segunda-feira, 10 de junho de 2013

Anestesia sem agulha-Paula Takahashi‏

Grupo da Unicamp tenta desenvolver anestésico dental sem a famigerada picada. Lipossomas, espécie de bolhas presentes no organsimo, carregam substâncias e têm se mostrado eficazes 


Paula Takahashi

Estado de MInas: 10/06/2013 

 Reduzir o incômodo e a dor da anestesia pode ser o primeiro passo para que os dentistas ganhem mais simpatizantes. Com medo da picada da agulha inevitável em procedimentos mais complexos, muitos correm da cadeira do profissional a todo custo. Para os mais receosos, a anestesia indolor e sem agulha está mais próxima de virar realidade. Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) buscam opções de anestésicos para uso odontológico que, além de apresentarem melhores efeitos, devem significar a aposentadoria das agulhas.

A pesquisa faz parte do projeto temático “Novas formulações de anestésicos locais de liberação sustentada: do desenvolvimento ao teste clínico odontológico”, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paul (Fapesp). “O grande desejo é de termos um anestésico que não precise ser injetado, o que gera mais medo no consultório. Hoje o que há no mercado é uma versão tópica suficiente apenas para que seja realizada a picada depois”, observa Eneida de Paula, chefe do Departamento de Bioquímica do Instituto de Biologia da Unicamp.


E os estudos vão além. Associadas ao alívio da dor no momento da aplicação, as pesquisas estão em busca de uma versão menos tóxica dos anestésicos e que tenham maior durabilidade para que, em procedimentos mais longos, não seja necessária a reaplicação da substância. “A intenção é prolongar a atividade anestésica e diminuir a toxicidade ao coração e sistema nervoso central. Quando cai na corrente sanguínea, o anestésico pode causar taquicardia, convulsões e até levar a pessoa à morte”, explica Eneida. Mas a proposta inicial não foi de produzir novas moléculas anestésicas – o que poderia representar mais de 10 anos de desenvolvimento e testes clínicos –, e sim potencializar os efeitos das já existentes.


Para isso, os trabalhos foram direcionados para a definição do carreador ou de nanopartícula ideal para transporte dos sais anestésicos. Esses carreadores funcionam como uma cápsula que carrega o composto até o local desejado. “A boca é muito vascularizada e isso faz com que o anestésico seja varrido mais rapidamente da área onde deveria atuar”, explica a pesquisadora da Unicamp. “Para que ele fique mais tempo no local, é comum associar um vasoconstritor como a adrenalina, que será responsável por reduzir a circulação sanguínea. Mas a adrenalina também tem efeitos colaterais, podendo causar parada cardíaca”, explica.


A ideia é que o carreador do anestésico cumpra esste papel, eliminando a necessidade da adrenalina e reduzindo os riscos do procedimento. “Observamos que usando lipossomas como carreadores haverá o mesmo efeito da aplicação do vasoconstritor”, observa a professora. Os lipossomas são vesículas formadas de lipídeos muito parecidos com os presentes naturalmente nas membranas celulares do nosso corpo. Eles já são, inclusive, empregados pela indústria farmacêutica em antivirais, antifúngicos e no desenvolvimento de vacinas e medicamentos anticâncer e foi a primeira escolha realizada pela equipe de estudos da Unicamp. Por serem semelhante às membranas biológicas, os lipossomas não causam reações adversas ao organismo.

LIBERAÇÃO LENTA Constituído de uma membrana recoberta por água dentro e fora, os lipossomas funcionam como verdadeiros reservatórios para os anestésicos. Isso porque o composto tende a ficar na membrana a migrar para a água. Como toda essa membrana é envolta em ambiente aquoso, ele acaba ficando preso, sendo liberado lentamente para, aí sim, se ligar a uma proteína da célula nervosa para impedir a transmissão do impulso nervoso. Atualmente não é isso que ocorre. Sem uma barreira de contenção, o anestésico se liga a essa proteína e é rapidamente levado pela corrente sanguínea. “Como alternativa para prolongar a atuação anestésica, o nervo precisa ser ‘encharcado’ com composto anestésico, e é aí que os lipossomas ajudam”, observa Eneida.


A associação do anestésico ao seu carreador foi um passo importante, mas ainda insuficiente para eliminar a agulha do processo. Isso porque são muitas as barreiras que o anestésico deve vencer para bloquear a condução do impulso nervoso. Além da mucosa, o composto deve passar pelo osso compacto da boca, o que não aconteceu com os géis estudados, embora tenha havido avanços importantes no alívio da dor pré-injeção. Eneida explica que o estudo continua. “Temos explorado novas abordagens que incluem modificação do tipo de lipídios que compõem os lipossomas; preparo de lipossomas com gradiente iônico interno; associação de anestésicos com outros fármacos, como opióides; associação de mais de um carreador (exemplo: lipossomas mais ciclodextrinas)”, enumera.



daqui para o futuro

Gel é alternativa

Enquanto a seringa não é eliminada, o gel pré-anestésico continua sendo a melhor alternativa para amenizar a dor. A equipe de pesquisadores da Unicamp já conseguiu desenvolver uma versão do gel que utiliza 10% de benzocaína em sua composição, contra 20% usados pelos produtos já disponíveis no mercado e com efeito melhorado. A versão criada na Unicamp ainda permanece mais tempo no local sem derreter ou perder a atividade. Os resultados foram apresentados para duas indústrias e uma delas já demonstrou interesse em comercializar o produto. “Estamos na fase de propostas. Das pesquisas que fizemos até agora, esste gel é o que tem mais tendência de ir para o mercado”, garante Eneida. 

Datafolha aponta que, apesar do aumento da rejeição, petista lidera popularidade em começo de 1º mandato

folha de são paulo
Avaliação negativa da gestão Haddad sobe de 14% para 21%
Proporção dos que consideram governo bom ou ótimo também cresceu, porém em menor intensidade
DE SÃO PAULOA proporção de moradores de São Paulo que considera ruim ou péssima a gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) subiu de 14% para 21%, entre abril e junho, aponta pesquisa do Datafolha.
Apesar do aumento da rejeição no período, Haddad ainda é o prefeito mais bem avaliado em começo do primeiro mandato desde a volta das eleições diretas.
Se a rejeição à gestão aumentou, o volume de pessoas que classifica a administração como ótima ou boa também subiu, de 31% para 34% --variação menor do que a avaliação negativa.
Diminuíram no período as opções "regular" (42% para 37%) e "não sei responder" (de 13% para 9%).
A pesquisa foi realizada nos dias 6 e 7 deste mês e possui margem de erro de três pontos percentuais.
TOMADA DE POSIÇÃO
Em outra pergunta, 58% disseram que a prefeitura petista fez menos do que se esperava. Em abril, eram 49%.
Em entrevista veiculada ontem no programa "TV Folha", o diretor geral do Datafolha, Mauro Paulino, afirmou que "a população está tomando conhecimento da gestão do Haddad e começa a tomar posição".
O primeiro dia da pesquisa foi anterior ao primeiro protesto contra o aumento da tarifa de ônibus; já o segundo captou as manifestações.
No final de maio, a prefeitura anunciou que a passagem aumentaria de R$ 3 para R$ 3,20, reajuste de 6,7%.
A inflação desde o último aumento, em janeiro de 2011, foi de 15,5%, de acordo com o IPCA (índice oficial, calculado pelo IBGE).
Houve violentos protestos contra o reajuste, incluindo confrontos dos manifestantes com a PM. Na quinta à noite, por exemplo, foram interditadas vias como 23 de Maio, Nove de Julho e Paulista.
Em maio, Haddad também enfrentou uma greve dos professores, que durou 23 dias.
Por outro lado, ele anunciou aumento do piso salarial dos servidores e novas regras para inspeção veicular, que deixará de ser anual para começar a ser cobrada a partir do 4º ano de licenciamento.
Entre moradores com renda familiar de até dois salários mínimos, 37% entendem que a gestão Haddad é ótima. Já entre os com renda superior a dez salários mínimos, a proporção é de 22%.
HISTÓRICO
A proporção média de moradores que considera o início da gestão de Haddad ótima ou boa (34%) supera a avaliação positiva em primeiro mandato dos prefeitos desde Jânio Quadros (16% em 1986), quando as eleições diretas ao posto retornaram.
O segundo mais bem avaliado é o tucano José Serra, com 30%, em 2005.
Apesar da avaliação melhor que a dos antecessores, a nota que a administração Haddad recebeu da população caiu de 5,9, para 5,4.
    Datafolha fez 1.066 entrevistas durante este mês
    DE SÃO PAULO
    O Datafolha fez 1.066 entrevistas, entre os dias 6 e 7, para avaliar a administração Fernando Haddad.
    Foram considerados moradores de São Paulo com mais de 16 anos.
    A margem de erro máxima da pesquisa é de três pontos percentuais para cima ou para baixo.
    A amostra permite dizer que se fossem realizados 100 levantamentos com a mesma metodologia, em 95 os resultados estariam dentro da margem de erro.

    Marcos Augusto Gonçalves

    folha de são paulo
    Passe livre
    Pressionar a área de transporte é salutar, mas o maior problema não é o valor das tarifas
    A garota pegou o trem na estação Sumaré, entrou, procurou um assento com os olhos, hesitou por um instante, e acabou sentando-se num banco lateral, perto de onde eu estava. À nossa frente, num quadro vazio, feito para cartaz de publicidade, uma pichação reclamava do aumento da tarifa.
    Como se sabe, governo tucano e prefeitura petista se acertaram para alinhar as passagens de ônibus e metrô em R$ 3,20 --num percentual, diga-se, abaixo da inflação. A medida gerou uma onda de protestos capitaneada pelo Movimento Passe Livre.
    A garota sorriu quando viu a pichação. Sacou um tablet da bolsa e tirou uma foto. Descemos juntos na estação Consolação. Pensei em falar alguma coisa, mas ela saiu apressada e sumiu na esteira rolante apinhada de gente, a caminho da linha amarela. Será que ela era do MPL?
    Não sei, mas me lembrei das meninas que conhecia nos tempos de movimento estudantil, quando exigíamos zero de aumento nas mensalidades da PUC, queríamos ensino gratuito para todos e acreditávamos que pedir liberdades democráticas era um desvio burguês, já que a ditadura seria derrubada para dar lugar a um governo de transição para o socialismo.
    O movimento estudantil tem grande capacidade de irritar os adultos, mesmo aqueles que no passado fizeram parte dele. É que boa parte dos estudantes universitários estão naquela situação invejável da criança crescida, que ainda não é inteiramente responsável por sua vida. Ganha dinheiro da família, usufrui de benefícios públicos, tem um engajamento frouxo --quando tem-- com a esfera da produção e acredita que pode consertar o mundo com meia dúzia de clichês irrealistas de esquerda.
    Também irrito-me às vezes com tudo isso, mas tendo a ser tolerante. Não apenas porque são situações que fizeram parte de minha própria formação, mas porque acredito que faça bem à sociedade a existência de instâncias que se mobilizam por reivindicações utópicas --ou que assim possam parecer.
    Depredações e vandalismos à parte, não creio que faça mal a São Paulo a existência de um movimento que pressione a área de transporte. É verdade que de anos para cá houve ampliação, melhoria e modernização da rede, mas estamos muito aquém de atender às exigências de quem precisa se deslocar por essa megacapital da imobilidade urbana. O aumento da tarifa é sempre uma boa oportunidade para protestar. No mínimo pode-se dizer que o serviço não vale o preço do bilhete.
    É um argumento, mas na realidade o maior problema não está no valor tarifa, e sim nas condições de oferta. Ou seja, não é bilhete menos alto que vai resolver, mas investimento em novas linhas, na redução do intervalo entre os trens e na construção de novos corredores de ônibus. Subsidiar tarifa é, em tese, possível, mas significa retirar dinheiro de outras áreas. E da própria expansão do sistema. Detesto dizer isso, mas não tem almoço grátis.
    Já que os nossos militantes do Passe Livre estão dispostos a protestar, poderiam ter uma pauta menos elementar e pressionar governo e prefeitura para que mexam o traseiro e ampliem as linhas de metrô, modernizem as de trem, abram novos corredores, ofereçam ônibus automáticos que não andem aos saltos e eliminem a catraca humilhante que trata passageiro como gado.

      Siga sua It Girl

      folha de são paulo
      Blogueiras viram celebridades entre adolescentes ao compartilhar gostos e apresentar dicas de moda

      GISLAINE GUTIERRE
      COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

      Se a ideia de pôr o filho de castigo é fazê-lo pensar, pode-se dizer que Isabella Scherer, 17 anos, soube bem aproveitar essa oportunidade.
      Não que tenha refletido sobre seu comportamento distraído, que a fez ser expulsa da sala de aula por três vezes. Sozinha no quarto, a filha do nadador Fernando Scherer, o Xuxa, usou o fim de semana de clausura para criar o blog The Blonde Cherry.
      Hoje com dois anos, ele tem cerca de 20 mil acessos por dia e que virou "fan page" no Facebook curtida por 16 mil pessoas (que passam a acompanhar os posts dela).
      Não seria uma audiência tão significativa entre blogs de moda não fosse o fato de Isabella estar em uma seara bem menos povoada: a de adolescentes que falam sobre moda e comportamento para pessoas na mesma faixa etária.
      Isabella é uma "it girl". A expressão está tão em voga que foi parar na novela das 19h da Globo, "Sangue Bom", cuja protagonista, Amora (Sophie Charlotte), é uma "it girl". Praticamente tudo o que essas meninas dizem, pensam e vestem, torna-se exemplo para milhares de garotas.
      Rodrigo Capote/Folhapress
      Isabella Scherer, 17, blogueira com 16 mil curtidas no Facebook, mostra look em seu quarto
      Isabella Scherer, 17, blogueira com 16 mil curtidas no Facebook, mostra look em seu quarto
      "O que mais querem saber é sobre o meu cabelo, qual é a cor, se tinjo...", diz Isabella. "Também querem saber como é o meu quarto. Pedem para tirar fotos, fazer vídeos."
      Às vezes, essa busca por intimidade pode assustar. Bruna Vieira, 18, criadora do blog Depois dos Quinze, lembra de uma fã que a procurou de prédio em prédio, nos arredores de sua residência. "Ela me localizou pelos meus check-ins que eu punha na internet", diz Bruna.
      A blogueira é um fenômeno teen. Seu site tem 355 mil seguidores e a "fan page" de seulivro homônimo, lançado em 2012, 57 mil curtidas.
      Como Isabella, Bruna posta tudo o que gosta. E lá estão looks criados intuitivamente ou com base em dicas que aprendeu na internet. Algumas fãs tratam Bruna como a melhor amiga. "Elas me convidam para almoçar, perguntam do meu namorado."
      Nah Cardoso, 20, leva quase uma vida de celebridade. Em shows de bandas para o público adolescente, as meninas fazem fila para pedir autógrafo e tirar fotos.
      "Em 2011, levei meus pais a um show da Manu Gavassi e eles ficaram impressionados com o tanto de gente que veio falar comigo", diz.
      Nah tem 230 mil seguidores no Instagram, 143 mil no Twitter 163 mil assinantes no Facebook pessoal. Seu site, criado em abril passado, teve cerca de 1 milhão de acessos em três semanas.
      Hoje, blogueira é sua profissão. Tanto que trancou a faculdade de publicidade só para cuidar dos posts. "Tem gente que vê a Amora na TV e acha que é futilidade, que você só escreve, posta fotinho e é feliz. E não é isso", diz.
      Nah não revela valores, mas diz tem condição suficiente para não se preocupar com emprego. O dinheiro vem de anunciantes. Bruna, por exemplo, conseguiu comprar seu apartamento.
      Ao ver o sucesso de seus pares, Mayara Oliveira, 15, criou o The Girls +, que "nasceu com a proposta de ser o maior blog fashion do Brasil", como ela mesma afirma em sua homepage, com cerca de 20 mil acessos por mês. No Facebook, a "fan page" tem 15 mil curtidas.
      "Virei uma personalidade na escola. Até a professora me pergunta como compor um look", diz a estudante.
      Bruna, que na escola sofreu bullying por ser gordinha e estrábica, extrai da experiência com o blog que para ser feliz, basta ser você mesmo, sem medo do que vão pensar. E é isso que ela tenta dizer a suas leitoras. "Ser diferente é legal."
      Atriz se diz impressionada com poder de influência de blogueiras
      COLABORAÇÃO PARA A FOLHANo ar na novela das 19h da Globo, "Sangue Bom", como Amora, Sophie Charlotte conta à Folha, como foi a preparação para viver a personagem de uma "it girl".
      Folha -- Como foi sua pesquisa para criar a Amora?
      Sophie Charlotte - Pesquisei vários blogs e, como as meninas costumam indicar amigas, fui descobrindo um atrás do outro. O interessante é que eles são uma ponte entre o que é conceitual e o que está na rua, e não se restringem mais só ao "look" do dia.
      Você encontrou "it girls" adolescentes nessa pesquisa?
      Assisti ao documentário "Profissão: It Girl" e fiquei impressionada de ver como essas meninas influenciam por seu carisma e sua atitude. Algumas são bem novinhas. Elas, mesmo vestindo um uniforme, jogam um casaco por cima, de um jeito diferente, customizado.
      Acha que, por causa da Amora, você mesma passou a ser referência fashion?
      As pessoas têm sido muito carinhosas, mas não sei se reparam mais em mim pelo trabalho ou pela Amora. A personagem é "it girl", mas eu não.