreira, pediu mudanças pouco objetivas nos procedimentos atuais.
    "Fiscais na rua apagaram. Tem uma regra, herdada do governo passado, que pichação é para apagar e grafite, não", disse Ferreira à Folha, deslocando a responsabilidade sobre arte de rua para as subprefeituras. "Sugeri que fotografem com celular e mandem para alguém gabaritado, da subprefeitura. Em vez de o fiscal decidir, vai para quem tem discernimento."
    Segundo o subprefeito da Sé, Marcos Barreto, um plano, ainda em fase de testes, começará neste mês na região central, onde responsáveis pela limpeza urbana devem, antes de qualquer coisa, enviar uma foto da obra à subprefeitura, que então deve verificar se o trabalho em questão estava ou não autorizado.
    Só que essa figura da pessoa "gabaritada", nas palavras do secretário, não existe nos quadros das subprefeituras. Nem na CPPU, em que membros discutem desde normas técnicas da aplicação de cartazes e anúncios à legitimidade das obras de arte.
    Muitos de seus membros tampouco sabiam que cabia à comissão deliberar sobre o assunto. À Folha, disseram não ter "competência intelectual" para julgar obras de arte.
    CURADORIA
    "Temos de tomar cuidado para não cair num papel complicado de curadoria", disse Weber Sutti, representante do Desenvolvimento Urbano na CPPU. "Nosso consentimento abre um precedente para outras autorizações?", perguntou Eduardo de Faria, que atua na comissão em nome do gabinete do prefeito petista Fernando Haddad.
    Daniel Montandon, presidente da CPPU, diz que segue normas técnicas na hora de autorizar uma intervenção urbana, mas admite que vetaria obras que julgasse como uma "afronta" aos direitos humanos. "Não é porque é no espaço público que pode ser feita qualquer coisa."
    Três semanas depois do imbróglio com Osgêmeos, a Secretaria Municipal da Cultura convocou uma reunião com grafiteiros para a discussão de casos deste tipo.
    Numa roda, diante de representantes da prefeitura, eles reivindicaram uma política para o grafite em São Paulo.
    "Existe uma lacuna na prefeitura em relação ao grafite. Quem recebe os pedidos? Não existe comunicação entre os órgãos do município", disse João Paulo Cobra, conhecido como Nove. "É preciso criar um núcleo só para isso."
    Mesmo valorizado, grafite segue regras da rua

    Enquanto a prefeitura paulistana não parece chegar a um acordo sobre o que sai e o que fica nos muros da cidade, londrinos estão indignados com o sumiço de uma obra do grafiteiro Banksy.

    Recortada de um muro no bairro de Wood Green, na capital britânica, a peça desapareceu e ressurgiu num leilão em Miami, mas a venda foi cancelada por protestos dos moradores do bairro londrino, que queriam a obra de volta. Em maio, o mural acabou arrematado em Londres por cerca de R$ 2,5 milhões.

    Não é de hoje que a arte de rua perdeu seu caráter pedestre. É disputada a tapa em leilões, figura no catálogo das maiores galerias de arte do mundo e fez de seus criadores garotos milionários.

    Gustavo e Otávio Pandolfo, da dupla Osgêmeos, ganharam fama e fortuna. Pintaram a fachada da Tate Modern, em Londres, e até um castelo escocês. Também emprestaram seus bonequinhos amarelos para estampar finos e caros lenços da Hermès.

    Numa operação de marketing do ano passado, a grafiteira Simone Sapienza, a Siss, teve uma de suas obras escolhida num concurso para estampar a capa do single "Superstar", de Madonna.

    HIPEREXPOSIÇÃO

    Se está ameaçado nos muros da cidade de São Paulo, o grafite vem aparecendo cada vez mais em tapumes ao redor de canteiros de obras --ação de empreiteiras como Idea Zarvos, Max Haus ou Brookfield para colorir seus prédios ainda em construção.

    "Com a hiperexposição que temos atingido nos últimos anos, a coisa começa a ficar um pouco mais forte", diz o grafiteiro Binho Ribeiro. "As empresas estão perdendo o medo e sabem que podem usar essa cultura como aliada. Eles se espelham nas conquistas d'Osgêmeos e nas nossas também."

    De fato, empresas encamparam a arte de rua na tentativa de se aproximar de um público mais jovem, aproveitando que esse tipo de manifestação artística já está chancelada por sua presença em galerias de arte e museus.

    Mas fora das instituições, o grafite no espaço público ainda segue as regras da rua. Osgêmeos e a maioria de seus colegas não costumam pedir autorização para pintar.

    "Grafite continuará a ser feito sem autorização, essa é sua essência", diz Mundano, famoso por grafitar carroças de catadores de lixo na cidade."Só não queremos ser tratados como criminosos."

    Mônica Bergamo

    folha de são paulo

    Ministério Público recebeu mais de 3 milhões de inquéritos em 2012


    O Ministério Público recebeu mais de 3,2 milhões de inquéritos policiais no ano passado em todo o Brasil -redução de 32% em relação a 2011 (4,8 milhões). Pela primeira vez, o órgão rastreou os crimes mais comuns que chegam até ele. Foram os delitos contra o patrimônio, como furtos, roubos e extorsão mediante sequestro. Eles representaram cerca de 37% dos casos (1,2 milhão).
    CRIME 2
    Dos crimes dessa modalidade, 79% ainda estão sendo investigados pelas promotorias estaduais e federais, 7% foram arquivados e 12% resultaram em denúncias -quando os suspeitos são identificados e os processos seguem para a Justiça.
    CRIME 3
    Na sequência do ranking elaborado pelo Conselho Nacional do Ministério Público, aparecem as lesões corporais, com 638 mil inquéritos recebidos, e os crimes contra a vida, que superaram 467 mil. Se o Congresso aprovar a lei que reduz o poder de investigação dos promotores, a polícia terá exclusividade em apurações do âmbito criminal.
    A FILHA NÚMERO 4 DO PATRÃO
    Mauricio Nahas
    À frente do "Cante se Puder" e do "Roda a Roda Jequiti", ambos no SBT, Patricia Abravanel afirma ser a artista que mais grava na emissora de seu pai, o também apresentador Silvio Santos.
    Capa da revista "Joyce Pascowitch" deste mês, ela comenta a sua relação com o ex-dono do Baú. "[Ele] Não gosta de sapato plataforma ou algo muito chamativo, que distraia a atenção do telespectador."
    E, aos 35 anos, nega suposto envolvimento com o jogador do Corinthians Alexandre Pato, 23: "Os [homens] mais novos não têm nada a ver comigo. Gosto dos acima de 38. Se puder, 40 ou mais".
    CAIU NA REDE
    O escritor Fernando Morais está lançando, em parceria com o cineasta Claudio Kahns, uma loja virtual para vender seus livros em formato digital em inglês, espanhol e francês, no endereço blitzbookstore.com. O anúncio foi feito na semana passada em Washington. Entre os convidados estavam a ativista Angela Davis e o jornalista Ignacio Ramonet.
    CAIU NA REDE 2
    A ideia de Morais, que tem dez livros publicados em 41 idiomas -entre eles, "A Ilha", "Olga", "Chatô" e a biografia de Paulo Coelho-, é vender as obras por US$ 9,99.
    DÓ-RÉ-MI
    Eduardo Suplicy (PT-SP) vai tocar piano hoje à noite, em apresentação dos alunos da professora Marilena Guimarães. O senador, que faz aulas toda segunda desde 2006, executará uma adaptação do "Concerto nº 2" de Rachmaninoff. A audição, gratuita, será no MuBE.
    BOLSO
    Luiz Flávio D'Urso determinará hoje a suspensão das regras das OABs estaduais sobre a advocacia "pro bono" (prestação de serviços gratuita e voluntária). Ele é relator do tema no conselho federal da OAB. O colegiado nacional irá agora regulamentar o assunto.
    ARCO-ÍRIS
    Depois de convidar, por meio de anúncios publicitários, os deputados Marco Feliciano (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ), o pastor Silas Malafaia e a cantora Joelma para o Mix Brasil, o festival de cinema gay prepara novos apelos. Chamará agora a ex-atriz e deputada Myrian Rios (PSD -RJ) e a psicóloga Marisa Lobo, incentivadora do projeto de "cura gay". A campanha é da Neogama/BBH.

    Artista Carlos Nunes abre exposição "Modus Operandi"

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    Zanone Fraissat/Folhapress
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    O artista plástico Carlos Nunes inaugurou a exposição “Modus Operandi”, na galeria Raquel Arnaud, na quarta (5)
    O artista plástico Carlos Nunes inaugurou a exposição "Modus Operandi" na galeria Raquel Arnaud. Os artistas Ding Musa, Sandra Cinto e Albano Afonso, a curadora Cristina Burlamaqui e o arquiteto Gui Sibaud compareceram ao vernissage.

    Ex-ministro do STF, Cezar Peluso lança livro em SP

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    Zanone Fraissat/Folhapress
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    O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Cezar Peluso lançou o livro "Ministro Magistrado", na quinta (6), em São Paulo
    O ex-presidente do STF (Supremo Tribunal Federal) Cezar Peluso, 70, diz que a avaliação do novo integrante da corte, Luís Roberto Barroso, de que o julgamento do mensalão foi "um ponto fora da curva" é "pessoal". "Tem muita gente que acha que não", afirma Peluso. Ele conversou com a coluna na semana passada, no lançamento do livro "Ministro Magistrado", com algumas de suas decisões em dez anos de STF.
    *
    O que o senhor está fazendo?
    Estou inscrito como advogado, mas só trabalho em pareceres e consultorias. Advocacia de fórum é para jovem. Eu não. Estou fazendo parceria com escritórios em SP e em Brasília. Tenho que respeitar a quarentena de três anos no Supremo. Nos outros tribunais, posso trabalhar.
    O senhor tem se dedicado só a essa atividade?
    Só. E a torcer para o Corinthians. São as minhas grandes atividades ultimamente.
    O que achou da escolha de Luís Roberto Barroso para o STF?
    O professor Barroso é muito preparado, está à altura do cargo. Foi uma boa escolha.
    Ele tem um perfil liberal.
    Em algumas coisas é mais liberal, em outras nem tanto. Isso não é relevante, mas sim o que ele pode trazer de contribuição ao Supremo. Acho que ele tem bagagem intelectual para isso.
    Ele diz que o julgamento do mensalão foi um ponto fora da curva no STF. Concorda?
    Ele quis dizer que a corte teria sido mais rigorosa. É uma avaliação pessoal. Tem muita gente que acha que não.
    O senhor acha o quê?
    Eu não acho nada. Eu nem participei do julgamento. Só um votinho pequeno.
    Foi ruim não ter participado?
    Nem bom nem ruim. Eu estava preparado, se o julgamento alcançasse ainda o meu tempo de permanência. Não alcançou. Fiz o que tinha que fazer. E ponto final.
    Qual é a avaliação que o senhor faz da presidência de Joaquim Barbosa?
    Não faço avaliação nenhuma do Supremo. Saí de lá.
    A criação de novos TRFs (Tribunais Regionais Federais) ajuda a desafogar a Justiça?
    Atrapalhar não atrapalha, com certeza.
    Os gastos seriam de R$ 700 milhões?
    Acho que podem ter sido superestimados. Não chegam a esse volume que estão pensando. E tem mais: as vagas podem ser preenchidas progressivamente. Não precisa ser tudo de uma vez. Podem se ajustar o orçamento e as necessidades.
    CURTO-CIRCUITO
    O filme "Minha Mãe É uma Peça" tem pré-estreia para convidados hoje, às 21h30, no Cinemark Eldorado. 12 anos.
    A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania promove seminário para a Guarda Civil Metropolitana de hoje a sábado.
    A atriz Laura Neiva abre o porta-joias e mostra seus acessórios para o portal MdeMulher nesta semana.
    A guia turística de luxo Flavia Liz Di Paolo, de SP, figura entre as melhores profissionais do mundo na edição britânica da revista "Condé Nast Traveller".
    Mônica Bergamo
    Mônica Bergamo, jornalista, assina coluna diária publicada na página 2 da versão impressa de "Ilustrada". Traz informações sobre diversas áreas, entre elas, política, moda e coluna social. Está na Folha desde abril de 1999.

    Luiz Felipe Pondé

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    Bonecas de quatro


    Hoje vou falar de coisa séria: vou falar de mulher. Aliás, nem tanto, pensando bem. Vou falar de feministas e muitas dessas não são exatamente mulheres. E também de gente que quer fazer meninas brincarem com carros e meninos com bonecas em nome da "tolerância". Até quando vamos ter que tolerar esses maníacos em zoar a vida dos filhos dos outros?
    O fascismo nunca perde força. Em nome de uma educação para diversidade, os fascistas de gênero agora querem se meter nos brinquedos das crianças.
    Quando será que a maioria silenciosa vai dar um basta nessa palhaçada pseudocientífica chamada teoria de gênero na sua versão "hard" (engenharia psicossocial do sexo)? Quando vamos deixar claro que essa coisa de dar boneca para meninos quererem ser meninas é, isso sim, abuso sexual?
    Quem sabe, quando as psicólogas e pedagogas tiverem coragem de parar de brincar com a sexualidade infantil fingindo que acreditam nessa baboseira de trocar os brinquedos de meninas com os dos meninos e vice-versa.
    Mas, vamos aos fatos. Há alguns anos, assistia eu um pequeno festival de curtas sobre diversidade sexual quando ouvi uma das maiores pérolas desta pseudociência do sexo.
    O curta abria com uma cena de sexo em uma cadeia. Um casal, um homem e um travesti, faziam sexo. O travesti de quatro, o homem por trás. Os dois gozavam ao final. O curta seguiu seu curso, mas não é o filme em si que me chamou atenção.
    De certa forma, o curta repetia uma das manias chatas do cinema brasileiro: cadeia, bandido, pobre, drogas... haja saco. Cinema preocupado em construir "consciência social" (essa nova categoria da astrologia) é sempre chato e ruim.
    Terminado o filme, "especialistas" em gênero fizeram um debate. Na primeira fala, um dos integrantes da mesa protestou contra o fato que na cena o travesti estava de quatro e que isso revelava que os criadores do curta incorriam no pecado da "falocracia".
    Calma, caro leitor e cara leitora, não pretendo usar palavras de baixo calão numa segunda-feira. Explico-me: "Falocracia", termo cunhado para parecer chique, significa sociedade dominada pelo poder do macho (falo = pênis, cracia = poder).
    Segundo nosso gênio (seria gênia? Não me lembro bem do sexo...), o curta repetia o erro machista de colocar a "fêmea" no lugar da que gosta de ser penetrada por trás.
    Para esses tarados em se meter na vida dos outros, as mulheres até hoje "pensam que gostam" de ser penetradas por trás porque foram oprimidas. Risadas? E quando digo que feminista não entende nada de mulher ainda tem gente que se espanta... Feminismo fora de delegacia de mulheres dá nisso: invasão da cama alheia.
    Pois bem, agora algumas feministas mais azedas do que o normal querem ensinar as mulheres heterossexuais (essas que muitas militantes julgam compactuar com o inimigo) a transar e propõem a demonização de uma das posições mais preferidas pelas meninas saudáveis: transar de quatro.
    Segundo nossas fascistas de gênero, as heterossexuais devem ficar sempre por cima para olhar nos olhos do opressor e jamais (preste atenção: eu disse jamais!), ao fazer sexo oral (melhor não fazer), "jamais engolir sêmen, que é excremento como xixi e coco".
    É meninas queridas, um dia desses vão prender vocês se gostarem de ficar de quatro ou de "engolir". A liberdade sexual acabou e em seu lugar nasce a heterofobia.
    Quando vamos perceber o fato óbvio de que o feminismo é a nova forma de repressão social do sexo? Principalmente do sexo heterossexual feminino? Ao se meter embaixo do lençóis, essas azedas atrapalham a já difícil vida sexual cotidiana.
    Uma coisa é combater crime sexual, salário discriminatório, outra coisa é se meter no modo como as pessoas gozam.
    Isso me lembra o filme espanhol de 1991 "El Rey Pasmado" de Imanol Uribe. Neste filme, um casal de nobres sofria "preconceito" porque a mulher gozava muito. Padres e freiras foram chamados para rezar e ajudar a mulher ser "casta" no sexo.
    Antes eram as freiras que odiavam o sexo, hoje são as feministas mais chatas: para elas nada de bonecas de quatro.
    Luiz Felipe Pondé
    Luiz Felipe Pondé, pernambucano, filósofo, escritor e ensaísta, doutor pela USP, pós-doutorado em epistemologia pela Universidade de Tel Aviv, professor da PUC-SP e da Faap, discute temas como comportamento contemporâneo, religião, niilismo, ciência. Autor de vários títulos, entre eles, "Contra um mundo melhor" (Ed. LeYa). Escreve às segundas na versão impressa de "Ilustrada".